:: 25.11.02 ::
Visão do mercado Internacional, na ótica de Paul Krugman Doutor em economia pelo MIT Prof da Princeton Schooll e colunista do NY Times


A proposta do Partido dos Trabalhadores, de dialogar com o FMI, é vista com bons olhos pelo economista e colunista do NY Times, Paul Krugman. Contudo, o subsídio agrícola proposto no programa de governo do novo presidente ainda incomoda a comunidade internacional.

Entretanto, embora essa política de flexibilização de regras seja interessante para o EUA, ela não é bem vista pelo secretário norte-americano, Paul O’Neil, que não gosta de mudar as regras. É bom lembrar que O’Neil é aquele secretário que falou mal do Brasil e teve que se retratar posteriormente.

Outro fator importante é o fato de o presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, ser visto no mercado americano como um futuro Fidel Castro. Nesse sentido, se espera que ele prove o contrário para o mercado, tranqüilizando-o e permitindo a volta dos investidores ao Brasil, como aconteceu em 1998. Krugman reconhece que, dado o novo cenário mundial com a perspectiva de uma nova guerra com o Oriente Médio, fica difícil dizer se este retorno será no curto prazo.

O professor Krugman posiciona-se como um crítico do atual governo Bush e acredita que, se a guerra começar no Iraque, dificilmente vai parar por ali. O economista afirma que o conflito deverá se estender pelo Oriente Médio e resultar numa nova crise nos preços do petróleo, como aconteceu em 1979. Para Krugman, a guerra poderá detonar uma "síndrome do medo", resultante do fato de lutar contra o desconhecido. “Uma briga contra a Rússia, por exemplo, seria uma coisa clara, uma luta de exércitos. Os EUA poderiam atacar a Rússia com os braços algemados, contudo, lutar contra o Oriente Médio é contra o desconhecido, e o Americano não esta preparado para isto”, disse.

Voltando ao assunto econômico, Krugman afirma que os EUA sabem de nosso desempenho econômico, principalmente quando comparado à economia européia. Porém, existe um pânico no mercado deixando os investidores céticos. “É a chamada crise da desconfiança que foi restabelecida”. Contudo, Krugman acredita que a recuperação da confiança do mercado no Brasil será de, no máximo, 18 meses.

Para o economista, devido a essa desconfiança, os investidores cobram taxas de empréstimo muito altas para o Brasil. Ele acredita que, caso o país tivesse que pagar taxa de 4% ao ano, como ocorre nos países desenvolvidos ou até, no máximo, 8%, o superávit primário que o país produz seria suficiente para reduzir a dívida paulatinamente.

Kugman disse que, embora problemática, a economia brasileira está longe dos problemas enfrentados pela Argentina. Para ele, existem grandes chances de nossa economia se restabelecer devido a N fatores positivos, “que vão desde a confiança política, resultados econômicos de bons desempenhos e políticas fiscais competentes, chegando a arrecadar até 35% do PIB, um pouco mais que a máquina americana”, afirmou.

Segundo Krugman, Lula deve adotar uma política de Centro, com suas políticas sociais, porém com responsabilidade fiscal, “mas se for conservador demais em termos fiscais, isso será ruim para a economia, pois não será factível", complementou. O economista disse que uma grande preocupação dos Estados Unidos hoje, levando em conta o excesso de gastos da guerra, é que hoje há 50% de chances de os Estados Unidos entrarem numa espiral deflacionária, como já vive o Japão, onde o consumo interno muito fraco ocasiona grandes problemas sociais, devido ao desaquecimento da economia interna.

Ao comparar o Brasil com a China, Krugman reconheceu que o país é um sério concorrente dos países latinos em geral, pois, embora seja pobre, a China, no que diz respeito à educação básica, está em melhor situação. Ele lembrou a situação da Coréia do Sul, que saiu de uma situação de quase fome para o primeiro mundo em curtíssimo tempo, impulsionado pelo desenvolvimento tecnológico.

Artigo do diretor da FIEC, Marcos Veríssimo de Oliveira, apresentado durante a reunião da FIEC do dia 18.
 

Fonte: FIEC On LINE

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