:: 29.10.03 ::

Análise Estrutural da Indústria Moveleira do Estado do Ceará

 
Célio Beleza Gonzalez de Andrade

A indústria moveleira do Estado do Ceará vem se destacando frente às demais indústrias similares da região nordeste, notadamente no que se refere ao seu processo de desenvolvimento. Várias indústrias surgiram e aqui se instalaram nos últimos anos, aquecendo mais ainda esse segmentado setor.
De acordo com PORTER (19XX), a análise estrutural de uma indústria deve ser realizada através de cinco forças competitivas: o poder de negociação dos fornecedores, o poder de negociação dos compradores, a ameaça de substitutos, a rivalidade entre os concorrentes existentes e a entrada de novos concorrentes. Nesse englobamento das cinco forças competitivas, pode-se adicionar uma sexta força, que é chamada de força complementar BRANDEMBURGER e NALEBUFF (In: PANKAJ, Ghemawat, 2000). Ela acrescenta uma dimensão cooperativa à abordagem das cinco forças competitivas.
O setor moveleiro cearense vem passando por muitas transformações positivas desde a abertura da economia, o recrudescimento do mercado interno, a partir do declínio do imposto inflacionário e a incorporação de muitos consumidores até então excluídos.
Esta pesquisa é caracterizada por ser um estudo teórico-empirico, exploratório-descritivo e de caráter qualitativo. Os dados coletados são considerados primários, utilizando como instrumento um questionário estruturado, junto ao Sindmóveis – Sindicato de Móveis do Ceará. Utilizou-se, ainda, de material secundário fornecido pelo Sindmóveis, algumas observações diretas dos autores da pesquisa, pesquisas pela Internet e bibliográficas. O elemento da pesquisa foi o Administrador do referido Sindicato, o qual contribuiu muito para o desenvolvimento da pesquisa.
A melhor forma das indústrias de móveis negociarem com os fornecedores é através de uma troca de benefícios. Por exemplo: a indústria pode ser exclusiva do fornecedor, tendo vantagens em preços e entregas ou então pode negociar a redução da quantidade de entrega para adequar à sua nova demanda. No entanto, se não houver uma boa negociação, essa exclusividade poderá fazer com que a indústria entre em falência.
O poder de barganha do comprador neste setor é neutralizado quando se consegue provar que ele tem mais vantagens adquirindo o produto, pelo mesmo preço do competidor.
As indústrias de móveis compram dos fornecedores em grande quantidade, conseguindo reduzir o preço e o volume do custo fixo. No entanto, os compradores da indústria moveleira não quer saber só de custo, ele quer qualidade e para se ter isso, as empresas de fabricantes tem que se pensar em como atender a essa demanda. Tem-se que observar que a variação dos custos relativos à qualidade não é fixa como o custo fixo, é variável de acordo com a qualidade. Não irá diminuir muito se houver uma produção em maior escala e com a mesma qualidade, vai diminuir um pouco, pois haverá investimentos em maquinário, em equipamentos e em treinamento de pessoal. Com isso, pode-se concluir que o poder do comprador pode influenciar o custo e o investimento, pois eles exigem serviços dispendiosos.
O produto substituto, criado para suprir uma necessidade do consumidor, não consegue influenciar muito o setor moveleiro, pois quando um consumidor compra, utiliza e gosta de uma mobília específica, ele prefere pagar mais caro a comprar uma substituta mais barata.
Por esse setor ser jovem, os concorrentes apresentam diversidades de estratégias, de origens e de personalidades. Eles têm idéias diferentes sobre como competir e muitas vezes se chocam uns contra os outros.
O setor de móveis não luta muito contra os novos concorrentes, pois concorrente não é uma coisa ruim, é uma forma de sempre te obrigar a trabalhar, estudar, pesquisar, mudar para melhor – adaptar-se. A única coisa que as indústrias fazem para se proteger, é buscar informações de novos produtos, de novos mercados, de novas técnicas de fabricação, de novos materiais, estarem sempre se atualizando.
Este setor considera o Governo como a sexta força competitiva (força complementar). Isso ocorre porque este setor é muito sensível a qualquer variação ou medida que o Governo venha adotar.
Esta pesquisa confirmou que o nível de competitividade encontra-se muito alto, apesar deste setor estar em crescimento. Também há uma preocupação em harmonizar estas forças competitivas, para que se obtenha futuramente maximização dos lucros. As principais forças competitivas do setor de móveis é o poder do fornecedor, onde as indústrias tentam fazer parcerias, para uma futura troca de benefícios e os novos concorrentes, pois consideram uma ajuda para se reciclarem freqüentemente.

Graduado em Administração de Empresas na Universidade de Fortaleza – UNIFOR e atualmente cursando a Especialização de Estratégia e Gestão Empresarial na Universidade Estadual do Ceará – UECE.

 

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