:: 20.03.07 :: |
Uma visão de futuro |
O Centro Cultural do BNB promoveu a apresentação do livro "Montenegro, o marechal que fez uma revolução nos céus do Brasil", com a presença do autor Fernando Morais. Nada de excepcional não fora o biografado Casimiro Montenegro Filho, um cearense que em 1950 criou o ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), hoje um dos mais respeitados centros de conhecimento do mundo. Indo além, o grande feito desde visionário transcende a obra, cuja idealização foi marcada pela obstinação e coragem, pela luta contra o sistema e contra o obscurantismo, no intuito de ver o Brasil no caminho do desenvolvimento tecnológico e da modernidade. Não menos audacioso, em 1959, o paraibano Celso Furtado criava a Sudene, cuja missão maior era a de minimizar os efeitos desumanos desta disparidade de renda entre os Brasis do Norte-Nordeste e Sul-Sudeste. Apesar de muitos resultados positivos, pois o Nordeste hoje não é mais o Nordeste de antes da Sudene e as nossas universidades não existiam praticamente, não se conseguiu cumprir a meta. Isto nos faz refletir e concluir que o modelo utilizado e hoje piorado no projeto para a sua reestruturação é, por conseqüência lógica, mais um erro crasso da engenharia política para a não solução dos nossos problemas. Não se pode pensar em uma instituição de desenvolvimento focado no cavalo-vapor, no interesse de poucos, quando o mundo vive o conhecimento e a sabedoria, apoiado em um modelo global e irreversível. Se a antiga Sudene, que ao ser criada recebia 4% do Orçamento Geral da União, falhou - o número de empregos e indústrias criados foi insuficiente para resolver os problemas estruturais da região, os padrões de miséria foram mantidos e as migrações não cessaram -, o que dizer da atual Superintendência, cuja autonomia financeira e administrativa foi drasticamente reduzida? Já se torna chato falar, escrever, se indignar, lê as mesmices, vê e nada fazer, criticar e não agir. Estamos sempre sendo violentados por ações de casuísmo político, de interesses menores e nada fazemos. Como líder de nosso estado seria importante que o gov. Cid Gomes manifestasse sua opinião, pois com sua influência, respaldada em sua recém-eleição, certamente reforçaria sobre maneira o peso de tal indignação pela forma violenta como foram suprimidas as alterações propostas. Ao mesmo tempo o atual deputado Ciro Gomes, mais votado em nosso Estado, e ex-ministro responsável pelo tema da recriação, tem força suficiente para mostrar quão relevante é para nosso desenvolvimento a nova Sudene, mas não como está proposta. Neste momento, é preciso que a nordestinidade seja mais forte e se posicione com clareza e objetividade. Simplificando, vivenciamos uma crise de valores morais. Precisamos mudar conceitos, abordar nossos problemas complexos com planejamento e boa gestão o que significa comprometer a sociedade, os Estados e as instituições, com objetivos explicados ao povo, com uma SUDENE que capacite tecnologicamente a população, que gere emprego e renda. Proponho enfim uma revolução cultural, sairmos às ruas numa atitude pacífica, mas não silenciosa, em um movimento que nos re-ensine e nos reponha no caminho da seriedade, da ética, da educação moral, cívica e do amor aos nossos concidadãos e a nós mesmos.
|
| Fonte: O Povo |