POSSE DA
PRESIDÊNCIA DO SINDCONFECÇÕES
SENHORAS E SENHORES, BOA NOITE!
Inicio minhas palavras destacando o sentimento que
tenho neste momento. Sinto-me honrado e distinguido ao ser reconduzido pelos
companheiros para mais uma gestão no Sindconfecções, especialmente neste ano em
que o Sindicato completou 21 anos e festejamos sua maioridade.
Ao lado desse sentimento de euforia pela
recondução, incorpora-se a consciência da grande responsabilidade e dos maiores
desafios que se nos impõem nesse cenário globalizado, que exige um pensar e
agir diferentes, e penaliza aqueles que insistem em soluções antigas para
problemas novos.
Tudo que já foi feito já surtiu seus efeitos. Não
podemos mirar o futuro com os olhos no passado. Vamos deixar de lado o
retrovisor e construir nosso sucesso olhando pra frente, descartando as velhas
práticas.
Para tanto, nossa prioridade será a valorização do
conhecimento e da inovação como condicionantes essências para o nosso
desenvolvimento.
SENHORAS
E SENHORES,
O SINDCONFECÇÕES é a
Entidade Sindical representante da categoria econômica industrial de confecções
femininas, com base territorial no Estado do Ceará. Suas ações são orientadas
para a valorização da moda no segmento da nossa economia.
Nesse sentido, entre suas iniciativas,
destacam-se AS MISSÕES AOS CENTROS DE
MODA NACIONAIS E INTERNACIONAIS, WORKSHOP, CURSOS, SEMINÁRIOS, CONGRESSOS,
PALESTRAS E PARTICIPAÇÕES EM EVENTOS DE MODAS, envolvendo os
meios ACADÊMICOS, GOVERNAMENTAIS e INSTITUCIONAIS
Portanto, a capacitação técnica do Setor, com
enfoque especial para o produto, envolvendo profissionais renomados de moda,
inclusive de âmbito internacional, constituiu-se numa das ações de maior
impacto nesse período.
Grupos de empresários integraram várias missões
internacionais promovidas pelo Sindconfecções, com o apoio do SFIEC, através do
SENAI.
Ciente de que a informação é elemento chave para o
Setor, o Sindconfecções, em parceria com o SENAI, disponibiliza para as
empresas, universidades e pesquisadores, o ESPAÇO DA MODA, localizado no
3o andar deste edifício. Lá encontra-se um rico acervo de produtos
para pesquisas, com orientação de uma Consultora do Curso de Estilismo,
proporcionando aqueles que lá se dirigem a informação para as decisões certas
no tocante a preparação de suas coleções.
Na área comercial, foram promovidos eventos de
grande impacto para o Setor, AS FEIRAS ITINERANTES, realizadas de Salvador
a Manaus, comercializando,
aproximadamente 3 (três) milhões de peças confeccionadas.
Através das suas ações na área sindical,
construiu-se um ambiente pacificado entre os sindicatos Patronal/Laboral,
Empresas e Empregados, quando se decidiu trabalhar com o Sindicato Laboral
reconhecido pelo MT/E, corrigindo, assim, um erro de mais 15 anos.
A Industria de Confecções do Estado do Ceará é um importante elo da
cadeia têxtil, destacando-se por sua versatilidade e criatividade.
Atuamos em ambientes povoados de incertezas e
riscos, e por isso é imperativo mapear os caminhos ou abrir novas trilhas.
Conhecer as ameaças e as oportunidades através da Construção de Planejamento
Estratégico, é fator crítico de sucesso.
É nesse aspecto que visualizo a confluência de
interesses da cadeia produtiva têxtil-confecção COMO UMA SÓ, e acredito que a primeira interseção seja a concepção
de um plano conjunto, capaz de fortalecer cada elo, porque só assim teremos uma
cadeia forte.
Nesse PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO, deverão ser
tratadas questões fundamentais, como a inserção da cadeia na economia
globalizada, a Carga Tributária excessiva, a Capitalização (saneamento
financeiro) do setor e a competitividade, através da capacitação das empresas e
dos empresários além da construção de uma UNIDADE DO SETOR. O Setor de
confecções, pelos dados que possui, precisa ter sua importância reconhecida
pelos agentes econômicos e pelo governo.
Em agosto de 2005, a industria de confecções do
Estado contava com 35.l90 empregos formais, de carteira assinada, representando
cerca de 19,56% do emprego total, ficando atrás apenas da industria de
calçados, a maior empregadora do setor manufatureiro, com 26,16%. Tendo em
vista a grande informalidade do setor, sabe-se que o número total de empregos alocados
na industria de confecções ultrapasse o contingente de 60.000.
O setor é formado preponderantemente por micros e
pequenas empresas, que em 2003 representavam 98,95% do número total de
estabelecimentos, que era de 4.213 empresas. A industria de confecções
apresenta uma distribuição espacial muito concentrada em torno da RMF,
contando, nesse período com 3.424 unidades (81,27%). No interior do Estado
contava, naquele período, com 789 unidades industriais, ou 18,73%, do total
considerado.
O setor do vestuário agrupa um conjunto de unidades
produtivas que abrange desde o trabalho domiciliar de caráter artesanal até
grandes e modernas indústrias com milhares de empregados. Serve a um mercado
consumidor extremamente segmentado, que vai da produção em massa à produtos
individualizados e únicos.
Em termos tecnológicos, apesar dos contínuos
avanços da automação de base microeletrônica presente em algumas plantas
industriais modernas, o setor mantém um caráter descontínuo, necessitando de
saltos tecnológicos definitivos que alcancem com maior amplitude todo o setor.
O setor emprega, no país, mais de um milhão de
trabalhadores, nas diversas formas que assume, formais e informais, de grande
empresa ao trabalho domiciliar.
O setor é um dos mais globalizados, com peças
fabricadas e montadas em diferentes países, por grandes grupos multinacionais.
A fase da produção com a utilização de trabalho intensivo distribui-se por
países que oferecem uma gama de incentivos para a instalação das fábricas, como
mão-de-obra barata e desorganizada,
como é o caso dos países asiáticos, latino-americanos e do leste europeu.
Desde o início dos anos 90, grandes industrias
cearense vem terceirizando sua produção através de empresas formadas por
ex-funcionários ou mesmo funcionários graduados, em empresas situadas no
interior do estado e com abertura de postos avançados também em cidades do
interior, para onde a finalização da produção é transferida.
O setor de confecções do Estado tem apresentado um
bom desempenho em termos de exportações. De janeiro a setembro de 2005, o setor
exportou US$ 21,1 milhões de dólares, representando 4,42% do total das
exportações de produtos industrializados do Estado. As exportações em 2004
foram US$ 19,1 milhões de dólares e representou 2,2% sobre as exportações
totais do Estado do Ceará.
As características marcantes do setor, são as
seguintes:
- Grande quantidade de empresas produtoras;
- Alto grau de informalidade;
- Grande heterogeneidade no porte das plantas
industriais;
- Espacialmente concentradas em torno da RMF;
- Uso intensivo de mão-de-obra e capital de
trabalho;
- Acirrada competição no mercado;
- Defasagem tecnológica;
- Equipamentos com elevada idade;
- Carência de capacitação empresarial;
- Ausência de gestão voltada para comércio exterior;
- Índice de inadimplência elevado;
- Elevada carga tributária;
- Juros extorsivos;
Esse é o cenário que se apresenta para
trabalharmos. Sobre ele dedicaremos nosso esforço nessa gestão que ora se
inicia.
A Cadeia Têxtil e de Confecções necessita urgentemente
celebrar um pacto com todos os agentes, com vistas a integração da confecção.
Ninguém ganha com o isolamento. Todos perdem. Não se concebe o setor Têxtil, as
fiações e tecelagens, desassociadas de seus principais consumidores que são as
confecções.
Faz-se necessário discutirmos conjuntamente, as
ações que interessam a Cadeia Têxtil. Temos a ABIT – ASSOCIAÇÃO DA INDUSTRIA
TÊXTIL E DE CONFECÇÕES(uma associação de âmbito nacional), mesmo tendo
incorporado a confecção como ELO da cadeia têxtil, suas ações são, na
sua maioria, voltadas para as regiões sudeste, sul e sudoeste. Estamos
cobrando da ABIT, uma maior inserção do nosso Setor, em suas ações.
A APEX – Agência de Promoção de Exportações e
Investimentos, do Governo Federal. O nosso Presidente Jorge Parente, em reunião da
Diretoria da CNI reclamou da falta de ações da APEX em nosso Estado. Sr Juan
Quirós, Presidente da APEX, esteve conosco há aproximadamente 60 dias,
prometendo, naquela ocasião, dar maior atenção ao setor.
Não temos, entre nós, nenhum projeto na área da
APEX. Atualmente a APEX está inaugurando em Madrid e Lisboa, um SHOW-ROOM,
tendo em anexo um (1) armazém alfandegário, para negócios de exportações ao
nível de pronta-entrega. Referida experiência deverá se estender por outros países.
Temos o CETIQT,
no âmbito do sistema SENAI/CNI, que é a maior entidade tecnológica da
América Latina, voltada exclusivamente para a cadeia têxtil e de confecções. O
CETIQT tem muito a nos oferecer. Não basta visitar e conhecê-lo apenas,
necessitamos conceber um programa, utilizando os recursos tecnológicos do
CETIQT e aplica-lo aqui em nossas industrias. Para isso sei que podemos contar
com o SENAI-CE, principal porta de entrada do CETIQT aqui no Ceará.
Estamos construindo
alternativas. Através do grupo formado pelos Sindicatos de Confecções,
Empresários do Setor, o Presidente Jorge Parente, Secretários Régis Dias e José
Maria Martins Mendes com vistas a voltarmos a discutir com a SEFAZ o novo
projeto, onde pleiteamos a redução do ICMS de 17% para 7%, conquista alcançada,
isoladamente, pelo Sindtêxtil em abril do corrente ano.
A proposta de redução do ICMS, de 17% para 7%, que refizemos e vamos discutir com a SEFAZ, contempla o seguinte:
- Aumento imediato da competitividade do Setor, pela redução do preço final do produto;
- Aumento das compras e vendas do setor no Estado do Ceará.
- Redução da informalidade, como resultado da diminuição da carga tributária do setor;
- Dificuldade de penetração de produtos de outros Estados no mercado varejista do Estado do Ceará, tendo em vista uma maior competitividade de preços;
- Aumento da
base de contribuintes, com diminuição dos custos e a conseqüente redução dos
preços, aumentando, em conseqüência, a arrecadação do Estado.
Queremos fazer das alianças a principal moeda para o alcance dos nossos objetivos a frente do Sindicato. Quero aqui ratificar as palavras da Companheira Verônica Perdigão, durante sua posse no SINDTÊXTIL, quando disse que a integração da cadeia têxtil-confecção é uma de suas prioridades. Estamos prontos para tornar essa idéia uma realidade.
Quero finalizar agradecendo a confiança de minha
Diretoria, especialmente a nossa Diretora GLÁUCIA MOTA, incansável
batalhadora pelo setor, com os quais terei a incumbência de formular as políticas
e as ações para o SINDCONFECÇÕES, através de gestão
compartilhada.
Ao nosso Presidente, Jorge Parente, quero agradecer
pelo apoio que sempre tivemos, por reconhecer nossas iniciativas, de elevada
importância para o setor.
Aos parceiros, os confeccionistas que sabem que estamos trabalhando em prol do nosso setor, aos Gestores do sistema FIEC e as nossas funcionárias, pelos relevantes trabalhos prestados ao Sindicato.
Ao terminar, agradeço a DEUS, e a minha querida
MAZÉ, companheira de todas as horas.
MUITO OBRIGADO !!!
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Discurso proferido por ocasião da posse de José Moreira
Sobrinho, na recondução à Presidência do
Sindconfecções, para o período 2005/2005.
Fortaleza (CE), 21 de novembro de 2005.