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Perda
de Calor custa US$ 1,8 bi/ano
Fonte: Jornal do
Commercio (SIMONE GUGLIOTTA) - 09.12.2002
Rio, 9 - O
desperdício do calor gerado com todas as fontes de energia térmica
no Brasil chega a aproxidamente US$ 1,8 bilhão ao ano. A perda
resulta da falta de isolação térmica ou da forma inadequado de
aplicação desse processo em cerca de 80% das instalações brasileiras,
conforme o membro do Conselho Empresarial de Energia da Associação
Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ), o engenheiro químico Thomaz
D'Ávilla. Em workshop sobre Energia Térmica realizado ontem, na
ACRJ, D'Ávilla afirmou que empresas nacionais produzem, importam,
transportam, industrializam combustíveis e os queimam desperdiçando
uma quantidade enorme de calor sem aproveitá-los como energia.
"Cerca de 25% do calor total produzido no País são perdidos por
falta de isolação térmica. É um problema cultural. Com essa perda
daria para construir uma Termelétrica Norte Fluminense por ano",
acrescentou D'Ávila. O conselheiro de energia da ACRJ, Paulo Pegado,
que abriu o evento, também frisou a importância da divulgação
do uso racional da energia térmica, lembrando que 65% de toda
a energia da humanidade são de origem térmica. O engenheiro Pedro
Victor de Carvalho, da empresa Calorisol, especializada em isolantes
térmicos, ressaltou que grandes grupos como Petrobras, Companhia
Siderúrgica Nacional (CSN), Manguinhos e laboratórios farmacêutivos
preocupam-se conservar energia térmica. "Estas companhias utilizam
o isolamento para queimar menos combustível e gerar mais energia.
Os investimentos
em aparelhos apropriados à isolação térmica podem representar
um retorno rápido, de seis meses, em média", afirmou Carvalho.
- Perto de 450 mil barris de petróleo, dos 1,5 milhão barris que
são consumidos diariamente no País, são utilizados para aquecer
processos industriais e produzir vapor. Considerando que, em média,
o preço do barril esteja em torno de US$ 25, chegamos ao dispêndio
diário de US$ 11,2 milhões. Estamos nos referindo apenas ao processo
da queima de derivados de petróleo, não considerando, portanto,
o gás natural, o carvão mineral e a lenha. O gasto seria, então,
bem maior - destacou D'Ávilla. D'Ávilla lançou a proposta de um
Programa de Combate ao Desperdício de Energia Térmica, o Procet.
A ACRJ levará
o programa ao Ministério de Minas e Energia, órgão que seria encarregado
de coordenar e executar as medidas de conservação. - Esse programa
virá disciplinar dentro do possível o uso da energia térmica para
evitar a perda imensa de recursos. A meta é obter, a partir do
terceiro ano de implantação do Procet, uma economia média de 20%
ao ano em termos de demanda evitada - explicou o idealizador do
programa. D'Ávilla defendeu a difusão da opção por tinta branca
na pintura de telhados e paredes para economia de energia elétrica.
Segundo o engenheiro, essa medida simples faz com que apenas 10%
da radiação solar penetre em ambientes fechados, o que mantém
a temperatura interna confortável e os aparelhos de ar condicionado
desligados."O custo de uma pintura de branco a cada dois ou três
anos é insignificante comparado à economia de energia elétrica",
concluiu o engenheiro.
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