A
R T I G O
Potencial Brasileiro para Créditos de Carbono
Fonte:
www2.ibam.org.br/rcidades/principal.asp
Antes
mesmo da concretização do acordo de Kyoto, diversas
iniciativas já começam a organizar um novo mercado
que, uma vez estabelecido, deve movimentar bilhões de dólares
e onde o Brasil pode ter um papel relevante. Esse mercado começa
a ser conhecido pelo nome de “Comercialização
de Crédito de Carbono”.
Desde que a Convenção das Nações Unidas
sobre Mudanças Climáticas, a famosa ECO-92 realizada
no Rio de Janeiro, vem-se buscando estabelecer fórmulas
para reduzir as emissões de Dióxido de Carbono (CO2).
O recado estava dado: em grande parte, seria preciso reduzir o
uso de combustíveis fósseis, como forma de mitigar
os problemas de aquecimento terrestre.
Essa redução
pode acontecer sem sacrificar as pessoas e economias de países
que podem evitar o uso de energia fóssil com mais facilidade,
usando energias renováveis, por exemplo, na geração
de eletricidade com resíduos agrícolas e/ou diminuindo
o uso de combustíveis fósseis em transportes.
Por outro
lado, nos países onde esta substituição não
puder ser feita sem sacrificar a economia ou porque o custo é
muito elevado, se valeriam de um esquema de mercado comprando
“certificados de não emissão de CO2”
de quem tem potencial de realizar e comprovar ações
como as acima. Esses “créditos” ou “bônus”
são comprados por entidades de países que precisam
reduzir a poluição que provocam.
O mecanismos
é cristalinamente simples, mas a sua aplicação,
na prática, tem-se mostrada difícil, passando por
tortuosos caminhos da política internacional, associados
agora ao nome de “Kyoto”, cidade onde foi, finalmente,
aprovada uma fórmula depois de quase dez anos. Ao que tudo
indica, ao longo do próximo ano, apesar das oposição
dos Estados Unidos, esse mecanismos será aprovado por uma
quantidade de países que o tornará operacional.
O Brasil
tem diversos potenciais e formas de produzir energia limpa, que
lhe permite o direito de se beneficiar dos “créditos
de carbono”. Mas uma das áreas onde a ação
pode ter resultados mais importantes, e a curto prazo, é
no setor sucroalcooleiro.
Esta semana
lemos a noticia de que pelo menos 10 usinas sucroalcooleiras da
região de Ribeirão Preto estão cumprindo
os procedimentos técnicos para comercializar “créditos
de carbono” no mercado internacional, graças à
eficiência energética obtida com co-geração
de energia elétrica com aproveitamento dos resíduos
da cana-de-açúcar.
Notícias
muito recente também contam que o presidente Fernado Henrique
Cardoso deve assinar com o Chanceler alemão Gehard Schröder
um acordo pelo qual a Alemanha comprará bônus num
total de R$ 100 milhões, que serão usados para incentivar
a compra de carros a álcool.
Em termos
energéticos, a safra da cana de 1999, incluindo as palhas
que também podem ser queimadas para gerar eletricidade,
superou 30 milhões de TEP - Toneladas Equivalentes de Petróleo,
ou seja, mais de metade do petróleo produzido naquele ano
no Brasil (55 milhões TEP).
Assim, o
INEE propõe uma retomada inteligente da questão
da cana energética, considerando que o álcool, sem
subsídios, compete com a gasolina, e que os problemas de
geração elétrica estão longe de estar
equacionados e que os problemas técnicos continuam patinando
à procura de soluções.
Além
de muitas vantagens – como reduzir a dependência do
câmbio e do preço internacional do petróleo
e poder gerar energia justamente na época em que as hidrelétricas
têm baixa afluência - o uso inteligente da cana para
fins energéticos pode significar uma injeção
de recursos para o país. Inclusive por meio desse novo
mercado, “Crédito de Carbono”
Seria interessante
que agências do Governo, como o BNDEs – Banco Nacional
do Desenvolvimento Econômico e Social, por exemplo, começassem
a levar em conta essa nova variável de financiamento no
complicado xadrez da equação energética.
Sabemos que
é apenas um começo. Mas um excelente começo!
Jayme Buarque
de Hollanda é engenheiro e diretor geral do INEE –
Instituto Nacional de Eficiência Energética e do
Fórum de Co-Geração e Geração
Distribuída.
Fonte:
www2.ibam.org.br/rcidades/principal.asp
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