POSSE DA PRESIDÊNCIA DO SINDCONFECÇÕES

PRONUNCIAMENTO DO PRESIDENTE JOSÉ MOREIRA SOBRINHO

____________________________________________________________

 

 

 

SENHORAS E SENHORES, BOA NOITE!

 

Inicio minhas palavras destacando o sentimento que tenho neste momento. Sinto-me honrado e distinguido ao ser reconduzido pelos companheiros para mais uma gestão no Sindconfecções, especialmente neste ano em que o Sindicato completou 21 anos e festejamos sua maioridade.

 

Ao lado desse sentimento de euforia pela recondução, incorpora-se a consciência da grande responsabilidade e dos maiores desafios que se nos impõem nesse cenário globalizado, que exige um pensar e agir diferentes, e penaliza aqueles que insistem em soluções antigas para problemas novos.

 

Tudo que já foi feito já surtiu seus efeitos. Não podemos mirar o futuro com os olhos no passado. Vamos deixar de lado o retrovisor e construir nosso sucesso olhando pra frente, descartando as velhas práticas.

 

Para tanto, nossa prioridade será a valorização do conhecimento e da inovação como condicionantes essências para o nosso desenvolvimento.

 

SENHORAS E SENHORES,

 

O SINDCONFECÇÕES é a Entidade Sindical representante da categoria econômica industrial de confecções femininas, com base territorial no Estado do Ceará. Suas ações são orientadas para a valorização da moda no segmento da nossa economia.

 

Nesse sentido, entre suas iniciativas, destacam-se AS MISSÕES AOS CENTROS DE MODA NACIONAIS E INTERNACIONAIS, WORKSHOP, CURSOS, SEMINÁRIOS, CONGRESSOS, PALESTRAS E PARTICIPAÇÕES EM EVENTOS DE MODAS, envolvendo os meios ACADÊMICOS, GOVERNAMENTAIS e INSTITUCIONAIS 

 

Portanto, a capacitação técnica do Setor, com enfoque especial para o produto, envolvendo profissionais renomados de moda, inclusive de âmbito internacional, constituiu-se numa das ações de maior impacto nesse período.

 

Grupos de empresários integraram várias missões internacionais promovidas pelo Sindconfecções, com o apoio do SFIEC, através do SENAI. 

 

Ciente de que a informação é elemento chave para o Setor, o Sindconfecções, em parceria com o SENAI, disponibiliza para as empresas, universidades e pesquisadores, o ESPAÇO DA MODA, localizado no 3o andar deste edifício. Lá encontra-se um rico acervo de produtos para pesquisas, com orientação de uma Consultora do Curso de Estilismo, proporcionando aqueles que lá se dirigem a informação para as decisões certas no tocante a preparação de suas coleções.

 

Na área comercial, foram promovidos eventos de grande impacto para o Setor, AS FEIRAS ITINERANTES, realizadas de Salvador a Manaus,  comercializando, aproximadamente 3 (três) milhões de peças confeccionadas.

 

Através das suas ações na área sindical, construiu-se um ambiente pacificado entre os sindicatos Patronal/Laboral, Empresas e Empregados, quando se decidiu trabalhar com o Sindicato Laboral reconhecido pelo MT/E, corrigindo, assim, um erro de mais 15 anos.

 

A Industria de Confecções do Estado do Ceará é um importante elo da cadeia têxtil, destacando-se por sua versatilidade e criatividade.

 

Atuamos em ambientes povoados de incertezas e riscos, e por isso é imperativo mapear os caminhos ou abrir novas trilhas. Conhecer as ameaças e as oportunidades através da Construção de Planejamento Estratégico, é fator crítico de sucesso.

 

É nesse aspecto que visualizo a confluência de interesses da cadeia produtiva têxtil-confecção COMO UMA SÓ, e acredito que a primeira interseção seja a concepção de um plano conjunto, capaz de fortalecer cada elo, porque só assim teremos uma cadeia forte.

 

Nesse PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO, deverão ser tratadas questões fundamentais, como a inserção da cadeia na economia globalizada, a Carga Tributária excessiva, a Capitalização (saneamento financeiro) do setor e a competitividade, através da capacitação das empresas e dos empresários além da construção de uma UNIDADE DO SETOR. O Setor de confecções, pelos dados que possui, precisa ter sua importância reconhecida pelos agentes econômicos e pelo governo.

 

Em agosto de 2005, a industria de confecções do Estado contava com 35.l90 empregos formais, de carteira assinada, representando cerca de 19,56% do emprego total, ficando atrás apenas da industria de calçados, a maior empregadora do setor manufatureiro, com 26,16%. Tendo em vista a grande informalidade do setor, sabe-se que o número total de empregos alocados na industria de confecções ultrapasse o contingente de 60.000.

 

O setor é formado preponderantemente por micros e pequenas empresas, que em 2003 representavam 98,95% do número total de estabelecimentos, que era de 4.213 empresas. A industria de confecções apresenta uma distribuição espacial muito concentrada em torno da RMF, contando, nesse período com 3.424 unidades (81,27%). No interior do Estado contava, naquele período, com 789 unidades industriais, ou 18,73%, do total considerado.

 

O setor do vestuário agrupa um conjunto de unidades produtivas que abrange desde o trabalho domiciliar de caráter artesanal até grandes e modernas indústrias com milhares de empregados. Serve a um mercado consumidor extremamente segmentado, que vai da produção em massa à produtos individualizados e únicos.

 

Em termos tecnológicos, apesar dos contínuos avanços da automação de base microeletrônica presente em algumas plantas industriais modernas, o setor mantém um caráter descontínuo, necessitando de saltos tecnológicos definitivos que alcancem com maior amplitude todo o setor.

 

O setor emprega, no país, mais de um milhão de trabalhadores, nas diversas formas que assume, formais e informais, de grande empresa ao trabalho domiciliar.

 

O setor é um dos mais globalizados, com peças fabricadas e montadas em diferentes países, por grandes grupos multinacionais. A fase da produção com a utilização de trabalho intensivo distribui-se por países que oferecem uma gama de incentivos para a instalação das fábricas, como mão-de-obra barata  e desorganizada, como é o caso dos países asiáticos, latino-americanos e do leste europeu.

 

Desde o início dos anos 90, grandes industrias cearense vem terceirizando sua produção através de empresas formadas por ex-funcionários ou mesmo funcionários graduados, em empresas situadas no interior do estado e com abertura de postos avançados também em cidades do interior, para onde a finalização da produção é transferida.

 

O setor de confecções do Estado tem apresentado um bom desempenho em termos de exportações. De janeiro a setembro de 2005, o setor exportou US$ 21,1 milhões de dólares, representando 4,42% do total das exportações de produtos industrializados do Estado. As exportações em 2004 foram US$ 19,1 milhões de dólares e representou 2,2% sobre as exportações totais do Estado do Ceará.

 

As características marcantes do setor, são as seguintes:

 

- Grande quantidade de empresas produtoras;

- Alto grau de informalidade;

- Grande heterogeneidade no porte das plantas industriais;

- Espacialmente concentradas em torno da RMF;

- Uso intensivo de mão-de-obra e capital de trabalho;

- Acirrada competição no mercado;

- Defasagem tecnológica;

- Equipamentos com elevada idade;

- Carência de capacitação empresarial;

- Ausência de gestão voltada para comércio exterior;

- Índice de inadimplência elevado;

- Elevada carga tributária;

- Juros extorsivos;

 

Esse é o cenário que se apresenta para trabalharmos. Sobre ele dedicaremos nosso esforço nessa gestão que ora se inicia.

 

A Cadeia Têxtil e de Confecções necessita urgentemente celebrar um pacto com todos os agentes, com vistas a integração da confecção. Ninguém ganha com o isolamento. Todos perdem. Não se concebe o setor Têxtil, as fiações e tecelagens, desassociadas de seus principais consumidores que são as confecções.

 

Faz-se necessário discutirmos conjuntamente, as ações que interessam a Cadeia Têxtil. Temos a ABIT – ASSOCIAÇÃO DA INDUSTRIA TÊXTIL E DE CONFECÇÕES(uma associação de âmbito nacional), mesmo tendo incorporado a confecção como ELO da cadeia têxtil, suas ações são, na sua maioria, voltadas para as regiões sudeste, sul e sudoeste. Estamos cobrando da ABIT, uma maior inserção do nosso Setor, em suas ações.

 

A APEX – Agência de Promoção de Exportações e Investimentos, do Governo Federal. O nosso Presidente Jorge Parente, em reunião da Diretoria da CNI reclamou da falta de ações da APEX em nosso Estado. Sr Juan Quirós, Presidente da APEX,   esteve conosco há aproximadamente 60 dias, prometendo, naquela ocasião, dar maior atenção ao setor.

 

Não temos, entre nós, nenhum projeto na área da APEX. Atualmente a APEX está inaugurando em Madrid e Lisboa, um SHOW-ROOM, tendo em anexo um (1) armazém alfandegário, para negócios de exportações ao nível de pronta-entrega. Referida experiência deverá se estender por outros países.

 

Temos o CETIQT,  no âmbito do sistema SENAI/CNI, que é a maior entidade tecnológica da América Latina, voltada exclusivamente para a cadeia têxtil e de confecções. O CETIQT tem muito a nos oferecer. Não basta visitar e conhecê-lo apenas, necessitamos conceber um programa, utilizando os recursos tecnológicos do CETIQT e aplica-lo aqui em nossas industrias. Para isso sei que podemos contar com o SENAI-CE, principal porta de entrada do CETIQT aqui no Ceará.

 

Estamos construindo alternativas. Através do grupo formado pelos Sindicatos de Confecções, Empresários do Setor, o Presidente Jorge Parente, Secretários Régis Dias e José Maria Martins Mendes com vistas a voltarmos a discutir com a SEFAZ o novo projeto, onde pleiteamos a redução do ICMS de 17% para 7%, conquista alcançada, isoladamente, pelo Sindtêxtil em abril do corrente ano.

 

A proposta de redução do ICMS, de 17% para 7%, que refizemos e vamos discutir com a SEFAZ, contempla o seguinte:

 

- Aumento imediato da competitividade do Setor, pela redução do preço final do produto;

 

- Aumento das compras e vendas do setor no Estado do Ceará.

 

- Redução da informalidade, como resultado da diminuição da carga tributária do setor;

 

- Dificuldade de penetração de produtos de outros Estados no mercado varejista do Estado do Ceará, tendo em vista uma maior competitividade de preços;

 

- Aumento da base de contribuintes, com diminuição dos custos e a conseqüente redução dos preços, aumentando, em conseqüência, a arrecadação do Estado.

 

Queremos fazer das alianças a principal moeda para o alcance dos nossos objetivos a frente do Sindicato. Quero aqui ratificar as palavras da Companheira Verônica Perdigão, durante sua posse no SINDTÊXTIL, quando disse que a integração da cadeia têxtil-confecção é uma de suas prioridades. Estamos prontos para tornar essa idéia uma realidade.

 

Quero finalizar agradecendo a confiança de minha Diretoria, especialmente a nossa Diretora GLÁUCIA MOTA, incansável batalhadora pelo setor, com os quais terei a incumbência de formular as políticas e as ações para  o SINDCONFECÇÕES, através de gestão compartilhada.

 

Ao nosso Presidente, Jorge Parente, quero agradecer pelo apoio que sempre tivemos, por reconhecer nossas iniciativas, de elevada importância para o setor.

 

Aos parceiros, os confeccionistas que sabem que estamos trabalhando em prol do nosso setor, aos Gestores do sistema FIEC e as nossas funcionárias, pelos relevantes trabalhos prestados ao Sindicato.

 

Ao terminar, agradeço a DEUS, e a minha querida MAZÉ, companheira de todas as horas.

 

MUITO OBRIGADO !!!

 

_____________________________________________________________

Discurso proferido por ocasião da posse de José Moreira Sobrinho, na recondução   à Presidência do Sindconfecções, para o período 2005/2005.

 

Fortaleza (CE), 21 de novembro de 2005.