Apesar da pressão que sofreu de setores industriais, inclusive
do vice-presidente da República, José Alencar, o Comitê
de Política Monetária (Copom) manteve os juros em 26,5%,
em reunião de 21 de maio. Apesar de resolvida a questão,
pelo menos até o próximo mês, a polêmica continua.
Enquanto o governo afirma que a inflação não está
domada, por isso a necessidade do ''remédio amargo'', setores
produtivos avaliam que essa política traz prejuízos à
indústria e ao comércio e, conseqüentemente, ao crescimento
do país.
Redução
''Os juros exorbitantes praticados no país são
um dos fatores macroeconômicos prejudiciais à retomada
do crescimento industrial. A partir da estabilidade cambial dos últimos
meses, e com o equilíbrio da inflação, é
possível reduzir as taxas de juros. Isso desafogaria as empresas,
que poderiam novamente voltar a investir, gerando mais empregos no país.
Persistindo com essa política, a economia não cresce,
o PIB cai e há uma estagnação econômica.
O Brasil precisa retomar o caminho do crescimento para superar a frustração
de sua força de trabalho, e o conseqüente fortalecimento
do seu mercado interno''.
Jorge Parente Frota Júnior
Pres. da Fed. das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec)
Equívoco
''No meu entender, a política de juros altos cumpriu
importante papel no início do ano, quando as pressões
inflacionárias estavam a ameaçar o funcionamento da economia.
No entanto, as recentes previsões sobre inflação,
indicam uma taxa anualizada da ordem de 8,5%, o que faz da manutenção
da taxa de juros em 26,5% um equívoco. No plano público
traz desdobramentos deletérios sobre a já combalida condição
fiscal, e no plano privado inibe mais ainda o nível de transações
na economia. Portanto, o efeito predominante será negativo''.
Marcos Flávio Pinheiro
Pres. do Centro Industrial do Ceará (CIC)
Crescimento
''É evidente o consenso do setor produtivo em torno
da clarividência dos atuais gestores do País e de que a
diminuição gradual das taxas de juros, de fato, é
o melhor caminho a seguir. Entretanto, mesmo sendo essencial a prudência,
já passou da hora de iniciar o processo de descida dos juros,
que pode ser constituída passo a passo, com pequenas reduções.
Ora, se a inflação vem indicando processo de queda, o
mais coerente ao discurso e à expectativa de melhoria nas condições
de vida do povo brasileiro é baixar o valor da taxa selic para
que o Brasil possa retomar seu crescimento''.
Emília Buarque
Coord. da Ass. dos Jovens Empresários (AJE)