| FIEC
- Ações - Energia |
5
de agosto de 2004 |
| Ceará
cria centro de energia solar
Fortaleza, 5 de Agosto de 2004 - O Ceará
vai começar a aproveitar melhor as 3 mil horas de sol que
dispõe por ano, um de seus principais dotes naturais, usado
basicamente na atração de turistas. Um acordo de
cooperação técnica entre o governo estadual,
por meio da Secretaria Estadual da Ciência e Tecnologia,
Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) e a Universidade
Federal do Ceará (UFC), vai permitir a utilização
da energia solar em novos equipamentos e sistemas. O acordo envolve
a criação do Centro Brasileiro para o Desenvolvimento
da Tecnologia de Refrigeração Solar (CBRefriSOL),
com orçamento estimado em R$ 1,3 milhão.
O centro vai
apoiar a realização dos projetos de equipamentos
movidos a energia solar para de refrigeração de
câmaras frigoríficas para conservação
de alimentos, produção de gelo e sistemas de climatização,
desenvolvidos com recursos do Conselho Nacional de Desenvolvimento
Científico e Tecnológico (CNPq). Segundo a pesquisadora
Maria Eugênia Vieira da Silva, do Departamento de Engenharia
Mecânica e coordenadora do Laboratório de Energia
Solar e Gás Natural da Universidade Federal do Ceará
(UFC), os projetos foram iniciados no ano passado. O protótipo
do refrigerador solar deverá ser testado em abril de 2006,
informa Maria Eugênia. Ela afirma que o laboratório
recebeu aval do CNPq para fabricar e testar o equipamento.
O projeto do centro
está aprovado "no conteúdo e na decisão
política" e aguarda a avaliação técnica
da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), confirmou o subsecretário
da Secretaria de Controle das Unidades de Pesquisa do Ministério
da Ciência e Tecnologia, Avílio Antonio Franco. A
avaliação do projeto pelo comitê técnico
será feita formalmente e prevê a liberação
dos recursos, com fonte dos fundos setoriais, este ano. "O
centro representa uma oportunidade de negócio", diz
Franco.
"O CBRefriSOL
vai produzir e difundir o conhecimento científico e tecnológico,
além de contribuir na formação de recursos
humanos na área", acrescenta Maria Eugênia.
De acordo com a especialista, a tecnologia adotada no equipamento
é baseada no ciclo térmico de absorção,
processo físico pelo qual o material absorvente é
capaz de aprisionar ou liberar moléculas de um fluido.
"Mas esse é só um primeiro momento, pois vamos
fazer também projetos piloto da tecnologia disponível
para fins de demonstração", afirma, ao observar
que o equipamento está preservado por pedido de patente.
Maria Eugênia,
doutora em energia solar pela Universidade do Colorado, com pós-doutorado
na Alemanha e professora titular do Departamento de Engenharia
Mecânica e Produção, não tem dúvidas
em relação aos avanços a partir da assinatura
do acordo. "O convênio é importante para a implementação
da tecnologia de refrigeração térmica, auxiliando
ainda em novos projetos, além de permitir a continuidade
dos que já estão em andamento, criando novas aplicações",
diz. A especialista lembra que o laboratório da UFC já
abriga projetos como o do fogão solar e outro de dessalinização
térmica, e desenvolveu um protótipo de refrigerador
acionado pela queima de gás natural em parceria com organizações
da Alemanha.
Fundos
setoriais
O secretário
de Ciência e Tecnologia do Ceará, Hélio Guedes
de Campos Barros, diz que o governo estadual vai dar apoio ao
centro na apresentação dos projetos aos fundos setoriais.
"Fontes internacionais para as pesquisas poderão surgir
com a perspectiva também de que as indústrias privadas
se interessem por essa tecnologia", diz.
De acordo com a assessora
do MCT Ivonice Aires Campos, a tecnologia implementada pelo CBRefriSOL
oferece ao mercado uma nova possibilidade. "O aquecimento
da água pela energia solar é a única tecnologia
que, no horário de pico, entre as 17h e 21h, é capaz
de otimizar o sistema de distribuição de energia",
diz. Ela afirma que, neste horário, o consumo de energia
aumenta em até cinco vezes. Ivonice foi uma das redatoras
da regulamentação do Programa de Incentivo às
Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa).
Energia solar ajuda produção de orgânicos
Fortaleza, 5 de Agosto
de 2004 - Agricultores da comunidade de Vale do Lambedouro, distrito
de Viçosa do Ceará, a 346 quilômetros de Fortaleza
(CE), e sem acesso à rede elétrica, começam
a utilizar a energia solar para irrigar a produção
orgânica, até o final de agosto. A investida faz
parte de convênio assinado entre a secretaria da Infra-Estrutura
do Ceará (Seinfra), Prefeitura do município e Instituto
de Desenvolvimento Sustentável e Energias Renováveis
(Ider), e não implicará em custo aos produtores.
Investimento
O governo prepara ainda
a documentação para outros municípios que
devem receber benefício semelhante. Pelo acordo, o estado
vai doar 16 painéis de energia solar, a Prefeitura, um
conjunto motor-bomba compatível com o sistema, enquanto
o Ider, ficará encarregado de montar o equipamento e treinar
os usuários.
O projeto representa
investimento em torno de R$ 30 mil, segundo calcula o engenheiro
Luiz Costa Rolim, gerente do programa na Seinfra. De acordo engenheiro,
o sistema funciona por bombeamento, de forma simples, sem bateria,
é confiável, tem custo zero de geração,
e capacidade para abastecer, irrigar e incentivar a produção
orgânica na área.
A estimativa de vida
útil para o equipamento fica entre 20 a 25 anos e, cada
placa gera, no máximo, 53 watts. Entre 10 e 15 horas é
possível abastecer uma caixa d'água com cerca de
7,5 mil litros, dependendo da vazão do poço. Fonte:
Gazeta Mercantil
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| eletrica.com.br |
05
de fevereiro de 2004 |
Brasil pode liderar geração mundial de energia
eólica se superar lobby das termelétricas
A Dinamarca,
com 5.500 turbinas, tem a maior empresa de energia eólica,
a Vestas, dona de 22% do mercado mundial em 2002. Aquele país
nórdico conta ainda com os maiores parques eólicos,
e agora avança no mar com quatro fazendas offshore como
Middelbgrundness, com 80 turbinas de 2 MW, que gera o total de
160 MW.
O Brasil possui
apenas 20,9 MW instalados, compara Pedro Rosas, na conferência
Fontes Renováveis de Energia para a Sociedade Sustentável
- Energia Eólica, dada nesta quarta-feira na reunião
regional da SBPC, na UFPE, em Recife. O total brasileiro está
distribuído em três unidades no Ceará que
somam 16,2 MW instalados; 0,33 MW em Olinda; 0,3 MW em Fernando
de Noronha; 1 MW em Minas Gerais; 2,5 MW no Paraná e 0,6
MW em Santa Catarina.
Contudo, em
comparação feita por Pedro Rosas, o potencial dos
ventos no Nordeste para geração de energia elétrica,
dimensionado no mapa eólico da região, é
suficiente para produzir 104,040 MW, o correspondente a 36 vezes
a potência atual da Dinamarca. Segundo ele, as grandes empresas
mundiais do nicho de energia eólica estão preparadas
para investir 1,1 bilhão de euros para transformar este
potencial de ventos em eletricidade para transformar a matriz
energética brasileira, hoje concentrada em mais de 90%
de fonte hidrelétrica.
Com este cenário,
de acordo com Pedro Rosas, a Vestas recebeu uma área em
Suape para implantar uma indústria. A Enercom, da Alemanha,
segunda maior empresa do mundo no ramo, dona de 18,5% do mercado
mundial, já implantou duas empresas subsidiárias
no Brasil, a de pás no Pecém, Ceará e outra
em Sorocaba, São Paulo. Segundo ele, as empresas querem
se instalar e usar o Brasil como ponto exportador.
Pedro Rosas
disse que nos últimos dois anos o avanço da energia
eólica na matriz energética do Brasil passa por
'um grande atraso devido ao grande lobby das centrais termoelétrica'.
O atraso, segundo ele, ocorre por questões política
na regulamentação do Programa de Incentivo às
Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa), criado
pelo Ministério das Minas e Energia em março de
2003. O Proinfa autorizou a geração de 3,3 mil MW,
dos quais 1,1 mil de pequenas hidrelétricas, 1,1 mil de
biomassa e 1,1 mil de energia eólica.
Todavia, a
Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), o valor da unidade
de energia a ser recebido pela empresa para fornecimento à
rede elétrica instalada, que deveria ter sido divulgado
até outubro, ainda não foi definido.
O prazo esperado
para a definição agora é abril de 2004, para
que as empresas privadas com investimentos programados para o
Brasil possam fechar os seus contratos. Pedro Rosas afirma que
o investimento para geração de 1,1 mil MW no Brasil
corresponde à metade de toda a potência instalada
na Dinamarca.
Os investimentos
em energia eólica no âmbito do Proinfa, disse Rosas,
estão concentrados no Ceará, Rio Grande do Norte
e a costa do Rio Grande do Sul, de acordo com o potencial eólico.
O mapa eólico demonstrou que a costa no Nordeste, do Maranhão
ao Rio Grande do Norte, e a costa dos estados do Sul são
os mais propícios. A velocidade dos ventos no Ceará
chega a 10 metros por segundo e de 8,5 metros por segundo no Sul.
O Proinfa,
segundo ele, exige que as máquinas fornecidas sejam no
mínimo 50% nacionais. Por isso, exceto o gerador, todos
os componentes já são fabricados no Brasil e os
contratos feitos com fornecedores internacionais têm de
incluir a transferência de tecnologia.
Rosas argumenta
que a geração de energia eólica é
fonte de emprego. Cita como exemplo o caso da Espanha, para uma
demanda de 700 MW gera 7 mil empregos diretos, 300 na fábrica,
2 mil na construção, 2 mil na operação
e manutenção, e 10 mil empregos indiretos.
O pesquisador,
que fez doutorado na Dinamarca, pertence ao Centro Brasileiro
de Energia Eólica . Para ele, as vantagens da energia eólica
incluem a valorização das terras, benefícios
aos fazendeiros que podem manter o criatório junto com
os aerogeradores, e o fato de que o valor da energia gerada independe
do mercado internacional de combustíveis, para substituição
ao diesel das termoelétricas.(Flamínio Araripe escreve
de Recife para o 'JC e-mail') |
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| Jornal
O POVO |
10
de novembro de 2001 |
Energia e o Nordeste As
elites nordestinas mantêm a mesma relação
de humildade cega e subserviente ao Sul e Sudeste que os pobres
de nosso Estado com relação às classes mais
privilegiadas do Ceará
Lima
Matos
Economista
É espantoso
como as elites nordestinas mantêm a mesma relação
de humildade cega e subserviente ao Sul e Sudeste que os pobres
de nosso Estado com relação às classes mais
privilegiadas do Ceará.
A questão
da energia é um extravagante exemplo de como o centro de
poder do País, concentrado no Sul e Sudeste, nos trata.
O Brasil investiu bilhões na produção de
energia, concentrando mais recursos no Sul e Sudeste, construindo
para lá, além dos bilhões investidos na Nuclebrás,
hidroelétricas e reservatórios d'água capazes
de, mesmo com um uso 10 vezes maior que o do Nordeste, estar hoje
com níveis de atendimento e estoques maiores que os nossos.
Não
bastou isto, por via da má distribuição de
recursos na indução ao desenvolvimento ou pela falta
de aplicação direta no social em regiões
como o Nordeste, que no seu apogeu ajudou o Sudeste a crescer,
tem esta região 50% dos pobres do País, os quais
em sua maioria vivem em condições subumanas, tendo,
em alguns casos, de roubar para sobreviver, ''por não terem
aprendido a viver com R$ 30,00 ou R$ 40,00 por mês''.
Mesmo com
o quadro exposto acima, em um momento em que um presidente do
Sudeste não soube planejar os investimentos para a produção
da energia, o País penaliza, inicialmente, a região
nordeste, com a redução do uso de energia na mesma
proporção que as regiões mais ricas e agora
tem a coragem, apoiado pelas nossas elites e suas lideranças,
de punir o Nordeste com apagões, já que a região
tem menos água que o Sul e Sudeste por investimentos feitos
ali infinitamente maiores que os nossos.
Numa análise
fria, com um mínimo de bom senso, não poderia a
Nação aumentar ainda mais nossos níveis de
desemprego, fome e miséria. Deveria, isto sim, excluir
o Nordeste, neste momento de crise, para que ele crescesse mais
que o resto do País, comprando energias de outros países
em barcaças ou não, aplicando redutores do uso de
energia maiores para o Sul.
Sobre o assunto,
presenciei um exemplo disto ao hospedar-me na serra de Guaramiranga
em um pequeno hotel, que estava fechando as portas ao turismo,
de segunda à sexta-feira, porque ultrapassara sua cota
de luz, reduzindo alguns empregos tão necessários
naquela região. Fiquei triste e impotente na busca de uma
solução.
Além
disto, é importante que se saliente que retirar o Nordeste
desta contenção implicaria gastar mais energia no
País, no máximo em 3%, já que a economia
do Nordeste é apenas 12% do PIB brasileiro.
Acorda Nordeste!
Lima Matos
é economista e ex-presidente do Centro Industrial Cearense
(CIC)
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| Jornal
O POVO |
31
de agosto de 2001 |
Corrida pela energia no Ceará
À beira
do colapso no abastecimento de energia elétrica, a ação
da Secretaria da Infra-estrutura do Estado passou de estratégica
à vital. Francisco Maia Júnior, secretário
da Infra-estrutura do Estado, responsável pela pasta, falou
ao Jornal O POVO sobre os investimentos em energia previstos para
o Ceará
Marília Cordeiro
da Redação
A demanda por energia elétrica do mercado cearense vem crescendo
a taxas médias acima de 8% a cada ano na última década.
Tendo alcançado o percentual de até 12%. Além
da evolução natural da demanda, a garantia de oferta
ganhou motivo ainda mais forte com a crise na geração
do parque hidrelétrico brasileiro, que terminou na imposição
do regime de racionamento. A saída que o Ceará já
havia encontrado, agora, se tornou palavra de ordem: diversificar
a matriz energética. As
duas frentes de investimento principais são a energia eólica,
onde os projetos já somam US$ 460 milhões e a geração
via termelétrica, com dois negócios fechados, mas
o pacote também envolve a hidreletricidade e alternativas
emergencias como as termelétricas flutuantes. O consumo
do Ceará passou de 800 mega para quase 2 mil mega, em cinco
anos, de acordo com o secretário Maia Júnior. Para
efetuar seu planejamento, o governo brasileiro considera 5% de
crescimento anual da demanda.
OP
- Em que fase estão os projetos dos parques eólicos
de Camocim e Paracuru?
MJ - Nós relançamos, agora no dia 28, o edital
de licitação para a contratação desses
dois parques eólicos no total de 60 megawatts, em Paracuru
e Camocim. O de Paracuru vai gerar 30 mega, e o outro, em Camocim,
também 30. Lançamos edital de pré-qualificação
e houve uma série de questionamentos e tivemos que submetê-los
ao banco financiador, o japonês Jbic, que levou quase cinco
meses para nos liberar desses questionamentos e ao liberar, nós
imediatamente relançamos o edital que já está
publicado no Diário Oficial desde o dia 24.
OP
- Qual o montante que deve ser investido no Estado na geração
de energia eólica?
MJ - Até 2003, falando do que está praticamente
concreto, o Ceará deve gerar, de energia firme, 160 mega
de energia eólica. Estamos falando de cerca de 460 milhões
em investimentos. Se o Brasil criar sua lei definitiva para a
energia eólica e com a regulamentação provisória
da Câmara de Gestão da Crise, acredito que o Ceará
poderá receber de US$ 800 milhões a US$ 1,2 bilhão
em investimentos na área.
OP
- O senhor acredita que a regulamentação vai facilitar
a atração de investidores?
MJ - Com certeza. Vai definir qual é o montante
que vai ser investido em relação ao total que será
comprado. Eu acredito que o Ceará terá uma boa participação
por causa da antecipação, do seu parque, dos estudos,
que foram muito mobilizados ao longo dos últimos anos,
acreditando-se que o Ceará tinha esse potencial. Nós
auxiliamos, pela solicitação do ministro José
Jorge, a equipe do Governo Federal na montagem do projeto de energia
renováveis para o Brasil que foi lançado na resolução
24 da Câmara de Gestão da Crise Energética
(CGCE). Esse projeto, chamado de pró-eólica, vai
contratar, vai garantir a compra da energia produzida de 1,05
mil megawatts no Brasil. Qual é o percentual desses 1.05
mil que o Ceará deve absorver depende da ação
dos investidores porque são investimentos totalmente privados.
O Ceará já tem um volume acima de 1,5 mil megawatts
de intenções de diversos grupos internacionais,
que para se materializar vai precisar de um trabalho de desenvolvimento.
De imediato, o que nós vamos lançar são esses
60 mega e também o que já está licenciado
pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel),
em torno de mais 100 mega.
OP
-MJ - Estamos trabalhando aqui no Ceará num projeto
onde esse é um dos pontos. A eficiência energética,
a universalização da energia e deixarmos de ser
um estado importador de energia são os principais eixos.
Hoje, o Ceará importa 99% da nossa energia. Acreditamos
que em 10 anos o Ceará já possa ter a produção
de sua necessidade em energia elétrica. A energia eólica
terá participação de 40% a 50%.
OP
- Há algum projeto que envolve a geração
de energia via hidrelétricas?
MJ - Nossos potenciais de hidroeletricidade são
pequenos. Nós reativamos a usina de Araras, que gera 1,6
mega. As licitações das usinas de Banabuiú
e Orós aguardam autorização do Dnocs (Departamento
Nacional de Obras Contra as Secas) para iniciar o investimento,
com potência de 5 mega cada uma. Também conseguimos
autorização para fazer a licitação
da usina do Castanhão, que são mais 22,5 mega. A
Arce está preparando isso.
OP
- Quanto à geração por termelétricas.
Quais são os projetos?
MJ - O Ceará garantiu duas termelétricas.
A do grupo espanhol proprietário da Coelce, o Endesa, num
projeto de 250 mega no Pecém. E o do grupo EBX, ligado
ao empresário Eike Batista, que pode gerar 200 megawatts
(estimado em US$ 120 milhões). Elas têm características
diferentes. Numa, a produção já é
vendida antecipadamente. Já o projeto da EBX é uma
planta mercante. Não tem garantia de venda. Vai procurar
vender no mercado o que gerar. Nessa área, das termelétricas,
o Ceará também foi pioneiro.
OP
- Há contrapartida do Estado nesses empreendimentos?
MJ - São investimentos totalmente privados. O papel
do Estado foi de atraí-los. A participação
é também em dar os incentivos industriais, dados
aqui no Ceará a outros tipos de empreendimentos industriais:
terrenos, financiamento de ICMS. Nem temos essa questão
do ICMS porque a geração de energia atualmente é
isenta.
OP
- O aumento da participação das energias eólica
e termelétrica na matriz energética, deve, inevitavelmente,
encarecer o preço do recurso, já que esses tipos
de geração são mais caros do que a hidrelétrica?
MJ - Os investimentos em hidrelétricas estão
depreciados e amortizados. Os novos investimentos em hidrelétricas
já não vão gerar mais esse preço.
Não acredito que a energia fique mais cara para o consumidor
residencial, porque esse já tem energia a preço
de qualquer lugar desenvolvido do mundo. O Brasil precisa também
de um movimento no sentido de garantir regulamentação
e dentro dessa regulamentação tem um eixo surperimportante
que a gente tem advertido ao governo brasileiro. A questão
tarifária. Tem que fazer uma tarifa que remunere os custos,
se não remunerar não tem investimentos, e fazer
uma revisão das políticas públicas para criar
tarifas que estejam dentro da realidade do mercado sócio-econômico
brasilerio, vendo as questões regionais.
OP
- O Ceará se movimenta de alguma forma para receber mais
energia via sistema de transmissão?
MJ - Não. Procuramos trabalhar sempre criando condições
para que sejam mínimos os riscos de abastecimento. Ao longo
dos últimos anos, o Ceará recebeu investimentos
volumosos como o linhão de Tucuruí. O linhão
é uma obra de mais de R$ 400 milhões. Nós
nos mexemos nesse sentido de garantir a transmissão, as
subestações necessárias e a melhoria das
redes da distribuição.
OP
- As termelétricas flutuantes vão ser utilizadas
para gerar energia, mesmo sendo poluentes?
MJ - Não necessariamente serão as barcaças.
Podem ser geradores em cima de carretas, contêineres. O
governo federal deve estar anunciando no Rio de Janeiro a regulamentação
dessas energias emergenciais. Elas são alternativas transitórias.
Se há crise de abastecimento, você tem que ter alternativas.
Há uma angústia muito grande das pessoas se isso
vai ferir questões ambientais. Toda e qualquer forma de
energia fere questões ambientais. Agora, existem meios
de fazer sem que esses danos sejam maiores. É preciso verificar
se essas fontes atendem às normas ambientais brasileiras.
Se atenderem, logicamente poderão ser viáveis em
qualquer lugar do brasil. As barcaças que a gente tinha
estudado para trazer eram de 30 e 50 mega cada.
OP
- Como funciona a contratação dessas fontes de energia
emergenciais?
MJ - O governo lança edital de compra dessa energia,
os investidores fazem a oferta e o governo vê o que ele
realmente necessita e onde vai localizar os sites de injeção.
O Ceará hoje é um site credenciado. Tem porto, linhas
de transmissão, subestação adequada. O governo
brasileiro contrata uma barcaça de x mega, paga a mobilização
(transporte) e compra a energia que ela produzir para injetar
na rede e evitar o colapso. O governo do Ceará não
desembolsaria nenhum centavo. A não ser criar as condições
para sediar equipamentos como esse. Pela informação
que o ministro deu, na quarta-feira, aos secretários de
estado, o custo será rateada com todos os brasileiros.
OP
- Qual a perspectiva de conclusão do Porto do Pecém?
MJ - Acreditamos que, em termos de obras civis, até
dezembro vamos concluir o que estava planejado no orçamento
desse ano que está em torno de US$ 35,90 milhões,
com mais US$ 3,5 milhões do Estado, somando cerca de US$
40 milhões em aplicações. A previsão
é de que os reservatórios e as tubovias estejam
concluídos até outubro e os braços de carregamento
até dezembro. A última licitação está
em curso, nos prazos finais. É a de automação
de toda a operação do porto juntamente com as subestações
internas. Do ponto de vista de obras o porto está chegando
ao fim. A outra parte é a parte operacional. Estamos trabalhando
junto a Ceará Portos para instalar a empresa que vai gerenciar,
dos operadores e os licenciamentos de alfândega, vigilância
sanitária, Marinha. No mais tardar, acredito que o porto,
no início do próximo ano vai estar pronto para operar.
OP
- Quais são os outros investimentos previstos para o complexo
em termos de geração de energia?
MJ - Dentro do complexo, as duas âncoras iniciais
eram a refinaria e siderúrgica e nós começamos
a preparar a terceira âncora, que são as termelétricas
e os projetos eólicos. O Porto do Pecém vai sediar
uma fábrica de aerogeradores, 100 mega de energia eólica
e duas termelétricas. Estamos falando de investimentos
superiores a US$ 500 milhões de dólares. Estamos
trabalhando no sentido de ter no Pecém, um terminal de
GNL, que vai trazer gás importado e ser regaseificado aqui
para poder ser distribuído em forma líquida. Como
vamos atender o mercado de 10 milhões de metros cúbicos
dia projetados para o gás natural para 2006, 2007? Ao concretizarmos
esses investimentos, o próximo desafio é viabilizar
o suprimento de gás natural do Estado. Se conserguirmos
garantir o suprimento de gás natural, está equacionada
a questão energética. |
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| Jornal
DIÁRIO DO NORDESTE |
30
de agosto de 2001 |
Negócios
Bolsa de Energia do Ceará realiza primeira transação
entre empresas
A Bolsa de Energia do Ceará registrou ontem a sua primeira
transação entre empresas no Estado. A Black Hill Produtos
Têxteis vendeu 1000 KW de energia para a Marv Confecções.
O preço final foi de R$ 0,35 o KW. O fechamento do negócio
foi apresentado ontem na sede da Companhia Energética do
Ceará (Coelce), como forma de divulgar a Bolsa, que iniciou
suas operações esta semana, após o fechamento
de um convênio entre a Federação das Indústrias
do Ceará (Fiec), Coelce e Sebrae. Marcus
Venícius Rocha, proprietário da Marv, explica que
sua meta de consumo é de 5.058 KW. No primeiro
mês, consegui me manter na meta. No segundo mês, entretanto,
extrapolei a cota em 1000 KW, afirma. Rocha diz que
uma mudança na data da leitura do medidor foi o motivo
do aumento. Dessa vez, foi contabilizado o consumo
de 32 dias, explica. Com a compra efetuada ontem,
o empresário escapou de pagar o excedente do consumo pela
tarifa referente do Mercado Atacadista de Energia (MAE), hoje
de R$ 0,91 o KW, incluindo os impostos. A tarifa normal para o
seu perfil de consumo, industrial de baixa tensão, é
de R$ 0,25.
A empresa
também ficou livre de um possível corte em caso
de reincidência em setembro, já que consome mais
de 2.000 KW e não está isenta dessa penalidade.
Acredito que vou ter que comprar mais energia porque
no segundo semestre, a produção do setor têxtil
aumenta e com ele o consumo, ressalta Rocha. Já
Kaio Montenegro, um dos diretores da Black Hill, explica que a
redução do consumo da empresa foi conseguida com
a redução da carga horária de trabalho, além
da diminuição do número de salas destinadas
à diretoria.
O gerente
de Grandes Clientes da Coelce, Rodrigo Arevalo, ressalta que a
Bolsa serve para facilitar as operações entre as
empresas. Segundo as regras da Câmara de Gestão da
Crise Energética (CGCE), empresas de alta tensão
podem efetuar transações bilaterais com quaisquer
consumidores. Já os de baixa tensão, têm que
respeitar um limite. Até 2.000 KWh, apenas com clientes
do mesmo setor ou cadeia produtiva. Acima disso, com qualquer
grupo.
Arevalo destaca
que já são 11 os clientes cadastrados na Bolsa.
Para acessar as informações com preço de
compra e venda e contatos dos participantes, basta acessar o site
da Coelce (www.coelce.com.br). Lá estão disponibilizadas
todas as informações on line. |
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| Jornal
O POVO |
29
de agosto de 2001 |
Diretor
da Chesf defende investimentos
O diretor de operações da Companhia Hidroelétrica
do São Francisco (Chesf), Paulo de Tarso da Costa, frisou
em sua palestra, realizada ontem na Fiec, que é necessário
investir em novas hidroelétricas e retomar as obras das que
estão paradas para tentar resolver a questão do racionamento
e evitar o plano B do governo. Segundo
Paulo de Tarso, este ano já entrou para a história
do rio São Francisco como o de pior estiagem. Desde 1971
que o nível de suas águas não ficava tão
baixo. ''Hoje teria que chover 88% além da média
para podermos fechar o ano de 2001 com o nível da hidroelétrica
5% maior do que o atual'', comentou o diretor.
Hoje a Chesf,
que atende a dez concessionárias, entre elas a Coelce,
em oito estados do Nordeste, está trabalhando com apenas
com 1.400 metros cúbicos de água por segundo, quando
o normal é de 5000, sendo que o mínimo tolerado
é de 2000. Isso significa que os níveis de reserva
do São Francisco estão com apenas 15,8%, quando
o normal para atender ao mercado seria de 20%. ''Antes do racionamento
era gerada 4.500 MW de energia, agora este número não
passa de 1300MW'', explicou Paulo de Tarso.
As chuvas
ainda seriam a solução mais rápida para o
problema, segundo o diretor. ''É necessário que
chova para que não só a hidroelétrica de
São Francisco, mas as usinas, como Três Marias, que
trabalha atualmente com 70 metros cúbicos de água
por segundo, volte aos níveis normais, já que estão
aquém de seus limites'', explicou o diretor.'' Se não
chover até novembro, o governo não terá outra
saída a não ser implantar o Plano B de racionamento.
Por isso, além de esperar pela chuva, teremos que continuar
economizando'', completou. |
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| Jornal
O POVO |
25
de agosto de 2001 |
Energia
será negociada em bolsa
Coelce,
Federação das Indústrias do Estado do Ceará
(FIEC) e Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas
(Sebrae) estão viabilizando a troca de excedentes de energia
entre consumidores numa bolsa que vai funcionar via Internet. Na
foto, o presidente da FIEC, Jorge Parente Frota, a esquerda, expõe
o sistema para empresários.
Marília
Cordeiro
da Redação
Os 141,46
mil clientes industriais e comerciais da Coelce podem, a partir
de segunda-feira, vender ou comprar metas de energia entre si
pelo site www.coelce.com.br. Os consumidores dessas categorias
que conseguirem economizar além da meta vão conseguir
transferir o excedente. Empresas que necessitem de energia também
podem adquirir o direito de utilizar a energia de outra empresa
por meio do site.
Metade das
empresas clientes da Coelce - 7.520 comerciais e 133.940 indústrias
- não conseguiram cumprir suas metas no segundo mês
de racionamento, de acordo com o diretor comercial da companhia,
Gonçalo Mardones. Esses segmentos são responsáveis
por 40% do faturamento mensal da concessionária. A transferência
já era permitida pela Câmara de Gestão da
Crise de Energia (CGCE), mas não havia instrumentos por
meio dos quais os consumidores pudessem efetuar a transação.
A iniciativa
de criar a bolsa de energia só foi possível, segundo
o presidente da Fiec, Jorge Parente Frota, após mudanças
nas decisões da CGCE que vinham sendo solicitadas pelos
próprios empresários. A alteração
permitiu o comércio dos excedentes entre empresas de diferentes
segmentos, ao contrário da primeira decisão da Câmara
de oferecer essa possibilidade de comercialização
apenas entre empresas da mesma atividade.
Segundo o
superintendente do Sebrae, Régis Dias, micro e pequenos
empresários que não têm acesso à Internet
podem utilizar os escritórios centrais e regionais da Fiec
e Sebrae. A Coelce também vai manter disponível
um profissional para orientar os clientes sobre o uso do site,
na sede da entidade.
Acessando
o site, o consumidor preenche o cadastro com dados e especifica
quanto precisa de energia ou quanto oferece, informando a quantidade
e valores transacionados. Com os dados, o sistema informa a relação
das empresas que atendem aos requisitos para que o consumidor
escolha qual a oferta mais atrativa. O sistema contata o ofertante
por correio eletrônico informando qual empresa manifestou
interesse em transacionar o excedente.
Depois de
fechar o negócio, comprador e ofertante preenchem documento
de transação bilateral - o modelo encontra-se disponível
no site. O documento deve ser encaminhado à Coelce que
vai efetuar a transferência de meta solicitada. A transação
deve ser concluída antes de chegar a fatura mensal dos
clientes. O comprador faz dois pagamentos: ao vendedor paga o
preço acertado, e à Coelce também cobrará
na fatura mensal a energia comprada que foi consumida. |
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| Jornal
O POVO |
25
de agosto de 2001 |
Serviço
está à disposição de 141 mil clientes
À pedido da Fiec, a Coelce desenvolveu um site na Internet
para possibilitar que as empresas cearenses, desde as micro até
as grandes organizações, possam vender ou comprar
parcelas de meta para recompor suas necessidades energéticas
através da Bolsa de Energia.
O novo serviço está à disposição
dos 7.520 clientes industriais e 133.940 clientes comerciais,
de alta e baixa tensão, que respondem por 40% do faturamento
da Coelce, consumindo cerca de 160 Gigawatts/hora por mês.
Enquanto
o preço no MAE é de R$ 684,00 o Megawatt/hora, no
portal da Coelce a empresa pode comprar pelo preço médio
do leilão da Bovespa, fixado para agosto em R$ 293,50 o
Megawatt/hora.
Gonzalo Merdones
Pantoja, diretor comercial da Coelce, garantiu que as transações
realizadas pelo site são seguras, já que cada cliente
cadastrado terá uma senha de acesso e as informações
são confidenciais.
NOVAS MEDIDAS
- O chefe do Departamento de Regulação de Energia
da Coelce, José Caminha, disse que a criação
do site foi possível a partir de novas medidas tomadas
pela CGCE, que expandiu a todos os clientes industriais e comerciais
a possibilidade de comercializarem seus excedentes de redução
de metas de consumo.
Com o sinal
verde, a Coelce desenvolveu o site para permitir que as empresas
possam ter acesso ao mercado para oferecer seus excedentes e recompor
suas necessidades.
Ao acessar
o site através das home pages da Coelce, Fiec e Sebrae,
a empresa terá a relação das empresas que
estão ofertando e as que desejam comprar a um preço
desejado. A Coelce não interfere no preço. |
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| Jornal
O POVO |
25
de agosto de 2001 |
Negociações pela Bolsa de Energia no Ceará
iniciam 2
As indústrias e estabelecimentos comerciais que não
conseguiram atingir a meta de consumo estabelecida pela Câmara
de Gestão da Crise Energética (CGCE) vão poder
ter acesso, a partir da próxima segunda-feira (27), ao site
da Companhia Energética do Ceará (Coelce) para a compra
de energia das empresas que estão com excedentes.
O anúncio
da Bolsa de Energia foi feito oficialmente ontem na Federação
das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), que está
disponibilizando o novo serviço em parceria com o Serviço
de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae/CE). A Bolsa
chega em boa hora, uma vez que, em julho, 50% dos 141.460 estabelecimentos
comerciais e industriais não conseguiram atingir a meta.
O Ceará
é o primeiro Estado nordestino a adotar esse sistema eletrônico
de compra de energia excedente, e o segundo no País - Minas
Gerais foi o pioneiro. O presidente da Fiec, Jorge Parente, considerou
o lançamento da Bolsa uma grande vitória
do grupo de estudo da entidade que vinha mantendo contatos junto
a CGCE e, posteriormente, da Agência Reguladora do Setor
de Energia no Ceará (Arce), solicitando a liberação
do funcionamento do novo serviço.
Com a parceria
do Sebrae, as pequenas e médias empresas que não
tinham condições de comprar energia no Mercado Atacadista
de Energia (MAE), pelo seu alto custo, agora podem fazer através
da Bolsa, que oferece um preço mais acessível. Os
escritórios do Sebrae vão disponibilizar o serviço
aos empresários que não têm acesso à
Internet.
Um detalhe
importante da Bolsa, lembrado na solenidade de ontem, é
que a transação tem que ocorrer dez dias antes do
vencimento da fatura, caso contrário o acordo só
valerá para o mês seguinte. O documento do acordo
bilateral, devidamente assinado, é encaminhado à
Coelce, que checa os dados apresentados e efetua a transação
de metas solicitadas, procedendo a atualização dessas
informações em seus sistema.
SEM CORTE
- Outra boa notícia para o setor é que, a partir
de agora, os consumidores de baixa tensão (até 2.000
Kw/mês) e de alta tensão (mas menores que 5.000 Kw/mês)
que estiverem em dia com o pagamento não terão a
luz cortada. Quem garante é o diretor comercial da Coelce,
Gonzalo Mardones Pantoja, presente ontem ao anúncio da
Bolsa de Energia na Fiec.
PLANO B -
Durante a solenidade, foi confirmada também a vinda do
diretor da Companhia Hidrelétrica do São Francisco
(Chesf), Paulo de Tarso, para a solenidade de assinatura do convênio
da Bolsa, marcada para a próxima segunda-feira. O presidente
da Fiec, Jorge Parente, aproveitou para adiantar alguns dados
sobre a situação dos reservatórios de água,
que serão abordados pelo diretor da Chesf.O Nordeste
não terá Plano B, pelo menos até setembro,
já que está com 0,86% de água acima do nível
mínimo e o Sudeste está com 2,7% acima do mínimo,
afirmou o presidente da Fiec. Jorge Parente revelou ainda que
o Nordeste está recebendo 1.300 Megawatts/dia de energia,
dos quais 900 Megawatts vem de Tucuruí e 400 Megawatts
da região Sudeste.
Além
disso, a Chesf estaria turbinando 1.000 metros cúbicos
de água por segundo, com uma vazão diária
de 600 metros cúbicos por segundo, do São Francisco,
bem como garantindo o consumo de 400 metros cúbicos/segundo
das reservas de Sobradinho. |
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| Jornal
O POVO |
03
de agosto de 2001 |
Crise energética
Região apresenta pior situação
O presidente da Federação das Indústrias do
Ceará (FIEC), Jorge Parente, diz que a situação
da região Nordeste está, realmente, mais drástica
que as demais regiões. Enquanto o nível da água
dos reservatórios do Nordeste está apenas 0,44% acima
da meta prevista pelo governo, no Sudeste o percentual de ultrapassagem
do nível já chega a 3%. Parente esteve, no último
dia 1º, em Brasília, reunido com o presidente da Câmara
de Gestão da Crise de Energia (CGCE), o ''Ministério
do Apagão'', Pedro Parente, e conta que o governo não
cogitou os cortes de energia e a instituição dos feriados
semanais no Nordeste, pelo menos até o final deste mês.
''Ele quer apenas alertar a população de que é
preciso manter a economia de 20% e não se acomodar como aconteceu
em julho, quando a redução no Ceará chegou
a somente 18,8%'', salienta. Porém
se, em setembro, os níveis dos reservatórios continuarem
abaixo da meta e não houver maior redução
do consumo, Parente concorda que pode haver restrições
maiores aos nordestinos. E o resultado é que a situação
do setor produtivo se tornará bem mais grave do que já
está com queda na produção, desemprego, menos
exportações e menor crescimento econômico.
A Fundação Getúlio Vargas (FGV) já
calculou que, mesmo sem apagão, o racionamento deve provocar
o fechamento de cerca de 850 mil postos de trabalho.
Parente e
os demais presidentes das Federação das Indústrias
do Nordeste levaram à CGCE reivindicações
de que o governo conclua os projetos na área energética
já em curso na região, como a usina termelétrica
do Pecém, e adote um regime de máxima prioridade
para ampliar a oferta de energia. ''Além da crise de energia,
a indústria da região também está
bastante comprometida com o problema da seca'', ressalta o presidente
da FIEC. A Coelce não recebeu comunicado oficial da Câmara
sobre o início do chamado plano B, que inclui os feriados
e apagões, devendo continuar a execução do
racionamento conforme as resoluções que já
recebeu, segundo informações da assessoria de impressa
da empresa.
Na última
reunião da Confederação Nacional do Comércio,
em julho, os representantes do setor rejeitaram a idéia
de decretar feriado às sextas-feiras, de acordo com o presidente
da Federação do Comércio do Ceará
( Fecomércio), Luiz Gastão. Se houver necessidade
de feriados, o dia menos prejudicial seria a segunda-feira, segundo
ele, e essa foi a sugestão da classe em documento enviado
ao ministro Pedro Parente. Fechando na sexta-feira, o comércio
também fica esvaziado no sábado e domingo, além
da possibilidade das pessoas viajarem na quinta-feira. ''Vamos
perder quatro dias da semana'', reclama Gastão. (Benedito
Teixeira e Marília Cordeiro). |
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| Jornal
O POVO |
26
de julho de 2001 |
Vertical S/A
Injustiça foi apontada em maio
Ainda em maio a Federação das Indústrias do
Estado já se manifestava a respeito da crise apresentando
propostas ao Governo. No sucinto e preciso ``Plano de Ação
para o Racionamento de Energia``, encaminhado ao ministro Pedro
Parente, a FIEC indicou premissas permanentes e estratégias
a serem seguidas pelos homens do Planalto. A compilação
de propostas da entidade bateu forte na injustiça cometida
com o consumidor. Dentre as principais críticas levantadas,
a ``agressão ao usuário de energia`` e a ``cobrança
de participação financeira dos responsáveis
pela ocorrência do racionamento``. O relatório Kelman
ratificou a grita cearense. |
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| Jornal
DIÁRIO DO NORDESTE |
12
de julho de 2001 |
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Negócios
Plano B vai diminuir ritmo da atividade econômica
O Plano B, de redução do consumo de energia anunciado
pela Câmara de Gestão da Crise de Energia (CGCE),
vai diminuir o ritmo da atividade econômica do País.
Essa é a conclusão de representantes da indústria,
do comércio e da construção civil do Ceará.
Para o presidente da Federação das Indústrias
do Estado do Ceará (FIEC), Jorge Parente, a adoção
de feriados, com eventuais cortes de energia, é absurda.
Os feriados vão reduzir a atividade econômica,
afetar o nível de emprego e prejudicar as exportações.
Mas, vamos esperar que não tenhamos que ser penalizados
com mais essa medida, afirma Parente.
Segundo o dirigente, a sociedade tem respondido positivamente
ao apelo de economia do governo. Estamos fazendo a nossa
parte. Economizamos energia em junho e a expectativa para julho
é que a meta seja até superada, destaca. Parente
também espera que as propostas alternativas sejam efetivadas,
como a aquisição de geradores para o setor industrial.
É lamentável que ainda haja essa expectativa
tão negativa. Deveríamos, agora, estar procurando
novos mercados para nossas exportações, considera.
O assessor econômico da Câmara de Dirigentes Lojistas
(CDL Fortaleza), Cláudio Ferreira Lima, concorda que o
ambiente pessimista também é muito prejudicial para
a economia. Sem dúvida vai haver retração
econômica e até desemprego. Mas, o pior de tudo é
o clima de pânico. As pessoas estão com medo de consumir
e esse, sim, é o pior dos mundos, avalia.
Para o economista, o comércio sofrerá reflexos importantes
com as novas medidas que contemplam os feriados às
sextas-feiras a partir da segunda semana de agosto. Já
na situação atual, o comércio já sofre
repercussões: diminuindo o consumo de energia, a produção
cai. Portanto, também cai a renda e, por tabela, o consumo
fica menor, avalia.
Ferreira Lima
lembra que o comércio é termômetro da
atividade econômica. Se faz mais comércio, quando
o economia está acelerada; se faz menos comércio,
quando o ritmo econômico está mais lento. O
economista admite que haverá efeitos ruins sobre o setor,
inclusive as demissões podem acontecer. Se o apagão
A já significou menos comércio; o apagão
B significará menos ainda, observa.
CONSTRUÇÃO
O setor de construção civil sofrerá
grandes prejuízos com a adoção dos feriados
às sextas-feiras, como estabelece o Plano B, do governo
federal. Segundo o presidente do Sindicato da Indústria
da Construção Civil (Sinduscon/Ceará), Crisanto
Almeida, ainda há muitas dúvidas sobre a aplicação
desse novo plano. Não sei se o feriado é obrigatório.
Todo mundo terá que parar?, questiona o dirigente.
Nesse caso, o prejuízo será muito grande,
destaca.
Almeida lembra
ainda que existem outros reflexos da adoção dos
feriados. Na construção civil, o pagamento
é feito mensalmente; com os feriados o mês terá
menos dias. É como se a hora trabalhada ficasse mais cara.
E não se pode reduzir salários, observa. |
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| Jornal
DIÁRIO DO NORDESTE |
19
de junho de 2001 |
Racionamento: redução para o CE
O presidente
da FIEC, Jorge Parente, esteve com o ministro Pedro Parente a
quem pleiteou para que houvesse flexibilidade em relação
às médias estabelecidas na primeira fixação
da Câmara de Gestão, sobretudo, para aquelas empresas
que têm um ciclo produtivo diferenciado em função
de safra e também algumas empresas intensivas de mão-de-obra.
Jorge Parente disse que o ministro prometeu, estudou "e já
começaram a sair algumas medidas de exceção
e será fixada uma fórmula de calcular novas cotas
e também reduzido de 20 para 15% o racionamento de energia
para as empresas de alimentos, metal-mecânica e indústrias
intensivas de mão-de-obra".
Utopia
Para o presidente
da FIEC, Jorge Parente, a compra e venda de energia "é
uma utopia, porque o preço é exorbitante". |
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| Jornal
DIÁRIO DO NORDESTE |
19
de junho de 2001 |
Negócios
Acordo de cooperação busca eficiência energética
na indústria
Com o objetivo de multiplicar o conhecimento sobre eficiência
energética nos processos industriais de produção,
contribuindo para melhorar o desempenho das indústrias no
racionamento de energia elétrica, foi assinado ontem acordo
de cooperação técnica entre a Companhia Energética
do Ceará (Coelce), a Federação das Indústrias
do Estado do Ceará (Fiec) e o Sebrae.
A concretização do convênio já está
acontecendo com a realização do curso Eficiência
Energética para o Racionamento, dentro do Programa
de Combate ao Desperdício de Energia Elétrica, que
há três anos é desenvolvido pela Coelce. O
treinamento, iniciado ontem no Clube de Engenharia do Ceará,
reúne 37 técnicos e engenheiros das áreas
de elétrica e mecânica.
Na programação:
elaboração de diagnóstico energético,
estudos do sistema de iluminação, análise
das contas de energia elétrica e de tarifas, dentre outros.
Será ainda criada a Comissão Interna de Conservação
de Energia (Cice), em cada empresa participante, visando acompanhar
a implementação das ações do programa
de combate ao desperdício de eletricidade.
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| Jornal
O POVO |
19
de junho de 2001 |
Parceria
para ensinar a poupar energia
A Companhia Energética do Ceará (Coelce), a Federação
das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec) e o Serviço
de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Ceará (Sebrae)
assinaram ontem um acordo de cooperação técnica
para realização do curso Eficiência Energética
na Indústria para Racionamento. Em 18 horas aulas, técnicos
e engenheiros passarão por um treinamento que inclui desde
informações básicas sobre a legislação
do racionamento de energia na indústria até formação
de comissões internas de conservação de energia.
A primeira turma, com 35 pessoas, iniciou as aulas ontem, no Clube
do Engenheiro. Segundo
o diretor de Projetos Institucionais da Coelce, José Nunes
de Almeida, ao todo serão treinados 105 pessoas, 35 em
cada turma. Ele disse que não existe uma estimativa do
número de empresas que devem ser beneficiadas pelo treinamento.
``A expectativa é que estes profissionais possam servir
como multiplicadores. A atuação do pessoal do Sebrae
é exemplar. Mesmo em pequeno número, eles atingem
a um leque muito grande de empresas'', afirmou Nunes.
O diretor
de Projetos Institucionais disse que a Companhia ainda não
tem um acompanhamento mais exato sobre os prováveis índices
de redução de consumo do setor industrial no estado.
``As empresas precisam de um tempo para se adequarem a esta nova
realidade. Acredito que somente no final do mês é
que vamos ter um acompanhamento mais preciso do nível de
consumo''.
O presidente
da Fiec, Jorge Parente, disse que o mais importante é que
os industriais cearenses estão buscando superar a crise
sem precisar realizar demissões. ``O curso que estamos
lançando, em parceria com a Coelce e o Sebrae, é
uma destas novas investidas para fazer com que as empresas cearenses
possam superar a crise sem o desgaste de demissões'', afirmou.
Segundo o
presidente da Coelce, Manuel Montero Camacho, o curso busca formar
profissionais capazes de atuar neste momento de crises. ``Temos
que encontrar caminhos para enfrentar este problema e buscar a
eficiência é um destes caminhos'', afirmou. |
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| Jornal
DIÁRIO DO NORDESTE |
13
de junho de 2001 |
Economia
CGCE acata proposta da indústria cearense para racionamento
As propostas elaboradas pela Federação das Indústrias
do Estado do Ceará (FIEC) como sugestão ao Plano de
Racionamento do Governo Federal foram acatadas pelo Banco Nacional
de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Câmara
de Gestão da Crise Energética (CGCE) e a Agência
Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). A informação
foi prestada pelo presidente da entidade, Jorge Parente Frota, durante
reunião da diretoria da entidade na última segunda-feira.
Parente
demonstrou preocupação com o quadro de seca no Nordeste.
Nesse sentido, propôs que fosse realizada uma ação
conjunta entre os governadores nordestinos visando encarar a questão
do abastecimento de água na região de forma estratégica.
SEM FERIADO
- As indústrias do Ceará irão trabalhar normalmente,
na sexta-feira, após o feriado de Corpus Christi. A informação
é do presidente da Federação das Indústrias
do Estado do Ceará (FIEC), Jorge Parente. Ele afirmou que
o feriado na quinta já é tremendamente prejudicial,
não podemos prescindir do trabalho na sexta-feira.
Segundo o
coordenador do grupo de Ação, Política, infra-estrutura
e Governabilidade da FIEC, Alcântara Macedo, não
há nenhuma orientação por parte da FIEC para
que as indústrias fechem na sexta-feira. As indústrias
devem aproveitar este dia para produzir, afirma. |
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| Jornal
O POVO |
01
de junho de 2001 |
Economia
Reivindicações tentam minimizar efeitos
Antonieta Negrão
Maia Júnior quer a permissão
para a Chesf comprar energias alternativas, como a eólica
ou de pequenas termelétricas. O secretário propôs
também a criação de uma bolsa de energia nas
empresas, em que os funcionários poderão vender o
excedente de energia economizado. Os
secretários estaduais de infraestrutura do Nordeste apresentaram
ontem à Comissão de Gestão da Crise Energética
(CGCE) uma série de reivindicações com o
objetivo de minimizar os efeitos de escassez de energia elétrica
na Região. Segundo o secretário de infraestrutura
do Ceará, Maia Júnior, que participou da reunião
no Palácio do Planalto, com os ministros de Minas e Energia,
José Jorge, e do ``apagão'', Pedro Parente, a situação
do Nordeste já passou``de angustiante para irritante''.
Ele lembrou
que a Região concentra o maior número de pobres
do País e que o plano de racionamento vai impedir, por
um tempo, o seu desenvolvimento econômico. Mas que, até
agora, não foram definidas medidas emergenciais que possam
pelo menos atenuar as consequências da crise para os nordestinos.
``Estamos fazendo todo o esforço, mas quem tem que resolver
o problema é o governo federal'', disse Maia Juior, lembrando
que o executivo federal tem que adotar medidas fiscais e regulamentadoras,
para desburocratizar uma série de providências.
Entre
estas providências, citou o secretário, está
a permissão para que a Companhia Hidrelétrica do
São Francisco (Chesf) compre energias alternativas, como
a eólica, ou de pequenas centrais termelétricas,
ou ainda de termelétricas flutuantes. ``A emergência
exige ações rápidas. Nos próximos
10 dias, as medidas têm que estar em prática. Não
dá para esperar mais'', destacou. Outra providências,
é a redução de impostos para a importação
de geradores, destacou.
Segundo Maia
Junior, a situação no Nordeste só não
está ``excessivamente crítica'', porque a linha
de transmissão de Tucuruí, que começou a
funcionar há um ano, e foi feita em parceria pelos governos
do Ceará e o Federal,``está salvando a barra da
Região toda'', destacou.
Dentro do
pacote de reivindicações, o Ceará propôs
a criação de um fundo de compensação
para o Nordeste, porque, segundo o secretário, a Região
`` que é a mais pobre, está pagando praticamente
sozinha essa conta que é do país todo''. O secretário
sugeriu ainda que a comissão analise a situação
dos condomínios residenciais, que pelas regras do plano
de racionamento, acabaram penalizados duas vezes: uma, porque
têm um consumo coletivo acima de 500 kWh/mês e, outra,
porque têm também um consumo individual, por cada
apartamento. ``O governo pensou no unifamiliar e não no
multifamiliar'', disse. Maia Junior também pediu que a
comissão estude a situação das empresas de
outdoor, que correm o risco de fecharem as portas com o racionamento
- na quarta-feira, uma empresa de propaganda e outdoor no Ceará,
obteve a primeira liminar contra o plano de racionamento.
Outra
sugestão levada pelo secretário à
comissão, é de que seja criada uma bolsa de energia
nas próprias empresas, para que os empregados que economizarem
eletricidade em suas residências possam vender o excedente
para a própria empresa em que trabalham. Uma outra idéia,
sugerida pela Fiec ao secretário, e levada à comissão,
é de que seja criada uma bolsa de compensação
para a mesma cadeia econômica. `` Nós esperamos que
o governo federal dê um tratamento de choque em suas ações
e que acate várias reivindicações'', destacou.
Maia Junior
disse que os pedidos e sugestões foram bem recebidos pelos
ministros e a comissão. Informou que os ministros prometeram,
depois de cuidar das ações que abragem todo o país,
chamar o governador de cada estado afetado pelo racionamento,
para conversar.
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| Jornal
Correio Braziliense |
26
de maio de 2001 |
Consumo disfarçado
Aparelhos com display e sistema em stand by não causam alarde,
mas também desperdiçam energia. Veja quanto você
pode economizar por mês
Sheila
Raposo
Da equipe do Correio
Sabe aquele
pontinho vermelho, sempre aceso, da tevê? Não parece,
mas é um vilão do racionamento. Ligado 24 horas
por dia, tem consumo mensal de 4,32kWh. É mais do que precisa
um ferro elétrico para passar roupas durante uma hora,
em quatro ocasiões por mês.
O ponto vermelho
da tevê mostra que o aparelho está em stand by (desligado
apenas no controle remoto, e não no botão liga/desliga
do próprio aparelho). É o que também acontece
com decodificadores de sinais de tevês por assinatura e
displays (de forno microondas, aparelho de som e videocassete),
onde o consumo é denunciado pelos relógios digitais.
Em baixa atividade mesmo quando não estão em uso,
esses aparelhos podem estar roubando a energia exigida para fazer
funcionar equipamentos mais necessários.
''Desliguei
tudo na minha casa'', diz o engenheiro eletricista Martiniano
Muniz, da Prolumni Eficiência Energética. Segundo
ele, o consumo não é tão alto quanto o de
lâmpadas, equipamentos e eletrodomésticos com maior
potência, mas influenciam na soma final. ''Imagine quanto
deve ser o gasto em todo o Distrito Federal, e até mesmo
no Brasil. Se todos desligarem da tomada, a economia será
substancial'', avalia.
Martiniano
aproveitou o conhecimento aplicado na empresa que dirige e fez
medições nos aparelhos que tem em casa. Ao todo,
a conta mensal chegou a quase 25kWh. É o mesmo que precisa,
por mês, um televisor de 20 polegadas para funcionar oito
horas diárias.
Além
dos aparelhos que ficam em modo stand by, o engenheiro também
avaliou quanto consumiria mensalmente um computador (do tipo que
tem desligamento automático), um estabilizador e uma impressora
ligados apenas na tomada, durante 24 horas por dia: 2,88kWh, 2,16kWh
e 5,04kWh, respectivamente. ''A impressora, mesmo não estando
ligada no botão on/off do aparelho, consome energia'',
alerta.
A ordem,
então, é desplugar os equipamentos. Só que
é preciso saber quando fazer isso. No caso dos displays,
há o incômodo de ter de reprogramar o relógio
ao religar o aparelho. A tevê, por sua vez, corre o risco
de perder a sintonia. O que traz mais inconvenientes é
o decodificador. Alguns não retomam o funcionamento logo
após religados, o que diminui ainda mais o conforto do
consumidor em tempos de racionamento de energia. Portanto, antes
de desconectá-los da tomada, é preciso planejar.
A Net, por
exemplo, precisa ser religada 25 minutos antes do horário
previsto para o uso. Senão, o assinante corre o risco de
perder algum programa. (Essa regra vale para quem desfruta do
pacote completo da operadora). No caso de programação
pay-per-view, o problema é ainda maior: é preciso
ligar o decodificador quatro horas antes para que ele possa ser
energizado.
No caso da
Sky, até que o aparelho recupere todas as informações,
as mensagens eletrônicas são interrompidas e a grade
de programações fica desatualizada. A Mais TV, por
sua vez, informa que só há problema com a transmissão
de programas se o aparelho ficar desconectado mais de 72 horas.
Passado esse período, o assinante precisa entrar em contato
com o Setor de Atendimento ao Cliente (SAC) da operadora e pedir
a reabilitação do aparelho, pois ele perde a memória.
CONSUMO
MENSAL
Aparelhos quando não estão em funcionamento
Aparelho
de som mini system (em stand by) 3,6kWh
Videocassete
(em stand by) 5,04kWh
Tevê
de 20 polegadas (em
stand by): 4,32kWh
Forno microondas
(ligado na tomada): 0,72kWh
Consumo total:
13,68kWh
Comparação
Se fossem
desligados da tomada, esses aparelhos economizariam juntos, em
um mês, o equivalente a:
Cinco horas de uso da secadora de roupas; ou Dez horas de uso
da lavadora de louça; ou Três
horas de uso diário de seis lâmpadas fluorescentes
de 21W, por um mês; ou Quatro
horas de uso diário da televisão, por um mês;
ou Seis
minutos de banho quente por dia, durante um mês.
Fonte:
Prolumni Eficiência Energética (www.prolumni.com.br)
DECODIFICADORES
DE TV POR ASSINATURA em stand by
Net (transmissão
a cabo)
- Média
dos aparelhos das três marcas utilizadas pela operadora
(GI, Cientific Atlanta e Eastern): 12,96kWh
Sky
(transmissão por satélite, ou DTH)
- Média
dos aparelhos das três marcas utilizadas pela operadora
(Gradiente, Philips e Century): 9,9kWh
Mais
TV (transmissão por microondas, ou MMDS)
- Consumo
do decodificador da marca GI (o único utilizado pela operadora):
2,16kWh
Observação:
A diferença de consumo mensal entre as operadores ocorre
devido aos tipos de transmissão utilizados por elas. Cada
decodificador tem uma necessidade própria de energia para
armazenar as programações.
Fonte:
Assessorias de imprensa da Net, Sky e Mais TV.
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| Jornal
FIEC HOJE |
21
de maio de 2001 |
Plano da FIEC
procura reduzir impacto dos cortes de energia no setor industrial
Criação de consórcios entre empresas do Norte-Nordeste
para cumprir cotas de racionamento, linhas de crédito para
compra de equipamentos (geradores a diesel, motores, etc.) com isenção
de impostos estaduais e federais, antecipação das
férias coletivas das empresas de dezembro para julho e o
ressarcimento de prejuízos às indústrias que
abrirem mão de parte de sua produção como forma
de contribuir para minimizar a crise de energia.
Estas são
as principais propostas feitas pela Federação das
Indústrias do Estado Ceará (FIEC) e entregues dia
15 pelo deputado federal Antônio Cambraia (PSDB/CE) ao ministro
de Minas e Energia, José Jorge, e ao diretor da Aneel,
José Mário Abdo.
Segundo o
presidente da FIEC, Jorge Parente Frota, as propostas visam minimizar
o impacto sobre a produção da indústria cearense
da economia de 15% de energia e garantir o funcionamento em tempo
integral de setores como o têxtil, metal-mecânico,
calçadista e de beneficiamento de castanha, considerados
os de maior contribuição para a economia cearense,
a fim de buscar, sobretudo, saídas compensatórias
para as empresas.
Jorge Parente
diz que o racionamento é fruto da falta de políticas
macroeconômicas para o setor de produção de
energia e que será muito prejudicial ao desenvolvimento
da indústria. Estamos evitando previsões negativas,
mas deve haver uma queda no índice da atividade econômica
da indústria do Ceará, que, em 2000, registrou o
segundo maior crescimento do país, alcançando o
índice de 8,5%.
O presidente
da FIEC informou, ainda, que a Federação entregou,
também dia 15, ao secretário de Fazenda do Estado,
Ednilton Soàrez, um pedido de isenção de
ICMS para as importações de geradores a diesel e
também para o próprio óleo diesel que será
consumido pelo equipamento. Há boas perspectivas do pleito
ser atendido pelo governo do Ceará. |
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| Jornal
O POVO |
20
de maio de 2001 |
Enquete Crise de energia elétrica: Imprevidência
ou Surpresa?
O Brasil vive uma crise sem precedentes na área da energia
elétrica. As alternativas que se apresentam para enfrentá-la
trarão grandes prejuízos aos usuários, residenciais
e industriais. A economia no consumo que inevitavelmente terá
de se fazer vai provocar a redução da produção
industrial, comprometendo o crescimento do País e o nível
de emprego. Além disso, haverá aumento nas tarifas.
O presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, diz
que a intensidade da crise foi uma surpresa para o governo; os críticos
dizem que houve imprevidência e falta de investimento na área.
Ameaça
``Não
há dúvida de que houve imprevidência do Governo,
que vem protelando a implantação de projetos essenciais
para solucionar a questão energética nacional, a
exemplo das termoelétricas. Essa crise é, portanto,
o resultado da falta de políticas macroeconômicas
de investimentos para o setor de geração de energia.
Só através de medidas estruturantes, a médio
prazo, poderemos impedir que o racionamento seja uma ameaça
que a cada ano venha a comprometer o crescimento do país''.
Jorge Parente Frota - Presidente da FIEC |
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| Jornal
DIÁRIO DO NORDESTE |
20
de maio de 2001 |
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A crise energética e as ações da FIEC
A Federação das Indústrias do Estado do Ceará,
vanguardeira na defesa dos legítimos interesses da
classe industrial cearense, lamentando a imprevidência
do Governo que tem protelado, há anos, a implantação
de projetos essenciais para o equacionamento racional
da gravíssima situação energética
do país, antecipa-se na formatação de um
Plano de Ação para o racionamento de energia.
Com efeito,
ao se anunciarem, há poucos dias, as primeiras preocupações
quanto a essa crise, de conseqüências extremamente
constrangedoras, e que veio para dar uma guinada, de efeitos negativos,
no processo do nosso desenvolvimento, assentado em linha
ascendente de crescimento econômico, a FIEC, contando com
a colaboração de sindicatos, empresários,
consultores e técnicos especializados na matéria
e com o apoio da Coelce, elaborou um plano, já encaminhado
às autoridades competentes - Ministério de Minas
e Energia e Câmara de Gestão da Crise de Energia
- em que se delineiam algumas sugestões de ação
prática e objetiva.
Assim, consciente
da ameaça para o crescimento do setor produtivo, tremendamente
afetado com a implantação de um racionamento
linear, que com certeza abala a formação de renda,
diminui a oferta de emprego e reduz a geração
de impostos, pretendeu a FIEC estabelecer critérios diferentes,
que possam envolver a prática de uma bolsa energética,
mediante o aproveitamento, por unidades produtivas localizadas
na mesma base de interligação, de sobras ou de cessão
espontânea de energia, vinculada a empresas, grupos, conglomerados
ou setores, que venham a poder disponibilizar parte de sua cota
demandada, em proveito de outros. Podem ser destacadas, nesse
particular, as empresas eletro-intensivas de consumo de energia,
as quais voluntariamente ofereçam parcelas de suas
cotas conveniadas como grandes consumidoras, estabelecendo-se,
nessa hipótese, mecanismo de compensação.
Além
disso, presente a absoluta necessidade da empresas procederem
a implementação de
projetos de
eficiência energética, através da substituição
de motores e equipamentos obsoletos por outros de concepção
mais moderna, de maior conteúdo de tecnologia e que, por
isso, possam afastar os desperdícios por ventura praticados,
sugere-se a assistência do BNDES, através de linhas
de crédito específicas e em condições
de taxas e prazo compatíveis com a situação
da crise momentânea que as afeta, no financiamento destinado
à aquisição dos equipamentos necessários.
É de
se admitir também a possibilidade de algumas empresas
promoverem projetos de geração de sua própria
energia, transformando o calor produzido em novas fontes
energéticas, ou utilizando resíduos do seu processo
produtivo, como poderia ser o caso de indústrias beneficiadoras
da castanha de caju, processadoras da cana de açúcar,
etc. ou de outras que venham a implantar, em substituição
à energia hidroelétrica, projetos que se assentem
na força de geradores a gás. Nesses casos também,
faz-se mister o apoio do BNDES, imprescindível para
o êxito do processo produtivo das empresas.
Por outro
lado, entendemos deva o Governo contribuir para minorar os efeitos
perniciosos da crise que ora assola os diversos setores da
economia brasileira. No caso específico do Ceará,
acabamos de encaminhar ao Senhor Secretário da Fazenda,
solicitação no sentido de examinar a redução
das alíquotas do ICMS, incidente tanto na importação
de equipamentos e geradores destinados à melhoria
da eficiência energética, como nas operações
para consumo de combustível (óleo diesel) a
ser utilizado no acionamento dos aludidos motores. Como sempre
tem ocorrido na solução dos legítimos
pleitos encaminhados pela FIEC à SEFAZ, também
desta vez foi bastante receptiva a autoridade fazendária,
tendo prometido examinar o assunto com ânimo de atendimento.
A FIEC, com
suas ações reativas, proativas e interativas,
entende, com muita convicção, que
da FIEC a
crise atual é o resultado da não implementação
de políticas macroeconômicas de investimos para
o setor de geração e transmissão de energia.
Há
que se cuidar de medidas estruturantes que possam corrigir
os rumos das atuais ameaças para a sustentação
do nosso crescimento sócio-econômico. Há que
se equacionarem os problemas da falta de compatibilidade
dos preços do gás natural, fixados em dólares,
versus os preços de consumo de energia, estabelecidos em
real. Há que se programar a diversificação
das fontes energéticas do país, criando alternativas
factíveis de energia termoelétrica, eólica
e solar.
Enfim, há
que se conduzirem com mais propriedade, responsabilidade
e competência, as matérias que, queira ou não
0 Governo, são de fundamental importância para o
desenvolvimento e o bem estar do povo brasileiro.
O autor é
presidente da Federação das Indústrias do
Estado do Ceará |
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| Jornal
GAZETA MERCANTIL CEARÁ |
17
de maio de 2001 |
FIEC propõe
incentivo a indústrias com menor consumo de energia
Darlan Moreira
de Fortaleza
damoreira@gazetamercantil.com.br Uma
proposta, em especial, chama a atenção no plano
de ação para racionamento de energia elaborado pela
Federação das Indústrias do Estado do Ceará
(FIEC), entregue ontem à Agência Nacional de Energia
Elétrica (Aneel) e ao Ministério das Minas de Energia
por intermédio do deputado federal (PSDB) Antônio
Cambraia - que preside a Comissão Especial de Energia da
Câmara dos Deputados. O documento sugere uma compensação
para indústrias de consumo eletrointensivo que espontaneamente
reduzam a demanda energética.
Pela proposta da FIEC, as grandes indústrias que se predisponham
a reduzir o consumo, com queda na produção, seriam
ressarcidas pelo governo. O presidente da entidade, Jorge Parente,
admite que há empresas que consomem energia por milhares
de estabelecimentos, e poderiam diminuir o ritmo de atividade,
mas defende uma compensação por eventuais prejuízos.
Em abril deste ano, 1,84 milhão de consumidores estavam
inscritos na Companhia Energética do Ceará (Coelce).
Desse montante, cerca de 6 mil são empresas industriais,
responsáveis por 28% da demanda. Os maiores clientes da
Coelce são Cimento Portland, grupo Gerdau e Vicunha Têxtil.
O presidente da FIEC, no entanto, não detalha a fonte dos
recursos para compensar as empresas. "Essa competência
não é nossa. Estamos apenas dando idéias
a um governo que parece estar sem rumos", comenta. "Ele
(o governo) pediu para aumentar a produção e as
exportações, e nós atendemos. O Ceará
teve o segundo melhor desempenho industrial do País no
ano passado e incrementou em 33% suas exportações
no período. Agora, surpreendentemente, estamos intimados
a reduzir o ritmo da atividade", acrescenta.
A FIEC também está propondo aos grupos que possuam
várias unidades um rodízio de funcionamento. Parente
cita como exemplo a Grendene, que tem nove fábricas distribuídas
em três cidades "A empresa poderia paralisar uma unidade,
alternadamente, a cada mês", observa. Para não
gerar desemprego, o presidente da FIEC sugere a antecipação
de férias coletivas - que geralmente são dadas no
final do ano. "Seria uma forma de evitar demissões.
O racionamento vai de junho a novembro", argumenta.
O presidente da FIEC, Jorge Parente encaminhou ontem ofício
ao secretário da Fazenda do Estado, Ednilton Soárez,
que se mostrou receptivo à proposta. Nas 13 estratégias
apresentadas pela FIEC, também consta a transferência
de cotas de energia entre empresas do mesmo grupo, setor de atividade
e até entre estados.Conforme o presidente da FIEC, a idéia
é permitir que as empresas que não estejam em plena
capacidade operacional, em determinada época, possam transferir
suas cotas para outras. "O setor de confecções,
por exemplo, que geralmente aumenta o ritmo de atividade no final
do ano, poderia repassar parte da cota para outras empresas",
observa. Segundo ele, esse tipo de procedimento é tecnicamente
viável. |
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| Jornal
DIÁRIO DO NORDESTE |
17
de maio de 2001 |
Plano busca reduzir impacto de cortes de energia na indústria
Minimizar o impacto sobre a produção da indústria
cearense da economia de 15% de energia, prevista pelo Governo Federal,
e garantir o funcionamento em tempo integral de setores como o têxtil
e o metalmecânico (que operam com capacidade plena), calçadista
e de beneficiamento de castanha. Este
é o desafio do Plano de Ação para o Racionamento
de Energia, apresentado à Imprensa ontem pelo presidente
da Federação das Indústrias do Estado do
Ceará (FIEC), Jorge Parente. Estamos evitando previsões
negativas, mas deve haver uma queda no índice da atividade
econômica da indústria do Ceará, que, em 2000,
registrou o segundo maior crescimento do País. A proposta,
contudo, é reduzir os efeitos sobre a economia, admite
Parente.
FÉRIAS
COLETIVAS - O Plano prevê medidas como a bolsa de energia,
com transferência de cotas de consumo entre as indústrias;
a criação de linha de crédito do BNDES para
financiamento de compras de motores a diesel; a redução
do ICMS dos motores e isenção para o diesel; setorização
de empresas; substituição de motores; conscientização
da população para a poupança de energia;
e antecipação das férias coletivas das empresas
de dezembro para julho.
Faltaram
políticas macroeconômicas para o setor de produção
de energia, defende o presidente da FIEC, referindo-se à
razão da crise de energia do País. De acordo com
Jorge Parente, o Plano é uma espécie de racionamento
voluntário, cuja principal finalidade é evitar o
apagão. O objetivo do Plano é buscar saídas
compensatórias para as empresas, diz. E admite, por
fim, que poderá haver queda na produção e
mais desemprego caso persista o racionamento por mais tempo.
Proposta prevê
redução de impostos
- Entre as principais idéias do Plano de Racionamento da
Indústria está a autorização para
que conjuntos de empresas, instaladas no mesmo sistema interligado,
formem consórcios para cumprir em bloco o somatório
das cotas
- É
sugerida, ainda, a elaboração de política
nacional para o setor elétrico que permita, permanentemente,
a transferência possível de energia entre as regiões
interligadas
- Segundo
o plano, deve ser implantado sistema de ressarcimento de prejuízos
por queda de produção
- Redução
de alíquotas de tributos federais e estaduais (como IPI
e ICMS) a valor zero também está prevista pelo Plano
- O Plano
estabelece ainda criação de linha de crédito
especial, com carência compatível à extensão
da crise.
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| Jornal
O POVO |
12
de maio de 2001 |
Plano
de racionamento Empresas do Ceará cobram definições
Marília Cordeiro
da Redação A
indefinição sobre o plano de racionamento do Ministério
das Minas e Energia preocupa segmentos econômicos do Ceará,
que estão às voltas para saber como economizar energia
sem diminuir produção.
A menos de
20 dias para o racionamento de energia elétrica, donos
de pequenas, médias e grandes empresas reclamam da necessidade
de corte no fornecimento e cobram definições do
governo federal. O coordenador de infra-estrutura da Federação
das Indústrias do Ceará (FIEC), Alcântara
Macedo, não concorda que o consumidor tenha de arcar com
os custos de um regime de contenção por causa da
falta de investimento dos governos em novas fontes de energia.
Representantes da Fiec realizaram mais uma reunião ontem
sobre o tema para concluir propostas que minimizem os efeitos
do racionamento. O presidente da Fiec, Jorge Parente, deve entregar
segunda-feira um documento final à Confederação
Nacional da Indústria (CNI). ``O momento é de reflexão
para a sociedade, o governo e empresas'', diz Alcântara.
Na Santana
Têxtil, o gerente de operações da empresa,
Flaviano Teles, também considera ``injusto'' que o consumidor
sofra o ônus do racionamento. ``A Santana vinha investindo
cerca de R$ 50 mil ao ano, desde 1984, em tecnologia para reduzir
o consumo'', diz. A empresa estaria a todo vapor em julho na ampliação
da produção (de 1 milhão de metros de tecido
para 1,6 milhão). Agora, o ritmo de crescimento vai depender
do racionamento, já que o novo galpão vai demandar
mais 600 quilowatts de energia.
Para a confecção
cearense Quarto Crescente, trabalhar com menos energia elétrica
no segundo semestre, quando aumenta produção mensal
em 20%, é uma ``péssima notícia.'' Conforme
o diretor Cláudio Milério, a empresa está
sendo forçada a mudar o horário de funcionamento
do setor de maior demanda de energia, a estamparia, que vai parar
no horário de pico. A idéia é não
reduzir a produção e conseguir entregar todos os
pedidos.
Com o racionamento,
a avicultura não deve repetir o crescimento de 10% dos
últimos anos. A constatação é do presidente
da associação cearense do setor (Aceav), Bessa Júnior.
O setor depende de energia elétrica em todos os estágios
do desenvolvimento das aves e no processamento da ração.
O clima do
Nordeste exige mais cuidado com a refrigeração de
carnes em frigoríficos, que têm de manter as câmaras
ligadas sem interrupções, conforme o proprietário
do Araguaína, Romão Kmiec Júnior. ``É
possível repassar custos ao consumidor'', afirma. Além
de economizar energia, ele corre o risco de ter o produto confiscado
por órgãos de fiscalização por não
estarem bem acondicionados. A empresa pode providenciar geradores,
mas não quer investir sem saber como vai ser o sistema.
Indústria
de sorvete deixa de crescer
A contenção
de consumo de energia elétrica pode derreter a expectativa
de crescimento de 4% da indústria de sorvetes cearense
Frosty para este ano. Alguém imagina a fabricação
de sorvetes sem energia elétrica? O pequeno empresário
Fábio Rocha, dono da Frosty, também não.
Ele já se imagina tendo que se adaptar a horários
de cortes, combinar horas extras para empregados, continuar oferecendo
só os produtos de maior lucro e desistir de outros.
``Seja qual
for a decisão do governo, no mínimo, vou ter de
replanejar meu negócio'', resume. Ele pensa em desligar
as câmaras de refrigeração que só podem
ser reabertas uma hora depois do fim do período de desligamento.
Nesse tempo, mesmo se o cliente pedir, ele poderá não
poderá abrir a câmara, sob pena de comprometer a
qualidade de 15 mil litros de sorvete. Em condição
parecida estão pelo menos 106 fabricantes de sorvetes do
Estado.
Com 210 clientes,
a empresa está no meio da consolidação de
uma nova estratégia, que é centrar fogo nos produtos
de sobremesa para casa. (MC)
Supermercados
se adaptam
A rede de
supermercados Hiper Mercantil cancelou o regime de funcionamento
24 horas da loja rua Pinto Madeira, por conta da necessidade de
racionalizar energia e pelo custo. De acordo com o diretor comercial
da empresa, Rony Ximenes, uma nova loja 24 horas vai depender
do futuro do fornecimento. O diretor teve de comprar geradores
para as sete lojas, com preços entre R$ 7 mil a R$ 15 mil,
esperando economia de 10% a 15% no consumo.
A vinda do
racionamento também significou um investimento que não
estava planejado pelo diretor financeiro do supermercado Chalana,
Hugo Braga. Antes do dia 30, deverá haver um grupo gerador
instalado na loja para utilizar no horário de pico, das
5h30 às 21h. As 20 lojas Pão de Açúcar
em Fortaleza estão preparadas para enfrentar o corte sem
comprometer o atendimento sem mudanças de horários,
segundo a assessoria de imprensa da rede.
A experiência
num projeto piloto em duas lojas em São Paulo foi estendida
a 90% da rede, resultando em 15% de economia do recurso nas lojas,
com controle da abertura de câmaras refrigeradas, treinamento,
maior uso da luz natural etc. As 16 lojas 24 horas em Fortaleza
permanecem no mesmo sistema de funcionamento. (MC) |
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| Jornal
O POVO |
10
de maio de 2001 |
Racionamento
inibe crescimento do setor industrial em 2001
Darlan Moreira
de Fortaleza
damoreira@gazetamercantil.com.br O
racionamento de energia vai ser especialmente indigesto para a
economia cearense. A redução na oferta atinge diretamente
o setor industrial, motor que tem feito a economia estadual crescer
acima da média nacional - no ano passado, a expansão
do PIB do Estado foi de 4,55%, ante 4,11% do País, e 47%
do desempenho foi atribuído à performance da indústria,
que evoluiu 5,31%, comparado a 1999. A avaliação
é de que, obrigadas a reduzir em até 18% o consumo,
as indústrias não vão poder confirmar ou
superar os índices obtidos em 2000, conforme expectativa
do início deste ano.
Além de acender o sinal vermelho para projetos de expansão
da capacidade instalada, o racionamento de energia tende a acionar
o freio-de-mão para novos empreendimentos, na avaliação
do presidente da Federação das Indústrias
do Estado do Ceará (FIEC), Jorge Parente Frota. Segundo
ele, projetos como a siderúrgica e a refinaria no complexo
portuário do Pecém - programadas para iniciar no
segundo semestre - podem sofrer atraso em razão de problemas
com a matriz energética.
De acordo com o coordenador de Infra-Estrutura, Política
e Governabilidade da FIEC, Francisco Alcântara Macêdo,
com o racionamento a previsão de crescimento do PIB industrial
do País vai recuar de 7% para um patamar entre 4% e 6%
este ano. "Em nível nacional, vamos ter redução
no emprego, menos arrecadação, desaceleração
do crescimento econômico e, consequentemente, menos desenvolvimento
social", observa.
Para Macêdo, a situação é ainda mais
grave no Ceará. "O esforço fiscal e as obras
de infra-estrutura iniciados no primeiro governo Tasso Jereissati
(1986) para dotar o Estado de uma nova plataforma industrial começam
a ficar comprometidos pela imprevidência do governo federal,
que deveria ter investido R$ 90 bilhões, nos últimos
anos, no setor energético", comenta. Segundo ele,
as cotas reservadas para os futuros empreendimentos são
incompatíveis com a atual demanda.
"O governo quer reservar 5% para as novas indústrias.
É muito pouco, pois o nosso parque industrial está
em transformação e cresce a taxas elevadas",
pondera.
Conforme o diretor de Energia e Construção da Companhia
Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), Leonardo
Albuquerque, o Ceará foi o Estado cuja demanda mais cresceu
nos últimos anos no Nordeste, e recebeu investimento de
R$ 718,4 milhões, em 5 anos, para suprir o consumo - que
passou de 3,5 GWH, em 1995, para 6 GWH, ano passado. Entre 2001
e 2005, a Companhia Energética do Ceará (Coelce)
estimava crescimento médio de 7,1% na demanda.
O racionamento chega em momento inoportuno para a Tecnomecânica
Esmaltec S.A, do grupo Edson Queiroz, e que produz 1,2 milhão
de fogões, 3,3 milhões de recipientes para gás
de cozinha, além de bebedouros de água, geladeiras
e freezers. A empresa, que iniciou o ano em plena atividade, trabalhando
em dois turnos, pretende reduzir a produção e demitir
pessoal para se enquadrar no plano de contingenciamento do governo,
conforme o gerente administrativo-financeiro, Daniel Barreto.
Hoje, a Esmaltec emprega 2 mil pessoas, e o grupo todo, cerca
de 14 mil. Segundo ele, além de prejudicar os planos de
expansão de mercado - a Esmaltec está investindo
R$ 180 milhões em uma nova unidade -, o racionamento vai
favorecer seus principais concorrentes, na região Sul.
"Sem se submeter ao racionamento, eles ficarão mais
à vontade no mercado. Estamos revendo nossas estratégias
por causa do racionamento", pondera Barreto.
A Marisol Nordeste, fabricante de confecções, com
produção de 20 mil peças/dia, por sua vez,
busca alternativas para manter o projeto de elevar o faturamento
dos R$ 33,4 milhões do ano passado para R$ 76,1 milhões.
De acordo com o diretor-executivo, Gilmar Vegini, medidas internas
como racionalização do uso da energia, desligamento
de máquinas em horários de pico e aquisição
de mais um gerador a diesel fazem parte da estratégia.
Mas reconhece que o regime no consumo de energia vai ser árduo
para a empresa.
O diretor-tesoureiro da Confederação Nacional da
Indústria (CNI), Fernando Cirino Gurgel, alerta para o
risco de retração no volume de exportações
do Ceará - que, após quase uma década estacionadas
em cerca de US$ 350 milhões, evoluiu 33,3% no ano passado.
"Se não houver uma política governamental criteriosa
e específica para as indústrias exportadoras, haverá
impacto negativo na balança comercial", argumenta.
Na avaliação de Cirino, presidente da Durametal
S/A - maior produtora de tambores de freio para veículos
pesados do País, com mercado em cerca de 20 países
-, o racionamento pode atingir os principais setores industriais
do Estado, principalmente o moageiro de trigo e o têxtil,
com a segunda posição no ranking nacional. "Esse
segmentos, que usam energia intensivamente e trabalham 24 horas
sem interrupção, serão diretamente afetados",
afirma.
De acordo com o presidente da FIEC, Jorge Parente Frota, o racionamento
compromete a retomada das exportações num momento
em que o País precisa de divisas. "A energia é
o principal insumo da indústria, que é a maior alavanca
das vendas externas", observa. "Além disso, com
a eventual quebra dos contratos de exportação, vamos
perder a confiança do importador, fator essencial no mercado
internacional", acrescenta.
Para conviver emergencialmente com o problema, a FIEC está
propondo a criação de uma bolsa de energia, permitindo
que um setor ocioso passe sua cota para outro em plena atividade;
o remanejamento da cota de energia dentro de empresas do mesmo
grupo; linha de financiamento para substituir motores por outros
mais econômicos; e desconto de ICMS na aquisição
de geradores a diesel e no combustível. |
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| Jornal
DIÁRIO
DO NORDESTE |
09
de maio de 2001 |
Indústria cearense faz plano emergencial contra racionamento
de energia
Os industriais cearenses não aceitam a proposta de corte
de 18% no consumo de energia do setor. Ontem, durante reunião
na Federação das Indústrias do Estado do Ceará
(FIEC), os empresários discutiram a elaboração
de um plano emergencial que será entregue a Agência
Nacional de Energia Elétrica (Aneel) na próxima semana
e, no dia 29, ao ministro das Minas e Energia, Eduardo Jorge, durante
reunião da Confederação Nacional da Indústria
(CNI). A
proposta será concluída na próxima sexta-feira,
depois de reunião com o consultor Fernando Irineu, que
foi diretor da Companhia Energética do Ceará (Coelce).
Irineu participou do programa de racionalização
de energia ocorrido na década de 80.
TRANSFERÊNCIA
- Segundo o consultor, na ocasião, foi possível
transferir cotas de energia de uma empresa para outra. Só
era exigido que as companhias pertencessem ao mesmo grupo e estivessem
enquadradas dentro da mesma área de racionamento. Durante
reunião na FIEC, o diretor de distribuição
da Coelce, Josep Pujols Ramon, afirmou que pelas regras estabelecidas
pela Aneel não é possível fazer essa troca
de energia de uma companhia para outra, o que inviabilizaria o
plano estudado dos empresários locais.
BOLSA - Uma
das propostas estudadas FIEC consiste na criação
de uma bolsa de energia. Ou seja, os industriais transfeririam
a energia de um setor para o outro, que não estivesse a
pleno vapor. Na avaliação dos industriais cearenses,
como o Nordeste tem que reduzir o consumo em 20%, isso não
seria inviável, podendo ocorrer a transferência da
cota de energia de uma empresa para outra que excedesse o consumo.
Apesar das
restrições impostas pela a Aneel, o vice-presidente
da Coelce, Celestino Izquierdo, afirma que a empresa tentará
analisar essa possibilidade. O vice-presidente do grupo Vicunha,
Pedro Felipe, também questionou a possibilidade de faturamento
de uma única conta de energia para as empresas do mesmo
grupo. Os industriais querem ainda viabilizar a substituição
de motores.O presidente da FIEC, Jorge Parente afirma que, no
ano passado, a indústria cearense apresentou um crescimento
de 33%. As exportações também tiveram um
incremento considerável e atingiram US$ 500 milhões..
Ele explica que o segmento realizou vários investimentos
e a meta da FIEC é atingir US$ 1 bilhão com o comércio
internacional.
Os industriais
alegam que não podem rescindir os contratos de exportação,
o que geraria um grande descrédito para as empresas locais.
As conseqüências de um corte de 18% no consumo
industrial de energia seriam incalculáveis. Toda a sociedade
será penalizada com o racionamento. Ele explica que,
além de demissões, pode ocorrer o aumento da inflação
e queda da arrecadação de impostos. |
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Jornal
DIÁRIO DO NORDESTE |
09
de maio de 2001 |
Refinaria e siderúrgica podem ser comprometidas
Todos
os projetos de investimentos do Ceará, entre eles a refinaria
e a siderúrgica, podem ser comprometidos pelo racionamento
de energia. A afirmação é do presidente da
Federação das Indústrias do Estado (FIEC),
Jorge Parente.Na avaliação do empresário,
não será fácil atingir o percentual de redução
de 18% da cota de consumo. Ele afirma que o segmento não
pode aceitar esse tipo de medida.
Segundo a
direção da FIEC, um grande número de empresas
está se preparando para ampliar seu parque industrial e
outras já estão com programas para começar
a operar. Entretanto, com o racionamento, muitos desses projetos
podem ser adiados.
O presidente
da FIEC, Jorge Parente, afirma que estava tranqüilo até
bem pouco tempo porque acreditava que o linhão do Tucurí
seria suficiente para resolver o problema energético do
Ceará. Contudo, o linhão já está funcionando
em plena capacidade e ainda há a perspectiva de racionamento.
O diretor
de Infra-Estrutura da FIEC, Alcântara Macedo, acrescenta
que todos esses problemas que estão ocorrendo agora devem-se
a falta de investimentos.
Ele lembra
que estavam programados R$ 90 bilhões para o setor energético,
mas esses recursos não foram aplicados em nome da estabilidade
financeira. Os empresários locais criticaram o presidente
Fernando Henrique Cardoso, que culpou os governos anteriores pela
falta de investimentos. |
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| Jornal
FIEC HOJE |
08
de maio de 2001 |
FIEC e Coelce
reúnem-se para discutir propostas de racionalização
de energia
O
presidente da Federação das Indústrias do
Estado do Ceará (FIEC), Jorge Parente Frota, reúne
industriais, presidentes de sindicato e representantes da Coelce
hoje, dia 8 de maio, às 11h, para apresentar as primeiras
propostas de estratégia elaboradas pelo segmento para se
engajar na racionalização de energia elétrica
sem comprometer os índices de crescimento industrial do
Estado.
As propostas
dos industriais foram elaboradas durante reunião realizada
na última sexta-feira, dia 4 de maio, com representantes
dos segmentos têxtil, metal-mecânico, frios e pesca
e mineral, maiores consumidores de energia e, tradicionalmente,
segmentos exportadores, cujas atividades estão ameaçadas
com as medidas de racionalização do governo federal.
Entre as propostas
inicias já discutidas pela FIEC e empresários, está
a criação de uma Bolsa de Energia do Setor
Industrial que centralizaria todo o consumo do parque industrial
do Estado.
Com
a bolsa, os setores de menor produção em determinado
período transfeririam parte de sua cota excedente para
outras indústrias que estivessem tendo que operar a pleno
vapor. A bolsa poderia ser formada por grupos econômicos,
ou ainda por setor, explica Jorge Parente.
A lista inicial
de propostas da FIEC inclui, ainda, a realização
de um diagnóstico da eficiência energética
do parque industrial cearense.
Essa sugestão
passa pela sensibilização das indústrias,
através dos sindicatos, com o objetivo de avaliar o fator
de potência das indústrias, os motores (que segundo
a Coelce são responsáveis pelo consumo médio
de 56% da energia em uma indústria) e a própria
conta de energia que revelará os padrões de eficiência
das empresas.
Com base nessa
análise, a FIEC vai propor, também, a utilização
de uma parte dos recursos oriundos do Fundo Setorial para Energia
Elétrica, gerido pelo BNDES, para em médio prazo
financiar a substituição de motores industriais
obsoletos por equipamentos mais modernos e capazes de otimizar
o consumo de energia.
Os recursos
arrecadados com as multas propostas pelo governo também
poderiam, segundo o presidente da FIEC, ser utilizados na modernização
do parque industrial. Vamos propor ao governo a abertura
de uma linha de crédito do BNDES para financiar a aquisição
de motores industriais, diz Jorge Parente.
A sugestão
da FIEC é levar as propostas não só para
a Coelce e ANEEL, mas também discuti-las diretamente com
o ministro das Minas e Energia, José Jorge, em reunião
a ser realizada em Brasília, no dia 29 de maio, na Confederação
Nacional da Indústria (CNI). Do encontro da próxima
terça-feira com a Coelce, sairá a pauta final do
setor industrial do Ceará para discussão direta
com o ministro. |
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| Jornal
O POVO |
5
de
maio de 2001 |
Cliente pode pagar prejuízo da Coelce
Adailma
Mendes
da Editoria de Economia
Indústria faz proposta
Membros do setor têxtil, de minerais, metal-mecânico e de frios
e pesca propõem a formação da Bolsa de Energia do Setor Industrial.
``Os setores de menor produção em determinado período transfeririam
parte de sua cota excedente para outras indústrias que tivessem
que operar a todo vapor'', explicou o presidente da Federação das
Indústrias do Ceará (Fiec), Jorge Parente, que se reuniu ontem com
empresários. A idéia é uma redução no consumo de energia por setor
e não por empresa.
A posição da Coelce, que se reunirá terça-feira com os industriais,
é de que tal medida é impossível. ``O ministério já determinou que
as contas serão isonômicas, para evitar a formação de grupos'',
adiantou o diretor Josep Pujols Ramon. Sua sugestão é de que as
empresas invistam na compra de um gerador.
Outra proposta da Fiec é a liberação de crédito do BNDES para a
troca de equipamentos por outros mais econômicos. O setor também
deseja que parte das multas por consumo excessivo de energia sejam
utilizadas na modernização do parque industrial. (AM)
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