Célio Beleza Gonzalez de Andrade
A indústria moveleira do Estado do Ceará
vem se destacando frente às demais indústrias similares
da região nordeste, notadamente no que se refere ao seu processo
de desenvolvimento. Várias indústrias surgiram e aqui
se instalaram nos últimos anos, aquecendo mais ainda esse segmentado
setor.
De acordo com PORTER (19XX), a análise estrutural de uma indústria
deve ser realizada através de cinco forças competitivas:
o poder de negociação dos fornecedores, o poder de negociação
dos compradores, a ameaça de substitutos, a rivalidade entre
os concorrentes existentes e a entrada de novos concorrentes. Nesse
englobamento das cinco forças competitivas, pode-se adicionar
uma sexta força, que é chamada de força complementar
BRANDEMBURGER e NALEBUFF (In: PANKAJ, Ghemawat, 2000). Ela acrescenta
uma dimensão cooperativa à abordagem das cinco forças
competitivas.
O setor moveleiro cearense vem passando por muitas transformações
positivas desde a abertura da economia, o recrudescimento do mercado
interno, a partir do declínio do imposto inflacionário
e a incorporação de muitos consumidores até então
excluídos.
Esta pesquisa é caracterizada por ser um estudo teórico-empirico,
exploratório-descritivo e de caráter qualitativo. Os dados
coletados são considerados primários, utilizando como
instrumento um questionário estruturado, junto ao Sindmóveis
– Sindicato de Móveis do Ceará. Utilizou-se, ainda,
de material secundário fornecido pelo Sindmóveis, algumas
observações diretas dos autores da pesquisa, pesquisas
pela Internet e bibliográficas. O elemento da pesquisa foi o
Administrador do referido Sindicato, o qual contribuiu muito para o
desenvolvimento da pesquisa.
A melhor forma das indústrias de móveis negociarem com
os fornecedores é através de uma troca de benefícios.
Por exemplo: a indústria pode ser exclusiva do fornecedor, tendo
vantagens em preços e entregas ou então pode negociar
a redução da quantidade de entrega para adequar à
sua nova demanda. No entanto, se não houver uma boa negociação,
essa exclusividade poderá fazer com que a indústria entre
em falência.
O poder de barganha do comprador neste setor é neutralizado quando
se consegue provar que ele tem mais vantagens adquirindo o produto,
pelo mesmo preço do competidor.
As indústrias de móveis compram dos fornecedores em grande
quantidade, conseguindo reduzir o preço e o volume do custo fixo.
No entanto, os compradores da indústria moveleira não
quer saber só de custo, ele quer qualidade e para se ter isso,
as empresas de fabricantes tem que se pensar em como atender a essa
demanda. Tem-se que observar que a variação dos custos
relativos à qualidade não é fixa como o custo fixo,
é variável de acordo com a qualidade. Não irá
diminuir muito se houver uma produção em maior escala
e com a mesma qualidade, vai diminuir um pouco, pois haverá investimentos
em maquinário, em equipamentos e em treinamento de pessoal. Com
isso, pode-se concluir que o poder do comprador pode influenciar o custo
e o investimento, pois eles exigem serviços dispendiosos.
O produto substituto, criado para suprir uma necessidade do consumidor,
não consegue influenciar muito o setor moveleiro, pois quando
um consumidor compra, utiliza e gosta de uma mobília específica,
ele prefere pagar mais caro a comprar uma substituta mais barata.
Por esse setor ser jovem, os concorrentes apresentam diversidades de
estratégias, de origens e de personalidades. Eles têm idéias
diferentes sobre como competir e muitas vezes se chocam uns contra os
outros.
O setor de móveis não luta muito contra os novos concorrentes,
pois concorrente não é uma coisa ruim, é uma forma
de sempre te obrigar a trabalhar, estudar, pesquisar, mudar para melhor
– adaptar-se. A única coisa que as indústrias fazem
para se proteger, é buscar informações de novos
produtos, de novos mercados, de novas técnicas de fabricação,
de novos materiais, estarem sempre se atualizando.
Este setor considera o Governo como a sexta força competitiva
(força complementar). Isso ocorre porque este setor é
muito sensível a qualquer variação ou medida que
o Governo venha adotar.
Esta pesquisa confirmou que o nível de competitividade encontra-se
muito alto, apesar deste setor estar em crescimento. Também há
uma preocupação em harmonizar estas forças competitivas,
para que se obtenha futuramente maximização dos lucros.
As principais forças competitivas do setor de móveis é
o poder do fornecedor, onde as indústrias tentam fazer parcerias,
para uma futura troca de benefícios e os novos concorrentes,
pois consideram uma ajuda para se reciclarem freqüentemente.
Graduado em Administração de Empresas na
Universidade de Fortaleza – UNIFOR e atualmente cursando a Especialização
de Estratégia e Gestão Empresarial na Universidade Estadual
do Ceará – UECE.