:: 20.01.04 :: |
| Parceria necessária para o desenvolvimento do Nordeste |
José Sydrião de Alencar Júnior
A parceria do Banco do Nordeste com o meio acadêmico está presente desde os primeiros momentos do efetivo funcionamento do BNB, nos idos de 1954, quando é incorporado à sua estrutura o Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (Etene), que será responsável nas décadas seguintes por importantes estudos, pesquisas e diagnósticos da realidade nordestina, imprescindível para a formulação das diretrizes, estratégias e operacionalização da função de desenvolvimento do BNB. A necessidade de trabalhos técnicos, como também de treinamento para seu corpo de funcionários aproxima o BNB da academia em um processo virtuoso tanto para o banco como para universidade, pois se por um lado a empresa é beneficiada, devemos lembrar que os principais cursos de pós-graduação das áreas de economia e ciências agrárias tiveram importantes subsídios do BNB nos seus primeiros tempos de instalação e consolidação até os anos setenta, quando o CNPq e a Capes assumem importante função provedora para estes cursos fundamentais para o desenvolvimento científico. A ação do BNB com a universidade também teve seu caráter pioneiro, quando o banco cria, em 1971, o Fundo de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Fundeci), que nestas três décadas financiou mais de 800 pesquisas aplicadas à realidade nordestina, em especial voltadas para a convivência do homem com o semi-árido, e no seu maior peso feitas nos departamentos das universidades nordestinas, destacando-se pesquisas relacionadas ao melhoramento de ovinos e caprinos, manejo da caatinga orientadas para a conservação deste importante ecossistema, de fármacos derivados da nossa flora, e outras de natureza econômica e social. A realidade que se apresenta neste momento, no que diz respeito à academia regional, é bastante diferente daquela dos anos cinqüenta, pois, no presente, a universidade regional dispõe de vários grupos de pesquisa de reconhecimento nacional e internacional e uma massa crítica de pesquisadores que permitem uma melhor compreensão da realidade local pelos próprios nordestinos. Na oportunidade que os reitores das universidades federais se reuniram em Fortaleza na semana passada, o presidente do BNB colocou de forma aberta a diretriz do banco em estreitar cada vez mais a parceria com a academia regional, para isso indicando que atual administração em 2004 promoveu um incremento de mais de 60% da verba do Fundeci destinada à pesquisa com recursos próprios do BNB, sem necessidade de reembolso, estando para isso abertas as inscrições para projetos de pesquisas nas áreas tecnológicas, como também para grupos de pesquisadores que desejam participar da Rede Nordeste de Biotecnologia (Renorbil), que dispõe também de recursos do Ministério da Ciência e Tecnologia, conforme edital constante no endereço eletrônico do banco (www.bnb.gov.br). O processo de parceria do BNB e as universidades nordestinas não se restringe apenas ao financiamento de pesquisas tecnológicas, voltadas para o semi-árido, acontecendo também em estudos e pesquisas nas áreas das ciências sociais aplicadas, tanto com relação a diagnósticos da realidade regional, nos processos de avaliação de políticas e programas que o banco operacionaliza, nos programas de bolsas que o BNB oferece anualmente para alunos de graduação, nas publicações conjuntas de obras de interesse científico da academia e em financiamentos a empreendimentos originários da universidade, como no caso das empresas incubadas de base tecnológica. Portanto, a diretriz da atual administração de estreitar cada vez mais o diálogo do Banco do Nordeste, tanto com instituições estatais como entidades da sociedade civil com o objetivo de um trabalho conjunto de desenvolver a região, faz com que a perspectiva de uma parceria do BNB com as universidades regionais se torne indispensável, pois a academia é a principal geradora de conhecimento, fator este fundamental para superar os entraves ao desenvolvimento do Nordeste.
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