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Usinas Paulistas Recebem Créditos de Carbono
Fonte:
Agência Estado (Maura Campanili), 27.08.2002
São
Paulo, 27 - Três usinas canavieiras paulistas receberam
hoje a certificação pela produção
voluntária de energia renovável, proveniente da
co-geração do bagaço de cana. Com isso, as
usinas Alta Mogiana, Moema e Cia. Energética Santa Elisa,
localizadas no interior de São Paulo, estão aptas
a obter créditos financeiros por evitar a emissão
de carbono (CO2), principal causa do aumento do efeito estufa,
que está provocando o aquecimento do planeta. Esses créditos
de carbono deverão ser comercializados no mercado internacional
com base no Protocolo de Kyoto, que, mesmo não estando
ainda em vigor, já começa a gerar negócios.
A certificação foi concedida pela TÜV Suddeutschland,
empresa alemã credenciada pela Organização
das Nações Unidas para dar validação
a projetos de crédito de carbono, vinculados ao Protocolo.
Os três projetos têm capacidade de seqüestrar
1 milhão e 200 mil toneladas de carbono nos próximos
sete anos. Isto acontecerá porque estarão comercializando
energia elétrica de fonte renovável (proveniente
do bagaço de cana), que evitará o uso de energia
produzida em termelétricas a gás natural (combustível
fóssil, portanto não renovável). "A
Santa Elisa é auto-suficiente em energia há 60 anos
e desde 1994 tem contrato para colocar o excedente na rede de
energia com a Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL),
em sistema de co-geração. Os créditos de
carbono serão computados somente na expansão dessa
capacidade instalada", explica Maurílio Biagi Filho,
presidente da usina. Essa ampliação faz parte do
objetivo da empresa de ter entre 10% e 15% de seu faturamento
como energia, o que vai depender do mercado energético
brasileiro. A comercialização dos créditos
de carbono funcionam como um incentivo à esse tipo de investimento.
Esses créditos, segundo Marcelo Diniz Junqueira, da Econergy
Brasil, empresa de consultoria que deverá comercializar
os créditos das três usinas, o preço da tonelada
de carbono atualmente é baixo, cerca de US$ 5, conforme
referência do Banco Mundial, mas este valor pode aumentar
com a entrada em vigor do Protocolo de Kyoto e outras legislações
ambientais. "Estamos falando em mudar a matriz energética
mundial e procurar estancar a queima de combustíveis fósseis
(petróleo, carvão e gás natural) e o Protocolo
é um dos mecanismos para induzir o processo", diz.
Luiz Eduardo Junqueira Figueiredo, diretor administrativo da Alta
Mogiana diz que a empresa investiu R$ 15 milhões na co-geração
e tem contrato de dez anos, a partir de 2002, com a CPFL para
fornecimento de 10 megawatts/hora de energia. "Nossa previsão
é recuperar o investimento em cinco anos e que a venda
de energia represente até 5% do faturamento. Mas a expansão
depende de termos comprador para a energia".
Fonte: Agência
Estado (Maura Campanili)
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