:: 23.11.03 :: |
CERA DE CARNAÚBA |
O Ceará é o principal produtor e exportador de produtos da cera de carnaúba do País. De janeiro a outubro de 2003, as exportações cearenses de cera de carnaúba contabilizaram US$ 8,5 milhões, representando queda de 57,56% em comparação aos US$ 20,1 milhões registrados durante o ano de 1999. A participação do setor passou de 5,43%, em 1999, para 2,70% no ano passado, significando retração de 50,38%. O presidente do Sindicato das Indústrias Refinadoras de Cera de Carnaúba do Ceará (Sindicarnaúba), Edgar Gadelha Pereira Filho, confirma que a cera já ocupou, durante muito tempo, o 1º lugar na pauta de exportações. “Hoje, no entanto, o setor está colocado em 11º lugar, perdendo posição para calçados, amêndoas de castanha de caju, pescado e outros produtos”. Os industriais cearenses colocaram no mercado externo - Estados Unidos, Europa e Japão - um total de 4.690 quilos de cera de carnaúba, enquanto os piauienses venderam 3.208 quilos e os empresários norte-riograndenses colocaram no exterior um total de 1.815 quilos de cera. A cera sempre foi considerada um produto nobre, com um papel importante no mercado nacional e internacional, acompanhando as exigências cada vez maiores por produtos naturais, alta qualidade e ecologicamente corretos. Hoje, o produto vem perdendo representatividade nas exportações. No ano passado, figurou na 12ª posição, superado por produtos com maior valor agregado. PREÇO EM QUEDA - O preço para exportação, ao longo dos anos, também se apresenta defasado, tal como o processo tecnológico que envolve toda a cadeia produtiva do segmento. Em 1995, a libra/peso da cera de carnaúba - equivalente a 454 gramas - do tipo 3, a mais comercializada, custava US$ 4,00, o equivalente, na cotação atual do dólar, à quantia de US$ 11,76. Nos anos 1999/2000, o preço da cera caiu para US$ 1,50, representando uma defasagem de 166,67% no período, ou seja, em cinco anos. Hoje, segundo estimativa da SDE, a cera para exportação é comercializada a US$ 0,75, equivalente a R$ 2,21, ou seja, queda de 100% em relação ao ano 2000. Em oito anos, o preço do produto sofreu retração de 266%. O coordenador de Desenvolvimento Setorial da SDE
tem certeza não ser possível aos industriais fazerem melhores
preços aos produtores rurais, que estão na base na cadeia.
“Há carência de crédito para os produtores,
sobretudo os micro e pequenos. A falta de crédito poderia ser
resolvida pelo Programa de Agricultura Familiar (Pronaf), que já
atende a inúmeros setores”. Segundo Neves, o capital necessário
para financiar a atividade estaria em torno de R$ 100 milhões.
(LF) |
| Fonte: Diário do Nordeste |