:: 29.04.02 ::
BNDES libera R$ 70 mi ao Ceará


O presidente do BNDES revelou que foram liberados R$ 70 milhões em projetos para o Ceará entre janeiro e março deste ano

Marcos Palhares - Da Editoria de Economia

Carvalho e outros 15 diretores do BNDES realizam, na Fiec, a primeira reunião da diretoria do banco fora da sede, que fica no Rio de Janeiro.

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Eleazar de Carvalho Filho, revelou que foram liberados R$ 70 milhões em projetos para o Ceará entre janeiro e março deste ano, o que representa um aumento de 45,8% em relação aos R$ 45 milhões registrados no mesmo período do ano passado.

De novembro de 2000, quando foi instalado o posto avançado do BNDES na sede da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), até o mês passado, as liberações de recursos para o Estado já somam R$ 618,69 milhões. No período, 1.650 empresas foram atendidas, com pleito total de financiamento de R$ 1,84 bilhão.

Hoje, Eleazar de Carvalho e outros 15 diretores e executivos que compõem a diretoria do BNDES vão realizar, às 9 horas, na Fiec, a primeira reunião da diretoria do banco fora da sede, que fica no Rio de Janeiro. Às 18 horas, a comitiva vai participar de uma reunião aberta com a diretoria da Fiec, quando receberão reivindicações encaminhadas por sindicatos e empresas do segmento industrial cearense. Ontem, o presidente do BNDES concedeu ao Diário do Nordeste a seguinte entrevista:

Diário do Nordeste - Por que Fortaleza foi escolhida para sediar a primeira reunião do BNDES fora de sua sede?

$O posto avançado aqui do Ceará, inaugurado em novembro de 2000, tem tido um grande apoio da Fiec, que tem sido muito pró-ativa em atrair interesses de empresários da região. Então, nesse período de funcionamento, já atendemos 1.650 consultas, e isso é muito positivo, mostra que realmente está havendo interesse pelo produto. Nós já vimos um crescimento em termos de desembolso, foram R$ 70 milhões no primeiro trimestre deste ano, contra R$ 48 milhões no primeiro trimestre do ano passado. É uma região importante para o País e aqui nós vamos ter a oportunidade de discutir na diretoria alguns temas mais amplos, aprovar alguns projetos de interesse que vou especificá-los e analisarmos como o sistema está funcionando, que tipo de questionamentos nós temos, onde é que nós podemos melhorar e, neste conjunto também, ter contato com os empresários e visitar alguns projetos que o Banco aprovou.

Essas reuniões serão estedidas a outras regiões?

Sim. É uma cobinação que nós queremos fazer a próxima no Sul, no Centro-Oeste, enfim, passar por todas as principais regiões e em cada local aproveitar para focar em cada questão regional. O desenvolvimento regional é uma das sete dimensões que foram identificadas no planejamento estratégico do BNDES como sendo parte da gestão até 2005, onde é que o Banco quer atuar. Eu acho que é uma boa forma de estar na ponta, de estar próximo ao empresário, de estar conhecendo os problemas e, ao mesmo tempo, estar atendendo todas as regiões do País.

Já existe algum projeto rgional a ser trabalhado aqui no Ceará? Um dos projetoque devem ser aprovados, caso a diretoria assim julgue na reunião desta segunda-feira, é um fundo regional onde o Banco vai estar entrando com R$ 20 milhões -esse fundo poderá chegar a R$ 30 milhões -que vai formar uma rede de atuação na região, e certamente vai contar com o auxílio da Federação das Indústrias e também da Bolsa de Valores, além de alguns administradores de recursos não só da região como de fora do Nordeste, e com isso vai focar em projetos de natureza tecnológica. Eu acho que nós temos, não só na questão da tecnologia da informação, mas também em outras áreas em que se tem uma base de competitividade, o interesse em olhar empresas que precisam de capital de risco, que possam crescer e ter o apoio do Banco e que se identifique futuras companhias que devam ser empresas abertas. E já introduzir, desde a sua origem, alguns conceitos importantes não só no sentido de gestão de risco, mas também no sentido de como os investidores hoje em dia olham os investimentos em bolsas de valores, que é a questão da governança corporativa.

Que outras iniciativas serão discutidas?

Uma outra área, que já fazemos com a pequena e média empresa (que representam um quarto do orçamento do Banco), é a distribuição do produto através da rede. No Nordeste nós temos uma série de bancos que atuam em conjunto com o BNDES - o Banco do Nordeste é o mais importante deles - e, portanto, nós vamos conversar com essas instituições, em termos de como eles olham a pequena e média empresa, onde é que pode melhorar a cadeia produtiva, olhar um conceito de uma empresa âncora, uma empresa maior que, através dela, se possa viabilizar financiamentos para empresas menores e estimular que essas instituições trabalhem em conjunto com o Banco com esse objetivo.

Para encerrar, como está a situação da siderúrgica do Porto do Pecém? Existem interesses da Coréia e da Itália, não?

O Banco enqdrou a siderúrgica em julho de 2001. Nesse processo, através de um julgamento técnico, ele entende que a operação tem méritos, que ela pode ser apoiada sob determinadas condições. Então, esse enquadramento viabiliza uma parcela de recursos do projeto e depende não só desses que você citou, como da Vale do Rio Doce, que tem interesse no projeto. Hoje, o projeto está em fase de estudo na medida em que ele é viável se todas as fontes de recurso estiverem sendo identificadas. Nós temos trabalhado em conjunto com esses parceiros e depende desses outros parceiros para que eles identifiquem uma fonte de recursos. Um projeto como esse tem uma parcela de capital e outra de dívida. O Banco já tem o enquadramento de sua parcela de dívida. Essas fontes tem tido muitas reuniões e, fechando o bloco da fonte de recursos, daí sim o projeto virá para a diretoria para ser aprovado. É um projeto importante, parece ter um potencial de ter uma usina competitiva pra exportação e o Banco está atuando em conjunto com outras instituições privadas de financiamento, algumas internacionais.

Fonte: Jornal Diário do Nordeste

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