:: 13.08.07 :: |
Panorama da Indústria de Caju no Brasil |
Antônio José Carvalho
O Brasil ocupa o terceiro lugar na produção mundial de castanha "in natura" e, também, na oferta de amêndoa de castanha de caju (ACC). É reconhecido pela qualidade de suas amêndoas e pela confiabilidade nos fornecedores. A produção de castanha é distribuída, principalmente, nos estados do Ceará, Piauí, R. G. do Norte, Maranhão e Bahia, com uma produção registrada, considerando a entrada da matéria-prima nas fábricas, de 325 mil toneladas (safra 2006/2007), oriunda de 700 mil hectares de área cultivada. O parque industrial é composto por 12 empresas (8 no CE, 3 no RGN e 1 no PI) e tem capacidade de processar até 360 mil toneladas de castanha, gerando 70 mil toneladas de ACC (amêndoa de castanha de caju) e 45 mil toneladas de LCC (líquido da casca da castanha). As divisas geradas com as exportações representaram U$187 milhões para a região, ano passado. Deste montante, o Ceará participou com U$ 136 milhões (72%). A geração de emprego na cadeia produtiva é de 300 mil postos de trabalho, distribuídos na atividade agrícola, industrial e serviços, em toda região nordeste. O setor em análise vem passando por algumas dificuldades, principalmente em função da carga tributária, da oneração da folha de pagamento e da valorização do real. Como exemplo da gravidade dos fatores acima, constata-se que em 1999, quando o salário mínimo era R$ 136,00, um volume de 10,70 kg de ACC, vendida a R$ 12,70, equivalia a um salário mínimo. Já em 2007, o cenário é bem diferente e preocupante, ou seja, para um salário mínimo de R$ 380,00 são necessários 43,98 kg de ACC, ao preço de R$ 8,64. Por outro lado, temos a concorrência da Índia e do Vietnã que dispõem de mão-de-obra a baixo custo, além de não terem os encargos sociais atribuídos ao setor, como ocorre no Brasil. Considerando que a Índia e o Vietnã: a) são países tecnologicamente atrasados no segmento de processamento da castanha de caju; b) já se defrontam com a concorrência interna por mão-de-obra em face da entrada de outras empresas no país, e c) possuem baixa credibilidade com o mercado importador (qualidade do produto, pontualidade nos prazos de entrega e segurança alimentar), vislumbra-se um cenário positivo para o agronegócio caju no Brasil. Na expectativa da sustentabilidade do negócio, o setor vem investindo em inovação (graças a oferta de tecnologia da EMBRAPA, Universidades e outras instituições), na integração com os diversos atores componentes da cadeia produtiva e na articulação com os agentes governamentais, no sentido de fortalecer o agronegócio caju. Finalmente, considerando os impactos econômicos e sociais da atividade, conforme registram as estatísticas referidas anteriormente, espera-se uma maior atenção dos governos: Federal, Estadual e Municipal para o agronegócio caju. |