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FIEC - Ações - Energia
5 de agosto de 2004
Ceará cria centro de energia solar

Fortaleza, 5 de Agosto de 2004 - O Ceará vai começar a aproveitar melhor as 3 mil horas de sol que dispõe por ano, um de seus principais dotes naturais, usado basicamente na atração de turistas. Um acordo de cooperação técnica entre o governo estadual, por meio da Secretaria Estadual da Ciência e Tecnologia, Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) e a Universidade Federal do Ceará (UFC), vai permitir a utilização da energia solar em novos equipamentos e sistemas. O acordo envolve a criação do Centro Brasileiro para o Desenvolvimento da Tecnologia de Refrigeração Solar (CBRefriSOL), com orçamento estimado em R$ 1,3 milhão.

O centro vai apoiar a realização dos projetos de equipamentos movidos a energia solar para de refrigeração de câmaras frigoríficas para conservação de alimentos, produção de gelo e sistemas de climatização, desenvolvidos com recursos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Segundo a pesquisadora Maria Eugênia Vieira da Silva, do Departamento de Engenharia Mecânica e coordenadora do Laboratório de Energia Solar e Gás Natural da Universidade Federal do Ceará (UFC), os projetos foram iniciados no ano passado. O protótipo do refrigerador solar deverá ser testado em abril de 2006, informa Maria Eugênia. Ela afirma que o laboratório recebeu aval do CNPq para fabricar e testar o equipamento.

O projeto do centro está aprovado "no conteúdo e na decisão política" e aguarda a avaliação técnica da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), confirmou o subsecretário da Secretaria de Controle das Unidades de Pesquisa do Ministério da Ciência e Tecnologia, Avílio Antonio Franco. A avaliação do projeto pelo comitê técnico será feita formalmente e prevê a liberação dos recursos, com fonte dos fundos setoriais, este ano. "O centro representa uma oportunidade de negócio", diz Franco.

"O CBRefriSOL vai produzir e difundir o conhecimento científico e tecnológico, além de contribuir na formação de recursos humanos na área", acrescenta Maria Eugênia. De acordo com a especialista, a tecnologia adotada no equipamento é baseada no ciclo térmico de absorção, processo físico pelo qual o material absorvente é capaz de aprisionar ou liberar moléculas de um fluido. "Mas esse é só um primeiro momento, pois vamos fazer também projetos piloto da tecnologia disponível para fins de demonstração", afirma, ao observar que o equipamento está preservado por pedido de patente.

Maria Eugênia, doutora em energia solar pela Universidade do Colorado, com pós-doutorado na Alemanha e professora titular do Departamento de Engenharia Mecânica e Produção, não tem dúvidas em relação aos avanços a partir da assinatura do acordo. "O convênio é importante para a implementação da tecnologia de refrigeração térmica, auxiliando ainda em novos projetos, além de permitir a continuidade dos que já estão em andamento, criando novas aplicações", diz. A especialista lembra que o laboratório da UFC já abriga projetos como o do fogão solar e outro de dessalinização térmica, e desenvolveu um protótipo de refrigerador acionado pela queima de gás natural em parceria com organizações da Alemanha.

Fundos setoriais

O secretário de Ciência e Tecnologia do Ceará, Hélio Guedes de Campos Barros, diz que o governo estadual vai dar apoio ao centro na apresentação dos projetos aos fundos setoriais. "Fontes internacionais para as pesquisas poderão surgir com a perspectiva também de que as indústrias privadas se interessem por essa tecnologia", diz.

De acordo com a assessora do MCT Ivonice Aires Campos, a tecnologia implementada pelo CBRefriSOL oferece ao mercado uma nova possibilidade. "O aquecimento da água pela energia solar é a única tecnologia que, no horário de pico, entre as 17h e 21h, é capaz de otimizar o sistema de distribuição de energia", diz. Ela afirma que, neste horário, o consumo de energia aumenta em até cinco vezes. Ivonice foi uma das redatoras da regulamentação do Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa).


Energia solar ajuda produção de orgânicos

Fortaleza, 5 de Agosto de 2004 - Agricultores da comunidade de Vale do Lambedouro, distrito de Viçosa do Ceará, a 346 quilômetros de Fortaleza (CE), e sem acesso à rede elétrica, começam a utilizar a energia solar para irrigar a produção orgânica, até o final de agosto. A investida faz parte de convênio assinado entre a secretaria da Infra-Estrutura do Ceará (Seinfra), Prefeitura do município e Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Energias Renováveis (Ider), e não implicará em custo aos produtores.

Investimento

O governo prepara ainda a documentação para outros municípios que devem receber benefício semelhante. Pelo acordo, o estado vai doar 16 painéis de energia solar, a Prefeitura, um conjunto motor-bomba compatível com o sistema, enquanto o Ider, ficará encarregado de montar o equipamento e treinar os usuários.

O projeto representa investimento em torno de R$ 30 mil, segundo calcula o engenheiro Luiz Costa Rolim, gerente do programa na Seinfra. De acordo engenheiro, o sistema funciona por bombeamento, de forma simples, sem bateria, é confiável, tem custo zero de geração, e capacidade para abastecer, irrigar e incentivar a produção orgânica na área.

A estimativa de vida útil para o equipamento fica entre 20 a 25 anos e, cada placa gera, no máximo, 53 watts. Entre 10 e 15 horas é possível abastecer uma caixa d'água com cerca de 7,5 mil litros, dependendo da vazão do poço. Fonte: Gazeta Mercantil

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eletrica.com.br
05 de fevereiro de 2004

Brasil pode liderar geração mundial de energia eólica se superar lobby das termelétricas

A Dinamarca, com 5.500 turbinas, tem a maior empresa de energia eólica, a Vestas, dona de 22% do mercado mundial em 2002. Aquele país nórdico conta ainda com os maiores parques eólicos, e agora avança no mar com quatro fazendas offshore como Middelbgrundness, com 80 turbinas de 2 MW, que gera o total de 160 MW.

O Brasil possui apenas 20,9 MW instalados, compara Pedro Rosas, na conferência Fontes Renováveis de Energia para a Sociedade Sustentável - Energia Eólica, dada nesta quarta-feira na reunião regional da SBPC, na UFPE, em Recife. O total brasileiro está distribuído em três unidades no Ceará que somam 16,2 MW instalados; 0,33 MW em Olinda; 0,3 MW em Fernando de Noronha; 1 MW em Minas Gerais; 2,5 MW no Paraná e 0,6 MW em Santa Catarina.

Contudo, em comparação feita por Pedro Rosas, o potencial dos ventos no Nordeste para geração de energia elétrica, dimensionado no mapa eólico da região, é suficiente para produzir 104,040 MW, o correspondente a 36 vezes a potência atual da Dinamarca. Segundo ele, as grandes empresas mundiais do nicho de energia eólica estão preparadas para investir 1,1 bilhão de euros para transformar este potencial de ventos em eletricidade para transformar a matriz energética brasileira, hoje concentrada em mais de 90% de fonte hidrelétrica.

Com este cenário, de acordo com Pedro Rosas, a Vestas recebeu uma área em Suape para implantar uma indústria. A Enercom, da Alemanha, segunda maior empresa do mundo no ramo, dona de 18,5% do mercado mundial, já implantou duas empresas subsidiárias no Brasil, a de pás no Pecém, Ceará e outra em Sorocaba, São Paulo. Segundo ele, as empresas querem se instalar e usar o Brasil como ponto exportador.

Pedro Rosas disse que nos últimos dois anos o avanço da energia eólica na matriz energética do Brasil passa por 'um grande atraso devido ao grande lobby das centrais termoelétrica'. O atraso, segundo ele, ocorre por questões política na regulamentação do Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa), criado pelo Ministério das Minas e Energia em março de 2003. O Proinfa autorizou a geração de 3,3 mil MW, dos quais 1,1 mil de pequenas hidrelétricas, 1,1 mil de biomassa e 1,1 mil de energia eólica.

Todavia, a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), o valor da unidade de energia a ser recebido pela empresa para fornecimento à rede elétrica instalada, que deveria ter sido divulgado até outubro, ainda não foi definido.

O prazo esperado para a definição agora é abril de 2004, para que as empresas privadas com investimentos programados para o Brasil possam fechar os seus contratos. Pedro Rosas afirma que o investimento para geração de 1,1 mil MW no Brasil corresponde à metade de toda a potência instalada na Dinamarca.

Os investimentos em energia eólica no âmbito do Proinfa, disse Rosas, estão concentrados no Ceará, Rio Grande do Norte e a costa do Rio Grande do Sul, de acordo com o potencial eólico. O mapa eólico demonstrou que a costa no Nordeste, do Maranhão ao Rio Grande do Norte, e a costa dos estados do Sul são os mais propícios. A velocidade dos ventos no Ceará chega a 10 metros por segundo e de 8,5 metros por segundo no Sul.

O Proinfa, segundo ele, exige que as máquinas fornecidas sejam no mínimo 50% nacionais. Por isso, exceto o gerador, todos os componentes já são fabricados no Brasil e os contratos feitos com fornecedores internacionais têm de incluir a transferência de tecnologia.

Rosas argumenta que a geração de energia eólica é fonte de emprego. Cita como exemplo o caso da Espanha, para uma demanda de 700 MW gera 7 mil empregos diretos, 300 na fábrica, 2 mil na construção, 2 mil na operação e manutenção, e 10 mil empregos indiretos.

O pesquisador, que fez doutorado na Dinamarca, pertence ao Centro Brasileiro de Energia Eólica . Para ele, as vantagens da energia eólica incluem a valorização das terras, benefícios aos fazendeiros que podem manter o criatório junto com os aerogeradores, e o fato de que o valor da energia gerada independe do mercado internacional de combustíveis, para substituição ao diesel das termoelétricas.(Flamínio Araripe escreve de Recife para o 'JC e-mail')

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Jornal O POVO
10 de novembro de 2001

Energia e o Nordeste

As elites nordestinas mantêm a mesma relação de humildade cega e subserviente ao Sul e Sudeste que os pobres de nosso Estado com relação às classes mais privilegiadas do Ceará

Lima Matos
Economista

É espantoso como as elites nordestinas mantêm a mesma relação de humildade cega e subserviente ao Sul e Sudeste que os pobres de nosso Estado com relação às classes mais privilegiadas do Ceará.

A questão da energia é um extravagante exemplo de como o centro de poder do País, concentrado no Sul e Sudeste, nos trata. O Brasil investiu bilhões na produção de energia, concentrando mais recursos no Sul e Sudeste, construindo para lá, além dos bilhões investidos na Nuclebrás, hidroelétricas e reservatórios d'água capazes de, mesmo com um uso 10 vezes maior que o do Nordeste, estar hoje com níveis de atendimento e estoques maiores que os nossos.

Não bastou isto, por via da má distribuição de recursos na indução ao desenvolvimento ou pela falta de aplicação direta no social em regiões como o Nordeste, que no seu apogeu ajudou o Sudeste a crescer, tem esta região 50% dos pobres do País, os quais em sua maioria vivem em condições subumanas, tendo, em alguns casos, de roubar para sobreviver, ''por não terem aprendido a viver com R$ 30,00 ou R$ 40,00 por mês''.

Mesmo com o quadro exposto acima, em um momento em que um presidente do Sudeste não soube planejar os investimentos para a produção da energia, o País penaliza, inicialmente, a região nordeste, com a redução do uso de energia na mesma proporção que as regiões mais ricas e agora tem a coragem, apoiado pelas nossas elites e suas lideranças, de punir o Nordeste com apagões, já que a região tem menos água que o Sul e Sudeste por investimentos feitos ali infinitamente maiores que os nossos.

Numa análise fria, com um mínimo de bom senso, não poderia a Nação aumentar ainda mais nossos níveis de desemprego, fome e miséria. Deveria, isto sim, excluir o Nordeste, neste momento de crise, para que ele crescesse mais que o resto do País, comprando energias de outros países em barcaças ou não, aplicando redutores do uso de energia maiores para o Sul.

Sobre o assunto, presenciei um exemplo disto ao hospedar-me na serra de Guaramiranga em um pequeno hotel, que estava fechando as portas ao turismo, de segunda à sexta-feira, porque ultrapassara sua cota de luz, reduzindo alguns empregos tão necessários naquela região. Fiquei triste e impotente na busca de uma solução.

Além disto, é importante que se saliente que retirar o Nordeste desta contenção implicaria gastar mais energia no País, no máximo em 3%, já que a economia do Nordeste é apenas 12% do PIB brasileiro.

Acorda Nordeste!

Lima Matos é economista e ex-presidente do Centro Industrial Cearense (CIC)

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Jornal O POVO
31 de agosto de 2001

Corrida pela energia no Ceará


À beira do colapso no abastecimento de energia elétrica, a ação da Secretaria da Infra-estrutura do Estado passou de estratégica à vital. Francisco Maia Júnior, secretário da Infra-estrutura do Estado, responsável pela pasta, falou ao Jornal O POVO sobre os investimentos em energia previstos para o Ceará

Marília Cordeiro
da Redação

A demanda por energia elétrica do mercado cearense vem crescendo a taxas médias acima de 8% a cada ano na última década. Tendo alcançado o percentual de até 12%. Além da evolução natural da demanda, a garantia de oferta ganhou motivo ainda mais forte com a crise na geração do parque hidrelétrico brasileiro, que terminou na imposição do regime de racionamento. A saída que o Ceará já havia encontrado, agora, se tornou palavra de ordem: diversificar a matriz energética.

As duas frentes de investimento principais são a energia eólica, onde os projetos já somam US$ 460 milhões e a geração via termelétrica, com dois negócios fechados, mas o pacote também envolve a hidreletricidade e alternativas emergencias como as termelétricas flutuantes. O consumo do Ceará passou de 800 mega para quase 2 mil mega, em cinco anos, de acordo com o secretário Maia Júnior. Para efetuar seu planejamento, o governo brasileiro considera 5% de crescimento anual da demanda.

OP - Em que fase estão os projetos dos parques eólicos de Camocim e Paracuru?
MJ - Nós relançamos, agora no dia 28, o edital de licitação para a contratação desses dois parques eólicos no total de 60 megawatts, em Paracuru e Camocim. O de Paracuru vai gerar 30 mega, e o outro, em Camocim, também 30. Lançamos edital de pré-qualificação e houve uma série de questionamentos e tivemos que submetê-los ao banco financiador, o japonês Jbic, que levou quase cinco meses para nos liberar desses questionamentos e ao liberar, nós imediatamente relançamos o edital que já está publicado no Diário Oficial desde o dia 24.

OP - Qual o montante que deve ser investido no Estado na geração de energia eólica?
MJ - Até 2003, falando do que está praticamente concreto, o Ceará deve gerar, de energia firme, 160 mega de energia eólica. Estamos falando de cerca de 460 milhões em investimentos. Se o Brasil criar sua lei definitiva para a energia eólica e com a regulamentação provisória da Câmara de Gestão da Crise, acredito que o Ceará poderá receber de US$ 800 milhões a US$ 1,2 bilhão em investimentos na área.

OP - O senhor acredita que a regulamentação vai facilitar a atração de investidores?
MJ - Com certeza. Vai definir qual é o montante que vai ser investido em relação ao total que será comprado. Eu acredito que o Ceará terá uma boa participação por causa da antecipação, do seu parque, dos estudos, que foram muito mobilizados ao longo dos últimos anos, acreditando-se que o Ceará tinha esse potencial. Nós auxiliamos, pela solicitação do ministro José Jorge, a equipe do Governo Federal na montagem do projeto de energia renováveis para o Brasil que foi lançado na resolução 24 da Câmara de Gestão da Crise Energética (CGCE). Esse projeto, chamado de pró-eólica, vai contratar, vai garantir a compra da energia produzida de 1,05 mil megawatts no Brasil. Qual é o percentual desses 1.05 mil que o Ceará deve absorver depende da ação dos investidores porque são investimentos totalmente privados. O Ceará já tem um volume acima de 1,5 mil megawatts de intenções de diversos grupos internacionais, que para se materializar vai precisar de um trabalho de desenvolvimento. De imediato, o que nós vamos lançar são esses 60 mega e também o que já está licenciado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), em torno de mais 100 mega.

OP -MJ - Estamos trabalhando aqui no Ceará num projeto onde esse é um dos pontos. A eficiência energética, a universalização da energia e deixarmos de ser um estado importador de energia são os principais eixos. Hoje, o Ceará importa 99% da nossa energia. Acreditamos que em 10 anos o Ceará já possa ter a produção de sua necessidade em energia elétrica. A energia eólica terá participação de 40% a 50%.

OP - Há algum projeto que envolve a geração de energia via hidrelétricas?
MJ - Nossos potenciais de hidroeletricidade são pequenos. Nós reativamos a usina de Araras, que gera 1,6 mega. As licitações das usinas de Banabuiú e Orós aguardam autorização do Dnocs (Departamento Nacional de Obras Contra as Secas) para iniciar o investimento, com potência de 5 mega cada uma. Também conseguimos autorização para fazer a licitação da usina do Castanhão, que são mais 22,5 mega. A Arce está preparando isso.

OP - Quanto à geração por termelétricas. Quais são os projetos?
MJ - O Ceará garantiu duas termelétricas. A do grupo espanhol proprietário da Coelce, o Endesa, num projeto de 250 mega no Pecém. E o do grupo EBX, ligado ao empresário Eike Batista, que pode gerar 200 megawatts (estimado em US$ 120 milhões). Elas têm características diferentes. Numa, a produção já é vendida antecipadamente. Já o projeto da EBX é uma planta mercante. Não tem garantia de venda. Vai procurar vender no mercado o que gerar. Nessa área, das termelétricas, o Ceará também foi pioneiro.

OP - Há contrapartida do Estado nesses empreendimentos?
MJ - São investimentos totalmente privados. O papel do Estado foi de atraí-los. A participação é também em dar os incentivos industriais, dados aqui no Ceará a outros tipos de empreendimentos industriais: terrenos, financiamento de ICMS. Nem temos essa questão do ICMS porque a geração de energia atualmente é isenta.

OP - O aumento da participação das energias eólica e termelétrica na matriz energética, deve, inevitavelmente, encarecer o preço do recurso, já que esses tipos de geração são mais caros do que a hidrelétrica?
MJ - Os investimentos em hidrelétricas estão depreciados e amortizados. Os novos investimentos em hidrelétricas já não vão gerar mais esse preço. Não acredito que a energia fique mais cara para o consumidor residencial, porque esse já tem energia a preço de qualquer lugar desenvolvido do mundo. O Brasil precisa também de um movimento no sentido de garantir regulamentação e dentro dessa regulamentação tem um eixo surperimportante que a gente tem advertido ao governo brasileiro. A questão tarifária. Tem que fazer uma tarifa que remunere os custos, se não remunerar não tem investimentos, e fazer uma revisão das políticas públicas para criar tarifas que estejam dentro da realidade do mercado sócio-econômico brasilerio, vendo as questões regionais.

OP - O Ceará se movimenta de alguma forma para receber mais energia via sistema de transmissão?
MJ - Não. Procuramos trabalhar sempre criando condições para que sejam mínimos os riscos de abastecimento. Ao longo dos últimos anos, o Ceará recebeu investimentos volumosos como o linhão de Tucuruí. O linhão é uma obra de mais de R$ 400 milhões. Nós nos mexemos nesse sentido de garantir a transmissão, as subestações necessárias e a melhoria das redes da distribuição.

OP - As termelétricas flutuantes vão ser utilizadas para gerar energia, mesmo sendo poluentes?
MJ - Não necessariamente serão as barcaças. Podem ser geradores em cima de carretas, contêineres. O governo federal deve estar anunciando no Rio de Janeiro a regulamentação dessas energias emergenciais. Elas são alternativas transitórias. Se há crise de abastecimento, você tem que ter alternativas. Há uma angústia muito grande das pessoas se isso vai ferir questões ambientais. Toda e qualquer forma de energia fere questões ambientais. Agora, existem meios de fazer sem que esses danos sejam maiores. É preciso verificar se essas fontes atendem às normas ambientais brasileiras. Se atenderem, logicamente poderão ser viáveis em qualquer lugar do brasil. As barcaças que a gente tinha estudado para trazer eram de 30 e 50 mega cada.

OP - Como funciona a contratação dessas fontes de energia emergenciais?
MJ - O governo lança edital de compra dessa energia, os investidores fazem a oferta e o governo vê o que ele realmente necessita e onde vai localizar os sites de injeção. O Ceará hoje é um site credenciado. Tem porto, linhas de transmissão, subestação adequada. O governo brasileiro contrata uma barcaça de x mega, paga a mobilização (transporte) e compra a energia que ela produzir para injetar na rede e evitar o colapso. O governo do Ceará não desembolsaria nenhum centavo. A não ser criar as condições para sediar equipamentos como esse. Pela informação que o ministro deu, na quarta-feira, aos secretários de estado, o custo será rateada com todos os brasileiros.

OP - Qual a perspectiva de conclusão do Porto do Pecém?
MJ - Acreditamos que, em termos de obras civis, até dezembro vamos concluir o que estava planejado no orçamento desse ano que está em torno de US$ 35,90 milhões, com mais US$ 3,5 milhões do Estado, somando cerca de US$ 40 milhões em aplicações. A previsão é de que os reservatórios e as tubovias estejam concluídos até outubro e os braços de carregamento até dezembro. A última licitação está em curso, nos prazos finais. É a de automação de toda a operação do porto juntamente com as subestações internas. Do ponto de vista de obras o porto está chegando ao fim. A outra parte é a parte operacional. Estamos trabalhando junto a Ceará Portos para instalar a empresa que vai gerenciar, dos operadores e os licenciamentos de alfândega, vigilância sanitária, Marinha. No mais tardar, acredito que o porto, no início do próximo ano vai estar pronto para operar.

OP - Quais são os outros investimentos previstos para o complexo em termos de geração de energia?
MJ - Dentro do complexo, as duas âncoras iniciais eram a refinaria e siderúrgica e nós começamos a preparar a terceira âncora, que são as termelétricas e os projetos eólicos. O Porto do Pecém vai sediar uma fábrica de aerogeradores, 100 mega de energia eólica e duas termelétricas. Estamos falando de investimentos superiores a US$ 500 milhões de dólares. Estamos trabalhando no sentido de ter no Pecém, um terminal de GNL, que vai trazer gás importado e ser regaseificado aqui para poder ser distribuído em forma líquida. Como vamos atender o mercado de 10 milhões de metros cúbicos dia projetados para o gás natural para 2006, 2007? Ao concretizarmos esses investimentos, o próximo desafio é viabilizar o suprimento de gás natural do Estado. Se conserguirmos garantir o suprimento de gás natural, está equacionada a questão energética.

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Jornal DIÁRIO DO NORDESTE
30 de agosto de 2001

Negócios

Bolsa de Energia do Ceará realiza primeira transação entre empresas


A Bolsa de Energia do Ceará registrou ontem a sua primeira transação entre empresas no Estado. A Black Hill Produtos Têxteis vendeu 1000 KW de energia para a Marv Confecções. O preço final foi de R$ 0,35 o KW. O fechamento do negócio foi apresentado ontem na sede da Companhia Energética do Ceará (Coelce), como forma de divulgar a Bolsa, que iniciou suas operações esta semana, após o fechamento de um convênio entre a Federação das Indústrias do Ceará (Fiec), Coelce e Sebrae.

Marcus Venícius Rocha, proprietário da Marv, explica que sua meta de consumo é de 5.058 KW. ‘‘No primeiro mês, consegui me manter na meta. No segundo mês, entretanto, extrapolei a cota em 1000 KW’’, afirma. Rocha diz que uma mudança na data da leitura do medidor foi o motivo do aumento. ‘‘Dessa vez, foi contabilizado o consumo de 32 dias’’, explica. Com a compra efetuada ontem, o empresário escapou de pagar o excedente do consumo pela tarifa referente do Mercado Atacadista de Energia (MAE), hoje de R$ 0,91 o KW, incluindo os impostos. A tarifa normal para o seu perfil de consumo, industrial de baixa tensão, é de R$ 0,25.

A empresa também ficou livre de um possível corte em caso de reincidência em setembro, já que consome mais de 2.000 KW e não está isenta dessa penalidade. ‘‘Acredito que vou ter que comprar mais energia porque no segundo semestre, a produção do setor têxtil aumenta e com ele o consumo’’, ressalta Rocha. Já Kaio Montenegro, um dos diretores da Black Hill, explica que a redução do consumo da empresa foi conseguida com a redução da carga horária de trabalho, além da diminuição do número de salas destinadas à diretoria.

O gerente de Grandes Clientes da Coelce, Rodrigo Arevalo, ressalta que a Bolsa serve para facilitar as operações entre as empresas. Segundo as regras da Câmara de Gestão da Crise Energética (CGCE), empresas de alta tensão podem efetuar transações bilaterais com quaisquer consumidores. Já os de baixa tensão, têm que respeitar um limite. Até 2.000 KWh, apenas com clientes do mesmo setor ou cadeia produtiva. Acima disso, com qualquer grupo.

Arevalo destaca que já são 11 os clientes cadastrados na Bolsa. Para acessar as informações com preço de compra e venda e contatos dos participantes, basta acessar o site da Coelce (www.coelce.com.br). Lá estão disponibilizadas todas as informações on line.

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Jornal O POVO
29 de agosto de 2001

Diretor da Chesf defende investimentos

O diretor de operações da Companhia Hidroelétrica do São Francisco (Chesf), Paulo de Tarso da Costa, frisou em sua palestra, realizada ontem na Fiec, que é necessário investir em novas hidroelétricas e retomar as obras das que estão paradas para tentar resolver a questão do racionamento e evitar o plano B do governo.

Segundo Paulo de Tarso, este ano já entrou para a história do rio São Francisco como o de pior estiagem. Desde 1971 que o nível de suas águas não ficava tão baixo. ''Hoje teria que chover 88% além da média para podermos fechar o ano de 2001 com o nível da hidroelétrica 5% maior do que o atual'', comentou o diretor.

Hoje a Chesf, que atende a dez concessionárias, entre elas a Coelce, em oito estados do Nordeste, está trabalhando com apenas com 1.400 metros cúbicos de água por segundo, quando o normal é de 5000, sendo que o mínimo tolerado é de 2000. Isso significa que os níveis de reserva do São Francisco estão com apenas 15,8%, quando o normal para atender ao mercado seria de 20%. ''Antes do racionamento era gerada 4.500 MW de energia, agora este número não passa de 1300MW'', explicou Paulo de Tarso.

As chuvas ainda seriam a solução mais rápida para o problema, segundo o diretor. ''É necessário que chova para que não só a hidroelétrica de São Francisco, mas as usinas, como Três Marias, que trabalha atualmente com 70 metros cúbicos de água por segundo, volte aos níveis normais, já que estão aquém de seus limites'', explicou o diretor.'' Se não chover até novembro, o governo não terá outra saída a não ser implantar o Plano B de racionamento. Por isso, além de esperar pela chuva, teremos que continuar economizando'', completou.

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Jornal O POVO
25 de agosto de 2001

Energia será negociada em bolsa

Coelce, Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC) e Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) estão viabilizando a troca de excedentes de energia entre consumidores numa bolsa que vai funcionar via Internet. Na foto, o presidente da FIEC, Jorge Parente Frota, a esquerda, expõe o sistema para empresários.

Marília Cordeiro
da Redação

Os 141,46 mil clientes industriais e comerciais da Coelce podem, a partir de segunda-feira, vender ou comprar metas de energia entre si pelo site www.coelce.com.br. Os consumidores dessas categorias que conseguirem economizar além da meta vão conseguir transferir o excedente. Empresas que necessitem de energia também podem adquirir o direito de utilizar a energia de outra empresa por meio do site.

Metade das empresas clientes da Coelce - 7.520 comerciais e 133.940 indústrias - não conseguiram cumprir suas metas no segundo mês de racionamento, de acordo com o diretor comercial da companhia, Gonçalo Mardones. Esses segmentos são responsáveis por 40% do faturamento mensal da concessionária. A transferência já era permitida pela Câmara de Gestão da Crise de Energia (CGCE), mas não havia instrumentos por meio dos quais os consumidores pudessem efetuar a transação.

A iniciativa de criar a bolsa de energia só foi possível, segundo o presidente da Fiec, Jorge Parente Frota, após mudanças nas decisões da CGCE que vinham sendo solicitadas pelos próprios empresários. A alteração permitiu o comércio dos excedentes entre empresas de diferentes segmentos, ao contrário da primeira decisão da Câmara de oferecer essa possibilidade de comercialização apenas entre empresas da mesma atividade.

Segundo o superintendente do Sebrae, Régis Dias, micro e pequenos empresários que não têm acesso à Internet podem utilizar os escritórios centrais e regionais da Fiec e Sebrae. A Coelce também vai manter disponível um profissional para orientar os clientes sobre o uso do site, na sede da entidade.

Acessando o site, o consumidor preenche o cadastro com dados e especifica quanto precisa de energia ou quanto oferece, informando a quantidade e valores transacionados. Com os dados, o sistema informa a relação das empresas que atendem aos requisitos para que o consumidor escolha qual a oferta mais atrativa. O sistema contata o ofertante por correio eletrônico informando qual empresa manifestou interesse em transacionar o excedente.

Depois de fechar o negócio, comprador e ofertante preenchem documento de transação bilateral - o modelo encontra-se disponível no site. O documento deve ser encaminhado à Coelce que vai efetuar a transferência de meta solicitada. A transação deve ser concluída antes de chegar a fatura mensal dos clientes. O comprador faz dois pagamentos: ao vendedor paga o preço acertado, e à Coelce também cobrará na fatura mensal a energia comprada que foi consumida.

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Jornal O POVO
25 de agosto de 2001

Serviço está à disposição de 141 mil clientes

À pedido da Fiec, a Coelce desenvolveu um site na Internet para possibilitar que as empresas cearenses, desde as micro até as grandes organizações, possam vender ou comprar parcelas de meta para recompor suas necessidades energéticas através da Bolsa de Energia.

O novo serviço está à disposição dos 7.520 clientes industriais e 133.940 clientes comerciais, de alta e baixa tensão, que respondem por 40% do faturamento da Coelce, consumindo cerca de 160 Gigawatts/hora por mês.

Enquanto o preço no MAE é de R$ 684,00 o Megawatt/hora, no portal da Coelce a empresa pode comprar pelo preço médio do leilão da Bovespa, fixado para agosto em R$ 293,50 o Megawatt/hora.

Gonzalo Merdones Pantoja, diretor comercial da Coelce, garantiu que as transações realizadas pelo site são seguras, já que cada cliente cadastrado terá uma senha de acesso e as informações são confidenciais.

NOVAS MEDIDAS - O chefe do Departamento de Regulação de Energia da Coelce, José Caminha, disse que a criação do site foi possível a partir de novas medidas tomadas pela CGCE, que expandiu a todos os clientes industriais e comerciais a possibilidade de comercializarem seus excedentes de redução de metas de consumo.

Com o sinal verde, a Coelce desenvolveu o site para permitir que as empresas possam ter acesso ao mercado para oferecer seus excedentes e recompor suas necessidades.

Ao acessar o site através das home pages da Coelce, Fiec e Sebrae, a empresa terá a relação das empresas que estão ofertando e as que desejam comprar a um preço desejado. A Coelce não interfere no preço.

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Jornal O POVO
25 de agosto de 2001

Negociações pela Bolsa de Energia no Ceará iniciam 2


As indústrias e estabelecimentos comerciais que não conseguiram atingir a meta de consumo estabelecida pela Câmara de Gestão da Crise Energética (CGCE) vão poder ter acesso, a partir da próxima segunda-feira (27), ao site da Companhia Energética do Ceará (Coelce) para a compra de energia das empresas que estão com excedentes.

O anúncio da Bolsa de Energia foi feito oficialmente ontem na Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), que está disponibilizando o novo serviço em parceria com o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae/CE). A Bolsa chega em boa hora, uma vez que, em julho, 50% dos 141.460 estabelecimentos comerciais e industriais não conseguiram atingir a meta.

O Ceará é o primeiro Estado nordestino a adotar esse sistema eletrônico de compra de energia excedente, e o segundo no País - Minas Gerais foi o pioneiro. O presidente da Fiec, Jorge Parente, considerou o lançamento da Bolsa “uma grande vitória” do grupo de estudo da entidade que vinha mantendo contatos junto a CGCE e, posteriormente, da Agência Reguladora do Setor de Energia no Ceará (Arce), solicitando a liberação do funcionamento do novo serviço.

Com a parceria do Sebrae, as pequenas e médias empresas que não tinham condições de comprar energia no Mercado Atacadista de Energia (MAE), pelo seu alto custo, agora podem fazer através da Bolsa, que oferece um preço mais acessível. Os escritórios do Sebrae vão disponibilizar o serviço aos empresários que não têm acesso à Internet.

Um detalhe importante da Bolsa, lembrado na solenidade de ontem, é que a transação tem que ocorrer dez dias antes do vencimento da fatura, caso contrário o acordo só valerá para o mês seguinte. O documento do acordo bilateral, devidamente assinado, é encaminhado à Coelce, que checa os dados apresentados e efetua a transação de metas solicitadas, procedendo a atualização dessas informações em seus sistema.

SEM CORTE - Outra boa notícia para o setor é que, a partir de agora, os consumidores de baixa tensão (até 2.000 Kw/mês) e de alta tensão (mas menores que 5.000 Kw/mês) que estiverem em dia com o pagamento não terão a luz cortada. Quem garante é o diretor comercial da Coelce, Gonzalo Mardones Pantoja, presente ontem ao anúncio da Bolsa de Energia na Fiec.

PLANO B - Durante a solenidade, foi confirmada também a vinda do diretor da Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf), Paulo de Tarso, para a solenidade de assinatura do convênio da Bolsa, marcada para a próxima segunda-feira. O presidente da Fiec, Jorge Parente, aproveitou para adiantar alguns dados sobre a situação dos reservatórios de água, que serão abordados pelo diretor da Chesf.“O Nordeste não terá Plano B, pelo menos até setembro, já que está com 0,86% de água acima do nível mínimo e o Sudeste está com 2,7% acima do mínimo”, afirmou o presidente da Fiec. Jorge Parente revelou ainda que o Nordeste está recebendo 1.300 Megawatts/dia de energia, dos quais 900 Megawatts vem de Tucuruí e 400 Megawatts da região Sudeste.

Além disso, a Chesf estaria turbinando 1.000 metros cúbicos de água por segundo, com uma vazão diária de 600 metros cúbicos por segundo, do São Francisco, bem como garantindo o consumo de 400 metros cúbicos/segundo das reservas de Sobradinho.

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Jornal O POVO
03 de agosto de 2001

Crise energética

Região apresenta pior situação


O presidente da Federação das Indústrias do Ceará (FIEC), Jorge Parente, diz que a situação da região Nordeste está, realmente, mais drástica que as demais regiões. Enquanto o nível da água dos reservatórios do Nordeste está apenas 0,44% acima da meta prevista pelo governo, no Sudeste o percentual de ultrapassagem do nível já chega a 3%. Parente esteve, no último dia 1º, em Brasília, reunido com o presidente da Câmara de Gestão da Crise de Energia (CGCE), o ''Ministério do Apagão'', Pedro Parente, e conta que o governo não cogitou os cortes de energia e a instituição dos feriados semanais no Nordeste, pelo menos até o final deste mês. ''Ele quer apenas alertar a população de que é preciso manter a economia de 20% e não se acomodar como aconteceu em julho, quando a redução no Ceará chegou a somente 18,8%'', salienta.

Porém se, em setembro, os níveis dos reservatórios continuarem abaixo da meta e não houver maior redução do consumo, Parente concorda que pode haver restrições maiores aos nordestinos. E o resultado é que a situação do setor produtivo se tornará bem mais grave do que já está com queda na produção, desemprego, menos exportações e menor crescimento econômico. A Fundação Getúlio Vargas (FGV) já calculou que, mesmo sem apagão, o racionamento deve provocar o fechamento de cerca de 850 mil postos de trabalho.

Parente e os demais presidentes das Federação das Indústrias do Nordeste levaram à CGCE reivindicações de que o governo conclua os projetos na área energética já em curso na região, como a usina termelétrica do Pecém, e adote um regime de máxima prioridade para ampliar a oferta de energia. ''Além da crise de energia, a indústria da região também está bastante comprometida com o problema da seca'', ressalta o presidente da FIEC. A Coelce não recebeu comunicado oficial da Câmara sobre o início do chamado plano B, que inclui os feriados e apagões, devendo continuar a execução do racionamento conforme as resoluções que já recebeu, segundo informações da assessoria de impressa da empresa.

Na última reunião da Confederação Nacional do Comércio, em julho, os representantes do setor rejeitaram a idéia de decretar feriado às sextas-feiras, de acordo com o presidente da Federação do Comércio do Ceará ( Fecomércio), Luiz Gastão. Se houver necessidade de feriados, o dia menos prejudicial seria a segunda-feira, segundo ele, e essa foi a sugestão da classe em documento enviado ao ministro Pedro Parente. Fechando na sexta-feira, o comércio também fica esvaziado no sábado e domingo, além da possibilidade das pessoas viajarem na quinta-feira. ''Vamos perder quatro dias da semana'', reclama Gastão. (Benedito Teixeira e Marília Cordeiro).

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Jornal O POVO
26 de julho de 2001

Vertical S/A

Injustiça foi apontada em maio

Ainda em maio a Federação das Indústrias do Estado já se manifestava a respeito da crise apresentando propostas ao Governo. No sucinto e preciso ``Plano de Ação para o Racionamento de Energia``, encaminhado ao ministro Pedro Parente, a FIEC indicou premissas permanentes e estratégias a serem seguidas pelos homens do Planalto. A compilação de propostas da entidade bateu forte na injustiça cometida com o consumidor. Dentre as principais críticas levantadas, a ``agressão ao usuário de energia`` e a ``cobrança de participação financeira dos responsáveis pela ocorrência do racionamento``. O relatório Kelman ratificou a grita cearense.
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Jornal DIÁRIO DO NORDESTE
12 de julho de 2001


Negócios
Plano B vai diminuir ritmo da atividade econômica

O Plano B, de redução do consumo de energia anunciado pela Câmara de Gestão da Crise de Energia (CGCE), vai diminuir o ritmo da atividade econômica do País. Essa é a conclusão de representantes da indústria, do comércio e da construção civil do Ceará. Para o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), Jorge Parente, a adoção de feriados, com eventuais cortes de energia, é “absurda”. “Os feriados vão reduzir a atividade econômica, afetar o nível de emprego e prejudicar as exportações. Mas, vamos esperar que não tenhamos que ser penalizados com mais essa medida”, afirma Parente.


Segundo o dirigente, a sociedade tem respondido positivamente ao apelo de economia do governo. “Estamos fazendo a nossa parte. Economizamos energia em junho e a expectativa para julho é que a meta seja até superada”, destaca. Parente também espera que as propostas alternativas sejam efetivadas, como a aquisição de geradores para o setor industrial. “É lamentável que ainda haja essa expectativa tão negativa. Deveríamos, agora, estar procurando novos mercados para nossas exportações”, considera.

O assessor econômico da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL Fortaleza), Cláudio Ferreira Lima, concorda que o ambiente pessimista também é muito prejudicial para a economia. “Sem dúvida vai haver retração econômica e até desemprego. Mas, o pior de tudo é o clima de pânico. As pessoas estão com medo de consumir e esse, sim, é o pior dos mundos”, avalia.

Para o economista, o comércio sofrerá reflexos importantes com as novas medidas — que contemplam os feriados às sextas-feiras a partir da segunda semana de agosto. “Já na situação atual, o comércio já sofre repercussões: diminuindo o consumo de energia, a produção cai. Portanto, também cai a renda e, por tabela, o consumo fica menor”, avalia.

Ferreira Lima lembra que “o comércio é termômetro da atividade econômica. Se faz mais comércio, quando o economia está acelerada; se faz menos comércio, quando o ritmo econômico está mais lento”. O economista admite que haverá efeitos ruins sobre o setor, inclusive as demissões podem acontecer. “Se o ‘apagão A’ já significou menos comércio; o ‘apagão B’ significará menos ainda”, observa.

CONSTRUÇÃO — O setor de construção civil sofrerá grandes prejuízos com a adoção dos feriados às sextas-feiras, como estabelece o Plano B, do governo federal. Segundo o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon/Ceará), Crisanto Almeida, ainda há muitas dúvidas sobre a aplicação desse novo plano. “Não sei se o feriado é obrigatório. Todo mundo terá que parar?”, questiona o dirigente. “Nesse caso, o prejuízo será muito grande”, destaca.

Almeida lembra ainda que existem outros reflexos da adoção dos feriados. “Na construção civil, o pagamento é feito mensalmente; com os feriados o mês terá menos dias. É como se a hora trabalhada ficasse mais cara. E não se pode reduzir salários”, observa.

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Jornal DIÁRIO DO NORDESTE
19 de junho de 2001

Racionamento: redução para o CE

O presidente da FIEC, Jorge Parente, esteve com o ministro Pedro Parente a quem pleiteou para que houvesse flexibilidade em relação às médias estabelecidas na primeira fixação da Câmara de Gestão, sobretudo, para aquelas empresas que têm um ciclo produtivo diferenciado em função de safra e também algumas empresas intensivas de mão-de-obra. Jorge Parente disse que o ministro prometeu, estudou "e já começaram a sair algumas medidas de exceção e será fixada uma fórmula de calcular novas cotas e também reduzido de 20 para 15% o racionamento de energia para as empresas de alimentos, metal-mecânica e indústrias intensivas de mão-de-obra".

Utopia
Para o presidente da FIEC, Jorge Parente, a compra e venda de energia "é uma utopia, porque o preço é exorbitante".

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Jornal DIÁRIO DO NORDESTE
19 de junho de 2001

Negócios
Acordo de cooperação busca eficiência energética na indústria


Com o objetivo de multiplicar o conhecimento sobre eficiência energética nos processos industriais de produção, contribuindo para melhorar o desempenho das indústrias no racionamento de energia elétrica, foi assinado ontem acordo de cooperação técnica entre a Companhia Energética do Ceará (Coelce), a Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec) e o Sebrae.

A concretização do convênio já está acontecendo com a realização do curso “Eficiência Energética para o Racionamento”, dentro do Programa de Combate ao Desperdício de Energia Elétrica, que há três anos é desenvolvido pela Coelce. O treinamento, iniciado ontem no Clube de Engenharia do Ceará, reúne 37 técnicos e engenheiros das áreas de elétrica e mecânica.

Na programação: elaboração de diagnóstico energético, estudos do sistema de iluminação, análise das contas de energia elétrica e de tarifas, dentre outros. Será ainda criada a Comissão Interna de Conservação de Energia (Cice), em cada empresa participante, visando acompanhar a implementação das ações do programa de combate ao desperdício de eletricidade.

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Jornal O POVO
19 de junho de 2001

Parceria para ensinar a poupar energia

A Companhia Energética do Ceará (Coelce), a Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec) e o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Ceará (Sebrae) assinaram ontem um acordo de cooperação técnica para realização do curso Eficiência Energética na Indústria para Racionamento. Em 18 horas aulas, técnicos e engenheiros passarão por um treinamento que inclui desde informações básicas sobre a legislação do racionamento de energia na indústria até formação de comissões internas de conservação de energia. A primeira turma, com 35 pessoas, iniciou as aulas ontem, no Clube do Engenheiro.

Segundo o diretor de Projetos Institucionais da Coelce, José Nunes de Almeida, ao todo serão treinados 105 pessoas, 35 em cada turma. Ele disse que não existe uma estimativa do número de empresas que devem ser beneficiadas pelo treinamento. ``A expectativa é que estes profissionais possam servir como multiplicadores. A atuação do pessoal do Sebrae é exemplar. Mesmo em pequeno número, eles atingem a um leque muito grande de empresas'', afirmou Nunes.

O diretor de Projetos Institucionais disse que a Companhia ainda não tem um acompanhamento mais exato sobre os prováveis índices de redução de consumo do setor industrial no estado. ``As empresas precisam de um tempo para se adequarem a esta nova realidade. Acredito que somente no final do mês é que vamos ter um acompanhamento mais preciso do nível de consumo''.

O presidente da Fiec, Jorge Parente, disse que o mais importante é que os industriais cearenses estão buscando superar a crise sem precisar realizar demissões. ``O curso que estamos lançando, em parceria com a Coelce e o Sebrae, é uma destas novas investidas para fazer com que as empresas cearenses possam superar a crise sem o desgaste de demissões'', afirmou.

Segundo o presidente da Coelce, Manuel Montero Camacho, o curso busca formar profissionais capazes de atuar neste momento de crises. ``Temos que encontrar caminhos para enfrentar este problema e buscar a eficiência é um destes caminhos'', afirmou.

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Jornal DIÁRIO DO NORDESTE
13 de junho de 2001

Economia

CGCE acata proposta da indústria cearense para racionamento

As propostas elaboradas pela Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC) como sugestão ao Plano de Racionamento do Governo Federal foram acatadas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Câmara de Gestão da Crise Energética (CGCE) e a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). A informação foi prestada pelo presidente da entidade, Jorge Parente Frota, durante reunião da diretoria da entidade na última segunda-feira.

Parente demonstrou preocupação com o quadro de seca no Nordeste. Nesse sentido, propôs que fosse realizada uma ação conjunta entre os governadores nordestinos visando encarar a questão do abastecimento de água na região de forma estratégica.

SEM FERIADO - As indústrias do Ceará irão trabalhar normalmente, na sexta-feira, após o feriado de Corpus Christi. A informação é do presidente da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), Jorge Parente. Ele afirmou que “o feriado na quinta já é tremendamente prejudicial, não podemos prescindir do trabalho na sexta-feira”.

Segundo o coordenador do grupo de Ação, Política, infra-estrutura e Governabilidade da FIEC, Alcântara Macedo, “não há nenhuma orientação por parte da FIEC para que as indústrias fechem na sexta-feira. As indústrias devem aproveitar este dia para produzir”, afirma.

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Jornal O POVO
01 de junho de 2001

Economia
Reivindicações tentam minimizar efeitos

Antonieta Negrão

Maia Júnior quer a permissão para a Chesf comprar energias alternativas, como a eólica ou de pequenas termelétricas. O secretário propôs também a criação de uma bolsa de energia nas empresas, em que os funcionários poderão vender o excedente de energia economizado.

Os secretários estaduais de infraestrutura do Nordeste apresentaram ontem à Comissão de Gestão da Crise Energética (CGCE) uma série de reivindicações com o objetivo de minimizar os efeitos de escassez de energia elétrica na Região. Segundo o secretário de infraestrutura do Ceará, Maia Júnior, que participou da reunião no Palácio do Planalto, com os ministros de Minas e Energia, José Jorge, e do ``apagão'', Pedro Parente, a situação do Nordeste já passou``de angustiante para irritante''.

Ele lembrou que a Região concentra o maior número de pobres do País e que o plano de racionamento vai impedir, por um tempo, o seu desenvolvimento econômico. Mas que, até agora, não foram definidas medidas emergenciais que possam pelo menos atenuar as consequências da crise para os nordestinos. ``Estamos fazendo todo o esforço, mas quem tem que resolver o problema é o governo federal'', disse Maia Juior, lembrando que o executivo federal tem que adotar medidas fiscais e regulamentadoras, para desburocratizar uma série de providências.

Entre estas providências, citou o secretário, está a permissão para que a Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf) compre energias alternativas, como a eólica, ou de pequenas centrais termelétricas, ou ainda de termelétricas flutuantes. ``A emergência exige ações rápidas. Nos próximos 10 dias, as medidas têm que estar em prática. Não dá para esperar mais'', destacou. Outra providências, é a redução de impostos para a importação de geradores, destacou.

Segundo Maia Junior, a situação no Nordeste só não está ``excessivamente crítica'', porque a linha de transmissão de Tucuruí, que começou a funcionar há um ano, e foi feita em parceria pelos governos do Ceará e o Federal,``está salvando a barra da Região toda'', destacou.

Dentro do pacote de reivindicações, o Ceará propôs a criação de um fundo de compensação para o Nordeste, porque, segundo o secretário, a Região `` que é a mais pobre, está pagando praticamente sozinha essa conta que é do país todo''. O secretário sugeriu ainda que a comissão analise a situação dos condomínios residenciais, que pelas regras do plano de racionamento, acabaram penalizados duas vezes: uma, porque têm um consumo coletivo acima de 500 kWh/mês e, outra, porque têm também um consumo individual, por cada apartamento. ``O governo pensou no unifamiliar e não no multifamiliar'', disse. Maia Junior também pediu que a comissão estude a situação das empresas de outdoor, que correm o risco de fecharem as portas com o racionamento - na quarta-feira, uma empresa de propaganda e outdoor no Ceará, obteve a primeira liminar contra o plano de racionamento.

Outra sugestão levada pelo secretário à comissão, é de que seja criada uma bolsa de energia nas próprias empresas, para que os empregados que economizarem eletricidade em suas residências possam vender o excedente para a própria empresa em que trabalham. Uma outra idéia, sugerida pela Fiec ao secretário, e levada à comissão, é de que seja criada uma bolsa de compensação para a mesma cadeia econômica. `` Nós esperamos que o governo federal dê um tratamento de choque em suas ações e que acate várias reivindicações'', destacou.

Maia Junior disse que os pedidos e sugestões foram bem recebidos pelos ministros e a comissão. Informou que os ministros prometeram, depois de cuidar das ações que abragem todo o país, chamar o governador de cada estado afetado pelo racionamento, para conversar.

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Jornal Correio Braziliense
26 de maio de 2001

Consumo disfarçado

Aparelhos com display e sistema em stand by não causam alarde, mas também desperdiçam energia. Veja quanto você pode economizar por mês

Sheila Raposo
Da equipe do Correio

Sabe aquele pontinho vermelho, sempre aceso, da tevê? Não parece, mas é um vilão do racionamento. Ligado 24 horas por dia, tem consumo mensal de 4,32kWh. É mais do que precisa um ferro elétrico para passar roupas durante uma hora, em quatro ocasiões por mês.

O ponto vermelho da tevê mostra que o aparelho está em stand by (desligado apenas no controle remoto, e não no botão liga/desliga do próprio aparelho). É o que também acontece com decodificadores de sinais de tevês por assinatura e displays (de forno microondas, aparelho de som e videocassete), onde o consumo é denunciado pelos relógios digitais. Em baixa atividade mesmo quando não estão em uso, esses aparelhos podem estar roubando a energia exigida para fazer funcionar equipamentos mais necessários.

''Desliguei tudo na minha casa'', diz o engenheiro eletricista Martiniano Muniz, da Prolumni Eficiência Energética. Segundo ele, o consumo não é tão alto quanto o de lâmpadas, equipamentos e eletrodomésticos com maior potência, mas influenciam na soma final. ''Imagine quanto deve ser o gasto em todo o Distrito Federal, e até mesmo no Brasil. Se todos desligarem da tomada, a economia será substancial'', avalia.

Martiniano aproveitou o conhecimento aplicado na empresa que dirige e fez medições nos aparelhos que tem em casa. Ao todo, a conta mensal chegou a quase 25kWh. É o mesmo que precisa, por mês, um televisor de 20 polegadas para funcionar oito horas diárias.

Além dos aparelhos que ficam em modo stand by, o engenheiro também avaliou quanto consumiria mensalmente um computador (do tipo que tem desligamento automático), um estabilizador e uma impressora ligados apenas na tomada, durante 24 horas por dia: 2,88kWh, 2,16kWh e 5,04kWh, respectivamente. ''A impressora, mesmo não estando ligada no botão on/off do aparelho, consome energia'', alerta.

A ordem, então, é desplugar os equipamentos. Só que é preciso saber quando fazer isso. No caso dos displays, há o incômodo de ter de reprogramar o relógio ao religar o aparelho. A tevê, por sua vez, corre o risco de perder a sintonia. O que traz mais inconvenientes é o decodificador. Alguns não retomam o funcionamento logo após religados, o que diminui ainda mais o conforto do consumidor em tempos de racionamento de energia. Portanto, antes de desconectá-los da tomada, é preciso planejar.

A Net, por exemplo, precisa ser religada 25 minutos antes do horário previsto para o uso. Senão, o assinante corre o risco de perder algum programa. (Essa regra vale para quem desfruta do pacote completo da operadora). No caso de programação pay-per-view, o problema é ainda maior: é preciso ligar o decodificador quatro horas antes para que ele possa ser energizado.

No caso da Sky, até que o aparelho recupere todas as informações, as mensagens eletrônicas são interrompidas e a grade de programações fica desatualizada. A Mais TV, por sua vez, informa que só há problema com a transmissão de programas se o aparelho ficar desconectado mais de 72 horas. Passado esse período, o assinante precisa entrar em contato com o Setor de Atendimento ao Cliente (SAC) da operadora e pedir a reabilitação do aparelho, pois ele perde a memória.

CONSUMO MENSAL
Aparelhos quando não estão em funcionamento

Aparelho de som mini system (em stand by) 3,6kWh

Videocassete (em stand by) 5,04kWh

Tevê de 20 polegadas (em stand by): 4,32kWh

Forno microondas (ligado na tomada): 0,72kWh

Consumo total: 13,68kWh

Comparação

Se fossem desligados da tomada, esses aparelhos economizariam juntos, em um mês, o equivalente a:
Cinco horas de uso da secadora de roupas; ou Dez horas de uso da lavadora de louça; ou
Três horas de uso diário de seis lâmpadas fluorescentes de 21W, por um mês; ou Quatro horas de uso diário da televisão, por um mês; ou Seis minutos de banho quente por dia, durante um mês.

Fonte: Prolumni Eficiência Energética (www.prolumni.com.br)

DECODIFICADORES DE TV POR ASSINATURA em stand by

Net (transmissão a cabo)
-
Média dos aparelhos das três marcas utilizadas pela operadora
(GI, Cientific Atlanta e Eastern): 12,96kWh
Sky (transmissão por satélite, ou DTH)

- Média dos aparelhos das três marcas utilizadas pela operadora
(Gradiente, Philips e Century): 9,9kWh
Mais TV (transmissão por microondas, ou MMDS)

- Consumo do decodificador da marca GI (o único utilizado pela operadora): 2,16kWh

Observação: A diferença de consumo mensal entre as operadores ocorre devido aos tipos de transmissão utilizados por elas. Cada decodificador tem uma necessidade própria de energia para armazenar as programações.

Fonte: Assessorias de imprensa da Net, Sky e Mais TV.

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Jornal FIEC HOJE
21 de maio de 2001

Plano da FIEC
procura reduzir impacto dos cortes de energia no setor industrial


Criação de consórcios entre empresas do Norte-Nordeste para cumprir cotas de racionamento, linhas de crédito para compra de equipamentos (geradores a diesel, motores, etc.) com isenção de impostos estaduais e federais, antecipação das férias coletivas das empresas de dezembro para julho e o ressarcimento de prejuízos às indústrias que abrirem mão de parte de sua produção como forma de contribuir para minimizar a crise de energia.

Estas são as principais propostas feitas pela Federação das Indústrias do Estado Ceará (FIEC) e entregues dia 15 pelo deputado federal Antônio Cambraia (PSDB/CE) ao ministro de Minas e Energia, José Jorge, e ao diretor da Aneel, José Mário Abdo.

Segundo o presidente da FIEC, Jorge Parente Frota, as propostas visam minimizar o impacto sobre a produção da indústria cearense da economia de 15% de energia e garantir o funcionamento em tempo integral de setores como o têxtil, metal-mecânico, calçadista e de beneficiamento de castanha, considerados os de maior contribuição para a economia cearense, a fim de buscar, sobretudo, saídas compensatórias para as empresas.

Jorge Parente diz que o racionamento é fruto da falta de políticas macroeconômicas para o setor de produção de energia e que será muito prejudicial ao desenvolvimento da indústria. “Estamos evitando previsões negativas, mas deve haver uma queda no índice da atividade econômica da indústria do Ceará, que, em 2000, registrou o segundo maior crescimento do país, alcançando o índice de 8,5%.”

O presidente da FIEC informou, ainda, que a Federação entregou, também dia 15, ao secretário de Fazenda do Estado, Ednilton Soàrez, um pedido de isenção de ICMS para as importações de geradores a diesel e também para o próprio óleo diesel que será consumido pelo equipamento. Há boas perspectivas do pleito ser atendido pelo governo do Ceará.

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Jornal O POVO
20 de maio de 2001

Enquete – Crise de energia elétrica: Imprevidência ou Surpresa?


O Brasil vive uma crise sem precedentes na área da energia elétrica. As alternativas que se apresentam para enfrentá-la trarão grandes prejuízos aos usuários, residenciais e industriais. A economia no consumo que inevitavelmente terá de se fazer vai provocar a redução da produção industrial, comprometendo o crescimento do País e o nível de emprego. Além disso, haverá aumento nas tarifas. O presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, diz que a intensidade da crise foi uma surpresa para o governo; os críticos dizem que houve imprevidência e falta de investimento na área.

Ameaça

``Não há dúvida de que houve imprevidência do Governo, que vem protelando a implantação de projetos essenciais para solucionar a questão energética nacional, a exemplo das termoelétricas. Essa crise é, portanto, o resultado da falta de políticas macroeconômicas de investimentos para o setor de geração de energia. Só através de medidas estruturantes, a médio prazo, poderemos impedir que o racionamento seja uma ameaça que a cada ano venha a comprometer o crescimento do país''.
Jorge Parente Frota - Presidente da FIEC

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Jornal DIÁRIO DO NORDESTE
20 de maio de 2001


A crise energética e as ações da FIEC

A Federação das Indústrias do Estado do Ceará, vanguardeira na defesa dos legítimos interes­ses da classe industrial cearen­se, lamentando a imprevidência do Governo que tem protelado, há anos, a implantação de proje­tos essenciais para o equaciona­mento racional da gravíssima situação energética do país, antecipa-se na formatação de um Plano de Ação para o raciona­mento de energia.

Com efeito, ao se anunciarem, há poucos dias, as primeiras preocupações quanto a essa cri­se, de conseqüências extrema­mente constrangedoras, e que veio para dar uma guinada, de efeitos negativos, no processo do nosso desenvolvimento, assen­tado em linha ascendente de crescimento econômico, a FIEC, contando com a colaboração de sindicatos, empresários, consul­tores e técnicos especializados na matéria e com o apoio da Coelce, elaborou um plano, já encaminhado às autoridades competentes - Ministério de Minas e Energia e Câmara de Gestão da Crise de Energia - em que se delineiam algumas sugestões de ação prática e objetiva.

Assim, consciente da ameaça para o crescimento do setor pro­dutivo, tremendamente afetado com a implantação de um racio­namento linear, que com certeza abala a formação de renda, di­minui a oferta de emprego e re­duz a geração de impostos, pretendeu a FIEC estabelecer critérios diferentes, que possam envolver a prática de uma bolsa energética, mediante o aprovei­tamento, por unidades produti­vas localizadas na mesma base de interligação, de sobras ou de cessão espontânea de energia, vinculada a empresas, grupos, conglomerados ou setores, que venham a poder disponibilizar parte de sua cota demandada, em proveito de outros. Podem ser destacadas, nesse particular, as empresas eletro-intensivas de consumo de energia, as quais voluntariamente ofereçam par­celas de suas cotas conveniadas como grandes consumidoras, es­tabelecendo-se, nessa hipótese, mecanismo de compensação.

Além disso, presente a absolu­ta necessidade da empresas pro­cederem a implementação de

projetos de eficiência energética, através da substituição de moto­res e equipamentos obsoletos por outros de concepção mais moderna, de maior conteúdo de tecnologia e que, por isso, pos­sam afastar os desperdícios por ventura praticados, sugere-se a assistência do BNDES, através de linhas de crédito específicas e em condições de taxas e prazo compatíveis com a situação da crise momentânea que as afeta, no financiamento destinado à aquisição dos equipamentos ne­cessários.

É de se admitir também a pos­sibilidade de algumas empresas promoverem projetos de geração de sua própria energia, transfor­mando o calor produzido em no­vas fontes energéticas, ou utilizando resíduos do seu pro­cesso produtivo, como poderia ser o caso de indústrias benefi­ciadoras da castanha de caju, processadoras da cana de açú­car, etc. ou de outras que ve­nham a implantar, em substituição à energia hidroelé­trica, projetos que se assentem na força de geradores a gás. Nes­ses casos também, faz-se mister o apoio do BNDES, imprescindí­vel para o êxito do processo pro­dutivo das empresas.

Por outro lado, entendemos deva o Governo contribuir para minorar os efeitos perniciosos da crise que ora assola os diver­sos setores da economia brasilei­ra. No caso específico do Ceará, acabamos de encaminhar ao Se­nhor Secretário da Fazenda, so­licitação no sentido de examinar a redução das alíquotas do ICMS, incidente tanto na impor­tação de equipamentos e gerado­res destinados à melhoria da eficiência energética, como nas operações para consumo de com­bustível (óleo diesel) a ser utili­zado no acionamento dos aludidos motores. Como sempre tem ocorrido na solução dos legí­timos pleitos encaminhados pe­la FIEC à SEFAZ, também desta vez foi bastante receptiva a au­toridade fazendária, tendo pro­metido examinar o assunto com ânimo de atendimento.

A FIEC, com suas ações reati­vas, proativas e interativas, en­tende, com muita convicção, que

da FIEC a crise atual é o resultado da não implementação de políticas ma­croeconômicas de investimos pa­ra o setor de geração e transmissão de energia.

Há que se cuidar de medidas estruturantes que possam corri­gir os rumos das atuais ameaças para a sustentação do nosso crescimento sócio-econômico. Há que se equacionarem os pro­blemas da falta de compatibili­dade dos preços do gás natural, fixados em dólares, versus os preços de consumo de energia, estabelecidos em real. Há que se programar a diversificação das fontes energéticas do país, criando alternativas factíveis de energia termoelétrica, eólica e solar.

Enfim, há que se conduzirem com mais propriedade, respon­sabilidade e competência, as matérias que, queira ou não 0 Governo, são de fundamental importância para o desenvolvi­mento e o bem estar do povo bra­sileiro.

O autor é presidente da Federação das Indústrias do Estado do Ceará

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Jornal GAZETA MERCANTIL CEARÁ
17 de maio de 2001

FIEC propõe incentivo a indústrias com menor consumo de energia


Darlan Moreira
de Fortaleza
damoreira@gazetamercantil.com.br

Uma proposta, em especial, chama a atenção no plano de ação para racionamento de energia elaborado pela Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), entregue ontem à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e ao Ministério das Minas de Energia por intermédio do deputado federal (PSDB) Antônio Cambraia - que preside a Comissão Especial de Energia da Câmara dos Deputados. O documento sugere uma compensação para indústrias de consumo eletrointensivo que espontaneamente reduzam a demanda energética.
Pela proposta da FIEC, as grandes indústrias que se predisponham a reduzir o consumo, com queda na produção, seriam ressarcidas pelo governo. O presidente da entidade, Jorge Parente, admite que há empresas que consomem energia por milhares de estabelecimentos, e poderiam diminuir o ritmo de atividade, mas defende uma compensação por eventuais prejuízos. Em abril deste ano, 1,84 milhão de consumidores estavam inscritos na Companhia Energética do Ceará (Coelce). Desse montante, cerca de 6 mil são empresas industriais, responsáveis por 28% da demanda. Os maiores clientes da Coelce são Cimento Portland, grupo Gerdau e Vicunha Têxtil.
O presidente da FIEC, no entanto, não detalha a fonte dos recursos para compensar as empresas. "Essa competência não é nossa. Estamos apenas dando idéias a um governo que parece estar sem rumos", comenta. "Ele (o governo) pediu para aumentar a produção e as exportações, e nós atendemos. O Ceará teve o segundo melhor desempenho industrial do País no ano passado e incrementou em 33% suas exportações no período. Agora, surpreendentemente, estamos intimados a reduzir o ritmo da atividade", acrescenta.
A FIEC também está propondo aos grupos que possuam várias unidades um rodízio de funcionamento. Parente cita como exemplo a Grendene, que tem nove fábricas distribuídas em três cidades "A empresa poderia paralisar uma unidade, alternadamente, a cada mês", observa. Para não gerar desemprego, o presidente da FIEC sugere a antecipação de férias coletivas - que geralmente são dadas no final do ano. "Seria uma forma de evitar demissões. O racionamento vai de junho a novembro", argumenta.
O presidente da FIEC, Jorge Parente encaminhou ontem ofício ao secretário da Fazenda do Estado, Ednilton Soárez, que se mostrou receptivo à proposta. Nas 13 estratégias apresentadas pela FIEC, também consta a transferência de cotas de energia entre empresas do mesmo grupo, setor de atividade e até entre estados.Conforme o presidente da FIEC, a idéia é permitir que as empresas que não estejam em plena capacidade operacional, em determinada época, possam transferir suas cotas para outras. "O setor de confecções, por exemplo, que geralmente aumenta o ritmo de atividade no final do ano, poderia repassar parte da cota para outras empresas", observa. Segundo ele, esse tipo de procedimento é tecnicamente viável.

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Jornal DIÁRIO DO NORDESTE
17 de maio de 2001

Plano busca reduzir impacto de cortes de energia na indústria

Minimizar o impacto sobre a produção da indústria cearense da economia de 15% de energia, prevista pelo Governo Federal, e garantir o funcionamento em tempo integral de setores como o têxtil e o metalmecânico (que operam com capacidade plena), calçadista e de beneficiamento de castanha.

Este é o desafio do Plano de Ação para o Racionamento de Energia, apresentado à Imprensa ontem pelo presidente da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), Jorge Parente. “Estamos evitando previsões negativas, mas deve haver uma queda no índice da atividade econômica da indústria do Ceará, que, em 2000, registrou o segundo maior crescimento do País. A proposta, contudo, é reduzir os efeitos sobre a economia”, admite Parente.

FÉRIAS COLETIVAS - O Plano prevê medidas como a bolsa de energia, com transferência de cotas de consumo entre as indústrias; a criação de linha de crédito do BNDES para financiamento de compras de motores a diesel; a redução do ICMS dos motores e isenção para o diesel; setorização de empresas; substituição de motores; conscientização da população para a poupança de energia; e antecipação das férias coletivas das empresas de dezembro para julho.

“Faltaram políticas macroeconômicas para o setor de produção de energia”, defende o presidente da FIEC, referindo-se à razão da crise de energia do País. De acordo com Jorge Parente, o Plano é uma espécie de racionamento voluntário, cuja principal finalidade é evitar o apagão. “O objetivo do Plano é buscar saídas compensatórias para as empresas”, diz. E admite, por fim, que poderá haver queda na produção e mais desemprego caso persista o racionamento por mais tempo.

Proposta prevê redução de impostos
- Entre as principais idéias do Plano de Racionamento da Indústria está a autorização para que conjuntos de empresas, instaladas no mesmo sistema interligado, formem consórcios para cumprir em bloco o somatório das cotas

- É sugerida, ainda, a elaboração de política nacional para o setor elétrico que permita, permanentemente, a transferência possível de energia entre as regiões interligadas

- Segundo o plano, deve ser implantado sistema de ressarcimento de prejuízos por queda de produção

- Redução de alíquotas de tributos federais e estaduais (como IPI e ICMS) a valor zero também está prevista pelo Plano

- O Plano estabelece ainda criação de linha de crédito especial, com carência compatível à extensão da crise.

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Jornal O POVO
12 de maio de 2001
Plano de racionamento – Empresas do Ceará cobram definições

Marília Cordeiro
da Redação

A indefinição sobre o plano de racionamento do Ministério das Minas e Energia preocupa segmentos econômicos do Ceará, que estão às voltas para saber como economizar energia sem diminuir produção.

A menos de 20 dias para o racionamento de energia elétrica, donos de pequenas, médias e grandes empresas reclamam da necessidade de corte no fornecimento e cobram definições do governo federal. O coordenador de infra-estrutura da Federação das Indústrias do Ceará (FIEC), Alcântara Macedo, não concorda que o consumidor tenha de arcar com os custos de um regime de contenção por causa da falta de investimento dos governos em novas fontes de energia. Representantes da Fiec realizaram mais uma reunião ontem sobre o tema para concluir propostas que minimizem os efeitos do racionamento. O presidente da Fiec, Jorge Parente, deve entregar segunda-feira um documento final à Confederação Nacional da Indústria (CNI). ``O momento é de reflexão para a sociedade, o governo e empresas'', diz Alcântara.

Na Santana Têxtil, o gerente de operações da empresa, Flaviano Teles, também considera ``injusto'' que o consumidor sofra o ônus do racionamento. ``A Santana vinha investindo cerca de R$ 50 mil ao ano, desde 1984, em tecnologia para reduzir o consumo'', diz. A empresa estaria a todo vapor em julho na ampliação da produção (de 1 milhão de metros de tecido para 1,6 milhão). Agora, o ritmo de crescimento vai depender do racionamento, já que o novo galpão vai demandar mais 600 quilowatts de energia.

Para a confecção cearense Quarto Crescente, trabalhar com menos energia elétrica no segundo semestre, quando aumenta produção mensal em 20%, é uma ``péssima notícia.'' Conforme o diretor Cláudio Milério, a empresa está sendo forçada a mudar o horário de funcionamento do setor de maior demanda de energia, a estamparia, que vai parar no horário de pico. A idéia é não reduzir a produção e conseguir entregar todos os pedidos.

Com o racionamento, a avicultura não deve repetir o crescimento de 10% dos últimos anos. A constatação é do presidente da associação cearense do setor (Aceav), Bessa Júnior. O setor depende de energia elétrica em todos os estágios do desenvolvimento das aves e no processamento da ração.

O clima do Nordeste exige mais cuidado com a refrigeração de carnes em frigoríficos, que têm de manter as câmaras ligadas sem interrupções, conforme o proprietário do Araguaína, Romão Kmiec Júnior. ``É possível repassar custos ao consumidor'', afirma. Além de economizar energia, ele corre o risco de ter o produto confiscado por órgãos de fiscalização por não estarem bem acondicionados. A empresa pode providenciar geradores, mas não quer investir sem saber como vai ser o sistema.

Indústria de sorvete deixa de crescer

A contenção de consumo de energia elétrica pode derreter a expectativa de crescimento de 4% da indústria de sorvetes cearense Frosty para este ano. Alguém imagina a fabricação de sorvetes sem energia elétrica? O pequeno empresário Fábio Rocha, dono da Frosty, também não. Ele já se imagina tendo que se adaptar a horários de cortes, combinar horas extras para empregados, continuar oferecendo só os produtos de maior lucro e desistir de outros.

``Seja qual for a decisão do governo, no mínimo, vou ter de replanejar meu negócio'', resume. Ele pensa em desligar as câmaras de refrigeração que só podem ser reabertas uma hora depois do fim do período de desligamento. Nesse tempo, mesmo se o cliente pedir, ele poderá não poderá abrir a câmara, sob pena de comprometer a qualidade de 15 mil litros de sorvete. Em condição parecida estão pelo menos 106 fabricantes de sorvetes do Estado.

Com 210 clientes, a empresa está no meio da consolidação de uma nova estratégia, que é centrar fogo nos produtos de sobremesa para casa. (MC)

Supermercados se adaptam

A rede de supermercados Hiper Mercantil cancelou o regime de funcionamento 24 horas da loja rua Pinto Madeira, por conta da necessidade de racionalizar energia e pelo custo. De acordo com o diretor comercial da empresa, Rony Ximenes, uma nova loja 24 horas vai depender do futuro do fornecimento. O diretor teve de comprar geradores para as sete lojas, com preços entre R$ 7 mil a R$ 15 mil, esperando economia de 10% a 15% no consumo.

A vinda do racionamento também significou um investimento que não estava planejado pelo diretor financeiro do supermercado Chalana, Hugo Braga. Antes do dia 30, deverá haver um grupo gerador instalado na loja para utilizar no horário de pico, das 5h30 às 21h. As 20 lojas Pão de Açúcar em Fortaleza estão preparadas para enfrentar o corte sem comprometer o atendimento sem mudanças de horários, segundo a assessoria de imprensa da rede.

A experiência num projeto piloto em duas lojas em São Paulo foi estendida a 90% da rede, resultando em 15% de economia do recurso nas lojas, com controle da abertura de câmaras refrigeradas, treinamento, maior uso da luz natural etc. As 16 lojas 24 horas em Fortaleza permanecem no mesmo sistema de funcionamento. (MC)

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Jornal O POVO
10 de maio de 2001

Racionamento inibe crescimento do setor industrial em 2001


Darlan Moreira
de Fortaleza
damoreira@gazetamercantil.com.br

O racionamento de energia vai ser especialmente indigesto para a economia cearense. A redução na oferta atinge diretamente o setor industrial, motor que tem feito a economia estadual crescer acima da média nacional - no ano passado, a expansão do PIB do Estado foi de 4,55%, ante 4,11% do País, e 47% do desempenho foi atribuído à performance da indústria, que evoluiu 5,31%, comparado a 1999. A avaliação é de que, obrigadas a reduzir em até 18% o consumo, as indústrias não vão poder confirmar ou superar os índices obtidos em 2000, conforme expectativa do início deste ano.
Além de acender o sinal vermelho para projetos de expansão da capacidade instalada, o racionamento de energia tende a acionar o freio-de-mão para novos empreendimentos, na avaliação do presidente da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), Jorge Parente Frota. Segundo ele, projetos como a siderúrgica e a refinaria no complexo portuário do Pecém - programadas para iniciar no segundo semestre - podem sofrer atraso em razão de problemas com a matriz energética.
De acordo com o coordenador de Infra-Estrutura, Política e Governabilidade da FIEC, Francisco Alcântara Macêdo, com o racionamento a previsão de crescimento do PIB industrial do País vai recuar de 7% para um patamar entre 4% e 6% este ano. "Em nível nacional, vamos ter redução no emprego, menos arrecadação, desaceleração do crescimento econômico e, consequentemente, menos desenvolvimento social", observa.
Para Macêdo, a situação é ainda mais grave no Ceará. "O esforço fiscal e as obras de infra-estrutura iniciados no primeiro governo Tasso Jereissati (1986) para dotar o Estado de uma nova plataforma industrial começam a ficar comprometidos pela imprevidência do governo federal, que deveria ter investido R$ 90 bilhões, nos últimos anos, no setor energético", comenta. Segundo ele, as cotas reservadas para os futuros empreendimentos são incompatíveis com a atual demanda.
"O governo quer reservar 5% para as novas indústrias. É muito pouco, pois o nosso parque industrial está em transformação e cresce a taxas elevadas", pondera.
Conforme o diretor de Energia e Construção da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), Leonardo Albuquerque, o Ceará foi o Estado cuja demanda mais cresceu nos últimos anos no Nordeste, e recebeu investimento de R$ 718,4 milhões, em 5 anos, para suprir o consumo - que passou de 3,5 GWH, em 1995, para 6 GWH, ano passado. Entre 2001 e 2005, a Companhia Energética do Ceará (Coelce) estimava crescimento médio de 7,1% na demanda.
O racionamento chega em momento inoportuno para a Tecnomecânica Esmaltec S.A, do grupo Edson Queiroz, e que produz 1,2 milhão de fogões, 3,3 milhões de recipientes para gás de cozinha, além de bebedouros de água, geladeiras e freezers. A empresa, que iniciou o ano em plena atividade, trabalhando em dois turnos, pretende reduzir a produção e demitir pessoal para se enquadrar no plano de contingenciamento do governo, conforme o gerente administrativo-financeiro, Daniel Barreto. Hoje, a Esmaltec emprega 2 mil pessoas, e o grupo todo, cerca de 14 mil. Segundo ele, além de prejudicar os planos de expansão de mercado - a Esmaltec está investindo R$ 180 milhões em uma nova unidade -, o racionamento vai favorecer seus principais concorrentes, na região Sul. "Sem se submeter ao racionamento, eles ficarão mais à vontade no mercado. Estamos revendo nossas estratégias por causa do racionamento", pondera Barreto.
A Marisol Nordeste, fabricante de confecções, com produção de 20 mil peças/dia, por sua vez, busca alternativas para manter o projeto de elevar o faturamento dos R$ 33,4 milhões do ano passado para R$ 76,1 milhões. De acordo com o diretor-executivo, Gilmar Vegini, medidas internas como racionalização do uso da energia, desligamento de máquinas em horários de pico e aquisição de mais um gerador a diesel fazem parte da estratégia. Mas reconhece que o regime no consumo de energia vai ser árduo para a empresa.
O diretor-tesoureiro da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Fernando Cirino Gurgel, alerta para o risco de retração no volume de exportações do Ceará - que, após quase uma década estacionadas em cerca de US$ 350 milhões, evoluiu 33,3% no ano passado. "Se não houver uma política governamental criteriosa e específica para as indústrias exportadoras, haverá impacto negativo na balança comercial", argumenta.
Na avaliação de Cirino, presidente da Durametal S/A - maior produtora de tambores de freio para veículos pesados do País, com mercado em cerca de 20 países -, o racionamento pode atingir os principais setores industriais do Estado, principalmente o moageiro de trigo e o têxtil, com a segunda posição no ranking nacional. "Esse segmentos, que usam energia intensivamente e trabalham 24 horas sem interrupção, serão diretamente afetados", afirma.
De acordo com o presidente da FIEC, Jorge Parente Frota, o racionamento compromete a retomada das exportações num momento em que o País precisa de divisas. "A energia é o principal insumo da indústria, que é a maior alavanca das vendas externas", observa. "Além disso, com a eventual quebra dos contratos de exportação, vamos perder a confiança do importador, fator essencial no mercado internacional", acrescenta.
Para conviver emergencialmente com o problema, a FIEC está propondo a criação de uma bolsa de energia, permitindo que um setor ocioso passe sua cota para outro em plena atividade; o remanejamento da cota de energia dentro de empresas do mesmo grupo; linha de financiamento para substituir motores por outros mais econômicos; e desconto de ICMS na aquisição de geradores a diesel e no combustível.

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Jornal DIÁRIO DO NORDESTE
09 de maio de 2001

Indústria cearense faz plano emergencial contra racionamento de energia

Os industriais cearenses não aceitam a proposta de corte de 18% no consumo de energia do setor. Ontem, durante reunião na Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), os empresários discutiram a elaboração de um plano emergencial que será entregue a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) na próxima semana e, no dia 29, ao ministro das Minas e Energia, Eduardo Jorge, durante reunião da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

A proposta será concluída na próxima sexta-feira, depois de reunião com o consultor Fernando Irineu, que foi diretor da Companhia Energética do Ceará (Coelce). Irineu participou do programa de racionalização de energia ocorrido na década de 80.

TRANSFERÊNCIA - Segundo o consultor, na ocasião, foi possível transferir cotas de energia de uma empresa para outra. Só era exigido que as companhias pertencessem ao mesmo grupo e estivessem enquadradas dentro da mesma área de racionamento. Durante reunião na FIEC, o diretor de distribuição da Coelce, Josep Pujols Ramon, afirmou que pelas regras estabelecidas pela Aneel não é possível fazer essa troca de energia de uma companhia para outra, o que inviabilizaria o plano estudado dos empresários locais.

BOLSA - Uma das propostas estudadas FIEC consiste na criação de uma bolsa de energia. Ou seja, os industriais transfeririam a energia de um setor para o outro, que não estivesse a pleno vapor. Na avaliação dos industriais cearenses, como o Nordeste tem que reduzir o consumo em 20%, isso não seria inviável, podendo ocorrer a transferência da cota de energia de uma empresa para outra que excedesse o consumo.

Apesar das restrições impostas pela a Aneel, o vice-presidente da Coelce, Celestino Izquierdo, afirma que a empresa tentará analisar essa possibilidade. O vice-presidente do grupo Vicunha, Pedro Felipe, também questionou a possibilidade de faturamento de uma única conta de energia para as empresas do mesmo grupo. Os industriais querem ainda viabilizar a substituição de motores.O presidente da FIEC, Jorge Parente afirma que, no ano passado, a indústria cearense apresentou um crescimento de 33%. As exportações também tiveram um incremento considerável e atingiram US$ 500 milhões.. Ele explica que o segmento realizou vários investimentos e a meta da FIEC é atingir US$ 1 bilhão com o comércio internacional.

Os industriais alegam que não podem rescindir os contratos de exportação, o que geraria um grande descrédito para as empresas locais. “As conseqüências de um corte de 18% no consumo industrial de energia seriam incalculáveis. Toda a sociedade será penalizada com o racionamento”. Ele explica que, além de demissões, pode ocorrer o aumento da inflação e queda da arrecadação de impostos.

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Jornal DIÁRIO DO NORDESTE

09 de maio de 2001

Refinaria e siderúrgica podem ser comprometidas

Todos os projetos de investimentos do Ceará, entre eles a refinaria e a siderúrgica, podem ser comprometidos pelo racionamento de energia. A afirmação é do presidente da Federação das Indústrias do Estado (FIEC), Jorge Parente.Na avaliação do empresário, não será fácil atingir o percentual de redução de 18% da cota de consumo. Ele afirma que o segmento não pode aceitar esse tipo de medida.

Segundo a direção da FIEC, um grande número de empresas está se preparando para ampliar seu parque industrial e outras já estão com programas para começar a operar. Entretanto, com o racionamento, muitos desses projetos podem ser adiados.

O presidente da FIEC, Jorge Parente, afirma que estava tranqüilo até bem pouco tempo porque acreditava que o linhão do Tucurí seria suficiente para resolver o problema energético do Ceará. Contudo, o linhão já está funcionando em plena capacidade e ainda há a perspectiva de racionamento.

O diretor de Infra-Estrutura da FIEC, Alcântara Macedo, acrescenta que todos esses problemas que estão ocorrendo agora devem-se a falta de investimentos.

Ele lembra que estavam programados R$ 90 bilhões para o setor energético, mas esses recursos não foram aplicados em nome da estabilidade financeira. Os empresários locais criticaram o presidente Fernando Henrique Cardoso, que culpou os governos anteriores pela falta de investimentos.

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Jornal FIEC HOJE
08 de maio de 2001

FIEC e Coelce reúnem-se para discutir propostas de racionalização de energia


O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), Jorge Parente Frota, reúne industriais, presidentes de sindicato e representantes da Coelce hoje, dia 8 de maio, às 11h, para apresentar as primeiras propostas de estratégia elaboradas pelo segmento para se engajar na racionalização de energia elétrica sem comprometer os índices de crescimento industrial do Estado.

As propostas dos industriais foram elaboradas durante reunião realizada na última sexta-feira, dia 4 de maio, com representantes dos segmentos têxtil, metal-mecânico, frios e pesca e mineral, maiores consumidores de energia e, tradicionalmente, segmentos exportadores, cujas atividades estão ameaçadas com as medidas de racionalização do governo federal.

Entre as propostas inicias já discutidas pela FIEC e empresários, está a criação de uma “Bolsa de Energia do Setor Industrial” que centralizaria todo o consumo do parque industrial do Estado.

“Com a bolsa, os setores de menor produção em determinado período transfeririam parte de sua cota excedente para outras indústrias que estivessem tendo que operar a pleno vapor. A bolsa poderia ser formada por grupos econômicos, ou ainda por setor”, explica Jorge Parente.

A lista inicial de propostas da FIEC inclui, ainda, a realização de um diagnóstico da eficiência energética do parque industrial cearense.

Essa sugestão passa pela sensibilização das indústrias, através dos sindicatos, com o objetivo de avaliar o fator de potência das indústrias, os motores (que segundo a Coelce são responsáveis pelo consumo médio de 56% da energia em uma indústria) e a própria conta de energia que revelará os padrões de eficiência das empresas.

Com base nessa análise, a FIEC vai propor, também, a utilização de uma parte dos recursos oriundos do Fundo Setorial para Energia Elétrica, gerido pelo BNDES, para em médio prazo financiar a substituição de motores industriais obsoletos por equipamentos mais modernos e capazes de otimizar o consumo de energia.

Os recursos arrecadados com as multas propostas pelo governo também poderiam, segundo o presidente da FIEC, ser utilizados na modernização do parque industrial. “Vamos propor ao governo a abertura de uma linha de crédito do BNDES para financiar a aquisição de motores industriais”, diz Jorge Parente.

A sugestão da FIEC é levar as propostas não só para a Coelce e ANEEL, mas também discuti-las diretamente com o ministro das Minas e Energia, José Jorge, em reunião a ser realizada em Brasília, no dia 29 de maio, na Confederação Nacional da Indústria (CNI). Do encontro da próxima terça-feira com a Coelce, sairá a pauta final do setor industrial do Ceará para discussão direta com o ministro.

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Jornal O POVO
5 de maio de 2001

Cliente pode pagar prejuízo da Coelce

Adailma Mendes
da Editoria de Economia


Indústria faz proposta

Membros do setor têxtil, de minerais, metal-mecânico e de frios e pesca propõem a formação da Bolsa de Energia do Setor Industrial. ``Os setores de menor produção em determinado período transfeririam parte de sua cota excedente para outras indústrias que tivessem que operar a todo vapor'', explicou o presidente da Federação das Indústrias do Ceará (Fiec), Jorge Parente, que se reuniu ontem com empresários. A idéia é uma redução no consumo de energia por setor e não por empresa.

A posição da Coelce, que se reunirá terça-feira com os industriais, é de que tal medida é impossível. ``O ministério já determinou que as contas serão isonômicas, para evitar a formação de grupos'', adiantou o diretor Josep Pujols Ramon. Sua sugestão é de que as empresas invistam na compra de um gerador.

Outra proposta da Fiec é a liberação de crédito do BNDES para a troca de equipamentos por outros mais econômicos. O setor também deseja que parte das multas por consumo excessivo de energia sejam utilizadas na modernização do parque industrial. (AM)
 
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