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Fortaleza, 19 de outubro de 2001
A "Carta de Fortaleza" foi um documento produzido durante
o workshop "Energia Eólica: Regulamentação
e Comercialização", ocorrido na cidade de Fortaleza
– CE, no auditório da Federação das
Indústrias do Estado do Ceará – FIEC, no período
de 15 a 19 de outubro de 2001. O evento foi realizado através
de uma parceria entre a Agência Norte-Americana para o Desenvolvimento
Internacional – USAID e a Secretaria de Infra-estrutura
do Estado do Ceará - SEINFRA, com apoio da Federação
das Indústrias do Estado do Ceará – FIEC,
da Companhia de Eletricidade do Estado do Ceará –
COELCE e da Companhia de Água e Esgoto do Estado do Ceará
– CAGECE.
Depois de cinco dias reunidos neste workshop, dos diversos temas
abordados e discutidos, conforme a agenda e relatório do
evento, anexos, e da oportunidade de trocas de experiências
nacional e internacional, os participantes apresentaram algumas
sugestões para o desenvolvimento da energia eólica
no Brasil que foram debatidas com os representantes de algumas
entidades do setor, a saber:
-
Sr. Jorge Parente Frota Júnior, Presidente da FIEC;
-
Sr. Adão Muniz, Subsecretário da SEINFRA;
- Sr.
Manuel Monteiro , Presidente da COELCE;
- Sr.
Fábio Medeiros, Engenheiro do Núcleo Regional
Norte/Nordeste do Operador Nacional do Sistema Elétrico
– ONS;
- Sr.
Jaconias de Aguiar, Diretor da Agência Nacional de Energia
Elétrica – ANEEL;
- Sra.
Karen Conover, Diretora da Global Energy Concepts Inc.;
- Sr.
Pedro Bezerra, Coordenador Geral da Divisão de Projetos
de Fontes Alternativas da Companhia Hidro Elétrica do
São Francisco – CHESF;
- Sra.
Simoni Lara, do Instituto Internacional de Educação
– IIE, na qualidade de mediadora do debate.
1. Diante do que ficou demonstrado através do mapa eólico,
as fontes de energia eólica, principalmente na região
nordeste, se encontram localizadas em sua grande maioria na costa
brasileira, distante da rede básica. Uma das sugestões
apresentadas neste workshop para viabilizar os projetos de geração
de energia eólica nestas áreas, foi que o Governo
Federal definisse regras e critérios de rateio entre o
investidor, o governo e as concessionárias.
A mesa debatedora entendeu que o rateio já existe e está
embutido na tarifa para o consumidor final. O que está
faltando é um planejamento energético básico
e geral, já que a crise de energia atropelou o planejamento.
É importante modificar a matriz energética brasileira,
para nortear esta energia mais cara num contexto competitivo.
Foi sugerido que se formasse um grupo de trabalho para agilizar
o processo de análise de critérios e para priorizar
a necessidade de extensão da rede básica e definir
as responsabilidades na conexão.
2. Outra sugestão apresentada pelos participantes e a ser
analisada pela mesa de debate, é a possibilidade das demais
fontes geradoras de energia, já instaladas no Brasil e
consideradas fontes poluidoras, devido ao alto custo ambiental,
serem incentivadoras das fontes de energia limpa.
Esta questão é um pouco mais delicada sobre o ponto
de vista de viabilização. A sugestão foi
que os agentes produtores de energia poluidora dirijam parte dos
investimentos, através de medidas compensatórias,
para áreas específicas da produção
de energia limpa. O Projeto de Lei nº 2905, se aprovado,
tem uma visão mais audaciosa, contemplando que nos próximos
20 anos as energias renováveis ocuparão 25% do mercado
de geração de energia.
3. Quanto ao Programa Proeólica, os participantes presentes
consideraram fundamental que o programa tivesse suas tarifas e
critérios regulamentados, em caráter de urgência
e que o prazo limite de produção, estipulado até
2003, fosse estendido. O grupo de debatedores concordou que o
programa fosse regulamentado em caráter de urgência
e estendido seu prazo de atuação.
4. Foi também sugerida a isenção fiscal para
os equipamentos nacionais e componentes importados para a produção
de energia eólica, bem como a concessão de benefícios
fiscais para incentivar a instalação de montadoras
de equipamentos e ainda tratamento fiscal igualitário para
pequenos e grandes produtores.
A mesa concordou e considerou que deve se pensar numa cesta de
incentivos fiscais para ser tomada como uma ajuda e não
como um dependência com prazos predeterminados.
5. Todos concordaram com a idéia de que a iniciativa privada
fosse incentivada para formar consórcios objetivando a
geração de energia eólica.
6. Houve consenso também no que tange à atuação
do Governo Federal no sentido de priorizar o desenvolvimento de
tecnologia nacional a partir dos fundos setoriais. |