:: 20.09.03 ::


Não há formação de elite de gestão no Brasil III

Tanto o executivo, como o empresário devem cultivar o hábito de intensas leituras. Um gestor que não lê, não gerencia um quiosque de praia

Cleber Aquino é Professor da USP

No último artigo (7 de setembro), comentei, ''como os empresários não querem executivos competentes, preferem incluí-los nas manipulações de encenação educacional corporativa, iludindo a sociedade de que estão preparando dirigentes''. Acrescentei, ''dessa forma, os comerciantes do ensino e outras estripulias (auto-ajuda, empreendedorismo, etc.) foram chegando devagarinho, controlando tudo, surgindo os ''Best Sellers'' de gestão, os gurus de administração, as consultorias superficiais e desonestas, os MBAs caça níqueis, as Faculdades de Administração (Fortaleza, tem quase 15), os prêmios e pseudos executivos''. Nada disso contribui na formação de uma elite de gestão, pelo contrário, conspira contra. Este artigo dedicarei a ''leitura'', como fonte indispensável de aprendizado, desenvolvimento pessoal, profissional e sugestões aos públicos se defenderem das publicações enganosas, comercializadas via campanhas publicitárias, mexendo com a cabeça vazia dos leitores.

Perda de tempo, livros de administração. Textos frágeis, desprovidos de imaginação, carentes de abordagens políticas, quando a atividade empresarial é uma expressão ideológica, cultural e um poço de conflitos internos e externos. Ademais, são conservadores, se copiam mutuamente, sobretudo, dos cursos universitários, por exemplo, Teoria Geral de Administração (TGA), começando pelo Taylor e Payol, até as bobagens do enfoque sistêmico, além dela não ser teoria. Alimenta-se de outras disciplinas e das experiências da vida. Idem os de RS, uma ingenuidade irritante. Mal intensionados, nenhum fala das perversidades dos patrões com a mão-de-obra.

As Relações de Trabalho pouco mudaram da escravatura até o momento. O empregado continua escravizado, vítima de hábeis armadilhas. A maioria esmagadora dos autores, mormente, os brasileiros, não têm vivências empresariais, desconhecem o submundo dos negócios e não refletem sobre o Brasil, alijam o riquíssimo know-how dos excluídos, restringindo-se a conceitos, técnicas, princípios, como se vida, o mundo, as empresas fossem estáticos, apesar da impossibilidade de dissociá-las do entorno em eterna mutação.

Desperdício de tempo, livrinhos de auto-ajuda, lembrando Dale Carnegie (como fazer amigos e influenciar pessoas, força do pensamento positivo e inúmeras palhaçadas editoriais), funcionando como analgésico, porém, de grande circulação junto ao empresariado e executivos, evidenciando o precário padrão de nossas lideranças. Alerto quanto aos escritores americanos, geralmente repetitivos e nas entrelinhas, induzindo venda de consultorias, palestras, seminários. O que pode ser dito em poucas linhas, se alongam em mais de 200 páginas e no final, deixam ansiedade ao leitor a futuras publicações afins. Os Gurus são campeões nesse bote.

Executivo, empresário, devem cultivar o hábito de intensas leituras, sob pena de não gerenciar um quiosque de praia, muito menos, empresa/grupo empresarial, a não ser, dotado de talento intuitivo de um Amador Aguiar (fundador do Bradesco), ficava anos sem ver um livro, porque o que estava nas páginas, encontrava-se na cabeça dele. Lula o mesmo exemplo. Independente dessas exceções, quem não ler, incapaz de participar de uma reunião social a não ser que os participantes sejam do mesmo naipe, verbalizando futricas, sem ambição, míopes do mundo, vivendo a felicidade da ignorância e da alienação.

A leitura proporciona, oportunidade de aprender, crescer, ampliar a visão, concretizando um aprofundamento intelectual sobre a realidade, levando o dirigente a transformar a empresa num tijolo a mais na construção de uma sociedade democrática, mediante um capitalismo civilizado, acima da estreiteza de ganhar dinheiro. Quem não lê, ferozmente, torna-se epidérmico, palpiteiro da conjuntura, alienado do processo histórico, dos problemas a enfrentar. No trabalho, limita-se as ''coisinhas'', reproduzindo as rotinas, além de ficar atrasado em relação a modernidade, aos avanços do conhecimento e involuir mentalmente.

O indivíduo sem sólida formação intelectual, fica joguete de engrenagem burocrática, comprometendo o desempenho do negócio. Não só executivos, como empreendedores, empresários, carecem de capacitação teórica ancorando, com qualidade, as experiências práticas, agindo com maior convicção. Nesse século de cruel competição sem fronteiras, de ousados impulsos tecnológicos, cujo diferencial é o ''conhecimento'', a ''qualidade'' das pessoas, um administrador deveria internalizar, mensalmente, no mínimo de cinco livros de excelência, sob pena de ser excluído da modernidade. Ao término de um ano, absorveu sessenta, ingressando no seleto grupo de líderes habilitados a comandar o parque empresarial, tornando-o saudável, competitivo e não administrá-lo como aventura, daí a elevada mortalidade empresarial.

Além dos livros, acrescente-se jornais, revistas, a imprensa internacional, acompanhando a conjuntura, elaborando cenários, permitindo a empresa responder às oportunidades e ameaças do ambiente externo, decidindo com informações atualizadas. No entanto, cuidado na seleção dos textos e dos meios de comunicação. Em lugar de ''modismo'' reengenharia, teorias ''X'' e ''Z'', qualidade total e outras asneiras), convém estudar ''Canudos'', exemplo de organização derrotando quatro vezes o Exército, sob a liderança do Antonio Conselheiro, brilhante CEO, considerando no século XIX, o líder nordestino não falava inglês, não possuía Fax, computador, Email, nem MBA e diferentes dramaturgias acadêmicas e tecnológicas.

Ou se debruçar na ''Al Qaeda'', organização capitaneada pelo Bin Laden, um show de eficácia na briga com os Estados Unidos e o Ocidente. Nesse empreendimento terrorista, o executivo inspira-se a elastecer a visão, liderança, estratégia, táticas inovadoras, relações de trabalho de alta motivação e produtividade (impossível ser mais dedicado a uma causa do que o terrorista). Curiosamente, os Estados Unidos pioneiros e líderes no ''management'', levando surra do time do Bin Laden, que nunca freqüentou Faculdade de Administração, o Japão e a Alemanha não possuem escolas de gestão, no entanto, sólidas economias e notáveis organizações globais.

Em vez de manusear livros e pesquisa de mercado, melhor viajar pelo Brasil ou devorar o ''Povo Brasileiro'' do Darcy Ribeiro, os escritos do Roberto Da Matta, do Boris Fausto de História do Brasil. Novo modismo: biografias magras de duvidosos empresários. O indivíduo ganhou dinheiro - até por meios nebulosos - contrata-se um escrivinhador para enaltecer o tal herói, fazendo elogios ao homenageado, sem analisar as razões do possível êxito do endeusado, mesmo porque, o autor não entende de economia, de empresa, nem de gestão. Em lugar de se gastar tempo com essas edições encomandadas, mergulhe nas biografias da Madre Tereza de Calcutá, São Bento (fundador do Mosteiro de São Bento), sucesso de longevidade), Mandela, Che Guevara, Gandhi, dos Prêmios Nobel), fruto de anos de pesquisa, alternativas de se conhecer vidas extraordinárias que contribuíram ao progresso da humanidade.

Estudar Filosofia, opção do empresário aprender a refletir, saindo do pensamento único, predatório, cartesiano, dos paradigmas ultrapassados, debatendo idéias de pensadores brilhantes. Ler Antropologia, captando o perfil dos públicos ligados ao negócio. Livros de História, de viagens, ensejo de vislumbrar culturas, povos, estilos de vida, o caminhar da humanidade, libertando-se do mundinho operacional da empresa ou do atraso da província. Morei três meses no Japão em 1983, via nos metrôs, trens, 10 japoneses, nove lendo e um dormindo com o livro nas mãos. Multidões nas livrarias e o executivo antes do expediente, já tinha lido uns três jornais, por isso, uma das razões do sucesso desse país, de suas empresas.

Em testes em 2002, a Unesco verificou que 50% dos alunos brasileiros revelaram incapacidade de ler textos simples. Entre 41 países estudados, o Brasil ficou em 37º lugar na prova de leitura e em último em aritmética. Esses jovens, os executivos, empresários do futuro, somados com a geração atual de baixíssimo nível educacional, intelectual e cultural, veja o nosso futuro sombrio no século da competição e do conhecimento. A porcaria de gestão que está sendo preparada. Por outro lado, vide o Japão, onde o único fator de êxito é a qualidade de sua gente. Daqui a 15 dias abordarei as demais enganações empresariais, inclusive, o empreendedorismo, bem entendido, como está sendo explorado.



:: 06.09.03 ::


Não há formação elite de gestão no Brasil II

No último artigo (24 de agosto, domingo), disse, ''não há formação de Elite de Gestão no Brasil'', e, acrescentei, ''predomina neste País uma refinada encenação educacional corporativa, com os comerciantes do ensino, oferecendo enganosas formação aos RH''

Cleber Aquino é Professor da USP

Conclui, ''Afinal, quais as intenções das empresas em freqüentar essas encenações?''. A resposta, inicialmente, se enquadra num quadro maior: a educação brasileira, a começar na família, é um circo político/predatório, acontecendo tudo, menos aprendizado efetivo, de conteúdo, consistente, profundo, preparando gerações para a vida, o mundo e executivos habilitados a conduzir negócios e continuidade, sobretudo, a educação comercializada, cuja lógica é o lucro. A prioridade é mostrar estatísticas de aprovação em vestibular, fornecer diplomas, certificados, dando às pessoas a ilusão de sucesso, lugar assegurado na sociedade como vitoriosas, puro engano. Diplomas, certificados, sem vigorosa competência não serve para nada. A elite não quer os brasileiros educados e preparados.

Portanto, a manipulação educacional/corporativa se insere numa dramaturgia perversa maior, percebida por poucos. Enquanto isso, a empresa começa a ser cutucada pela competição, inclusive globalizada, sobrevivendo somente as melhores. O mundo passando por profundas transformações, gerando cenários e desafios para os quais não estamos preparados. Nesse cerco, o empresário recorre a mecanismos de fuga - um deles a enganação educacional, auto-ajuda, etc - na ilusão de que está se equipando frente a concorrência, porém, ele não se convenceu do seguinte: os problemas da organização são resolvidos através de três decisões: a ''política'' (uso do Poder, promovendo mudanças), a ''estratégica'' e a ''cultural'', principalmente a decisão política.

Por exemplo, perda de tempo programas de formação e desenvolvimento de novos executivos, capacitando jovens com refinada qualificação, se os acionistas (onde o Poder se localiza) não estão decididos em renovar os quadros diretivos, preferindo se acercar de gestores de péssima qualidade, ultrapassados, baixo nível intelectual, pobre de espírito, mesquinhos, sem nenhuma formação cultural, apenas porque esses treinamentos, cursos, seminários, MBAs, Pós-Graduação, etc, se os donos do empreendimento não estão decididos em construir empresas para vencer, durar, competir, se perpetuar, contribuindo ao progresso da sociedade.

No Brasil anti-capitalista, carente de empresários (predominam empreendedores), com os investidores montando negócios, objetivando o fausto/proteção da família, quebrar a empresa, dar o calote na praça, visando fazer caixa pessoal, priorizando aplicações, vivendo de rendas, cultuando o lazer, usufruindo de moradias palacianas, óbvio com essa mentalidade estreita não há estímulos na capacitação de executivos, via o ato penoso de estudar. Não mudando a visão dos controladores, jamais haverá aprendizado real, construtivo, eficaz, profundo, sólido, menos ainda a vontade de aprender.

Pelo contrário, sem ruptura de percepção do empresariado, o aprendizado como impulsionador do crescimento individual, pessoal, profissional, cultural, espiritual, de pessoas notáveis e extraordinárias é utopia, mesmo porque, o empresário, mormente os inseguros, não suporta pessoas talentosas, críticas, capacitadas, ousadas, independentes. A mediocridade é solidária e como tal, homens de negócios inexpressivos adoram conviver, trabalhar, interagir com medíocres. Um clube fechadíssimo, impossibilitando a entrada de pessoas acima deles. Por outro lado, os funcionários sem ambição, conformistas, preferem eventos superficiais, assistir a preleções ocas do que fazer esforço de internalizar conhecimentos, ampliar a visão.

Funcionários optantes pela rotina improdutiva, protetora de quem tem horizontes curtos. Assim, há um acordo de mediocridade nas empresas, principalmente nas familiares, entre patrões/executivos/empregados, privilegiando o ''assistir'' cursos inúteis, MBAs de grife (compensar a falta de aproveitamento), até porque, o empregado percebe não ter futuro via o crescimento intelectual ao ver subir nas organizações os bajuladores, os bem comportados, quem faz a corte do Rei, os incultos, os familiares despreparados, ou seja, as nulidades. A empresa avalia ''comportamento'' e não o ''desempenho'', isto é, quem se conduz dentro das exigências dos acionistas e não fere interesses da família controladora.

Nesse espaço entram os comerciantes da educação corporativa, ofertando todo tipo de teatralização, almejando capitalizar em cima dos ingênuos (a maioria sacrifica os parcos salários para o auto engano), das más intenções dos patrões (pagam cursos para o funcionários não aprender) e da lógica do mercado, de um lado os promotores da festa, enchendo os bolsos de dinheiro, os docentes, também se locupletando, ambos se divertindo e lucrando em cima da imaturidade de uma geração ansiosa em subir na vida, receio de perder emprego, ou lutado por ele. Assim, há uma engrenagem assegurando rentabilidade para os esquemas organizados da educação corporativa, um dos melhores negócios no Brasil.

Dessa forma, os vendedores do ensino e de outras tripolias empresariais (consultorias, livros, etc), foram chegando devagarinho e hoje controlam tudo. Foram surgindo os ''best Sellers'' de gestão, os Gurus da Administração, as consulturias superficiais e desonestas, os MBAs, as Faculdades de Administração em toda esquina, prêmios a pseudos executivos. Daqui a 15 dias comentarei cada uma dessas armações. As razões da participação das empresas nas encenações da educação empresarial é de responsabilidade dos donos das empresas. Como eles não querem executivos, nem funcionários competentes, preferem inclui-los nessas manipulações, iludindo a sociedade de que está preparando seus dirigentes. Lembra os obesos: quando não querem emagrecer vão aos medicos, quando a decisão política correta é fechar a boca, passar fome.



:: 23.08.03 ::


Não há formação de elite de gestão no Brasil - (I)

Predomina neste País uma refinada encenação educacional corporativa, com comerciantes do ensino oferecendo pseudo formação aos RH

Cleber Aquino é Professor da USP

No último artigo (10 de agosto, domingo), disse não acreditar no ''êxito da fusão TAM/VARIG, a não ser que elas sejam implodidas, abrindo oportunidade para se criar do zero uma nova companhia de aviação''. As duas são terrivelmente mal administradas, fruto da incompetência dos executivos. Na semana passada, ao entrar na USP, dois alunos me procuraram pedindo orientação, porque não suportavam mais a GE, pelo vazio intelectual dessa multinacional americana. Portanto, no Brasil não se forma, nem se desenvolve uma Elite de Gestão, excluindo-se um pouco SP, por causa da sua enorme riqueza cultural, intelectual, acadêmica e empresarial, além de ser uma cidade extremanente competitiva.

Ademais, a mão de obra é de formação ruim, em virtude do deplorável sistema de ensino, de treinamento ineficazes, de organizações pobres de espírito e, resultante da falta de gestores capacitados, vocacionados a trabalhar com auxiliares não qualificados até como auto-proteção, medo de perder o emprego. Por outro lado, predomina nesse país uma refinada encenação educacional corporativa, com comerciantes do ensino, explorando mercados lucrativos, oferecendo pseudo formação aos recursos humanos, amedrontados com o aumento da competição.

Empresário é inteligente, sagaz, ousado, daí a razão de criar, desenvolver e conduzir empresas/grupos empresariais; no entanto, é ingênuo e fácil de ser manipulado sobre assuntos de ''administração'', ramo neófito no Brasil e desmotivador ao homem de negócios, mesmo porque, ele não tem aptidão para administrar. Por isso, é comum ser vítima de ciladas em seminários, conferências, palestras e cursos até de Pós-Graduação, oferecidos por indivíduos dedicados a faturar, explorar mais a emotividade do cliente do que o aprendizado. Basta um bom marketing, hábeis vendedores, proporcionar circo aos participantes para contar com a vibração e adesão da maioria do empresariado, executivos e funcionários aspirantes em subir na vida o nas empresas, via a ilusão de certificados e diplomas, quando a sociedade está carente de pessoas capacitadas e não de diplomados sem conteúdo, eficiência e eficácia.

A dramaturgia na atração dos incautos, começa com o título do seminário, geralmente em inglês, sobre ''modismos'', em gestão e promessas utópicas de sucesso profissional. O dirigente fica na ansiedade de conhecer as ''novidades'', e, ao término do sonhado encontro, elas não são relatadas, quando muito de forma superficial nos textos medíocres dos expositores, não afinados com a nossa realidade. A teatralização continua com a temática abordada, de preferência por estrangeiros, nomes construídos pela mídia e não pelo desempenho e produção de uma obra substanciosa. Eles não conhecem o Brasil, tornando-se impossível enfocar, com seriedade e profundidade, temas de gestão, dissociados da cultura, onde a empresa opera.

Administração é uma expressão ideológica, política, estratégica e cultural e não tecnicista ou um amontoado de conceitos, regras e princípios soltos no espaço. O apelo dos docentes importados é forte. O Brasileiro privilegia as coisas de fora, resquício da colonização, idolatrando o primeiro mundo e esmagando os valores tupiniquins. Todo esse envolvimento comercial/educacional requer articulação com anúncios enganosos (merecendo até punição do código do consumidor), entrevistas dos ''gurus'' na imprensa e mala direta com folhetos sofisticados, fotos dos palestrantes, doutrinação similar à idolatria dos ditadores, utilizando os meios de comunicação na legitimação de suas ideologias.

A venda de cursos, palestras, seminários, também, carregada de embasamento ideológico, manipulativo, por exemplo, apelidando empresas de ''centros de excelência'', vendendo a imagem falsa de altíssima qualidade intelectual e profissional, publicando currículos dos expositores/professores com títulos pomposos (não comprovados) para impressionar, associando os ditos eventos a universidades de grife e alguns até falando em Pós-Graduação, chamariz enganoso a funcionários e executivos desesperados na conquista desse título, para se proteger do desemprego, ostentar status acadêmico numa sociedade classe e se defender das novas gerações que estão optando pelo refinamento universitário nos grandes centros. Essa lavagem cerebral tem ressonância, porque o leitor não possui massa crítica para avaliar maduramente as promessas descortinadas pelos sabidões, extorquindo a ingenuidade, imaturidade e vontade de ascenção das platéias.

A maioria esmagadora dos participantes gosta de aulas recheadas de recursos áudio-visuais, da verbalização do óbvio e de ausência de críticas (o brasileiro detesta a crítica, mesmo construtiva. Um dos poucos países que não consegue conviver com a verdade e divergências), do que o debate profundo, criterioso, muita pesquisa e leitura sobre problemas das organizações. A platéia, inclusive pagando caro, prefere os ''macacos de auditório'', destilando a verbalização inútil. E, quando os folhetos são endereçados aos setores de RH, o bote é rápido, pois essa área deixa-se levar pelas amizades com os vendedores de cursos, tornando-se intermediários das aludidas ciladas, junto aos patrões e clientes. O pessoal de RH - sobretudo, as gerências - e os comerciantes de treinamento se equivalem pela mediocridade e ganância lucrativa.

Aí, o empresário é enganado duplamente, visto que, sua cabeça, vazia de ''management'', está focada nos lucros, no faturamento, capital de giro, concorrência, bancos, macro economia, enfim, somente no tangivel. O primeiro dia é de festa, recepcionistas vistosas, municiando inscrições com pastas pomposas, crachás, textos em inglês, apesar da maioria não dominar esse idioma, até precariamente o Português, além de baixos hábitos de leitura.

Os executivos da VARIG/TAM participam de vários cursos, seminários e Pós-Graduação. E as duas companhias, dando um show de incompetência. A Transbrasil, enquanto vivia, participava desse festival educacional, mesmo assim, deixou de voar desde dezembro/2001 e na semana passada a justiça decretou a su falência.

Afinal, quais as intenções das empresas em frequentar essas encenações? Algo está errado no milionário negócio da educação corporativa, quanto ao aprendizado. No próximo artigo daqui a 15 dias, responderei esta pergunta.

Fonte: O Povo

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