:: 14.12.03 ::

Pólo Graniteiro no Ceará: Setor fatura US$ 3 milhões por ano


Neysla Rocha


O granito é encontrado no Cariri, onde 1.500 famílias trabalham no setor, responsável pela geração de 6 mil empregos
O Ceará produz, hoje, 220 mil toneladas/ano de pedras ornamentais e de revestimento, respondendo por 2% da produção nacional de granito, o que significa dizer que o setor embolsa US$ 3 milhões/ano. Do total das pedras ornamentais produzidas, 85% é granito e 15% são naturais (pedras Cariri). O produto é encontrado no Cariri (região do Estado), onde 1.500 famílias trabalham no setor, responsável pela geração de seis mil empregos diretos e indiretos. O mercado foi aquecido nos últimos dois anos e a perspectiva é de que ainda em 2003, atinja a cifra de US$ 500 milhões de exportação, já que no ano passado foram exportados US$ 338,8 milhões e 1,26 milhões de toneladas.

No momento, existem somente nove empresas de beneficiamento de pedras ornamentais no Ceará. O metro quadrado do granito cearense (o produto considerado nobre) é comercializado a R$ 100,00. O chamado “da batalha”, menos nobre, pode sair pela metade desse valor o metro quadrado, avalia Francisco Wilson Hollanda Vidal, engenheiro de Minas, com doutorado na Itália no setor de rochas ornamentais, coordenador de Apoio à Pequenas e Médias Empresas do Centro e Tecnologia Mineral do Ministério da Ciência e Tecnologia (Cetem) e consultor do Sindicato de Mármores de Granitos no Ceará (Simagran).

Diz que o mercado externo foi a única alternativa que os produtores tiveram para enfrentar a crise, nos últimos dois anos, ocasionada principalmente pela mudança de governo e a recessão. No mercado mundial, o Brasil saiu da 12ª colocação do ranking dos maiores exportadores de rochas processadas, em 1999 para a 8ª, em 2001, com a perspectiva de atingir o 6º posto em 2003, conforme estima Cid Chiodi Filho, geólogo e consultor da Associação Brasileira das Indústrias de Rochas Ornamentais (Abirochas). O Ceará ocupa a 6ª colocação no mercado em material bruto e, desce para a 4ª colocação em material acabado, explica Francisco Hollanda.

O “boom” do setor de pedras ornamentais no Estado ocorreu entre 1900 a 1995, quando em 1993, o governo criou o pólo graniteiro do Ceará, impulsionado pelos incentivos fiscais do Fundo Constitucional do Nordeste ( FNE). A queda foi devido à falta de financiamentos e também de experiência dos empresários. Atualmente, a produção cearense está direcionada à exportação, atingindo desde os estados vizinhos como Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte, passando pelos Estados Unidos, Europa e Ásia.

Nesse contexto, o Ceará é responsável por 2% da produção nacional de granito o que representa em termos econômicos, algo em torno de US$ 3 milhões/ano. Em 1995, o mercado atingiu US$ 1,3 milhão e, em 1994, US$ 2 milhões. Além do mercado externo, outro comprador representativo são as grandes construtoras. No geral, as pedras produzidas no Ceará são de materiais resistentes e duradouros, admite Francisco Hollanda.

Na opinião do pesquisador, o grande problema que o mercado de pedras ornamentais e granito enfrenta hoje não é o de desenvolvimento tecnológico da atividade da mineração, justificando que existe produção científica suficiente sobre o assunto. O que emperra mesmo é a falta de conhecimento sobre o uso do produto por parte dos consumidores. Em outras palavras: há carência de conhecimento nos bancos das escolas, passando pelos alunos dos cursos de Arquitetura e de Engenharia Civil, reclama Francisco Hollanda. O que não acontece com a cerâmica, cujas informações são bastante disseminadas, existindo empresas que se encarregam de fazer isso. O mesmo não acontece com o granito.

De acordo com Francisco Hollanda, falta conhecimento tecnológico por parte do arquiteto. É preciso conhecer para escolher, argumenta, completando que “ele vai mais pela estética, não especifica o rendimento da pedra por desconhecer o material”. (IS)

Fonte: Diário do Nordeste

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