:: 29.01.04 ::
Discurso de Emilia Buarque por ocasião da posse da coordenação 2004 da Associação dos Jovens Empresários - AJE Ceará


Fazer história na Associação dos Jovens Empresários de Fortaleza é sem duvida uma lição de vida indelével.

Ao longo de 2003 objetivamente buscamos desenvolver uma gestão dinâmica, articulada e expositiva, este foi o pano de fundo de nossas ações, e quando digo: nossas, cito toda a coordenação e os associados, razão maior desta missão.

E foi este grupo que de modo sensato, foi extremamente feliz ao indicar o Bruno Girão para dar continuidade ao Projeto AJE. Ao meu amigo Bruno, que eu admiro e respeito, desejo toda a sorte, já convicta de seu sucesso e também de todo o seu grupo, que tive o privilégio de conhecer e acompanhar durante todo o ano de 2003.

Mas as escolhas certas não se deram apenas nos limites da Coordenação. Estou me referindo a indicação unânime do grupo e o apoio dos associados à outorga da comenda Jovem Mentalidade Empresarial a uma das maiores lideranças da história deste Estado, Jorge Parente Frota Jr., capaz de circular intelectualmente nos caminhos da indústria, da qual a casa maior é o presidente, na ciência e tecnologia, nas reivindicações pelo crescimento do Ceará e do Nordeste, na defesa das questões sociais e muito mais. Amigo Jorge, parabéns, em nome de todos os associados deste movimento transmito a confiança e a gratidão por sua permanente atenção com a AJE.

Quanto aos nossos resultados,

No plano interno da Associação:
- Reformamos a sede da AJE;
- Captamos mais de 50 novos associados e alcançamos a participação ativa de 80% dos mesmos nos eventos;
- Remontamos o site da Associação e reformulamos o vídeo institucional que todos acabaram de assistir;
- E promovemos a nova marca e especialmente a imagem de uma entidade que forma jovens líderes, responsáveis e comprometidos com o desenvolvimento do Estado do Ceará.

No campo da capacitação dos associados:
- Primeiramente elaboramos um plano de formação anual que compreendeu diversos temas relevantes nas áreas de gestão, política, economia e sociedade;
- Pautamos questões como: políticas públicas para a educação no País, amplas discussões sobre as reformas estruturais, provocamos em nosso último evento na semana passada, juntamente com o CIC, a realização do primeiro fórum de 2004 no Ceará sobre a retomada de políticas de desenvolvimento regional, tendo o Nordeste como enfoque prioritário no crescimento do País;
- Estudamos a história do Ceará;
- Realizamos um seminário sobre ética empresarial e política;
- Estivemos na Bahia, quando pelo primeiro ano a AJE elegeu um estado do Nordeste para ter modo comparativo de crescimento na Região;
- Já a Missão Internacional, que inicialmente teria como destino a China, para o qual já havíamos desenvolvido diversos contatos, não foi possível concretizar em função da pneumonia asiática, mas ficam os caminhos já trilhados para a nova coordenação dar continuidade. Em virtude da mudança de planos, decidimos conhecer Holanda, Bélgica e Franca, que foi um excelente intercâmbio para reconhecermos que o mercado internacional, especialmente de flores e frutas, quando falamos da Holanda, não esta muito distante de nos. - Promovemos o maior Seminário da história da AJE, reunindo mais de 800 jovens empresários em torno de palestrantes como os presidentes da Nestlé, Localiza e American Express;
- E compartilhamos com universitários, através de concursos de dissertações e palestras, a ansiedade de nossa geração em relação a projetos estruturantes, equipamentos e empresas propulsoras, capazes de configurar um novo e positivo cenário econômico em nosso Estado, entre os quais citamos: a refinaria, a siderurgia, a integração das bacias hidrográficas, a ciência e tecnologia, o turismo e outros.

Em termos de relações institucionais:
- Criamos vínculos com todos os legítimos representantes da economia e poder público no Estado, e dentre muitos citamos a interação com o SEBRAE, a FIEC, o CIC, a REMEC, as Universidades, os Bancos - do Nordeste e Caixa Econômica Federal, a Assembléia Legislativa, a bancada cearense no Senado e na Câmara e o próprio Governo do Estado;
- Além disto firmamos convênios e alianças estratégicas com o Banco do Brasil e a Consultoria Deloitte Touch Tohmatsu, este dois últimos gostaria de homenagear especialmente, pois os mesmos descobriram na AJE o potencial de multiplicar suas ações e projetos, ao mesmo tempo apoiando as metas de crescimento de uma entidade reconhecida pelo dinamismo, a ética e a mobilidade;
- Mas um evento em particular precisa ser destacado no campo das relações da sociedade organizada com o poder público, principalmente por estabelecer dentre muitas, mais uma experiência democrática na própria AJE, que foi o encontro aberto com o Governador do Estado no Palácio Iracema, quando cerca de 40 associados tiveram a oportunidade de compreender o que significa um diálogo com um homem público com a grandeza e a experiência do Dr. Lucio.

No que se refere à comunicação:
- Além do jornal Ajindo, onde as pessoas puderam ver o que pensamos e realizamos, expusemos na imprensa, como formadores de opinião, especialmente em nosso raio de abrangência que é a comunidade jovem e empresarial, a voz ativa em questões como o aumento da carga tributária, o pacto social, a qualidade do emprego, a dependência do capital internacional, dentre outras.

Por fim, como projetos para continuidade, com nossa participação, temos:
- A elaboração de propostas dentro de um grupo de trabalho de nossa entidade que se integrará à instituição SEBRAE;
- A nossa permanência na representação da AJE Fortaleza junto a CONAJE, uma solicitação do atual presidente Marcus Hadade;
- E o livro da AJE, cujo autor e empresa para produção já estão contratados para o que o Bruno, venha a lançá-lo na comemoração dos 15 anos da Associação, no dia 28 de junho.

E por falar em comemoração, esta posse é o evento que marca o início das comemorações desta importante data para todos aqueles que participaram e participam do movimento jovem empresarial, quero até lembrá-lo Bruno, que uma pessoa muito especial vem nos acompanhando fielmente nestes 15 anos e por isto merece todo o nosso reconhecimento, que é o Heraldo, nosso amigo que ouviu todos os discursos e anunciou os 15 coordenadores.

Mas eu, que durante o ano inteiro citei números, causas, propostas, hoje queria falar da minha paixão pelo Ceará, de como eu tenho orgulho de ter nascido nesta terra do sol, do amor e da luz tal como é citada em nosso belo hino, e que inclusive todos deveriam fazer esforço para aprender (ele está contido no jornal Ajindo). Esta terra de corações guerreiros como disse o poeta Tohmaz Lopes à melodia de Alberto Nepomuceno. E é por isto, que quando somos chamados uma primeira vez a contribuir voluntariamente em questões de interesse maior para o nosso Estado, em grupos e instituições que desempenham um sério papel transformador de nossa realidade pouco vantajosa, seja econômica ou social, somos contaminados pelo sentimento de compromisso definitivo com o bem comum e a construção coletiva.

Sob este aspecto, é com muita felicidade que passo a Coordenação Geral da AJE ao Bruno Girão e somo minhas forcas as cabeças brilhantes que integram o Conselho da entidade. E ainda em poucos dias, por conta de um inesperado convite dos meus amigos Marcos Pinheiro, talentoso atual presidente do CIC, e Alexandre Pereira, o dinâmico presidente eleito, para o biênio 2004-2005, estarei com muito orgulho me juntando ao grupo que comporá a nova gestão do Centro Industrial do Ceara, que já demonstrou no planejamento deste último final de semana o quanto a entidade tem sede e quer provocar mudanças significativas na vida do Estado.

Gostaria também de dizer aos amigos, que trouxeram outros chamados, outros convites, que sempre que for possível estarei disposta a contribuir, em alguns casos de forma mais decisiva e em muitos outros participando de um grupo maior.

Mas afinal, o que é a vida de um cearense, se não partilhar um sonho de um Estado revivificado e forte.

Hoje somos norteados pelas taxas de juros, os saldos da balança comercial, o volume de exportações e pelo PIB – Produto Interno Bruto, que termina por apresentar o total geral da falência no nível País e o resultado da mendicância no plano local.

O Sen. Robert Kenedy, em maio de 1967 disse em seu discurso em Detroit:
“Sejamos claros desde o início: não encontraremos nenhum objetivo para a nação, nem a nossa satisfação pessoal no mero continuísmo do progresso econômico e na destruição sem limite dos bens do planeta. Não podemos medir o espírito nacional com base no índice “Dow-Jones”, nem os sucessos nacionais com base no Produto Interno Bruto.

Por que o Produto Interno Bruto compreende a poluição do ar, a publicidade de cigarros e as ambulâncias que desbloqueiam as nossas rodovias das carnificinas. O mesmo inclui na conta as fechaduras, com as quais fechamos nossas portas e as prisões para os que as arrombam. O Produto Interno Bruto compreende a produção de napalm, mísseis e ogivas nucleares, e compreende também a pesquisa para melhorar a disseminação da peste bubônica. Esse mesmo produto infla com os equipamentos que a polícia usa para acalmar as revoltas nas nossas cidades. Só que, alem de não diminuir por causa dos danos que a revoltas provocam, ainda aumentam quando os submundos se reconstroem sobre as cinzas.”

E ele continua:
“E se o Produto Interno Bruto engloba tudo isso, falta incluir outras coisas que ainda não foram calculadas. Em contrapartida, não leva em conta o estado de saúde de nossas famílias, a qualidade de sua educação, nem a alegria de seu lazer. É indiferente a decência de nossas fábricas. Não compreende a beleza de nossa poesia ou a solidez dos nossos matrimônios.

Não leva em conta a justiça das nossas revelações. Não mede nem a nossa intelectualidade, nem a nossa coragem, nem a nossa sabedoria, nem os nossos conhecimentos, nem a nossa compaixão, nem a devoção ao nosso País.”

Bem, esta é uma reflexão propositiva, através dela eu expresso a dimensão ética e a dimensão política de nosso papel como cidadãos.

Decidamos juntos, o que de fato queremos que esteja contido no PIB do Ceará e do País. Vamos aceitar a fome e a miséria ? Que é produto de uma política embalada e mantida nos desmandos e nos desfalques de outrora. Ou vamos construir um novo PIB ? Que representará alimento para todos, educação, que é o verdadeiro caminho do homem livre, desconcentração de renda e desenvolvimento.

Então sejamos todos protagonistas do cotidiano eficiente, elevemos sim nosso espírito acima da intolerância, da corrupção e do preconceito, e unidos alcancemos o PIB que queremos, o PIB que será o Produto de Interesse do Brasil.

Muito obrigada

 

Fonte: FIEC

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