| Jornal
Agência Estado |
6
de setembro de 2002 |
Energia
Governo reduz
metas para programa de termelétricas
Brasília, 6 - O Programa Prioritário de Termeletricidade (PPT)
encolheu. Dos 15 mil megawatts , anunciados ano passado, apenas
6 mil devem ser viabilizados, informa Francisco Gomide, ministro
de Minas e Energia. Somando-se as usinas de co-geração, o volume
gerado chega a 8.197 MW. Desse total, 2.808 MW já estão em operação,
1.738 MW, em teste, e 3.651 MW em construção. Para o ministro,
a revisão dos números não deve ser considerada um fracasso do
programa. "O número apresentado em 2001 era o máximo previsto",
diz Gomide. "O governo precisa garantir o equilíbrio entre a oferta
e a demanda, mas não pode garantir que os números anunciados se
materializem." Segundo um especialista, que assessora o governo
desde o início da crise energética, a ordem agora é trabalhar
com dados "mais realistas" e criar condições para que apenas as
usinas que já tenham recebido "investimentos pesados" saiam do
papel. O Ministério de Minas e Energia não divulga os empreendimentos
que estão com dificuldades porque, segundo o ministro, isso criaria
mais dificuldades para a obtenção de créditos. Na semana passada,
o governo anunciou a decisão de ressuscitar o Valor Normativo
diferenciado, para que as empresas consigam fechar contratos de
longo prazo. Também divulgou a decisão de destinar R$ 500 milhões
da Contribuição sobre Intervenção no Domínio Econômico (Cide)
para subsidiar o gás natural, com o que se pretende dar condições
de competitividade para os empreendimentos. Segundo Gomide, empreendedores
que tinham desistido do programa, podem voltar graças à nova sinalização
do governo. A Abrajet, associação que reúne as empresas termelétricas,
está fazendo um levantamento da situação de todos os 49 projetos
inscritos no PPT. O objetivo é verificar quais deles têm condições
de deslanchar, diz o presidente da entidade, Xisto Vieira Filho.
O executivo reconhece que, no curto prazo, é difícil conseguir
viabilizar a geração anunciada no ano passado, porque os empreendedores
estão aguardando para ver qual vai ser o comportamento o mercado.
A dúvida também é sobre o sistema de preços. Segundo Vieira, a
adoção temporária do VN diferenciado, que valerá por 75 dias,
"é remédio". A solução definitiva, segundo ele, é substituir o
modelo atual por um sistema completo de leilão, também de energia
nova. A negociação por leilões, segundo ele, dará aos empresários
melhor indicativo de preços futuros. Além dos preços, outra questão
que precisa ser resolvida é a de tarifas de transmissão. Hoje,
não há diferença de preço para transmissão, independentemente
da distância entre a origem e o destino da energia gerada.Funciona
como espécie de selo, em que a distância tem peso insignificante.
Como as termelétricas ficam localizadas perto dos mercados consumidores,
a regra torna ainda mais cara a produção, já pouco competitiva.
O problema que emperra o PPT não é novo. Os projetos continuam
esbarrando no alto custo dessa fonte de geração, em parte resultado
das cláusulas contratuais firmadas pela Petrobras com o governo
da Bolívia para a construção do gasoduto que traz o gás ao Brasil.
O contrato prevê pagamento pelo transporte do gás e pelo produto,
ainda que o insumo não seja utilizado. Uma alternativa é desenvolver
um mercado secundário de gás. Estimular o consumo industrial,
por exemplo, para que o insumo tenha destinação quando não estiver
sendo utilizado pelas termelétricas. Essa seria uma forma de evitar
o pagamento quando as usinas estiverem paradas. As usinas termelétricas
podem gerar energia constantemente, mas em épocas de reservatórios
cheios a geração não é vantajosa. Outra idéia é ter parte das
usinas como seguro permanente do sistema. Em caso de escassez
ou de indicativo de seca, o Operador Nacional do Sistema pode
optar por aciona-las para poupar água dos reservatórios. Por causa
da crise energética, o governo chegou a ensaiar uma solução, criando
uma conta gráfica, que retira o efeito da variação do dólar sobre
os custos por períodos de 12 meses. Mas não foi suficiente para
animar os investidores. Um megawatt gerado por termeletricidade
custa cerca de US$ 40, enquanto um MW gerado por hidrelétrica,
cerca de R$ 32. O subsídio com recursos da Cide servirá para cobrir
a diferença. O PPT foi anunciado em 2000 pelo então ministro de
Minas e Energia Rodolpho Tourinho. As usinas deveriam ter sido
iniciadas naquele ano, mas Tourinho não conseguiu solução para
os entraves envolvendo o preço do gás. A não-concretização do
programa foi uma das causas do racionamento de nove meses, que
obrigou corte de consumo de 20% para os consumidores residenciais,
e de 15% a 25% para indústrias e demais consumidores.
Fonte: Valor Online (Rachel Rubin)
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| Jornal
Agência Estado |
20
de agosto de 2002 |
Energia
Usinas de
álcool podem comercializar créditos de carbono
Ribeirão Preto, SP, 20 - A co-geração de energia elétrica a partir
do bagaço de cana está respaldando as usinas de açúcar e álcool
a conseguir o certificado para venda de créditos de carbono prevista
no Protocolo de Kyoto. A Vale do Rosário, de Morro Agudo (SP),
inaugurou o filão e conseguiu o certificado de pré-validação por
sete anos, a partir de 2001. No dia 27, as usinas paulistas Alta
Mogiana, Santa Elisa e Moema também serão certificadas. Até o
final do ano, mais uma dezena de usinas entra para este novo negócio.
A comercialização de créditos de carbono é um mercado 'ainda intangível',
como define o especialista em certificações e sócio gerente da
Econergy Brasil, Marcelo Diniz Junqueira. É que, para ser efetivado
pelas Nações Unidas, esse mercado precisa que o protocolo de Kyoto
seja ratificado por 55 países responsáveis por 55% da produção
de gás carbônico no mundo. Por enquanto, 77 países aderiram ao
protocolo, mas somam 'apenas' produção de 36% de CO2. Os Estados
Unidos são os maiores poluidores, mas se negaram a ratificar o
protocolo. Segundo Junqueira, a falta de quorum não está impedindo
que alguns poucos negócios ocorram no chamado 'mercado de opções'
ou 'pré-anuência'. Muitas empresas de países industrializados
querem evitar futuros limites de emissão de gases impostos pelos
governos e antecipam a compra de créditos de carbono. Há também
as empresas que querem se mostrar ambientalmente responsáveis
e fomentam este novo negócio. "O protocolo de Kyoto pode até não
decolar, mas há várias empresas e países que querem diminuir a
poluição do planeta", diz Junqueira defendendo que o novo negócio
é irreversível. Para ele, o mercado de créditos de carbono é uma
das equações mais justas. A falta de ratificação, no entanto,
faz com que o mercado de opções ainda remunere pouco as indústrias
que produzem energia limpa. Atualmente, paga-se US$ 5 para cada
tonelada de CO2 que deixou de ser emitida. A Vale do Rosário,
por exemplo, recebeu certificado equivalente a 645 mil toneladas
de CO2 por sete anos, mas não efetuou o negócio à espera de preços
melhores com a entrada em vigor do protocolo. Junqueira calcula
que as usinas brasileiras certificadas possam ter uma renda extra
entre 5% e 10% do seu faturamento anual com a venda de créditos
de carbono. "A comercialização de créditos deve somar US$ 300
milhões ao ano para os países em desenvolvimento como Brasil,
Índia e China", comenta. Além da biomassa e do aproveitamento
dos resíduos de madeira para a produção de eletricidade, também
podem obter créditos de carbono para comercialização os investimentos
em Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs), projeto de eficiência
energética, energia solar, energia eólica ou qualquer projeto
que diminua o consumo de combustíveis fósseis, orienta Junqueira.
Ele diz, porém, que as usinas de álcool têm um dos meios mais
fáceis de ser aceito na compensação de gás carbônico emitido.
Além de ser limpa e renovável, a geração de energia através do
bagaço não é exigência do governo, mas iniciativa das usinas.
"A redução tem que ser voluntária por parte de quem quer vender
os créditos", explica. "O álcool misturado à gasolina diminui
a poluição, mas é uma exigência prevista em lei", argumenta. Segundo
Junqueira, a co-geração a partir do bagaço também é mais fácil
de ser medida para se chegar à contrapartida de créditos. "A quantidade
de energia vendida para a rede é medida no pagamento da distribuidora",
justifica. A energia gerada para alimentar a própria usina, mesmo
que a partir do bagaço de cana, não pode ser computada. São detalhes
de um mercado ainda intangível, mas que representa um novo filão
de negócio ao mesmo tempo que ajuda a reduzir a poluição do planeta.
Fonte: Agência Estado (Nelson Carrer Jr.)
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| Jornal
Valor Online |
7
de agosto de 2002 |
Energia
Obras
do setor são suspensas
Brasília, 7 - Grandes obras anunciadas no setor elétrico, como
a retomada da construção da usina de Angra III e a usina hidrelétrica
de Belo Monte, no Pará, podem ficar para o próximo governo, segundo
indicam duas decisões tomadas ontem pelo Conselho Nacional de
Política Energética (CNPE). Ao contrário do previsto, Angra II
nem chegou a ser discutida na reunião de ontem do CNPE porque
os Ministérios da Fazenda e do Planejamento não concluíram a análise
do modelo econômico e financeiro para retomada da obra, e o Ministério
do Meio Ambiente também não apresentou o estudo sobre o impacto
ambiental dos resíduos da usina. Só na segunda semana de setembro
o CNPE os ministérios deverão entregar suas análises sobre a usina
nuclear para discussão no CNPE. A apresentação dos estudos para
Belo Monte também foi adiada para 30 de novembro. Segundo o ministro
das Minas e Energia, Francisco Gomide, não há mais tempo para
realização do leilão para construção da usina pelo setor privado,
o que levou o governo a dar mais tempo aos técnicos para os estudos
sobre a hidrelétrica. Os técnicos, segundo informou Gomide, devem
avaliar uma proposta de criação de uma sociedade de propósito
específico (SPE) que elaboraria os estudos de construção da usina
e seria, depois, privatizada. O CNPE decidiu ontem, ainda, centralizar
as negociações dos diversos ministérios com países vizinhos dos
quais o Brasil importa energia. A primeira missão do comitê será
a negociação dos contratos de importação de gás com o novo governo
da Bolívia.
Fonte: Valor Online (Sergio Leo)
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| Jornal
Jornal do Comércio |
29
de julho de 2002 |
Energia
Outra herança para o próximo Governo
A
cisão dos setores de geração e transmissão
das companhias federais de energia controladas pela Eletrobrás
(Eletronorte, Chesf e Furnas) deverá ser uma das tarefas
para o próximo governo decidir. Pelo menos, duas das três
estatais têm pendências que dificultam a divisão
de ser realizada ainda neste ano. Além disso, o próprio
presidente da Eletrobrás, Altino Ventura Filho, já
admitiu que a divisão não deverá ocorrer
até dezembro por causa de atrasos no cronograma. O presidente
das Centrais Elétricas do Norte do Brasil (Eletronorte),
José Antônio Muniz Lopes, afirma que a empresa está
pronta para a divisão, mas depende da contabilização
dos valores referentes à venda de energia no Mercado Atacadista
de Energia (MAE) para conclusão do balanço da cisão.
Apesar da derrubada de uma liminar da Eletrobrás que impedia
a contabilização do MAE ter sido cassada nessa semana,
pelo novo cronograma da instituição, as negociações
que ocorreram depois de julho do ano passado só deverão
ser contabilizadas a partir de 25 de setembro. O prazo previsto
inicialmente pelo Governo para a conclusão das cisões
era 31 de maio.
CHESF. Já
a Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf)
solicitou a exclusão do processo de cisão porque,
pelo BNDES a empresa ficaria muito endividada com a divisão.
O plano desenvolvido pelo BNDES prevê que a Chesf seja dividida
em duas empresas de geração e uma de transmissão.
A parte de geração seria cindida em Chesf Xingó,
que controlará a hidrelétrica de Xingó e
Chesf Geração, que ficaria responsável pelas
outras 12 usinas hidrelétricas. Chesf Xingó e Chesf
Distribuição seriam mantidas sob controle da Eletrobrás.
Já Chesf Geração seria transformada em uma
empresa pública da União e de capital fechado e
teria o nome trocado para Companhia de Energia e Desenvolvimento
Hídrico do Nordeste. O modelo do BNDES prevê que
a Chesf Xingó seria a única a entrar no Programa
Nacional de Desestatização após a cisão.
O problema, segundo o presidente da Chesf, Mozart Siqueira Campos
Araújo, é que esse processo deixaria a empresa muito
endividada, porque, além de perder o maior ativo (Xingó),
teria de compensar os acionistas. Araújo explica que, em
vez de realizar a cisão agora, a empresa fará somente
uma reestruturação interna. "Vamos realizar
uma reestruturação interna, criando uma unidade
de negócios de transmissão e outra de geração",
diz. Já Furnas informou que está pronta para a cisão
e aguarda apenas a orientação da controladora Eletrobrás.
Pela proposta elaborada pelo BNDES, Furnas seria dividida em duas
empresa, uma de geração e uma de transmissão.
A parte de transmissão continuaria a ser uma subsidiária
da Eletrobrás. Já a geradora, inicialmente, seria
controlada diretamente pelo Tesouro Nacional, que, a partir de
120 dias após a cisão, deveria começar a
pulverizar a sua participação acionária na
Bolsa de São Paulo. O Tesouro colocaria ações
na Bolsa e, no primeiro momento, Furnas Geração
teria a mesma estrutura acionária da Eletrobrás:
52,46% em poder da União, 12,68% pertencente ao BNDESPar,
4,24% do Fundo Nacional de Desestatização (FND)
e 30,62% nas mão de acionistas minoritários. Estes
seriam acionistas que trocariam parte das ações
da Eletrobrás por ações de Furnas Geração.
Quanto à Eletronorte, a empresa daria origem à Eletronorte
Geração, que ainda incorporaria os sistemas elétricos
de Boa Vista e Manaus e Eletronorte Transmissão. As duas
permaneceriam subsidiárias da Eletrobrás. Analistas
de mercado já não consideram mais a hipótese
de a cisão ocorrer no Governo Fernando Henrique. Segundo
eles, a questão é muito polêmica para ser
realizada em um ano eleitoral.
Fonte: Jornal do Comércio (Cláudio
de Souza)
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| Jornal
Correio Braziliense |
17
de
julho de 2002 |
Energia
Agência propõe inclusão de novas linhas de transmissão no
PND A
Aneel aprovou proposta de inclusão de concessões de 17 novas linhas
de transmissão de energia elétrica no Programa Nacional de Desestatização
(PND). A proposta será encaminhada esta semana ao Ministério de
Minas e Energia, que a enviará, posteriormente, ao Conselho Nacional
de Desestatização (CND). Uma vez aprovada a proposta, as concessões
das novas linhas deverão ser licitadas em 2003. Para tanto, a
previsão da Aneel é lançar o edital com os primeiros lotes de
linhas ainda no segundo semestre deste ano.
As novas linhas totalizam 3.209 quilômetros de extensão. Elas
demandarão investimentos estimados em R$ 1,3 bilhão. Os empreendimentos
serão construídos em 11 estados - Bahia, Paraná, São Paulo, Santa
Catarina, Piauí, Ceará, Mato Grosso, Pará, Goiás, Minas Gerais
e Rio Grande do Sul -, e deverão gerar cerca de 6,4 mil empregos.
| RELAÇÃO DAS LINHAS
DE TRANSMISSÃO ENCAMINHADAS AO CND
|
| Item |
Empreendimento |
UF |
Tensão
(kV) |
Extensão
(km) |
Investimento
(R$x103)* |
Estimativa
de Empregos |
| 1 |
LT Salto Santiago / Ivaiporã |
PR |
525 |
167 |
66.660,00 |
300 |
| LT Cascavel Oeste / Ivaiporã |
209 |
76.560,00 |
300 |
| TR em Ivaiporã
750/500 kV |
|
|
35.768,90 |
500 |
| 2 |
LT Londrina / Assis |
PR/SP |
525 |
400 |
172.864,00 |
1.300 |
| LT Assis / Araraquara |
SP |
| TR em Assis 500/400 kV |
|
|
29.000,00 |
| 3 |
LT Machadinho / Campos Novos II |
SC |
500 |
44 |
24.230,00 |
200 |
| 4 |
LT Teresina / Sobral C2 |
PI/CE |
500 |
332 |
272.679,00 |
800 |
| LT Sobral / Fortaleza C2 |
CE |
500 |
249 |
| 5 |
LT Milagres / Tauá |
CE |
230 |
200 |
31.414,00 |
200 |
| 6 |
LT Coxipó / Rondonópolis C3 |
MT |
230 |
188 |
83.424,30 |
200 |
| 7 |
LT Palhoça / J. Lacerda B |
SC |
230 |
122 |
20.360,00 |
200 |
| 8 |
LT Cuiabá / Barra do Peixe |
MT |
500 |
840 |
414.150,00 |
1.500 |
| LT Barra do Peixe / SE
Seccionadora |
MT/GO |
500 |
| LT SE Seccionadora / Itumbiara |
GO/MG |
500 |
| TR 500/230 kV em SE Cuibá |
MT |
|
|
| TR 500/230 kV em
SE Barra do Peixe |
MT |
--- |
--- |
| 9 |
LT Montes Claros / Irapé |
MG |
345 |
160 |
68.700,00 |
300 |
| 10 |
LT Taquara / Arroio do Sal |
RS |
230 |
85 |
15.700,00 |
200 |
| 11 |
LT UHE São Jerônimo / Jaguariaíva |
PR |
230 |
155 |
26.110,00 |
200 |
| 12 |
LT Passo Real / Tapera 2 |
RS |
230 |
58 |
12.070,00 |
200 |
*
Valores previstos pelo Programa Determinativo da Expansão da Transmissão
2002-2006 do Comitê Coordenador do Planejamento da Expansão dos
Sistemas Elétricos (CCPE).
Fonte: Aneel - Boletim Energia 036 - 17 de Julho
de 2002 |
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| Jornal
Correio Braziliense |
21
de maio de 2002 |
Economia/Energia
Apagão pode voltar em 2006
Da Agência Estado
O Brasil
corre risco de novo déficit de energia em 2006. Segundo
o presidente do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS),
Mário Santos, o planejamento da operação
do sistema acusou possibilidades de que, em quatro anos, o consumo
de energia seja igual ou maior do que a oferta. A previsão
do setor é de que o consumo cresça pelo menos 5%
ao ano nos próximos anos.
Um novo racionamento
de energia em 2006 ocorrerá, segundo o presidente do ONS,
se as chuvas nos próximos anos repetirem as piores médias
históricas dos últimos 70 anos e nenhum novo projeto
de geração for feito. Segundo os estudos do órgão,
o déficit na região Sudeste e Centro-Oeste poderia
chegar a 8,4%. No Nordeste, o risco de déficit chega a
14%. O ONS trabalha com um risco de 5% como margem de segurança.
O planejamento
do ONS leva em conta a construção de 16 térmicas
e de novas hidrelétricas e linhas de transmissão
já em processo de construção ou licitação.
A entidade acredita, porém, que novos projetos serão
iniciados até 2006, afastando de vez o risco de novo racionamento
de energia.
Segundo Mário
Santos, a demanda por energia vai crescer 5,7% por ano até
2009, tomando por base o novo nível de consumo, pós-racionamento.
Pelos cálculos da Eletrobrás, o consumo do primeiro
trimestre caiu 13,5% em relação ao registrado nos
três primeiros meses do ano anterior.
A classe
residencial foi quem mais economizou energia, com redução
de 21,6%. As classes comercial e industrial economizaram 15,4%
e 7,7%, respectivamente. ''Houve um extraordinário comprometimento
dos consumidores residenciais com o programa de racionamento'',
disse Mário Santos. ''A população economizou
e agora paga por uma energia que não consumiu'', protestou
o presidente da ONG Ilumina, Roberto d'Araújo, sobre o
seguro para contratação de térmicas emergenciais
e o financiamento para cobrir as perdas das distribuidoras, que
passaram a onerar ainda mais a conta de luz nos últimos
meses.
A expectativa
da Eletrobrás é de que o consumo de energia atinja
o nível registrado em 2000 ainda este ano, quando a taxa
de crescimento ficará entre 7,5% e 8%. Segundo a empresa,
a redução de consumo no Sudeste foi de 17,2% e no
Nordeste, de 17,3%.
A demanda
por energia no Nordeste deve ser superior à média
nacional devido a uma expectativa de crescimento econômico
e pelo potencial de expansão na base de clientes. O aumento
de consumo de energia na região deve ser de 8 1% nos próximos
10 anos.
Na opinião
de Roberto d'Araújo, a demanda deveria crescer pelo menos
6,9% ao ano para que fossem corrigidas algumas distorções
sociais. ''Há 13,5 milhões de municípios
com renda muito baixa e consumo de energia abaixo do mínimo
confortável. Destes, 47% sequer têm geladeira. Mas
quem vai querer investir em levar energia para clientes que não
têm dinheiro?'', questionou.
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| Jornal
O Estado de São Paulo |
21
de maio de 2002 |
Economia/Energia
País pode ter nova crise em 2006, diz ONS - Em quatro anos, consumo
pode ser igual ou maior do que a oferta
NICOLA PAMPLONA
RIO - O Brasil corre o risco de novo déficit de energia em 2006.
Segundo o presidente do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Mário
Santos, o planejamento da operação do sistema acusou possibilidades
de que, em quatro anos, o consumo de energia seja igual ou maior do que a oferta.
A previsão do setor é de que o consumo tenha crescimento anual de
5%, pelo menos, nos próximos anos. No primeiro trimestre de 2002, houve
queda de 13,5%, ainda como reflexo do racionamento compulsório de eletricidade.
Um novo racionamento de energia em 2006 só ocorrerá, segundo o presidente
do ONS, se as chuvas nos próximos anos repetirem as piores médias
históricas dos últimos 70 anos e nenhum novo projeto de geração
for feito. Segundo os estudos do órgão, o déficit nas Regiões
Sudeste e Centro-Oeste poderia chegar a 8,4%. No Nordeste, o risco de déficit
chega a 14%. O ONS trabalha com um risco de 5% como margem de segurança.
O planejamento do ONS leva em conta a construção de 16 térmicas
e de novas hidrelétricas e linhas de transmissão já em processo
de construção ou licitação. A entidade acredita, porém,
que novos projetos serão iniciados até 2006, afastando de vez o
risco de novo racionamento de energia.
Segundo Mário Santos, a demanda brasileira por energia vai crescer 5,7%
por ano até 2009, tomando por base o novo patamar de consumo, pós-racionamento.
Pelos cálculos da Eletrobrás, divulgados ontem, o consumo do primeiro
trimestre de 2002 caiu 13,5% em relação ao registrado nos três
primeiros meses do ano anterior. A classe residencial foi quem mais economizou
energia, com redução de 21,6%. As classes comercial e industrial
economizaram 15,4% e 7,7%, respectivamente.
Mais cara - "Houve um extraordinário comprometimento dos consumidores
residenciais com o programa de racionamento", disse Mário Santos.
"A população economizou e agora paga por uma energia que não
consumiu", protestou o presidente da ONG Ilumina, Roberto d'Araújo,
sobre o seguro para contratação de térmicas emergenciais
e o financiamento para cobrir as perdas das distribuidoras, que passaram a onerar
ainda mais a conta de luz nos últimos meses.
A expectativa da Eletrobrás é que o consumo de energia atinja o
nível registrado em 2000 ainda este ano, quando a taxa de crescimento ficará
entre 7,5% e 8%. Segundo a empresa, a redução de consumo no Sudeste
foi de 17,2%, e no Nordeste, de 17,3%. A demanda por energia no Nordeste deve
ser superior à média nacional, por causa da expectativa de crescimento
econômico e pelo potencial de expansão na base de clientes, disse
Mário Santos. O aumento de consumo de energia na região deve ser
de 8,1% nos próximos dez anos.
Na opinião de Roberto d'Araújo, a demanda brasileira deveria crescer
pelo menos 6,9% ao ano para que fossem corrigidas algumas distorções
sociais. "Há 13,5 milhões de municípios com renda muito
baixa e consumo de energia abaixo do mínimo confortável. Destes,
47% sequer têm geladeira. Mas quem vai querer investir em levar energia
para clientes que não têm dinheiro?" |
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