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Casa
Ecológica, da Coppe/UFRJ, representa o Rio em concurso nacional
pelo uso racional da energia
Jornal do Commercio
RJ (RJ), Universidade Aberta, 23/7/2001
Danielle Borges
Termina, no
próximo dia 31, o prazo para enviar, ao Ministério
da Ciência e Tecnologia, propostas de produtos e serviços
que enfoquem o uso eficiente de energia e o aproveitamento de
alternativas energéticas. Além das instituições
de ensino, podem inscrever trabalhos empresas e centros de pesquisa
de todo o País, independentemente do porte ou setor de
atuação. A Financiadora de Estudos e Projetos (Finep)
escolherá os melhores, que serão divulgados em feiras,
eventos, mostras e sites.
No Rio, a Coordenadoria de Projetos de Pós-Graduação
em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ)
concorrerá com projeto de casa ecológica, que vem
sendo planejado há cerca de um ano. Com economia de 90%
em relação à construção convencional,
a chamada casa ecológica enfoca o uso de materiais menos
intensivos em energia (de baixo consumo energético em sua
produção) e no bioclimatismo, que consiste no aproveitamento
do clima, relevo e vegetação do local da construção,
capazes de fazer o ambiente da casa mais confortável.
- A idéia surgiu da necessidade de fazer uma arquitetura
sustentável no meio construído. Um dos exemplos
é que passamos a projetar a casa de forma que aproveitasse
as correntes de ar da região para climatizá-la,
economizando a energia gasta por aparelhos de ar condicionado
- conta Andréa Borges, doutoranda em planejamento energético
da Coppe e responsável pelo projeto, ao lado de quatro
arquitetos.
Água
aquecida pela luz do sol
Desde
1991, quando o racionamento ainda não fazia parte do dia-a-dia
do brasileiro, a Sunpower, uma das 53 empresas do Centro Incubador
de Empresas Tecnológicas da Universidade de São
Paulo (Cietec/USP), estuda formas de reduzir o consumo de energia.
Desenvolveu um aquecedor solar de água de baixo custo,
que também será inscrito na chamada promovida pela
Finep. Com preço médio de R$ 100, a solução
pode ser instalada nos tetos das casas em complementação
ou substituição aos chuveiros elétricos tradicionais.
O sistema usa reservatórios de papelão, isopor e
alvenaria ou caixas d'água convencionais com placas furadas
de termoplástico, responsáveis pela conversão
da luz em calor. Para facilitar a montagem, a empresa pesquisadora
de energia alternativa produziu kits do tipo faça você
mesmo, com materiais simples para sua instalação,
como plástico, isopor, tubo e cola. A economia de energia
dependerá da temperatura do dia na região onde o
aquecedor for instalado.
- Se a temperatura máxima do dia alcançar de 20
a 23 graus Celsius, a água é aquecida a 40 graus
Celsius, suficiente para um banho. Neste caso, o consumo de energia
é zero. Se a temperatura do ambiente estiver baixa, a água
é aquecida pelo sistema até, pelo menos, 35 graus
Celsius, e o restante fica por conta da eletricidade. A economia
de energia, então, é de 70% - explica o engenheiro
eletrônico Augustin Woelz, diretor da Sunpower.
Em breve, o produto estará disponível na Internet
para os interessados em produzi-lo. Para isso, Woelz garante que,
embora tenha patenteado o aquecedor há dois anos, está
disposto a abrir mão da patente se conseguir um patrocinador.
(Daniele Borges)
Serviço:
Cietec/USP, 0xx-11-3812-8466
Água
das chuvas
O
telhado naturado permite captar a água da chuva, que pode
ser utilizada em serviços como lavar calçadas e
quintais ou regar plantas.
Arquitetura
sustentável
Com
economia de 90% em relação à construção
convencional, a chamada casa ecológica enfoca o uso de
materiais menos intensivos em energia (de baixo consumo energético
em sua produção) e o bioclimatismo, que consiste
no aproveitamento do clima, relevo e vegetação do
local da construção, capazes de tornar o ambiente
da casa mais confortável.
Coco e
bambu
Na construção,
é utilizado cimento que necessita de menos energia na fabricação
e substituídos a telha de cerâmica por telha de fibra
de coco, o aço por bambu e o tijolo cerâmico por
tijolo de solo-cimento (material que não precisa ir ao
forno). "São materiais já usados separadamente
que, agora, estão sendo aplicados juntos, numa única
construção", enfatiza Andréa.
A casa ecológica pode, ainda, ter dois sistemas distintos
de telhado, ambos com aproveitamento de recursos naturais e economia
de itens imprescindíveis ao meio ambiente: o suporte de
madeira para as telhas (madeiramento do telhado) projetado com
bambu e a chamada cobertura naturada.
"A vegetação original do terreno onde a casa
será construída é cultivada, em mudas, numa
estufa e, após determinado período, plantada sobre
a laje da habitação, conforme um projeto paisagístico",
explica Andréa.
Com o telhado natural, a água das chuvas pode ser captada
para serviços como lavar calçadas e quintais ou
regar plantas. Além disso, a água, por meio da vegetação,
retorna ao solo, completando seu ciclo natural. Os arquitetos
da Coppe estudam até que ponto esse recurso irá
melhorar as condições de climatização
do ambiente interno e diminuir o impacto ao meio ambiente.
A partir de agosto, os pesquisadores começarão a
trabalhar na construção do protótipo da casa,
testando novas possibilidades de substituição dos
materiais. Conforme as datas de feiras, mostras, exposições
e eventos onde a Finep estiver presente, se o projeto for aprovado,
o protótipo poderá ser apresentado ainda este ano.
Para participar
Deverão
constar, nas propostas encaminhadas à Financiadora de Estudos
e Projetos (Finep), o estágio atual de desenvolvimento
do produto ou serviço, suas aplicações mais
importantes, o grau de proteção de tecnologia (sigilo,
marca, patente, modelo de utilidade, registrados ou concedidos),
a integração com as universidades ou centros de
pesquisa, as expectativas em relação aos resultados
econômicos e as avaliação de desempenho.
Com até dez páginas, as propostas deverão
incluir, ainda, dados cadastrais da empresa ou instituição
e devem ser enviadas, via Internet, para o e-mail energia@finep.gov.br.
Documentos comprobatórios, fotos, vídeos e informações
que possam complementar a avaliação devem ser remetidos
para o Seac/Finep, Praia do Flamengo, 200/13º andar, Flamengo,
Rio de Janeiro, RJ, CEP 22210-030.
Os trabalhos serão pré-qualificados e, em seguida,
selecionados para apresentação nas feiras, exposições,
mostras e sites. Exame formal da proposta, a pré-qualificação
será eliminatório. A financiadora levará
em conta o envio do projeto na data-limite, seu preenchimento
completo e adequado e a possibilidade da instituição
em concorrer.
Após essa etapa, os trabalhos serão enviados para
grupos de análise compostos por especialistas nacionais
das áreas de energia, planejamento, administração
e gestão de ciência e tecnologia e técnicos
das agências financiadoras. Na avaliação de
mérito, serão considerados a relevância da
proposta, os resultados esperados em relação à
eficiência energética e a viabilidade técnico-financeira.
Telhado
naturado
A vegetação
original do terreno onde a casa será construída
é cultivada, em mudas, numa estufa e, após determinado
período, plantada sobre a laje da habitação.
Ventos
Aproveitam-se
as correntes de ar da região para climatizá-la,
economizando a energia gasta por aparelhos de ar condicionado.
Quantos KWH cada um consome para ser produzido?
Materiais Intensidade convencionais energética por m2 (kWh)
Cerâmica: 69,42
Cimento: 19,27
Aço: 151,30
Eco-materiais Intensidade energética por m2 (kWh)
Cerâmica adobe: 0
Cimento: 4,43
Bambu: 0
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