:: 31.05.03 ::

ENQUETE: É correto manter os juros altos?


Apesar da pressão que sofreu de setores industriais, inclusive do vice-presidente da República, José Alencar, o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve os juros em 26,5%, em reunião de 21 de maio. Apesar de resolvida a questão, pelo menos até o próximo mês, a polêmica continua. Enquanto o governo afirma que a inflação não está domada, por isso a necessidade do ''remédio amargo'', setores produtivos avaliam que essa política traz prejuízos à indústria e ao comércio e, conseqüentemente, ao crescimento do país.

Redução
''Os juros exorbitantes praticados no país são um dos fatores macroeconômicos prejudiciais à retomada do crescimento industrial. A partir da estabilidade cambial dos últimos meses, e com o equilíbrio da inflação, é possível reduzir as taxas de juros. Isso desafogaria as empresas, que poderiam novamente voltar a investir, gerando mais empregos no país. Persistindo com essa política, a economia não cresce, o PIB cai e há uma estagnação econômica. O Brasil precisa retomar o caminho do crescimento para superar a frustração de sua força de trabalho, e o conseqüente fortalecimento do seu mercado interno''.
Jorge Parente Frota Júnior
Pres. da Fed. das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec)

Equívoco
''No meu entender, a política de juros altos cumpriu importante papel no início do ano, quando as pressões inflacionárias estavam a ameaçar o funcionamento da economia. No entanto, as recentes previsões sobre inflação, indicam uma taxa anualizada da ordem de 8,5%, o que faz da manutenção da taxa de juros em 26,5% um equívoco. No plano público traz desdobramentos deletérios sobre a já combalida condição fiscal, e no plano privado inibe mais ainda o nível de transações na economia. Portanto, o efeito predominante será negativo''.
Marcos Flávio Pinheiro
Pres. do Centro Industrial do Ceará (CIC)

Crescimento
''É evidente o consenso do setor produtivo em torno da clarividência dos atuais gestores do País e de que a diminuição gradual das taxas de juros, de fato, é o melhor caminho a seguir. Entretanto, mesmo sendo essencial a prudência, já passou da hora de iniciar o processo de descida dos juros, que pode ser constituída passo a passo, com pequenas reduções. Ora, se a inflação vem indicando processo de queda, o mais coerente ao discurso e à expectativa de melhoria nas condições de vida do povo brasileiro é baixar o valor da taxa selic para que o Brasil possa retomar seu crescimento''.
Emília Buarque
Coord. da Ass. dos Jovens Empresários (AJE)

Fonte: O Povo

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