:: 23.11.09 :: |
Governo 2.0 uma nova perspectiva |
Vasco Furtado
A intensa participação dos usuários da Internet na comunicação em redes sociais virtuais (i.e. Orkut) e na produção de conteúdo via blogs, fotologs e videologs, caracteriza o que passou a se chamar Web 2.0. Esse fenômeno requer uma nova postura governamental, a qual está sendo denominada de Governo 2.0, e que fundamenta-se nos seguintes pilares que se reforçam mutuamente: transparência, participação e inovação.
Transparência com dados públicos são pontos nevrálgicos dos governos os quais, infelizmente, ainda tratam suas páginas e portais na Internet quase que, exclusivamente, como veículo de propaganda. É comum divulgar o sucesso e esconder as deficiências.
A Grã-Bretanha é um bom exemplo de postura diferente. Lá, em sua página Web, o Ministério da Saúde fornece informações sobre o rendimento dos hospitais com inclusive acesso a taxa de mortalidade por cada tipo de procedimento.
O segundo pilar refere-se a participação. As pessoas são potenciais produtoras de informações bem como de inovações a partir da exploração das mesmas. As denúncias de poluição sonora e de lixo nas ruas que estão sendo feitas na Internet no Portal O POVO por fortalezenses são exemplos de como isso pode ser conseguido.
Vemos aqui exemplos de serviços de utilidade pública que emergiram por iniciativa das pessoas sem exigir esforço do governo, cabendo-lhe somente engajar-se no processo de diálogo para prover soluções e prestar conta das ações realizadas. Por fim, menciono o terceiro pilar que é ortogonal aos outros dois: inovação.
O modelo tradicional de produção de serviços públicos na Internet baseado no desenvolvimento proprietário pelos governos ou na terceirização carece de ampliação. Os governos devem tornar-se provedores de dados deixando-os acessíveis a todos e induzindo a exploração dos mesmos. É preciso ainda fomentar a inovação e criar espaço para empreendedores sociais que podem fazer muito com o trato das informações públicas. Jovens desenvolvedores de software livre, por exemplo, estão ávidos para inovar. Essa mudança de paradigma já está se processando nos EUA onde mais de 300 bancos de dados governamentais estão disponíveis para exploração em http://www.data.gov. É preciso começar isso no Brasil.
Vasco Furtado - Professor titular da Unifor do curso de mestrado em Informática Aplicada
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| Fonte: opovo.uol.com.br |