:: 25.01.03 ::
JORGE PARENTE
BEC - Falta apoio para investimentos -


Compete ao Estado, juntamente com a sociedade e a iniciativa privada, assegurar à classe produtora o esteio ao desenvolvimento de suas atividades, como por exemplo a manutenção, de um banco estatal.

Jorge Parente Frota Júnior
Empresário


O segmento industrial do Ceará vem se ressentindo, nos últimos 20 anos, da carência do necessário e adequado apoio financeiro para custeio dos investimentos e do capital de giro de suas atividades. O crédito bancário, quase inacessível a empresas de pequeno e médio porte, cada vez mais se faz ausente, inibindo o seu desenvolvimento e comprometendo a saúde financeira desses empreendimentos.

A massa de poupança formada no Estado, historicamente, é de reduzida significação. Por outro lado, não se avançou ainda na cultura dos negócios próprios do mercado de ações conduzidos pelas Bolsas de Valores, de reconhecido poder na alavancagem da estrutura do capital das empresas.


Jorge Parente Frota Júnior é presidente da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec)

A riqueza monetária que circula no sistema bancário local é dirigida com absoluta prioridade para as regiões do Sul e Sudeste do país, mais prósperas e, por isso mesmo, melhor remuneradoras do capital dos investidores.

Ali se localizam as matrizes e sedes dos bancos. De lá, bem longe do foco das ações das empresas locais pleiteantes dos financiamentos, se irradiam as decisões sobre o objeto dos pedidos, quase sempre desfavoráveis ao interesse dos proponentes.

É de se ponderar, de outra parte, que após o desaparecimento e retirada do mercado de importantes equipamentos oficiais voltados à assistência creditícia, principalmente na área de investimentos, como era o caso da Codec e do Bandece - no passado, de relativa importância no apoio à indústria cearense -, restou, na estrutura do Estado, como agente indutor do desenvolvimento, apenas o Banco do Estado do Ceará (BEC), ainda assim voltado mais para as operações comerciais.

Ao contrário da não estadualização dos recursos aqui captados pelos bancos privados, que não os aplicam no Ceará, mas transferem-nos para as regiões mais ricas, debilitando e tornando frágil a fonte local dos meios pecuniários, o BEC, pela própria essência de sua rede de agências, internaliza os depósitos no repasse a financiamentos concedidos às empresas, suas clientes.

Se a privatização do BEC vier a ocorrer, o seu controle acionário fatalmente passará para mãos de banqueiros sediados fora do Estado. Novamente, falecerá ao empresário cearense a disponibilidade dos recursos aqui captados, no tempo e no volume requeridos. Mais uma vez se afiguraria prejudicial a privatização.

A experiência tem revelado, no entanto, que, em muitos casos de bancos oficiais, não têm sido salutar a sua gestão, quase sempre atropelada por interesses escusos de certos políticos não comprometidos com a ética que deve prevalecer nas coisas do Estado. Não considero, todavia, impossível a correção dessas atípicas distorções. Um acompanhamento rigoroso na aplicação do ideário estabelecido para o banco afastaria essa indesejável intromissão.

De qualquer sorte, compete ao Estado, juntamente com a sociedade e a iniciativa privada, encontrar soluções alternativas que assegurem à classe produtora o esteio necessário ao desenvolvimento de suas atividades econômicas, como por exemplo a manutenção, sob a órbita governamental, do banco estatal, atrelado a uma agência de desenvolvimento, instituída em aliança do Governo e segmento empresarial, com espaço para o apoio a micro e pequenas empresas, à semelhança de um banco popular.

A Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), fiel à sua vocação de liderança empresarial, já participa, juntamente com outras federações e Estados, de uma agência de fomento, que se compromete apoiar empresas emergentes da região. A Fiec também pode disponibilizar ao Governo do Estado, para uma nova parceria, projeto em já formulação para criação de uma agência cearense de fomento e desenvolvimento de sua economia. A entidade manifesta-se aberta e favorável a apoiar entendimentos visando à formação de uma estrutura financeira própria, do Governo e da sociedade, qualificada para atrair recursos a serem destinados ao fortalecimento das empresas cearenses.

Jorge Parente Frota Júnior é presidente da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec)
 

Fonte: Portal da FIEC

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