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Mineradoras
investem em autogeração
Fonte: Jornal Gazeta
Mercantil, 09.11.2001
Um grupo de
gigantes da indústria de mineração e metalurgia
decidiu apostar no leilão para a concessão da Usina
Hidrelétrica de Santa Isabel, na divisa do Pará
com o Tocantins, marcado para o dia 30 de novembro na Bolsa de
Valores do Rio de Janeiro (BVRJ).
O projeto
de construção, de R$ 1,8 bilhão, está
levando à disputa o maior consórcio de empresas
do setor já formado no País para um empreendimento
no setor energético. A usina de Santa Isabel é vista
como altamente estratégica para as empresas por causa da
sua elevada capacidade de geração, que terá
potência instalada de 1.087 megawatts.
O consórcio
Gesai, pré-qualificado pela Agência Nacional de Energia
Elétrica (Aneel) e favorito no leilão, é
formado pela Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), com 43,85% de
participação, pela inglesa Billiton Metais (20,60%),
pela norte-americana Alcoa Alumínio (20%), e ainda pelos
grupos Votorantim (10%) e Camargo Correia (5,55%). Do lado outro
da disputa está a Tractebel, subsidiária do grupo
belga Suez, que controla a Gerasul (SC), adquirida em leilão
de privatização há três anos. A Gerasul
é o maior investimento da Suez fora da Bélgica.
A participação da Iberdrola Energia, desqualificada
do processo pela Aneel, depende de recurso judicial.
Segundo o
gerente geral da diretoria de energia da Vale, José Maciel
Paiva, esta é a primeira vez que mineradoras se juntaram
num consórcio no setor energético foi para a construção
da Usina Hidrelétrica de Igarapava, inaugurada em 1998,
na divisa de São Paulo e Minas. A usina, que custou US$
235 milhões, gera 210 MW e a distribuição
é compartilhada entre a Companhia Mineira de Metais (CMM),
do grupo Votoratim, CVRD, Companhia Siderúrgica Nacional
(CSN) e Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig). "A
diferença é que aquela experiência foi apenas
um aprendizado, levando em conta a capacidade de geração.
Agora estamos prontos para vôos muito mais altos",
afirma.
Paiva diz
que, caso o consórcio Gesai seja o vencedor, a Vale terá
dado um passo enorme rumo à sua auto-suficiência
energética. "Na verdade, levando em consideração
as usinas que estamos construindo e os projetos que já
decidimos investir, chegaremos em 2009 gerando mais energia do
que precisamos para as nossas operações", afirma.
A Vale consome hoje 14 milhões de megawatts/hora por ano,
o que representa 4,5% da energia gerada no Brasil, mas a sua autogeração
com as usinas de Igarapava e Porto Estrela, também em Minas
Gerais, é de apenas 4,2% (585 MW/h). Em 2001, a mineradora
investiu US$ 50 milhões em autogeração e
estuda um orçamento de aproximadamente US$ 130 milhões
para 2002.
O apetite
da Vale, além da hidrelétrica de Santa Isabel, se
estende aos projetos das usinas de Estreito e Serra Quebrada (TO),
próximas a serem leiloadas pela Aneel, e à usina
de grande porte Belo Monte (PA), que terá capacidade de
11 mil megawatts. "Na Vale, estamos tratando a energia como
negócio. Por isso, quando o projeto é considerado
bom, nós decidimos apostar e investir", diz Paiva.
No caso de Santa Isabel, o executivo comentou que neste momento
os investidores estão decidindo as estratégias para
a participação no leilão, que terá
lance mínimo de R$ 3,4 milhões por ano, do 7º
ao 35º ano da concessão. A obra está prevista
para começar em 2003, após a liberação
das licenças ambientais e de instalação.
Na Alcoa,
a expectativa para o leilão também é grande.
A empresa, maior fabricante mundial de alumínio, é
totalmente dependente das concessionárias para o funcionamento
de suas unidades em Poços de Caldas (MG), onde teve que
cortar 50% de sua produção anual de 90 mil toneladas
por causa da crise energética. Um investimento de curto
prazo já aprovado envolve R$ 213 milhões para a
construção da hidrelétrica Serra do Facão,
no rio São Marcos (GO). A Alcoa participará com
40% ma construção do projeto com o qual obterá
72 MW/h de energia. Até 2008, prevê investimentos
de US$ 1 bilhão para conquistar a auto-suficiência.
A Billiton
também tem alto interesse no leilão de Santa Isabel
como proteção para os seus negócios de bauxita
e alumínio, onde atua com Alumar, Valesul e Mineração
Rio do Norte. Os investimentos, para a empresa, são considerados
como "defensivos" já que a indústria do
alumínio no Brasil provou ser a mais afetada pela crise
do racionamento, com redução de produção,
exportações e perdas estimadas em US$ 400 milhões
até o final de 2002.
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