:: 27.04.03 :: |
A nova Sudene |
João Jaime Marinho Deputado estadual-PSDB Não devemos abandonar as grandes idéias, principalmente aquelas que já produziram resultados e trouxeram benefícios para a sociedade, mas que num certo momento, por distorções de suas finalidades, tornaram-se marcas desacreditadas e descartadas sem justificação convincente nem a aprovação da sociedade. A sociedade tem perdido muito com esse tipo de confisco de instituições públicas de renome. Órgãos responsáveis por grandes idéias, programas e projetos de desenvolvimento desapareceram ou foram substituídos por outros inadequados, deixando vacâncias irreparáveis nas estruturas administrativas. Outros foram propositadamente esvaziados e com o tempo inviabilizados. É o caso da Sudene que só não foi extinta por uma reação das lideranças nordestinas. De uma repartição técnica da maior importância e um longo histórico de serviços prestados à região, ela se viu esvaziada de tal forma que ameaçou ruir de vez, perdendo a força e o prestígio que teve no passado na sua função de braço forte do governo federal no Nordeste para coordenar o desenvolvimento regional. Para a região é um golpe negativo, como seria acabar também com o Dnocs ou com o Banco do Nordeste, em vez de fortalecê-los ou substituí-los por estruturas atualizadas e eficazes. É incontestável a importância da Sudene para o desenvolvimento do Nordeste. O Pólo Petroquímico da Bahia, o Pólo de Confecções do Ceará, a irrigação e a agroindústria do São Francisco, os pólos de fruticultura do Rio Grande do Norte, a industrialização do Ceará, do Norte de Minas e de outros Estados tiveram o dedo da Sudene. Os erros que resultaram em desvios de recursos por uma parcela de aproveitadores não justificam sua decapitação pura e simples sem antes considerar os aspectos econômicos e sociais positivos que desenvolveu nas várias frentes: desde a produção de alimentos nas áreas úmidas aos programas de desenvolvimento do semi-árido, combate à desertificação, monitoramento climático e desenvolvimento sustentável, entre outros. Foi a Sudene quem primeiro colocou em prática no meio rural o método Paulo Freire de alfabetização, com as cooperativas de Pernambuco. As mulheres se dedicavam ao corte e costura para produção de roupas, enquanto as crianças iam à escola e os adultos aos cursos noturnos de alfabetização. Neste momento em que se discute a solução Nordeste e nela a restauração da Sudene sob nova configuração, é preciso envolver a sociedade no debate, para que ela tenha voz e vez na montagem dos próprios mecanismos que a ela se destinam para as transformações regionais desejadas. Para evitar os erros do passado, é importante comprometer a sociedade com a proposta da nova Sudene, de sorte que os recursos a serem injetados em novos projetos e programas de desenvolvimento da região tenham o retorno social garantido, evitando a manipulação criminosa pela má gestão e desvio de suas finalidades.
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| Fonte: Diário do Nordeste |