:: 05.07.08 ::

Caminhos paralelos

Fernando Cirino Gurgel

Vislumbramos a atuação do Senai como catalisador do desenvolvimento não apenas da indústria, mas do Ceará e de sua gente


O setor metal-mecânico possui papel essencial no desenvolvimento de qualquer economia. Sua influência pode ser verificada em diversos segmentos industriais. Atualmente, as indústrias metalúrgicas e mecânicas possuem no Ceará cerca de 700 estabelecimentos, que absorvem em torno de 13 mil trabalhadores.

O setor é diversificado e heterogêneo. Temos grandes empresas que se destacam além das nossas divisas. Dentre os principais produtos fabricados no estado do Ceará destacam-se latas em aço, tampas de alumínio, chapas, perfis, tubos, botijões, geladeiras, fogões, freezers, bebedouros, máquinas de costura doméstica, barras e vergalhões para construção civil, transformadores elétricos de distribuição, ferragens para transformadores, ferragens para medidores, linhas de autopeças, linha foto-multas, artefatos de estamparia (estamparia leve, pesada e caldeiraria), molas para veículos utilitários, tambores de freio, veículo utilitários (jipes), equipamentos para cerâmica vermelha, bombas hidráulicas e torres para geradores eólicos.

A história do setor no Ceará caminha em paralelo à trajetória do Senai. Por meio de sua atuação, a entidade do Sistema S supre, em diferentes níveis, as necessidades de capacitação profissional dos colaboradores das empresas instaladas em nossa terra, oferecendo cursos de curta, média e longa duração, destinados a formar jovens para o mercado de trabalho, e cursos de habilitação técnica de nível médio.

Além de dominarem as competências técnicas relacionadas ao ofício - necessárias à produção e manutenção das empresas - os profissionais oriundos de cursos do Senai/CE destacam-se nas chamadas competências pessoais, tais como iniciativa, criatividade, relacionamento pessoal, trabalho em equipe e capacidade de solucionar problemas, só para citar algumas.

Não é difícil imaginar que, sem o suporte do Senai, as empresas cearenses teriam grandes dificuldades para atingir os patamares de qualidade que hoje possuem. Também teria sido inviável a instalação de grandes empresas, oriundas de outros estados e países, no território cearense. O resultado seria menos renda e emprego.

Se no passado o Senai foi importante, no futuro ele será imprescindível. O Ceará está perto da conquista de um grande sonho: a construção da siderúrgica no Pecém. Por suas características, o empreendimento apresenta a capacidade de originar um pólo metal-mecânico no seu entorno, atraindo grandes empresas e mudando o perfil do estado. As expectativas são as melhores possíveis.

Nesse cenário iminente, em que os trabalhadores precisarão estar aptos a manusear as novas tecnologias, vislumbramos a atuação do Senai como catalisador do desenvolvimento não apenas da indústria, mas do Ceará e de sua gente. Por isso, acreditamos que será difícil às empresas aumentar sua competitividade e garantir produtos com qualidade, caso os trabalhadores da indústria não continuem tendo a seu lado um modelo de formação profissional como o do Senai, que vem dando certo há tantos e tantos anos.

Fernando Cirino Gurgel - é diretor-presidente da Durametal

Fonte: opovo.com.br

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