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Genialidade fiorentina cria edifício giratório auto-suficiente em energia
01 de setembro de 2006

Genialidade fiorentina cria edifício giratório auto-suficiente em energia

Capacidade inovadora dos projetistas de Florença mais uma vez se destaca.

Foto: Construzioni

Um edifício giratório que produzirá energia elétrica suficiente para o seu funcionamento. Este projeto, elaborado por um pool de projetistas de Florença, foi apresentado no âmbito do IX Congresso Mundial sobre energia renovável, realizado em Florença. Na opinião do assessor para questões de ambiente da cidade, Cláudio Del Lungo, trata-se da primeira forma inovadora da arquitetura neste século, uma arquitetura dinâmica que desafia a as normas vigentes, e que é fruto do gênio fiorentino. Enfim, será uma estrutura que se move e que será auto-suficiente em energia.

Cada um dos 59 andares da torre, que terá 259 metros de altura, girará de maneira independente da outra. Mas o elemento mais inovador é, sem dúvida, o fato que produzirá energia: entre os andares, serão instalados geradores eólicos. Além disso, receptores de energia solar contribuirão para que o edifício nunca fique sem luz.

O edifício inovador, pensado e projetado em Florença será construído em Dubai e é fruto do trabalho dos arquitetos David Fisher, Fabio Bettazzi e Marco Sala, tendo a participação de Leslie Robertson, famoso engenheiro dos Estados Unidos. Os trabalhos iniciarão em três meses e a previsão de conclusão é de 30 meses.

Grattacielo routante Che produrrà energia elettrica

Un grattacielo ruotante che produrrà energia elettrica. Questo progetto avveneristico, elaborato da un pool di progettisti fiorentini, è stato presentato a Palazzo Vecchio nell'ambito dell'ultima giornata del IX congresso mondiale sulle energie rinnovabili (Wrec 2006)." Si tratta della prima forma innovativa di architettura da secoli, un architettura dinamica a fronte della staticità propria dei normali edifici - ha esordito l'assessore all'ambiente Claudio Del Lungo che ha fatto gli onori di casa -, che è il frutto del genio fiorentino. Una struttura che si muove e che produce l'energia necessaria per il suo funzionamento rappresenta un'idea che farà discutere e riflettere".

Tornando al grattacielo, l'edificio, che sarà realizzato a Dubai, è stato progettato da un gruppo di architetti fiorentini (David Fisher, Fabio Bettazzi e Marco Sala) con la partecipazione di Leslie Robertson, famoso ingegnere statunitense.


Florença, desde muito tempo, é sinônimo de arte. Foto: Divulgação

La novità del grattacielo è che ognuno dei 59 piani della torre girevole (259 metri circa l'altezza totale) ruota in maniera indipendente dagli altri, consentendo così a chi ne occupa gli ambienti interni, di svegliarsi vedendo dalla camera da letto il sorgere del sole e di cenare dinanzi al tramonto. "Se si considera che la torre oltre agli appartamenti ospiterà un albergo - spiega Fisher - è facile capire che tutte le camere saranno dotate di vista panoramica". Ad arricchire l'effetto novità il fatto che l'edificio cambia continuamente aspetto: non essendo i piani circolari, infatti, la torre che gira assume le forme dettate dal fluire del tempo senza mai apparire uguale.

Ma l'elemento più innovativo del progetto è senz'altro il fatto che genera energia elettrica: tra i piani saranno infatti montati generatori eolici (in pratica delle ventole) che produrranno energia elettrica. Inoltre anche i pannelli solari istallati sui tetti daranno un importante contributo.

Da sottolineare anche le particolari modalità costruttive: oltre al nucleo circolare portante in cemento armato, il grattacielo è costituito da unità prefabbricate e finite, complete di impianti elettrici e idraulici, che verranno installate meccanicamente una sull'altra direttamente in cantiere con risparmio nei costi e nei tempi di esecuzione. Un intero piano potrà infatti essere assemblato in pochi giorni.

"Questo edificio - conclude Fisher - è stato pensato e progettato a Firenze, un luogo dove la progettazione e la realizzazione architettonica ha da sempre stupito il mondo per la sua capacità estetica e innovativa". I lavori inizieranno tra tre mesi e ne occorreranno circa 30 perché la costruzione sia conclusa. (mf)

Fonte: Comune Firenze

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Jornal do Commercio
02 de dezembro de 2002

Busca de alternativas com biomassa e vento

Rio de Janeiro, 2 - Regras seguras, questões fiscais definidas e remuneração de investimentos são alguns dos principais requisitos para a geração de energias renováveis no Brasil, segundo especilistas que, na semana passada, participaram do I Seminário Rio-Brasil: O desafio da energia eólica, no auditório de Furnas, no Rio de Janeiro. Durante o evento, foram colocadas condições para o sucesso da energia eólica, entre elas a expansão das redes, o desenvolvimento de novos modelos computacionais e um valor econômico atrativo. A coordenadora de Energias Renováveis do Ministério de Minas e Energia, engenheira Laura Cristina da Fonseca Porto disse que o valor econômico estipulado no Programa de Incentivo a Fontes Alternativas (Proinfa) é de R$ 156 a R$ 400 por megawatts-hora. Ela explicou que a primeira etapa do Proinfa prevê a inserção de 3.300 megawatts de energias alternativas, sendo 1.100 de eólica, 1.100 de biomassa (resíduos orgânicos) e 1.100 de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs). Até agora, 90% dos projetos autorizados concentram-se na região Nordeste, que tem maior potencial de geração. Segundo Laura, no Rio de Janeiro, 220 megawatts já receberam autorização. O ex-secretário de Estado de Energia, Indústria Naval e Petróleo do Rio Wagner Victer, que assumirá a pasta novamente no próximo Governo, lembrou da importância do mapeamento eólico é fundamental para a atração de investimentos. Victer disse que a iniciativa já foi tomada no Rio de Janeiro, onde 1% dos investimentos das empresas de energia em projetos das deve ser direcionado a fontes renováveis. - É preciso haver colaboração de todas as esferas para que o projeto seja levado adiante. Já tínhamos esforços separados por parte dos estados e de algumas empresas, agora contamos com o Governo da União. De 98 até este ano, 76 centrais eólicas foram autorizadas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), representando 20% de toda a energia outorgada neste período. A informação foi dada pelo engenheiro David Antunes Lima, superintendente de Regulação de Transmissão da Aneel. Segundo Lima, nenhuma das centrais está em fase de construção. Entre os incentivos regulatórios citados por David Lima, estão a isenção do limite de autogeração, o processo simplificado para autorização e a isenção da aplicação de recursos em pesquisa e desenvolvimento. Ele ressalta também o desconto mínimo de 50% nas tarifas de uso de transmissão e distribuição. Para a segunda fase do Proinfa, a expectativa de é que, em 20 anos, 10% do mercado sejam atendidos por fontes renováveis (PCH, biomassa e energia eólica). O programa estabelece também que as compras feitas pela Eletrobrás terão preços competitivos e complementação via Conta de Desenvolvimento Energético (CDE). Lima afirmou, ainda, que o piso mínimo das negociações será de 80% do preço médio do mercado. Espera-se que o Governo incentive a energia renovável, que a geração descentralizada seja o futuro e que haja melhoria nas tecnologias - concluiu David Lima.

Luciana de Moraes

Fonte: Jornal do Commercio (Luciana de Moraes)

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www.wwiuma.org.br
2002

Energia Eólica: O elo perdido no programa energético de Bush

Lester R. Brown

O programa energético de Bush, tão ansiosamente aguardado, publicado no dia 17 de maio de 2001, provocou grande desapontamento por ter ignorado em grande parte sua contribuição potencial para o aumento da eficiência energética. Também ignorou o gigantesco potencial da energia eólica, que provavelmente representará um acréscimo maior à capacidade de geração dos Estados Unidos do que o carvão.
Em suma, ao elaborar um programa energético mais adequado para o início do século XX do que do século XXI, os autores do programa parecem não acompanhar o que está acontecendo na economia energética mundial. Enfatizam o papel do carvão, embora o consumo mundial tenha atingido o pico em 1996 e declinado desde então cerca de 11 porcento, à medida que os países dão as costas a este combustível destruidor do meio-ambiente. Até a China, que se iguala aos Estados Unidos na queima do carvão, reduziu seu consumo em 24 porcento desde 1996.
Enquanto isso, o consumo mundial de energia eólica quase quadruplicou nos últimos cinco anos, uma taxa de crescimento comparável apenas à da indústria da informática. Nos Estados Unidos, a Associação Americana de Energia Eólica prevê um crescimento surpreendente de 60 porcento na capacidade de geração de energia eólica neste ano.
A energia eólica originalmente estava restrita à Califórnia, porém ao longo dos últimos três anos, fazendas eólicas implantadas em Minnesota, Iowa, Texas, Colorado, Wyoming, Oregon e Pensilvânia incrementaram a capacidade norte-americana de 1.680 para 2.550 megawatts. Os 1.500 ou mais megawatts a serem adicionados este ano estarão localizados em uma dúzia de estados. Uma fazenda eólica de 300 megawatts, em construção na divisa dos estados de Oregon e Washington, é atualmente a maior do mundo.
E isto é apenas o começo. A BPA (Administração de Energia Bonneville) anunciou em fevereiro que deseja adquirir 1.000 megawatts de capacidade de geração eólica e solicitou o envio de propostas. Para sua surpresa, recebeu propostas suficientes para uma capacidade geradora de 2.600 megawatts em cinco estados, com potencial de expansão para mais de 4.000 megawatts. A BPA, que poderá aceitar a maioria destas propostas, espera já estar em atividade até o final deste ano.
Uma fazenda eólica de 3.000 megawatts, em fase inicial de planejamento no Dakota do Sul, próximo à divisa de Iowa, é dez vezes o tamanho da fazenda eólica na divisa Oregon/Washington. Denominado de Rolling Thunder [Trovão Ressonante], este projeto inciado pela Dehlsen Associates e sob a liderança de Jim Dehlsen, pioneiro da energia eólica na Califórnia, destina-se a fornecer energia à região centro-oeste em torno de Chicago. Este não é apenas um grande projeto em termos eólicos, e sim um dos maiores projetos de energia em todo o mundo. Avanços na tecnologia de turbinas eólicas, derivados da indústria aeroespacial, reduziram o custo da energia eólica de 38 centavos de dólar por quilowatt/hora no início da década de 80, para 3 a 6 centavos hoje, dependendo do local. O vento, competindo hoje com os combustíveis fósseis, já é mais barato em alguns locais do que a energia gerada por petróleo ou gás. Com as grandes corporações, como ABB, Shell International e Enron, investindo nesta área, hái perspectivas para reduções de custo ainda maiores.
O vento é uma imensa fonte mundial de energia. A região de Great Plains nos Estados Unidos é a Arábia Saudita da energia eólica. Três estados eolicamente ricos – Dakota do Norte, Kansas e Texas – têm vento suficiente para atender à demanda nacional de eletricidade. A China poderá duplicar sua capacidade geradora atual apenas com o vento. A Europa Ocidental, com alta densidade populacional, poderá suprir todas suas necessidades elétricas com energia eólica offshore.
Hoje, a Dinamarca, líder mundial em tecnologia e manufatura de turbinas eólicas, obtém 15 porcento de sua eletricidade da energia eólica. Schleswig-Holstein, o estado mais ao norte na Alemanha, obtém 19 porcento e em outras partes, 75 porcento. O estado industrial de Navarra, na Espanha, que partiu do zero seis anos atrás, obtém 24 porcento de sua eletricidade do vento.
À medida que caem os custos de geração eólica e crescem as preocupações quanto à mudança climática, mais e mais países estão se voltando para a energia eólica. Em dezembro a França anunciou o desenvolvimento de 5.000 megawatts de energia eólica até 2010. Também em dezembro, a Argentina anunciou um projeto para o desenvolvimento de 3.000 megawatts de energia eólica na Patagonia, até 2010. Em abril, o Reino Unido abriu licitação para 1.500 megawatts de energia eólica offshore. Em maio, um relatório de Beijing revelou que a China pretende desenvolver cerca de 2.500 megawatts de energia eólica até 2005.
O crescimento da energia eólica consistentemente ultrapassa estimativas anteriores. A Associação Européia de Energia Eólica, que em 1996 havia estabelecido uma meta de 40.000 megawatts para a Europa, até 2010, elevou recentemente esta estimativa para 60.000 megawatts. O programa de Bush, de adicionar 393.000 megawatts de eletricidade em todo o país, até 2020, poderia ser atendido apenas com o vento. Recursos aplicados na eletricidade eólica tendem a permanecer na comunidade, proporcionando renda, emprego e receita fiscal, incrementando economias locais. Uma grande turbina eólica de desenho avançado, ocupando um quarto de acre de terra, poderá facilmente render ao fazendeiro ou pecuarista US$ 2.000 em royalties por ano e, ao mesmo tempo, proporcionar à comunidade US$ 100.000 de eletricidade. Agricultores e pecuaristas norte-americanos, que possuem a maioria dos direitos eólicos no país, se juntam hoje aos ambientalistas no lobby para o desenvolvimento desta abundante alternativa aos combustíveis fósseis.
Ao obter eletricidade barata do vento, poderemos utilizá-la para eletrolisar a água, produzindo hidrogênio. O hidrogênio é o combustível ideal para o novo motor de célula de combustível de alta eficiência, que a maior parte da indústria automotiva desenvolve hoje. A Daimler Chrysler planeja lançar no mercado em 2003, automóveis movidos a célula de combustível. Ford, Toyota e Honda provavelmente virão logo atrás. William Ford, Presidente da Ford Motor Company, declarou que espera presidir ao funeral do motor de combustão interna.
A energia eólica excedente pode ser estocada como hidrogênio e utilizada em turbinas a células de combustível ou gás para gerar eletricidade, equilibrando o suprimento quando os ventos variarem. O vento, outrora considerado a pedra angular da nova economia energética, poderá se transformar em seu alicerce. O meteorologista eólico que analiza regimes de vento e identifica os melhores locais para fazendas eólicas, desempenhará um papel na nova economia eólica comparável ao do geólogo do petróleo na velha economia energética.
Com o avanço das tecnologias de controle do vento e desenvolvimento de veículos movidos a hidrogênio, podemos hoje antever um futuro onde agricultores e pecuaristas poderão não apenas suprir a maior parte da eletricidade do país, como também a maior parte do hidrogênio para alimentar sua frota de automóveis. Pela primeira vez, os Estados Unidos têm a tecnologia e recursos para se divorciar do petróleo do Oriente Médio.
Além de negligenciar o potencial eólico, a estratégia energética de Bush despreza a estabilização climática. Esta é uma estratégia de alto risco. Com a situação corrente, o Painel Internacional sobre Mudança Climática projetou, recentemente, um aumento da temperatura global durante este século de até 6 graus Centígrados. Caso este aumento ocorra, o resto do mundo poderá responsabilizar os Estados Unidos, líder em emissão de CO2. O que os Estados Unidos precisa agora é de um projeto energético para este século, um que leve em consideração não apenas os recentes avanços tecnológicos da energia eólica, células de combustível e geradores a hidrogênio, mas também a necessidade de estabilização do clima. Talvez o Congresso introduza o projeto energético no século XXI e resgate a liderança norte-americana na economia energética mundial, em acelerada transformação.

Lester Brown é fundador do Worldwatch Institute e do Earth Policy Institute.

Fonte: www.wwiuma.org.br

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JB Online
29 de setembro de 2002

PT vai mudar modelo elétrico

Rio, 29 - Antes mesmo do resultado das urnas, o PT já estava articulando com empresas privadas o que representantes do partido classificam de desativação de bombas de efeito retardado. Os encontros, que têm ocorrido regularmente com entidades representativas do setor, têm produzido resultados práticos, como a manutenção do Mercado Atacadista de Energia (MAE) com uma nova estrutura e função prática. No entanto, o maior dos objetivos, a curto prazo, é revisar o atual modelo, que poderá tornar a hoje superavitária Eletrobrás em uma estatal deficitária. Um dos principais elaboradores do programa do partido para o setor, o engenheiro Maurício Tolmasquim, da Coppe-UFRJ, lembra que a Eletrobrás é peça fundamental na estrutura que o PT pretende implantar no país. Daí a urgência em evitar que a bomba exploda justamente sobre a empresa. Além de tentar reverter o prejuízo de R$ 1,2 bilhão que a Eletrobrás terá com a contabilização do MAE, o grupo já começou a negociar mudanças nas atuais regras dos leilões de energia das estatais, a chamada energia velha. Segundo as atuais regras, a energia que não for arrematada nos leilões será oferecida no MAE. O problema é que os preços do mercado livre estão em baixa por conta do excesso de oferta em relação ao fraco consumo. Com isso, alerta Tolmasquim, as geradoras estatais poderão até mesmo ter que arcar com prejuízos na venda de energia. E prejuízo é o que a Eletrobrás não pode ter agora. O orçamento da empresa para o próximo ano, de R$ 4,1 bilhões, já está curto. Peça fundamental na retomada dos investimentos públicos no setor, conforme o planejado pelo PT, a Eletrobrás será o carro-chefe de uma política que precisa resultar em investimentos na expansão da capacidade instalada do país. Segundo o consultor Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infra-estrutura, o país necessita de recursos da ordem de R$ 40 bilhões, nos próximos dez anos. Do contrário, o sistema elétrico não terá como suportar a expansão do consumo esperada para quando a economia voltar a crescer a taxas de 4% a 5% ao ano. Outra mudança prevista pelo PT é o modelo de licitações de concessões para usinas hidreléricas, da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Pelo novo modelo, serão declarados vencedores os grupos que oferecerem a menor tarifa, e não o critério atual de maior valor pela outorga da Aneel. Além da concessão, diz Tolmasquim, os grupos também herdarão contratos de longo prazo (PPA) com distribuidoras de energia. - O modelo que queremos implantar é melhor do que o atual pelo simples fato de que garante maior segurança para os investidores privados - afirma o engenheiro da Coppe. Nas últimas semanas, temos recebido até elogios da Associação dos Produtores Independentes de Energia Elétrica. Com relação às licitações de hidrelétricas, o engenheiro do PT revela que há duas alternativas para a operação desses futuros leilões. A primeira hipótese prevê a comercialização dos contratos de longo prazo diretamente pelas distribuidoras, antes das licitações. As empresas poderiam reservar blocos de energia a serem produzidos pelas futuras hidrelétricas. A outra opção, mais complexa, prevê a criação de uma nova estatal do setor, que ficaria responsável pela compra e posterior repasse dessa energia para as distribuidoras. Nesse caso, caberia ao governo, por meio dessa nova estatal, assumir o risco de garantir oferta de energia para as distribuidoras.

Fonte: JB Online (Ricardo Rego Monteiro)

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Jornal Agência Estado
9 de setembro de 2002

Energia

MP reduz incentivo para energia alternativa

Rio, 9 - Na semana em que foi à conferência Rio+10, em Johanesburgo, defender o aumento da participação de energias alternativas na matriz energética mundial, o governo baixou uma Medida Provisória que pode reduzir o incentivo a este tipo de energia no Brasil. A MP 64, publicada há duas semanas, define a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) como uma das fontes para o subsídio aos consumidores de baixa renda. A CDE foi criada em abril para subsidiar justamente as fontes alternativas de energia. "A MP 64 é um tiro contra todo um trabalho que vem sendo feito durante anos a fio", reclama o ex-secretário de energia do Ministério de Minas e Energia (MME) Afonso Henriques. A CDE foi criada como fonte de recursos para o Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia (Proinfa), que beneficia pequenas centrais hidrelétricas (PCH's), energias eólica e solar e térmicas a biomassa, carvão e gás natural. "Precisamos de uma sinalização do governo de qual será o porcentual destinado à baixa renda, para que o investidor tenha segurança", diz o diretor de operações do Centro Nacional de Desenvolvimento de Pequenas Centrais Hidrelétricas (CndPCH), Rodrigo Ferreira. Para a Associação dos Pequenos e Médios Produtores de Energia, o uso da CDE para subsidiar a baixa renda põe em risco o Proinfa, que prevê subsídios a até 3,3 mil megawatts em fontes alternativas, para que atinjam 10% da matriz energética brasileira. A CDE é formada por recursos provenientes das multas da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), do pagamento pelas concessões no setor e por uma taxa de comercialização cobrada na venda de energia a consumidores livres. "O governo nem sabe qual será o orçamento da CDE e vem embutindo mais despesas", acusa Ferreira. No Proinfa, os recursos da CDE pagarão a diferença entre o custo da energia e o valor de venda, mais baixo. A energia será comprada pela Eletrobrás e repassada às distribuidoras. O subsídio ao consumidor de baixa renda foi criado por um pleito das distribuidoras de eletricidade, que se sentiram prejudicadas com a reclassificação de baixa renda, que aumentou o contingente de clientes com desconto na tarifa. Para compensar as perdas das empresas, o governo garantiu parte dos recursos da CDE.

Fonte: Agência Estado (Nicola Pamplona)

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Jornal Agência Estado
6 de setembro de 2002

Energia

Governo reduz metas para programa de termelétricas

Brasília, 6 - O Programa Prioritário de Termeletricidade (PPT) encolheu. Dos 15 mil megawatts , anunciados ano passado, apenas 6 mil devem ser viabilizados, informa Francisco Gomide, ministro de Minas e Energia. Somando-se as usinas de co-geração, o volume gerado chega a 8.197 MW. Desse total, 2.808 MW já estão em operação, 1.738 MW, em teste, e 3.651 MW em construção. Para o ministro, a revisão dos números não deve ser considerada um fracasso do programa. "O número apresentado em 2001 era o máximo previsto", diz Gomide. "O governo precisa garantir o equilíbrio entre a oferta e a demanda, mas não pode garantir que os números anunciados se materializem." Segundo um especialista, que assessora o governo desde o início da crise energética, a ordem agora é trabalhar com dados "mais realistas" e criar condições para que apenas as usinas que já tenham recebido "investimentos pesados" saiam do papel. O Ministério de Minas e Energia não divulga os empreendimentos que estão com dificuldades porque, segundo o ministro, isso criaria mais dificuldades para a obtenção de créditos. Na semana passada, o governo anunciou a decisão de ressuscitar o Valor Normativo diferenciado, para que as empresas consigam fechar contratos de longo prazo. Também divulgou a decisão de destinar R$ 500 milhões da Contribuição sobre Intervenção no Domínio Econômico (Cide) para subsidiar o gás natural, com o que se pretende dar condições de competitividade para os empreendimentos. Segundo Gomide, empreendedores que tinham desistido do programa, podem voltar graças à nova sinalização do governo. A Abrajet, associação que reúne as empresas termelétricas, está fazendo um levantamento da situação de todos os 49 projetos inscritos no PPT. O objetivo é verificar quais deles têm condições de deslanchar, diz o presidente da entidade, Xisto Vieira Filho. O executivo reconhece que, no curto prazo, é difícil conseguir viabilizar a geração anunciada no ano passado, porque os empreendedores estão aguardando para ver qual vai ser o comportamento o mercado. A dúvida também é sobre o sistema de preços. Segundo Vieira, a adoção temporária do VN diferenciado, que valerá por 75 dias, "é remédio". A solução definitiva, segundo ele, é substituir o modelo atual por um sistema completo de leilão, também de energia nova. A negociação por leilões, segundo ele, dará aos empresários melhor indicativo de preços futuros. Além dos preços, outra questão que precisa ser resolvida é a de tarifas de transmissão. Hoje, não há diferença de preço para transmissão, independentemente da distância entre a origem e o destino da energia gerada.Funciona como espécie de selo, em que a distância tem peso insignificante. Como as termelétricas ficam localizadas perto dos mercados consumidores, a regra torna ainda mais cara a produção, já pouco competitiva. O problema que emperra o PPT não é novo. Os projetos continuam esbarrando no alto custo dessa fonte de geração, em parte resultado das cláusulas contratuais firmadas pela Petrobras com o governo da Bolívia para a construção do gasoduto que traz o gás ao Brasil. O contrato prevê pagamento pelo transporte do gás e pelo produto, ainda que o insumo não seja utilizado. Uma alternativa é desenvolver um mercado secundário de gás. Estimular o consumo industrial, por exemplo, para que o insumo tenha destinação quando não estiver sendo utilizado pelas termelétricas. Essa seria uma forma de evitar o pagamento quando as usinas estiverem paradas. As usinas termelétricas podem gerar energia constantemente, mas em épocas de reservatórios cheios a geração não é vantajosa. Outra idéia é ter parte das usinas como seguro permanente do sistema. Em caso de escassez ou de indicativo de seca, o Operador Nacional do Sistema pode optar por aciona-las para poupar água dos reservatórios. Por causa da crise energética, o governo chegou a ensaiar uma solução, criando uma conta gráfica, que retira o efeito da variação do dólar sobre os custos por períodos de 12 meses. Mas não foi suficiente para animar os investidores. Um megawatt gerado por termeletricidade custa cerca de US$ 40, enquanto um MW gerado por hidrelétrica, cerca de R$ 32. O subsídio com recursos da Cide servirá para cobrir a diferença. O PPT foi anunciado em 2000 pelo então ministro de Minas e Energia Rodolpho Tourinho. As usinas deveriam ter sido iniciadas naquele ano, mas Tourinho não conseguiu solução para os entraves envolvendo o preço do gás. A não-concretização do programa foi uma das causas do racionamento de nove meses, que obrigou corte de consumo de 20% para os consumidores residenciais, e de 15% a 25% para indústrias e demais consumidores.

Fonte: Valor Online (Rachel Rubin)

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Jornal Agência Estado
20 de agosto de 2002

Energia

Usinas de álcool podem comercializar créditos de carbono

Ribeirão Preto, SP, 20 - A co-geração de energia elétrica a partir do bagaço de cana está respaldando as usinas de açúcar e álcool a conseguir o certificado para venda de créditos de carbono prevista no Protocolo de Kyoto. A Vale do Rosário, de Morro Agudo (SP), inaugurou o filão e conseguiu o certificado de pré-validação por sete anos, a partir de 2001. No dia 27, as usinas paulistas Alta Mogiana, Santa Elisa e Moema também serão certificadas. Até o final do ano, mais uma dezena de usinas entra para este novo negócio. A comercialização de créditos de carbono é um mercado 'ainda intangível', como define o especialista em certificações e sócio gerente da Econergy Brasil, Marcelo Diniz Junqueira. É que, para ser efetivado pelas Nações Unidas, esse mercado precisa que o protocolo de Kyoto seja ratificado por 55 países responsáveis por 55% da produção de gás carbônico no mundo. Por enquanto, 77 países aderiram ao protocolo, mas somam 'apenas' produção de 36% de CO2. Os Estados Unidos são os maiores poluidores, mas se negaram a ratificar o protocolo. Segundo Junqueira, a falta de quorum não está impedindo que alguns poucos negócios ocorram no chamado 'mercado de opções' ou 'pré-anuência'. Muitas empresas de países industrializados querem evitar futuros limites de emissão de gases impostos pelos governos e antecipam a compra de créditos de carbono. Há também as empresas que querem se mostrar ambientalmente responsáveis e fomentam este novo negócio. "O protocolo de Kyoto pode até não decolar, mas há várias empresas e países que querem diminuir a poluição do planeta", diz Junqueira defendendo que o novo negócio é irreversível. Para ele, o mercado de créditos de carbono é uma das equações mais justas. A falta de ratificação, no entanto, faz com que o mercado de opções ainda remunere pouco as indústrias que produzem energia limpa. Atualmente, paga-se US$ 5 para cada tonelada de CO2 que deixou de ser emitida. A Vale do Rosário, por exemplo, recebeu certificado equivalente a 645 mil toneladas de CO2 por sete anos, mas não efetuou o negócio à espera de preços melhores com a entrada em vigor do protocolo. Junqueira calcula que as usinas brasileiras certificadas possam ter uma renda extra entre 5% e 10% do seu faturamento anual com a venda de créditos de carbono. "A comercialização de créditos deve somar US$ 300 milhões ao ano para os países em desenvolvimento como Brasil, Índia e China", comenta. Além da biomassa e do aproveitamento dos resíduos de madeira para a produção de eletricidade, também podem obter créditos de carbono para comercialização os investimentos em Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs), projeto de eficiência energética, energia solar, energia eólica ou qualquer projeto que diminua o consumo de combustíveis fósseis, orienta Junqueira. Ele diz, porém, que as usinas de álcool têm um dos meios mais fáceis de ser aceito na compensação de gás carbônico emitido. Além de ser limpa e renovável, a geração de energia através do bagaço não é exigência do governo, mas iniciativa das usinas. "A redução tem que ser voluntária por parte de quem quer vender os créditos", explica. "O álcool misturado à gasolina diminui a poluição, mas é uma exigência prevista em lei", argumenta. Segundo Junqueira, a co-geração a partir do bagaço também é mais fácil de ser medida para se chegar à contrapartida de créditos. "A quantidade de energia vendida para a rede é medida no pagamento da distribuidora", justifica. A energia gerada para alimentar a própria usina, mesmo que a partir do bagaço de cana, não pode ser computada. São detalhes de um mercado ainda intangível, mas que representa um novo filão de negócio ao mesmo tempo que ajuda a reduzir a poluição do planeta.

Fonte: Agência Estado (Nelson Carrer Jr.)

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Jornal Valor Online
7 de agosto de 2002

Energia

Obras do setor são suspensas

Brasília, 7 - Grandes obras anunciadas no setor elétrico, como a retomada da construção da usina de Angra III e a usina hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, podem ficar para o próximo governo, segundo indicam duas decisões tomadas ontem pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). Ao contrário do previsto, Angra II nem chegou a ser discutida na reunião de ontem do CNPE porque os Ministérios da Fazenda e do Planejamento não concluíram a análise do modelo econômico e financeiro para retomada da obra, e o Ministério do Meio Ambiente também não apresentou o estudo sobre o impacto ambiental dos resíduos da usina. Só na segunda semana de setembro o CNPE os ministérios deverão entregar suas análises sobre a usina nuclear para discussão no CNPE. A apresentação dos estudos para Belo Monte também foi adiada para 30 de novembro. Segundo o ministro das Minas e Energia, Francisco Gomide, não há mais tempo para realização do leilão para construção da usina pelo setor privado, o que levou o governo a dar mais tempo aos técnicos para os estudos sobre a hidrelétrica. Os técnicos, segundo informou Gomide, devem avaliar uma proposta de criação de uma sociedade de propósito específico (SPE) que elaboraria os estudos de construção da usina e seria, depois, privatizada. O CNPE decidiu ontem, ainda, centralizar as negociações dos diversos ministérios com países vizinhos dos quais o Brasil importa energia. A primeira missão do comitê será a negociação dos contratos de importação de gás com o novo governo da Bolívia.

Fonte: Valor Online (Sergio Leo)

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Jornal Jornal do Comércio
29 de julho de 2002

Energia

Outra herança para o próximo Governo

A cisão dos setores de geração e transmissão das companhias federais de energia controladas pela Eletrobrás (Eletronorte, Chesf e Furnas) deverá ser uma das tarefas para o próximo governo decidir. Pelo menos, duas das três estatais têm pendências que dificultam a divisão de ser realizada ainda neste ano. Além disso, o próprio presidente da Eletrobrás, Altino Ventura Filho, já admitiu que a divisão não deverá ocorrer até dezembro por causa de atrasos no cronograma. O presidente das Centrais Elétricas do Norte do Brasil (Eletronorte), José Antônio Muniz Lopes, afirma que a empresa está pronta para a divisão, mas depende da contabilização dos valores referentes à venda de energia no Mercado Atacadista de Energia (MAE) para conclusão do balanço da cisão. Apesar da derrubada de uma liminar da Eletrobrás que impedia a contabilização do MAE ter sido cassada nessa semana, pelo novo cronograma da instituição, as negociações que ocorreram depois de julho do ano passado só deverão ser contabilizadas a partir de 25 de setembro. O prazo previsto inicialmente pelo Governo para a conclusão das cisões era 31 de maio.

CHESF. Já a Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf) solicitou a exclusão do processo de cisão porque, pelo BNDES a empresa ficaria muito endividada com a divisão. O plano desenvolvido pelo BNDES prevê que a Chesf seja dividida em duas empresas de geração e uma de transmissão. A parte de geração seria cindida em Chesf Xingó, que controlará a hidrelétrica de Xingó e Chesf Geração, que ficaria responsável pelas outras 12 usinas hidrelétricas. Chesf Xingó e Chesf Distribuição seriam mantidas sob controle da Eletrobrás. Já Chesf Geração seria transformada em uma empresa pública da União e de capital fechado e teria o nome trocado para Companhia de Energia e Desenvolvimento Hídrico do Nordeste. O modelo do BNDES prevê que a Chesf Xingó seria a única a entrar no Programa Nacional de Desestatização após a cisão. O problema, segundo o presidente da Chesf, Mozart Siqueira Campos Araújo, é que esse processo deixaria a empresa muito endividada, porque, além de perder o maior ativo (Xingó), teria de compensar os acionistas. Araújo explica que, em vez de realizar a cisão agora, a empresa fará somente uma reestruturação interna. "Vamos realizar uma reestruturação interna, criando uma unidade de negócios de transmissão e outra de geração", diz. Já Furnas informou que está pronta para a cisão e aguarda apenas a orientação da controladora Eletrobrás. Pela proposta elaborada pelo BNDES, Furnas seria dividida em duas empresa, uma de geração e uma de transmissão. A parte de transmissão continuaria a ser uma subsidiária da Eletrobrás. Já a geradora, inicialmente, seria controlada diretamente pelo Tesouro Nacional, que, a partir de 120 dias após a cisão, deveria começar a pulverizar a sua participação acionária na Bolsa de São Paulo. O Tesouro colocaria ações na Bolsa e, no primeiro momento, Furnas Geração teria a mesma estrutura acionária da Eletrobrás: 52,46% em poder da União, 12,68% pertencente ao BNDESPar, 4,24% do Fundo Nacional de Desestatização (FND) e 30,62% nas mão de acionistas minoritários. Estes seriam acionistas que trocariam parte das ações da Eletrobrás por ações de Furnas Geração. Quanto à Eletronorte, a empresa daria origem à Eletronorte Geração, que ainda incorporaria os sistemas elétricos de Boa Vista e Manaus e Eletronorte Transmissão. As duas permaneceriam subsidiárias da Eletrobrás. Analistas de mercado já não consideram mais a hipótese de a cisão ocorrer no Governo Fernando Henrique. Segundo eles, a questão é muito polêmica para ser realizada em um ano eleitoral.

Fonte: Jornal do Comércio (Cláudio de Souza)  

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Jornal Correio Braziliense
17 de julho de 2002

Energia

Agência propõe inclusão de novas linhas de transmissão no PND

A Aneel aprovou proposta de inclusão de concessões de 17 novas linhas de transmissão de energia elétrica no Programa Nacional de Desestatização (PND). A proposta será encaminhada esta semana ao Ministério de Minas e Energia, que a enviará, posteriormente, ao Conselho Nacional de Desestatização (CND). Uma vez aprovada a proposta, as concessões das novas linhas deverão ser licitadas em 2003. Para tanto, a previsão da Aneel é lançar o edital com os primeiros lotes de linhas ainda no segundo semestre deste ano.

As novas linhas totalizam 3.209 quilômetros de extensão. Elas demandarão investimentos estimados em R$ 1,3 bilhão. Os empreendimentos serão construídos em 11 estados - Bahia, Paraná, São Paulo, Santa Catarina, Piauí, Ceará, Mato Grosso, Pará, Goiás, Minas Gerais e Rio Grande do Sul -, e deverão gerar cerca de 6,4 mil empregos.

RELAÇÃO DAS LINHAS DE TRANSMISSÃO ENCAMINHADAS AO CND 

Item

Empreendimento

UF

Tensão (kV)

Extensão (km)

Investimento (R$x103)*

Estimativa de Empregos

1

LT Salto Santiago / Ivaiporã

PR

525

167

66.660,00

300

LT Cascavel Oeste / Ivaiporã

209

76.560,00

300

TR em Ivaiporã
750/500 kV

   

35.768,90

500

2

LT Londrina / Assis

PR/SP

525

400

172.864,00

1.300

LT Assis / Araraquara

SP

TR em Assis 500/400 kV

   

29.000,00

3

LT Machadinho / Campos Novos II

SC

500

44

24.230,00

200

4

LT Teresina / Sobral C2

PI/CE

500

332

272.679,00

800

LT Sobral / Fortaleza C2

CE

500

249

5

LT Milagres / Tauá

CE

230

200

31.414,00

200

6

LT Coxipó / Rondonópolis C3

MT

230

188

83.424,30

200

7

LT Palhoça / J. Lacerda B

SC

230

122

20.360,00

200

8

LT Cuiabá / Barra do Peixe

MT

500

840

414.150,00

1.500

LT Barra do Peixe / SE
Seccionadora

MT/GO

500

LT SE Seccionadora / Itumbiara

GO/MG

500

TR 500/230 kV em SE Cuibá

MT

   

TR 500/230 kV em
SE Barra do Peixe

MT

---

---

9

LT Montes Claros / Irapé

MG

345

160

68.700,00

300

10

LT Taquara / Arroio do Sal

RS

230

85

15.700,00

200

11

LT UHE São Jerônimo / Jaguariaíva

PR

230

155

26.110,00

200

12

LT Passo Real / Tapera 2

RS

230

58

12.070,00

200

* Valores previstos pelo Programa Determinativo da Expansão da Transmissão 2002-2006 do Comitê Coordenador do Planejamento da Expansão dos Sistemas Elétricos (CCPE).
 
Fonte: Aneel - Boletim Energia 036 - 17 de Julho de 2002

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Jornal Correio Braziliense
21 de maio de 2002

Economia/Energia

Apagão pode voltar em 2006

Da Agência Estado

O Brasil corre risco de novo déficit de energia em 2006. Segundo o presidente do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Mário Santos, o planejamento da operação do sistema acusou possibilidades de que, em quatro anos, o consumo de energia seja igual ou maior do que a oferta. A previsão do setor é de que o consumo cresça pelo menos 5% ao ano nos próximos anos.

Um novo racionamento de energia em 2006 ocorrerá, segundo o presidente do ONS, se as chuvas nos próximos anos repetirem as piores médias históricas dos últimos 70 anos e nenhum novo projeto de geração for feito. Segundo os estudos do órgão, o déficit na região Sudeste e Centro-Oeste poderia chegar a 8,4%. No Nordeste, o risco de déficit chega a 14%. O ONS trabalha com um risco de 5% como margem de segurança.

O planejamento do ONS leva em conta a construção de 16 térmicas e de novas hidrelétricas e linhas de transmissão já em processo de construção ou licitação. A entidade acredita, porém, que novos projetos serão iniciados até 2006, afastando de vez o risco de novo racionamento de energia.

Segundo Mário Santos, a demanda por energia vai crescer 5,7% por ano até 2009, tomando por base o novo nível de consumo, pós-racionamento. Pelos cálculos da Eletrobrás, o consumo do primeiro trimestre caiu 13,5% em relação ao registrado nos três primeiros meses do ano anterior.

A classe residencial foi quem mais economizou energia, com redução de 21,6%. As classes comercial e industrial economizaram 15,4% e 7,7%, respectivamente. ''Houve um extraordinário comprometimento dos consumidores residenciais com o programa de racionamento'', disse Mário Santos. ''A população economizou e agora paga por uma energia que não consumiu'', protestou o presidente da ONG Ilumina, Roberto d'Araújo, sobre o seguro para contratação de térmicas emergenciais e o financiamento para cobrir as perdas das distribuidoras, que passaram a onerar ainda mais a conta de luz nos últimos meses.

A expectativa da Eletrobrás é de que o consumo de energia atinja o nível registrado em 2000 ainda este ano, quando a taxa de crescimento ficará entre 7,5% e 8%. Segundo a empresa, a redução de consumo no Sudeste foi de 17,2% e no Nordeste, de 17,3%.

A demanda por energia no Nordeste deve ser superior à média nacional devido a uma expectativa de crescimento econômico e pelo potencial de expansão na base de clientes. O aumento de consumo de energia na região deve ser de 8 1% nos próximos 10 anos.

Na opinião de Roberto d'Araújo, a demanda deveria crescer pelo menos 6,9% ao ano para que fossem corrigidas algumas distorções sociais. ''Há 13,5 milhões de municípios com renda muito baixa e consumo de energia abaixo do mínimo confortável. Destes, 47% sequer têm geladeira. Mas quem vai querer investir em levar energia para clientes que não têm dinheiro?'', questionou.

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Jornal O Globo
21 de maio de 2002

Economia

País corre risco de racionamento em 2006, alertam especialistas do ONS

Ramona Ordoñez

O presidente do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Mário Santos, disse ontem que o país corre riscos de ter um novo racionamento de energia em 2006. E o presidente da Eletrobrás, Altino Ventura Filho, afirmou que o país passa por um momento de crise no setor. Segundo Altino, o Mercado Atacadista de Energia (MAE) está com dificuldades para funcionar, pois os investimentos privados ainda não aconteceram no montante esperado.

- O Estado está um pouco indefinido: onde entra ou onde não entra. Estamos vivendo um momento em que a palavra crise talvez seja forte, mas representa a situação atual - afirmou Ventura Filho.

O presidente da Eletrobrás disse que o país precisa agregar 3.000 MW por ano, exigindo investimentos da ordem de US$ 7 bilhões por ano.

País precisa investir R$ 165 bi em energia até 2009

Segundo o presidente do ONS, na Região Nordeste, o déficit previsto é de 14,1%, e nas Regiões Sudeste e Centro-Oeste, de 8,4%, superiores aos 5% de risco com os quais o setor normalmente opera. Mário Santos destacou, contudo, que esses riscos podem ser eliminados se houver um acréscimo de mais 1.500 megawatts (MW) de capacidade no sistema, além os que já estão programados.

Segundo Mário Santos, com as obras em andamento (a construção de 16 termelétricas a gás, mais diversas usinas hidrelétricas e linhas de transmissão), o atendimento de energia está garantido sem maiores problemas até 2005. Mário Santos falou sobre os riscos de déficit em 2006 ontem durante o IX Congresso Brasileiro de Energia, que está sendo realizado no Rio pela Coppe/UFRJ.

A expansão do setor elétrico para atender ao consumo nos próximos anos foi um dos temas centrais do congresso. O presidente do ONS destacou que para atender a um crescimento do consumo de energia da ordem de 5,7% anual, até 2009 o país precisará investir R$ 165 bilhões, dos quais R$ 42 bilhões em transmissão.

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Jornal Jornal do Brasil
21 de maio de 2002

Capa/Economia

Racionamento de energia volta a ameaçar o país - Atraso em obras pode causar apagões

Passados menos de três meses do fim do racionamento de energia elétrica, o risco de um apagão volta a ameaçar o país. O presidente do ONS, Mario Santos, disse que o abastecimento estará comprometido, caso os projetos de ampliação da capacidade de geração e transmissão de energia não sejam realizados no prazo anunciado.

Apagão volta a ameaçar - Operador do sistema elétrico vê risco em 2006. Para especialistas, projeção é otimista

O presidente do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Mario Santos, disse ontem que o Brasil corre risco de enfrentar um novo apagão a partir de 2006, se os investimentos necessários ao setor não forem feitos. Ele calcula que o país precisa de R$ 165 bilhões até 2009.

Na visão de Santos, o abastecimento de energia do país está seguro até 2005, porque ele considera que nesse período serão concluídas as hidrelétricas, as linhas de transmissão que estão em fase de construção, além das 16 usinas do Programa Prioritário de Termelétrica (PPT). Tanto assim, que ele mesmo admitiu que as reservas de água só garantem o funcionamento do sistema de energia pelas hidrelétricas por dois anos.

As previsões de Santos, feitas durante a abertura do 9º Congresso Brasileiro de Energia, foram consideradas excessivamente otimistas. ''Essas estimativas se baseiam na hipótese de que todas as obras serão concluídas no prazo previsto. Mas não foi o que aconteceu nos últimos dois ou três anos e nada garante que será diferente agora'', disse Luiz Pinguelli Rosa, diretor da Coordenação dos Programas de Pós-Graduação em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ) e coordenador do congresso. ''Eu não sou tão otimista'', acrescentou.

O ex-secretário estadual de Energia e Petróleo do Rio Wagner Granja Victer também acha que a aposta do presidente do ONS se baseia num otimismo exagerado. ''Tenho o maior respeito pelo Mario Santos, mas discordo profundamente. Fazer esse tipo de previsão é um erro técnico, porque depende de a população continuar economizando, de ter chuvas suficientes e todos os investimentos serem concluídos. É como dizer que se tudo der absolutamente certo, nada dará errado'', afirmou.

Victer destaca que o sistema energético brasileiro ainda está muito frágil. ''Os investimentos estão patinando e a segurança dos reservatórios é menor do que em 1998. Se tivermos um período de seca forte, sem recuperação na fase das chuvas, poderemos ter problemas ainda no ano que vem'', disse. ''Numa situação que depende de tantas variáveis, é leviano prever segurança e também afirmar que teremos problemas ano que vem'', ponderou.

De acordo com Mario Santos, nos próximos sete anos, o país terá que ampliar sua produção de energia dos atuais 71 mil Megawatts (MW) para 110 mil MW para atender a um aumento anual de consumo estimado em 5,7%. Para viabilizar essa expansão, ele defende até a participação do setor público nos investimentos. ''Se a mão invisível do mercado for invisível demais, que se ajude a mão do mercado. Se o Estado tiver que voltar novamente a ser o instrumento estrutural de crescimento da oferta, deve intervir e garantir a expansão do sistema'', disse.

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Jornal O Estado de São Paulo
21 de maio de 2002

Economia/Energia

País pode ter nova crise em 2006, diz ONS - Em quatro anos, consumo pode ser igual ou maior do que a oferta


NICOLA PAMPLONA

RIO - O Brasil corre o risco de novo déficit de energia em 2006.

Segundo o presidente do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Mário Santos, o planejamento da operação do sistema acusou possibilidades de que, em quatro anos, o consumo de energia seja igual ou maior do que a oferta. A previsão do setor é de que o consumo tenha crescimento anual de 5%, pelo menos, nos próximos anos. No primeiro trimestre de 2002, houve queda de 13,5%, ainda como reflexo do racionamento compulsório de eletricidade.

Um novo racionamento de energia em 2006 só ocorrerá, segundo o presidente do ONS, se as chuvas nos próximos anos repetirem as piores médias históricas dos últimos 70 anos e nenhum novo projeto de geração for feito. Segundo os estudos do órgão, o déficit nas Regiões Sudeste e Centro-Oeste poderia chegar a 8,4%. No Nordeste, o risco de déficit chega a 14%. O ONS trabalha com um risco de 5% como margem de segurança.

O planejamento do ONS leva em conta a construção de 16 térmicas e de novas hidrelétricas e linhas de transmissão já em processo de construção ou licitação. A entidade acredita, porém, que novos projetos serão iniciados até 2006, afastando de vez o risco de novo racionamento de energia.

Segundo Mário Santos, a demanda brasileira por energia vai crescer 5,7% por ano até 2009, tomando por base o novo patamar de consumo, pós-racionamento.

Pelos cálculos da Eletrobrás, divulgados ontem, o consumo do primeiro trimestre de 2002 caiu 13,5% em relação ao registrado nos três primeiros meses do ano anterior. A classe residencial foi quem mais economizou energia, com redução de 21,6%. As classes comercial e industrial economizaram 15,4% e 7,7%, respectivamente.

Mais cara - "Houve um extraordinário comprometimento dos consumidores residenciais com o programa de racionamento", disse Mário Santos. "A população economizou e agora paga por uma energia que não consumiu", protestou o presidente da ONG Ilumina, Roberto d'Araújo, sobre o seguro para contratação de térmicas emergenciais e o financiamento para cobrir as perdas das distribuidoras, que passaram a onerar ainda mais a conta de luz nos últimos meses.

A expectativa da Eletrobrás é que o consumo de energia atinja o nível registrado em 2000 ainda este ano, quando a taxa de crescimento ficará entre 7,5% e 8%. Segundo a empresa, a redução de consumo no Sudeste foi de 17,2%, e no Nordeste, de 17,3%. A demanda por energia no Nordeste deve ser superior à média nacional, por causa da expectativa de crescimento econômico e pelo potencial de expansão na base de clientes, disse Mário Santos. O aumento de consumo de energia na região deve ser de 8,1% nos próximos dez anos.

Na opinião de Roberto d'Araújo, a demanda brasileira deveria crescer pelo menos 6,9% ao ano para que fossem corrigidas algumas distorções sociais. "Há 13,5 milhões de municípios com renda muito baixa e consumo de energia abaixo do mínimo confortável. Destes, 47% sequer têm geladeira. Mas quem vai querer investir em levar energia para clientes que não têm dinheiro?"

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Jornal O Estado de São Paulo
21 de maio de 2002

Dinheiro/SALTO NO ESCURO

Especialistas vêem novo apagão em 2004 - Pinguelli Rosa e Tolmasquin alertam para falta de energia se novas usinas não saírem do papel; ONS nega


SANDRA BALBI - ENVIADA ESPECIAL AO RIO
RICARDO REGO MONTEIRO - DA SUCURSAL DO RIO

O atraso no início das obras já licitadas para a construção de novas usinas elétricas no país e a desativação de outras, como as das termelétricas da Petrobras, poderão colocar o país às portas de um novo problema de escassez de energia em 2004.

O alerta foi feito ontem por especialistas reunidos no 9º Congresso Brasileiro de Energia, que está sendo realizado no Rio.

"Do jeito que estão as coisas, o normal é que os investimentos não ocorram. As eleições deste ano, a crise da Argentina e as oscilações do câmbio não estimulam o investimento por parte do setor privado", disse o físico Luiz Pinguelli Rosa, coordenador geral do congresso.

Professor da Coppe-UFRJ e presidente da SBPE (Sociedade Brasileira de Planejamento Energético), Maurício Tolmasquin concorda com a avaliação de Pinguelli Rosa. Segundo ele, 2004 pode ser considerada a data limite para a conclusão de todo o programa emergencial do governo.

Se até lá não saírem do papel novos investimentos na expansão da capacidade geradora, é praticamente certo que o país viverá uma nova situação de racionamento em 2004, afirmou ele.

Mário Santos, presidente do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), nega que haja risco de déficit de energia em 2004. "Com as 16 termelétricas já concluídas, temos condições de manter um colchão de segurança até 2005", afirmou.

O evento colocou frente a frente representantes do governo e críticos da política energética e apontou para o impasse do setor: a necessidade de investimentos de R$ 6 bilhões a R$ 8 bilhões anuais para tirar o país da beira da escuridão e a falta de mecanismos para garantir que isso aconteça.

Segundo Dilma Viana Raussef, secretária de Energia, Minas e Comunicação do Rio Grande do Sul, o problema é que não foram estabelecidas metas de expansão que obriguem as concessionárias a investir.

"Já as estatais estão proibidas de investir por força do acordo do governo com o FMI para manter o equilíbrio das contas públicas."

Como resultado, a expansão, deixada ao sabor do mercado, não anda. A ironia é que o setor elétrico está gerando recursos suficientes para fazer os investimentos necessários à expansão da oferta de energia.

Segundo Dilma, a recomposição das tarifas de energia, iniciada em 1994, resultou no aumento real (descontada a inflação medida pelo IGP) de 55% até outubro do ano passado. "O setor estatal tem hoje recursos para arcar com dois terços das necessidades de investimento em expansão do sistema", afirmou ela.

Pelas suas contas, só com o lucro líquido da Eletrobrás, que no ano passado foi de R$ 3,2 bilhões, mais R$ 3,4 bilhões de recursos da CCC (Conta de Consumo de Combustível) e da RGR (Reserva Geral de Reversão) -fundos abastecidos com dinheiro das tarifas de eletricidade-, seria possível financiar boa parte dos investimentos anuais.

"Há ainda o caixa das distribuidoras, privatizadas, que deve ser usado também para investimentos, já que o governo garante o equilíbrio econômico financeiro dessas empresas", disse.

A secretária gaúcha também reivindica a imediata liberação do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) como agente financiador dos investimentos estatais do setor.

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Jornal O Estado de São Paulo
21 de maio de 2002

Economia/Energia

Sistema elétrico exige em dez anos US$ 60 bilhões - Será preciso acrescentar 3 mil MW por ano, segundo a Eletrobrás

ALAOR BARBOSA e NICOLA PAMPLONA

RIO - O sistema elétrico brasileiro vai demandar investimentos superiores a US$ 60 bilhões nos próximos dez anos, conforme projeções do presidente da Eletrobrás, Altino Ventura Filho. Segundo ele, o País precisará adicionar a cada ano cerca de 3 mil megawatts (MW) de capacidade de geração de eletricidade, o que eleva o total para 30 mil MW nesse período, apenas para atender à demanda normal, com crescimento estimado de 4,9% ao ano.

Sem criticar abertamente a opção que o governo tem apresentado para a expansão da capacidade através de termoelétricas movidas a gás natural, Ventura foi enfático na defesa do sistema hidrelétrico. Na sua opinião, os rios brasileiros ainda são capazes de atender as necessidades nacionais pelos próximos 20 a 25 anos, com as outras fontes de energia tendo participações residuais.

Ventura defendeu que a própria Eletrobrás assuma a construção da usina de Belo Monte, na Amazônia, pois considera que o empreendimento talvez não atraia o interesse do setor privado. "São 11 mil MW de capacidade em região com grandes questões ecológicas a serem administradas, inclusive o reassentamento de índios", justificou. Ele disse que a empresa está buscando parcerias com a iniciativa privada.

A empresa pode participar de novos projetos através de investimentos financeiros, além de cuidar de questões típicas de governo, como a questão ambiental. Após o empreendimento entrar em operação, a Eletrobrás venderia a sua participação. "Não queremos competir com o setor privado, até porque o País está precisando muito de novos recursos a serem alocados ao setor", enfatizou, lembrando que as subsidiárias da Eletrobrás, como Furnas e Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf), estão liberadas para investir em novos projetos.

O presidente do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), que participou com Ventura e outros especialistas do 9.º Congresso Brasileiro de Energia, disse que a energia deve ser tratada como serviço público, e não como commodity. "O governo tem a obrigação de garantir o fornecimento de energia", disse. Segundo ele, a área de transmissão também necessita de investimentos. Há um gargalo nas linhas de transmissão, que dificulta a operação do sistema. "A usina de Tucuruí, no Norte, está vertendo água porque não há como trazer a energia para os centros de consumo", explicou.

Furnas - A desverticalização de Furnas, proposta pelo governo federal, foi tema recorrente de críticas durante o evento. De acordo com o professor Maurício Tolmasquim, presidente da Sociedade Brasileira de Planejamento Energético (SBPE), a separação das atividades de geração e transmissão da estatal poderá provocar um aumento nas tarifas de transmissão de energia.

As atividades de transmissão de Furnas têm rentabilidade de apenas 1,4% e não seriam suficientes para manter uma empresa operando, disse. "A manutenção da empresa operando de forma integrada evita um novo aumento de tarifas", afirmou Tolmasquim.

Segundo ele, a atividade de geração garante a Fur.

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