:: 23.11.03 ::

REVITALIZAÇÃO REQUER INVESTIMENTOS DE R$ 100 MILHÕES
Cadeia produtiva da carnaúba sofre crise


Antes um dos principais produtos da pauta de exportações cearenses, a carnaúba passa por uma situação difícil no mercado, com queda na produção e defasagem no preço para vendas externas. A revitalização do setor será debatida em Fortaleza na próxima terça-feira, com a participação de produtores, comerciantes, industriais, artesãos e representantes do Governo do Estado.

Queda na produção, retração nas exportações, defasagem no preço para vendas externas e cadeia produtiva paralisada há 50 anos, além do atraso tecnológico nas pesquisas. Este é o verdadeiro quadro de apatia da cadeia produtiva da carnaúba, segmento que já integrou o ranking dos principais produtos da pauta de exportações cearenses. O diagnóstico preparado pela Secretaria do Desenvolvimento Econômico do Estado (SDE) será analisado durante o seminário “Carnaúba: uma fonte sustentável na geração de emprego e renda”.

O evento está agendado para a manhã de terça-feira, 25, no auditório do Sebrae, reunindo produtores, comerciantes, industriais, artesãos e representantes do Governo do Estado. O processo de revitalização do setor envolve investimentos estimados em R$ 100 milhões.

O seminário abordará todos os elos da cadeia (produção, beneficiamento, produção de artesanato da palha, industrialização da cera e exportação). Um dos subsídios para o debate será o diagnóstico sobre o setor, elaborado pela Secretaria do Desenvolvimento Econômico.

Ao longo da elaboração do estudo, a SDE desenvolveu algumas ações emergenciais, que há muito eram necessárias, como a normatização dos produtos através do Ministério da Agricultura e do Nutec, viabilizando a comercialização da cera dentro dos padrões exigidos) e a fabricação local da emulsão da cera.

A emulsão é utilizada para revestir frutas tipo exportação. Para evitar que a planta perca água durante o período de estiagem que castiga o Nordeste brasileiro, durante boa parte do ano, a carnaúba reveste suas folhas de uma espessa camada de cera composta principalmente de ácidos graxos de alto peso molecular.

DESESTIMULADO - Os principais elos da cadeia produtiva são o proprietário rural, que nem sempre é o produtor de cera; o rendeiro. que extrai e faz um pré-beneficiamento; o industrial da cera, que realiza o beneficiamento final; o exportador; e o artesão, que trabalha com a palha. A SDE entende que, na cadeia produtiva, o proprietário rural está desestimulado. O preço pago pela cera não remunera o manejo adequado dos carnaubais. “Há pouco envolvimento dos órgãos de pesquisa agropecuária, no sentido de melhorar geneticamente a carnaubeira, para torná-la precoce, mais baixa e com mais copas, permitindo um maior número de folhas, o que representaria maior produtividade”.

O coordenador de Desenvolvimento Setorial da SDE, Eduardo Neves, estima em 40% o desperdício na extração do pó cerífero, feito no campo, em função da defasagem tecnológica. “Com algumas mudanças tecnológicas que serão propostas durante a realização do seminário serão suficientes para agregar mais 40% na extração do pó, agregando mais valores na indústria”, assegura Eduardo Neves, para quem o segmento carece de estudos de pesquisas para aumentar a produção e a produtividade.

O técnico da SDE afirma que durante a realização do seminário “faremos um levantamento de toda problemática que envolve a cadeia produtiva da carnaúba e, juntos, inclusive os representantes dos bancos do Nordeste e do Brasil, agentes oficiais de financiamentos, haveremos de encontrar as soluções para revitalização da cultura”.

A determinação do Governo Estadual, juntamente com todos as entidades, produtores e industriais envolvidos na problemática, é formatar um plano de ação ou uma Câmara Setorial da Carnaúba com vistas à revitalização da cultura. “Não queremos sacrificar mais o elo”, ressalta Eduardo Neves.

Luciberto Forte

Fonte: Diário do Nordeste

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