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Pesquisadores
mostram viabilidade de energias renováveis
Fonte: Agência
Estado (Maura Campanili) - 24.10.2002
O clima e
a geografia brasileiros favorecem a utilização, no País, de energias
renováveis, como a de biomassa e até de ondas do mar. Esse foi
um dos destaques hoje do IV Seminário Internacional de Meio Ambiente
Industrial (Simai), que acontece até a amanhã no Expo Center Norte,
em São Paulo. Segundo o engenheiro Nelson Parente Júnior, diretor
técnico da Empresa Brasileira de Reciclagem (EBR), "o potencial
energético das ondas disponível na costa brasileira é de cerca
de 120 milhões de quilowatts (KW), algo em torno de 8 a 10 Itaipus.
Desse total, seria razoável utilizar pelo menos 20%", defende.
Através de uma parceria com o Instituto de Pesquisas Tecnológicas,
a Universidade de Ribeirão Preto (Unaerp) e Fundação Fernando
Eduardo Lee, a EBR está desenvolvendo o primeiro projeto para
aproveitamento da energia de ondas no País. O projeto piloto deverá
ser instalado na Ilha do Arvoredo, em frente à Praia de Pernambuco,
no Guarujá, litoral de São Paulo, onde a Fundação Eduardo Lee
já mantém fontes de energia eólica e solar. "A idéia é analisar
essas três fontes, com alta disponibilidade no litoral brasileiro,
em conjunto", diz. Parente conta que o aproveitamento da energia
das ondas já é utilizado em países como Japão, Noruega e Índia
e que as ondas brasileiras, com altura média entre 1,5 a 2,5 metros,
são baixas, mas constantes durante todo o ano, o que é uma vantagem
para seu aproveitamento. Essa utilização pode ser feita através
de bóias de superfície, onde não ocorre arrebentação, ou utilizando
as águas submersas, através de vasos comunicantes, levando a energia
diretamente para uma fábrica, por exemplo, em regiões de praias.
O custo de implantação desses sistemas, conforme o engenheiro,
seriam de US$ 2 mil dólares o quilowatt. O projeto experimental
no Guarujá está sendo encaminhado para a Financiadora de Estudos
e Pesquisas (Finep), para entrar em execução.
Capim elefante
- Outro projeto apresentado foi a utilização da biomassa do capim
elefante como fonte energética. Conforme o pesquisador Vicente
Mazzarella, do IPT, essa fonte renovável tem o potencial de suprir
entre 5% a 10% do consumo energético brasileiro em até dez anos,
com uma área plantada de 1.700 mil hectares, 70% da área plantada
com cana-de-açúcar somente no Estado de São Paulo. Desenvolvido
há três anos, com recursos da Finep, o projeto envolve, além do
IPT, o Instituto de Zootecnia, a Embrapa/Rio de Janeiro e a Unicamp.
Segundo as pesquisas, a produtividade energética do capim elefante,
que cresce 5 metros em um ano, é de quase o dobro da cana-de-açúcar,
além de capturar mais carbono. Pode competir também com o eucalipto
na produção de carvão. Mazzarella diz que já existem projetos
em andamento para sua utilização como lenha em fábricas de cerâmica
e como substituto do carvão mineral importado em uma mineradora
de minério de ferro. O pesquisador afirma que o capim elefante
pode ser usado ainda em usinas termelétricas, diretamente em indústrias
e, através do bagaço, na produção de álcool. "Sua utilização pode
diminuir o uso de combustíveis fósseis e ainda criar 500 mil empregos
no país", defende.
Co-processamento
- Outra tecnologia apresentada foi o co-processamento de resíduos
industriais na fabricação de cimento. Segundo Carlos de Oliveira
Ávila, gerente geral da Resotec, empresa que utiliza o sistema,
os fornos de cimento, além de mais poderosos do que os incineradores
comuns, ainda utilizam as cinzas como matéria-prima, reaproveitando
os resíduos, que passam a fazer parte do cimento. Ávila explica
que grande parte dos resíduos podem ser utilizados no sistema,
como pneus, plásticos, químicos e borras ácidas, propiciando ao
fornecedor um certificado de destruição térmica, deixando-o em
ordem com a legislação ambiental. "Se todas as fábricas de cimento
do país fizessem o co-processamento, resolveríamos o problema
de 1,5 milhões de tonelada/ano de resíduos industriais no País".
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