Muito se tem falado sobre o distanciamento entre empresas e universidades, como se isto fosse justificado por diferenças de suas naturezas e de seus modos de atuação. Na linha deste pensamento, muitas pesquisas científicas e tecnologias são produzidas por universidades, sem que as empresas tomem conhecimento delas e participem do seu processo de desenvolvimento.
Ao contrário deste entendimento e deste jeito de proceder, a racionalidade nos leva a ver claramente que universidades e empresas têm muitas funções complementares. Hoje em dia não é mais possível admitir a existência da barreira invisível que prejudica a aproximação e, mais ainda, o trabalho conjunto entre os setores acadêmico e produtivo, tão importantes para a sociedade.
Como cidadão e empresário, sempre desejei estar próximo e trabalhar com as universidades. No passado tive frustrações quando procurei a academia para a realização de atividades em parceria com empresas que dirijo, mas não consegui chegar às pessoas do meio acadêmico que, como eu, certamente querem quebrar o paradigma desse distanciamento.
Desde que assumi responsabilidades de liderança no setor industrial cearense, como presidente da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), tenho procurado encontrar mecanismos para a captura de sinergias entre o setor produtivo e o meio científico. Foi assim, que soube de um projeto desenvolvido por uma universidade israelense e o Governo do Ceará no agronegócio, que foi aplicado com sucesso no nosso Estado.
Em contato recente com professores que desenvolveram esse projeto, identifiquei ser possível aplicar aquela metodologia no setor industrial. De imediato, decidiu-se contratar seus serviços e a Fiec organizou uma missão a Israel, com a participação da Universidade Federal do Ceará (UFC), da Universidade de Fortaleza (Unifor), da Faculdade 7 de Setembro (FA7), e do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), junto com industriais que acreditam e querem participar desse processo de mudança.
Em Israel, vimos o trabalho dos setores acadêmico e industrial, na Ben-Gurion University; no Centro para Empreendedorismo e Gestão de Alta Tecnologia (Bengis); e nos centros universitários Sapir e Ruppin. Visitamos ainda o Programa Governamental Magnet, com atuação na formação de consórcios universidade/empresa para a inovação.
Constatamos que o sucesso está na decisão do Estado de Israel de disciplinar e financiar todo o esforço de desenvolvimento tecnológico e de inovação, pela atuação conjunta das universidades com as empresas, numa visão de longo prazo.
Estou convicto de que, com os meios e os processos que vimos adotados em Israel, com a metodologia que nos será passada pela consultoria contratada, e com o clima de aproximação que será construído entre acadêmicos e empresários, em breve teremos uma cultura de cooperação que só benefícios trará para a nossa sociedade.
Roberto Macêdo - roberto@pmacedo.com.br
Empresário
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