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A L T E R N A T I V A   P A R A   A   C R I S E
Energia que vem do bagaço
Fonte: Jornal O Povo,
25.11.2001

A partir de 2003 o Brasil poderá contar com a participação efetiva da energia gerada pelo bagaço da cana-de-açúcar. A Câmara de Gestão da Crise Energética já está analisando a criação de um Programa Prioritário de Biomassa. A expectativa é de que daqui a dois anos a co-geração a partir do bagaço consiga inserir no sistema cerca de 3 mil MW excedentes (USAR SELO CRISE ENERGÉTICA)

Após inúmeras reivindicações do mercado, finalmente a co-geração de energia elétrica a partir do bagaço de cana-de-açúcar vai entrar na pauta do governo. Nas próximas semanas, o Ministério de Minas e Energia encaminhará à Câmara de Gestão da Crise Energética (GCE) um estudo para criação de um Programa Prioritário de Biomassa, semelhante ao das termoelétricas. Mas o projeto deverá enfrentar a oposição de alguns membros do governo, que preferem apostar em grandes empreendimentos, com maior capacidade de geração, como as térmicas.

Segundo o ministério, o programa contaria com 1.500 megawatts (MW) de potência, sendo 1.200 somente de energia gerada a partir do bagaço de cana. O restante seria contratado de outras fontes renováveis de biomassa, como casca de arroz, resíduos vegetais, babaçu, sisal, entre outras. O estudo, porém, ainda poderá sofrer alterações na GCE, que precisará emitir uma resolução determinando as características do programa.

O bagaço da cana-de-açucar
é uma fonde de energia renovavel
de biomassa: alternativa viavel

Embora o estudo esteja quase finalizado, existem alguns pontos que precisam ser analisados mais detalhadamente pela GCE. Entre eles, a quantidade de energia a ser adquirida, o preço da eletricidade gerada e o período para a entrada em funcionamento das instalações. Como nos demais projetos emergenciais, o prazo está sendo fixado até dezembro de 2003.

Outra preocupação é a regularização dos contratos que garantem a compra da energia por períodos dilatados, entre 10 e 15 anos. Somente dessa forma os empreendedores se sentiriam mais seguros com o investimento, pois garantiriam a venda do produto.

De acordo com o ministério, o projeto complementaria o atual programa do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Desde maio, quando a linha de crédito foi lançada, seis projetos de co-geração a partir do bagaço de cana foram financiados, totalizando R$ 725 milhões. As novas instalações vão injetar no sistema elétrico cerca de 200 MW.

Segundo o diretor de Infra-estrutura do BNDES, Otávio Lopes Castelo Branco, outros 11 projetos, num total de 220 MW, ainda estão sendo avaliados pelo banco. A expectativa é que até 2003 a co-geração a partir do bagaço de cana consiga inserir no sistema cerca de 3 mil MW excedentes. Para obter o financiamento do banco, as usinas do setor sucroalcooleiro precisam firmar contratos de longo prazo, garantindo a venda da energia.


OS DOIS LADOS DA MOEDA
O combustível usado na geração é o bagaço e a palha da cana. Veja as vantagens e desvantagem neste tipo de energia:

Vantagens:
- Não depende de chuvas
- O custo da energia não depende de fatores externos, como o câmbio
- Geram energia exatamente no período seco, quando o nível dos reservatórios começa a baixar

Desvantagem:
- Por causa da sazonalidade, essas usinas somente produzem entre maio e novembro. Entre dezembro e abril, as distribuidoras precisam recorrer à energia de outras fontes, principalmente a hídrica. A grandes usinas sucroalcooleiras estão investindo na infra-estrutura das empresas para evitar este problema. A geração de energia está se transformando na terceira alternativa de negócios desse setor.

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"Em momentos de crise, só a imaginação
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Albert Einstein

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