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ILUMINAÇÃO NATURAL AJUDA A DRIBLAR A CRISE DE ENERGIA NAS EMPRESAS


* Sigfrido Francisco Carlos Giardino Graziano Júnior



Há alguns meses, outro artigo do mesmo autor tratou resumidamente de alguns aspectos relativos ao melhor uso da luz natural na elaboração de projetos arquitetônicos.
Naquela ocasião, numa breve visão histórica, foi mencionado o motivo pelo qual a luz natural foi deixada de lado. Se este conhecimento é tão antigo, por que deixou de ser usado ou ensinado? Se o homem domina a natureza, por que se preocupar se a ciência tudo pode?

Ficou um chamado:

Senhores arquitetos e engenheiros, o que podemos fazer?

Ou ainda:

Vocês devem reviver as receitas dos antepassados!

Ou ainda:

Qual é a tecnologia disponível na atualidade?

O ano de 2002 se iniciou com algumas questões no ar. A população e o país se moveram e acharam algumas respostas, mas ainda procuram soluções. Ótimo! Todos juntos!
Vamos apenas imaginar agora a compra de um eletrodoméstico. Uma geladeira, por exemplo. Atualmente, há um selo nas novas geladeiras que indica a quantidade de energia consumida. Ele garante a qualidade do eletrodoméstico.
Assim, o consumidor adquire um ou outro produto, também levando em consideração a eficiência energética.
Vamos aumentar um pouco o tamanho do nosso aparelho.
Uma instalação comercial tem a iluminação medianamente instalada com pontos de luz no teto com uma densidade de 10 W/m2, com iluminação fluorescente. Com uma área de 500 m2, o consumo por hora é de 5.000 W ou 5.0 kW.
Durante um dia de trabalho, durante 10h e 22 dias úteis por mês, o consumo com a iluminação chega a, aproximadamente, R$ 250,00 por mês.
Se esta mesma sala tiver um projeto de iluminação natural, este consumo pode ser totalmente eliminado.

Mas será que isto é interessante numa época de competitividade e estreitas margens de lucro?

Além disso, há outros fatores que um bom projeto de iluminação natural proporciona, como:

1. As instalações elétricas de iluminação trazem o aquecimento das lâmpadas. Sendo incandescente, o valor aumenta consideravelmente. Esta carga térmica, com a luz natural refletida em planos, é muito reduzida, uma vez que o aquecimento é muito menor. Isso significa que haverá menor consumo para os aparelhos de ar condicionado e melhor conforto pela qualidade da luz natural.
2. O prazo de desgaste da troca de lâmpadas das instalações, a mão-de-obra, as instalações de escadas e os transtornos internos da empresa são, consideravelmente, reduzidos. Isso se deve ao fato de ser acionado apenas durante períodos com muita nebulosidade e céu escuro, ou durante os horários em que não há luz natural disponível.
3. Há uma busca, ou uma preferência, do ser humano pela luz natural. O seu fechamento durante a jornada de trabalho traz a incômoda sensação de perda do contato com o mundo exterior. Mesmo que for uma janela aberta para um visual não tão espetacular, isso é preferível do que um ambiente fechado, embora fartamente iluminado de forma artificial. Há uma busca do contato com as mudanças do Sol, variação da nebulosidade, variação da entrada de luz no globo ocular e movimentação da musculatura de ajustes. Sistemas artificiais mantêm a mesma luminosidade, e isso, ao contrário do que alguns ainda pensam, não é bom para o olho humano, que busca se ajustar e acompanhar as pequenas variações ao transcorrer do dia.
4. A luz natural traz uma riqueza de radiação ultra-violeta que não se perde com a reflexão e que traz salubridade pela sua ação bactericida e germicida, principalmente no horário da manhã.

Imaginaram agora adquirir uma obra ou um espaço com um selo de qualidade ambiental, com eficiência energética?Imaginaram que a eficiência ou um menor gasto pode ser um fator de valorização do imóvel?

Mas o que muda num projeto como este?

Estuda-se a orientação solar, projetando e pensando a obra com as aberturas voltadas para o local mais adequado. É usar o conhecimento da trajetória do Sol, a inclinação, os horários e as estações no início do projeto.

E se não estiver certo?

A simulação com o modelo em 3D é feita mostrando onde há incidência de luz e onde há sombra em qual hora do dia, em qual dia do mês e em qual local do planeta (latitude e longitude). A trajetória do Sol é conhecida há milênios, só é preciso lembrar disso e usar os dados certos.

Mas só as janelas mudam?

Depende. A proposta pode ser um telhado diferente, com maior ou menor inclinação, por exemplo. Pode-se rever o tamanho do beiral. A proposta pode ser um prisma ou um poço de iluminação ou criar um átrio e usá-lo como um novo espaço. Há muitas idéias a serem discutidas.

E se a obra estiver pronta ou ser uma obra existente e já em funcionamento?

Os estudos podem indicar melhorias com a substituição da esquadria e das janelas, instalar planos de proteção solar, refletores horizontais, verticais ou inclinados, enfim, todos os projetos, novos ou reformas, podem ter os efeitos simulados com um modelo em 3D e os efeitos calculados por computador, com grande aproximação da realidade.

Tem algum caso sendo projetado?

É algo interessante. Quando um edifício é construído para ser vendido, nem sempre o incorporador se compromete com o consumo do edifício. Muitas vezes, isso não é tão importante, já que a conta não vai ser paga por ele. Isso talvez somente seja mudado com a criação de um selo de eficiência energética, exigido por lei e inspecionado por um órgão confiável.
No caso de obras públicas, o estado constrói e vai pagar a conta. Assim, para convencer os órgãos e as empresas públicas, muitas vezes, basta mostrar que o país precisa disso e que a redução de consumo vai repercutir em redução de gastos do Estado.
Estão sendo feitos alguns projetos para a Secretaria Estadual da Educação de Santa Catarina para que algumas escolas públicas que não dispõem de quadras cobertas passem a ter atividade desportiva escolar mesmo em dias de chuva, mantenho os alunos protegidos da chuva e sob uma iluminação totalmente natural.
O projeto também inclui a iluminação artificial, a ser acionada nos casos de céu muito nublado e atividades desportivas noturnas.
A seguir, podem ser observadas duas imagens das simulações quadra esportiva coberta com iluminação natural e artificial:



Simulação das quadras esportivas cobertas com iluminação natural e níveis em lux





Simulação das quadras esportivas cobertas com iluminação artificial.




* Sigfrido Francisco Carlos Giardino Graziano Júnior é arquiteto graduado pela Universidade Federal de Santa Catarina, com pós-graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho e Mestrado em Ergonomia - Conforto Ambiental com foco em Iluminação. Também atua na Caixa Econômica Federal na área de Saúde e Bem-estar em Florianópolis - SC. Além de realizar estudos, projetos e simulações de ambientes com iluminação natural e artificial, é professor de Ergonomia e Luminotécnica.
E-mail: c2sig@pobox.udesc.br
Fonte: http://www.catho.com.br/

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"Em momentos de crise, só a imaginação
é mais importante que o conhecimento."

Albert Einstein

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