UNIVERSIDADE
DE BRASÍLIA
FACULDADE DE EDUCAÇÃO
SESI-EDUCAÇÃO DO TRABALHADOR
II
UNIVERSIDADE
DE BRASÍLIA
FACULDADE DE EDUCAÇÃO
SESI-EDUCAÇÃO
DO TRABALHADOR
III
MONOGRAFIA APRESENTADA À FACULDADE DE EDUCAÇÃO DA UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA COMO REQUISITO PARCIAL PARA A OBTENÇÃO DO GRAU DE ESPECIALISTA EM FORMAÇÃO DE FORMADORES EM EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS, EM CUMPRIMENTO ÀS NORMAS DO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO DA FACULDADE DE EDUCAÇÃO E DO REGIMENTO GERAL DA UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA, SOB A ORIENTAÇÃO DA PROFESSORA DOUTORA OLGAMIR FRANCISCO DE CARVALHO
IV
Esta Monografia foi orientada, lida e aprovada pela
Comissão Examinadora da candidata e aceita como parte dos requisitos da
Universidade de Brasília para a obtenção do grau de
Título da
Monografia
Comissão
Examinadora:
Profa. Dra.
Olgamir Francisco de Carvalho (orientadora)
Prof. Dr.
Gilberto Lacerda Santos
V
SUMÁRIO
Lista de Tabelas, Quadros e Gráficos ............................................................................ XI
Resumo .......................................................................................................................... XV
Introdução ....................................................................................................................... 1
Capítulo I – A Criação do SESI e a Conjuntura Nacional .............................................. 8
Capítulo II – O Programa SESI-Educação do Trabalhador como Estratégia de Responsabilidade Social ............................................................................ 28
1.
O Que é o Programa SESI-Educação do Trabalhador? ........................... 30
2.
A Visão dos Principais Atores do Programa............................................ 41
2.1.
O Aluno ...................................................................................... 41
2.2.
O Professor ................................................................................. 52
2.3.
O Coordenador/Supervisor ......................................................... 57
2.4.
As Empresas Parceiras ............................................................... 63
VI
Conclusão ...................................................................................................................... 67
Bibliografia
.................................................................................................................... 74
Apêndices e/ou Anexos
......................................................................................... 77
Questionários
Avaliação
do curso na ótica do cliente (aluno) ............................................................ 78
Avaliação de desempenho do Programa SESI-Educação do Trabalhador na ótica de
seus colaboradores (grupo gestor e corpo docente) .................................................... 81
Avaliação do Programa SESI-Educação do Trabalhador em 2001 na ótica do cliente (empresas) ................................................................................................................... 84
Tabelas/Quadros
Tabela 1 – Analfabetismo brasileiro de 1940 a 1980 .................................................. 86
Tabela 2 – Índice de analfabetismo na indústria brasileira em 1998 ........................... 86
Tabela 3 – Metas do Programa SESI-Educação do
Trabalhador de 1998 a 2002 ........ 86
Tabela 4 – Atendimentos de Educação de Jovens e
Adultos feitos pelo SESI de 1991
a 1998
......................................................................................................... 87
Quadro 5 – Profissão dos alunos do Programa
SESI-Educação do Trabalhador ........... 87
Quadro 6 – Resultados quantitativos do Programa SESI-Educação do Trabalhador –
1991 a 2001. ............................................................................................... 89
Quadro 7 – Empresas atendidas pelo Programa
SESI-Educação do Trabalhador em
1998 ............................................................................................................ 90
Quadro 8 – Empresas atendidas pelo Programa
SESI-Educação do Trabalhador em
1999 ........................................................................................................... 91
Quadro 9 – Empresas atendidas pelo Programa
SESI-Educação do Trabalhador em
2000 ........................................................................................................... 92
Quadro 10 – Empresas atendidas pelo Programa
SESI-Educação do Trabalhador em
2001 ......................................................................................................... 93
Quadro 11 – Empresas atendidas pelo Programa
SESI-Educação do Trabalhador em
2002 .......................................................................................................... 94
VII
Gráfico 1 – Atendimentos do Programa SESI-Educação do Trabalhador de 1991 a
1998 ......................................................................................................... 95
Gráfico 2 – Atendimentos do Programa SESI-Educação do Trabalhador de 1998 a
2002 .......................................................................................................... 95
Gráfico 3 –
Sexo dos alunos do Programa ................................................................... 96
Gráfico 5 –
Serviços prestados pelo SESI ................................................................... 97
Gráfico 6 –
Informações prestadas pelo SESI ............................................................. 97
Gráfico 7 –
Domínio do conteúdo pelos professores .................................................. 97
Gráfico 8 –
Metodologia aplicada pelos professores .................................................. 97
Gráfico 9 –
Recursos didáticos utilizados pelos professores ...................................... 98
Gráfico 10
– Informações e explicação dadas pelos professores nas aulas
................ 98
Gráfico 11
– Relacionamento professor
x aluno ...................................................... 98
Gráfico 12
– Conteúdos do curso ................................................................................ 99
Gráfico 13
– Carga horária do curso ............................................................................ 99
Gráfico 14
– Qualidade do material didático das disciplinas ....................................... 99
Gráfico 15
– Aprendizagem adquirida no curso ........................................................... 100
Gráfico 16
– Acompanhamento pedagógico do curso .................................................. 100
Gráfico 17
– Autonomia da equipe de gestão ............................................................... 100
Gráfico 18
– Relacionamento coordenador
x aluno
..................................................... 101
Gráfico 19
– Estrutura física da sala de aula (espaço) .................................................... 101
Gráfico 20
– Estrutura física da sala de aula (iluminação) ............................................. 101
Gráfico 21
– Estrutura física da
sala de aula (mobiliário) ............................................. 102
Gráfico 22
– Recursos audiovisuais ................................................................................ 102
Gráfico 23
– Ganhos pessoais proporcionados pelo curso aos alunos ............................ 102
VIII
Gráfico 24
– Ganhos profissionais promovidos pelo curso aos alunos ...................... 103
Gráfico 25
– Especificação dos ganhos ....................................................................... 103
Gráfico 26
– Dificuldades sentidas pelos alunos durante o curso ....................... 103
Gráfico 27
– Especificação das dificuldades ............................................................... 103
Gráfico 28
– Sugestões para a dinamicidade do curso e crescimento do Programa
.... 104
Gráfico 29 - Tempo de permanência do professor no Programa ................................ 105
Gráfico 30
– Função que os professores desempenham no Programa ........................ 105
Gráfico 31
– Metodologia com a qual os professores trabalham ................................ 105
Gráfico 32
– Estrutura física das salas de aula para o professor ................................. 106
Gráfico 33
– Acesso ao local de trabalho .................................................................... 106
Gráfico 34
– Recursos tecnológicos ............................................................................ 106
Gráfico 35
– Informações sobre a qualidade dos serviços ......................................... 106
Gráfico 36
– Agilidade da gestão na solução de problemas ........................................ 107
Gráfico 37
– Clareza nas informações ......................................................................... 107
Gráfico 38
– Organização da equipe gestora ............................................................... 107
Gráfico 39
– Relacionamento humano-profissional professor x
aluno ......................
107
Gráfico 40
– Relacionamento professor
x coordenador x supervisor
....................... 108
Gráfico 41
– Relacionamento coordenador
x supervisor
.......................................... 108
Gráfico 42
– Reuniões pedagógicas ............................................................................ 108
Gráfico 43
– Suporte pedagógico ao professor ........................................................... 108
Gráfico 44
– Organização do trabalho pedagógico ...................................................... 109
Gráfico 45
– Autonomia do núcleo gestor ................................................................... 109
Gráfico 46
– Desempenho da coordenação do Programa ........................................... 109
Gráfico 47
– Desempenho da coordenação de área/supervisão ................................... 109
IX
Gráfico 48 – Serviços de secretaria ........................................................................... 110
Gráfico 49
– Desempenho da função docente ............................................................. 110
Gráfico 50
– Aplicação da teoria à prática pelos professores .............................. 110
Gráfico 51
– Habilitação do Professor para a função ................................................. 110
Gráfico 52
– Relacionamento interpessoal dos professores ........................................ 111
Gráfico 53
– Interesse dos professores pelo aperfeiçoamento profissional
................ 111
Gráfico 54
– Espírito de colaboração dos professores para o crescimento do Programa . 111
Gráfico 55
- Equilíbrio
emocional da equipe docente
............................................... 111
Gráfico56- Competência técnico-profissional: seriedade,
responsabilidade,
pontualidade,
assiduidade
........................................................................ 112
Gráfico 57
– Função da equipe gestora no Programa ................................................. 113
Gráfico 58
– Metodologia pela qual são responsáveis ............................................... 113
Gráfico 59
– Local de atuação da equipe gestora ...................................................... 113
Gráfico 60 – Acesso aos locais de
trabalho (salas de aula) ....................................... 114
Gráfico 61
– Aparatos tecnológicos .......................................................................... 114
Gráfico 62 – Informações prestadas
pelo Programa aos clientes ............................. 114
Gráfico 63
– Agilidade da equipe gestora na solução dos problemas ...................... 114
Gráfico 64
- Organização dos serviços pela equipe gestora ..................................... 115
Gráfico 65
– Relacionamento professor
x aluno
.................................................... 115
Gráfico 66
– Relacionamento professor
x coordenação
......................................... 116
Gráfico 67
– Comunicação entre coordenador x
supervisor .................................. 116
Gráfico 68
– Organização do trabalho pedagógico .................................................. 116
Gráfico 69
– Reuniões pedagógicas ......................................................................... 117
Gráfico 70
– Acompanhamento pedagógico ............................................................ 117
Gráfico 71
– Autonomia do núcleo
gestor .............................................................. 117
X
Gráfico 72
– Desempenho da coordenação do Programa ........................................ 118
Gráfico 73
– Desempenho da coordenação de área/supervisão ............................. 118
Gráfico 74
– Serviços da secretaria ................................................................... 118
Gráfico 75
– Tempo da parceria com o Programa .................................................... 119
Gráfico 76
– Metodologia do Programa: Ensino Presencial, TC 2000 e SESIeduca 119
Gráfico 77
– Informações dos serviços prestados pelo SESI ................................... 119
Gráfico 78
– Agilidade da coordenação na solução de problemas .......................... 120
Gráfico 79
– Desempenho da coordenação do Programa ........................................ 120
Gráfico 80
– Desempenho da coordenação de área/supervisão ............................... 120
Gráfico 81
– Desempenho da secretaria do Programa ............................................. 121
Gráfico 82
– Desempenho dos professores ............................................................. 121
Gráfico 83
– Desempenho dos alunos ..................................................................... 121
|
Tabelas
Tabela 1 – Analfabetismo brasileiro de 1940 a 1980.
Tabela 2 – Índice de analfabetismo na indústria brasileira em 1998.
Tabela 3 – Metas do Programa SESI-Educação do
Trabalhador de 1998 a 2002
Tabela 4 – Atendimentos de Educação de Jovens e
Adultos feitos pelo SESI de 1991 a 1998
Quadro 5 – Profissão dos alunos do Programa
SESI-Educação do Trabalhador
Quadro 6 – Resultados quantitativos do Programa SESI-Educação do Trabalhador de 91/2001.
Quadro 7 – Empresas atendidas pelo Programa
SESI-Educação do Trabalhador em 1998
Quadro 8 – Empresas atendidas pelo Programa
SESI-Educação do Trabalhador em 1999
Quadro 9 – Empresas atendidas pelo Programa
SESI-Educação do Trabalhador em 2000
Quadro 10 – Empresas atendidas pelo Programa
SESI-Educação do Trabalhador em 2001
Quadro 11 – Empresas atendidas pelo Programa
SESI-Educação do Trabalhador em 2002
Gráfico 1 – Atendimentos do Programa SESI-Educação do Trabalhador de 1991 a 1998
Gráfico 2 – Atendimentos do Programa SESI-Educação do Trabalhador de 1998 a 2002
Gráfico 3 –
Sexo dos alunos do Programa
Gráfico 5 –
Serviços prestados pelo SESI
Gráfico 6 –
Informações prestadas pelo SESI
Gráfico 7 –
Domínio do conteúdo pelos professores
Gráfico 8 –
Metodologia aplicada pelos professores
Gráfico 9 –
Recursos didáticos utilizados pelos professores
Gráfico 10
– Informações e explicação dadas pelos professores nas aulas
Gráfico 11
– Relacionamento professor
x aluno
XII
Gráfico 12 – Conteúdos do curso
Gráfico 13
– Carga horária do curso
Gráfico 14
– Qualidade do material didático das disciplinas
Gráfico 15
– Aprendizagem adquirida no curso
Gráfico 16
– Acompanhamento pedagógico do curso
Gráfico 17
– Autonomia da equipe de gestão
Gráfico 18
– Relacionamento coordenador
x aluno
Gráfico 19
– Estrutura física da sala de aula (espaço)
Gráfico 20
– Estrutura física da sala de aula (iluminação)
Gráfico 21
– Estrutura física da
sala de aula (mobiliário)
Gráfico 22
– Recursos audiovisuais
Gráfico 23
– Ganhos pessoais proporcionados pelo curso aos alunos
Gráfico 24
– Ganhos profissionais promovidos pelo curso aos alunos
Gráfico 25
– Especificação dos ganhos
Gráfico 26
– Dificuldades sentidas pelos alunos durante o curso
Gráfico 27
– Especificação das dificuldades
Gráfico 28
– Sugestões para a dinamicidade do curso e crescimento do Programa
Gráfico 29 - Tempo de permanência do professor no Programa
Gráfico 30
– Função que os professores desempenham no Programa
Gráfico 31
– Metodologia com a qual os professores trabalham
Gráfico 32
– Estrutura física das salas de aula para o professor
Gráfico 33
– Acesso ao local de trabalho
Gráfico 34
– Recursos tecnológicos
Gráfico 35
– Informações sobre a qualidade dos serviços
Gráfico 36
– Agilidade da gestão na solução de problemas
XIII
Gráfico 37 – Clareza nas informações
Gráfico 38
– Organização da equipe gestora
Gráfico 39
– Relacionamento humano-profissional professor x
aluno
Gráfico 40
– Relacionamento professor
x coordenador x supervisor
Gráfico 41
– Relacionamento coordenador
x supervisor
Gráfico 42
– Reuniões pedagógicas
Gráfico 43
– Suporte pedagógico ao professor
Gráfico 44
– Organização do trabalho pedagógico
Gráfico 45
– Autonomia do núcleo gestor
Gráfico 46
– Desempenho da coordenação do Programa
Gráfico 47
– Desempenho da coordenação de área/supervisão
Gráfico 48 – Serviços de secretaria
Gráfico 49
– Desempenho da função docente
Gráfico 50
– Aplicação da teoria à prática pelos professores
Gráfico 51
– Habilitação do Professor para a função
Gráfico 52
– Relacionamento interpessoal dos professores
Gráfico 53
– Interesse dos professores pelo aperfeiçoamento profissional
Gráfico 54
– Espírito de colaboração dos professores para o crescimento do Programa
Gráfico 55
- Equilíbrio
emocional da equipe docente
Gráfico56- Competência técnico-profissional:
seriedade, responsabilidade, pontualidade, assiduidade
Gráfico 57
– Função da equipe gestora no Programa
Gráfico 58
– Metodologia pela qual são responsáveis
Gráfico 59
– Local de atuação da equipe gestora
Gráfico 60 – Acesso aos locais de
trabalho (salas de aula)
XIV
Gráfico 61 – Aparatos tecnológicos
Gráfico 62 – Informações prestadas
pelo Programa aos clientes
Gráfico 63
– Agilidade da equipe gestora na solução dos problemas
Gráfico 64
- Organização dos serviços pela equipe gestora
Gráfico 65
– Relacionamento professor
x aluno
Gráfico 66
– Relacionamento professor
x coordenação
Gráfico 67
– Comunicação entre coordenador x
supervisor
Gráfico 68
– Organização do trabalho pedagógico
Gráfico 69
– Reuniões pedagógicas
Gráfico 70
– Acompanhamento pedagógico
Gráfico 71
– Autonomia do núcleo gestor
Gráfico 72
– Desempenho da coordenação do Programa
Gráfico 73
– Desempenho da coordenação de área/supervisão
Gráfico 74
– Serviços da secretaria
Gráfico 75
– Tempo da parceria com o Programa
Gráfico 76
– Metodologia do Programa: Ensino Presencial, TC 2000 e SESIeduca
Gráfico 77
– Informações dos serviços prestados pelo SESI
Gráfico 78
– Agilidade da coordenação na solução de problemas
Gráfico 79
– Desempenho da coordenação do Programa
Gráfico 80
– Desempenho da coordenação de área/supervisão
Gráfico 81
– Desempenho da secretaria do Programa
Gráfico 82
– Desempenho dos professores
Gráfico 83
– Desempenho dos alunos
XV
RESUMO
O presente trabalho discorre sobre a avaliação do Programa SESI-Educação do Trabalhador no Ceará na visão dos alunos, professores, supervisores/coordenadores e representantes das empresas parceiras. A pretensão principal dessa pesquisa foi colher informações mais precisas e fundamentadas dos impactos do Programa na vida do trabalhador e no processo produtivo. Isso significa adquirir maiores possibilidades de monitoramento das ações constitutivas do Programa, corrigindo possíveis falhas, aprimorando os fatores que necessitam de ajustes, promovendo inovações no seu gerenciamento, além de demonstrar a transparência e o compromisso social das suas ações-educativas. Cientes dessas premissas, desenvolvemos este trabalho por meio de aplicação de instrumentais de avaliação com os atores envolvidos no segundo semestre de 2001, nas empresas da capital e interior, parceiras do Programa. Para aplicação dos questionários, utilizamos meios diferenciados, conforme a realidade dos grupos focais. Com os alunos, aplicamos os questionários em sala de aula; com os representantes das empresas, a aplicação foi em um momento de reunião organizada para esse fim; os professores, supervisores/coordenadores responderam o questionário no espaço de uma reunião pedagógica. Para a aplicação da avaliação com alguns grupos, contamos com a colaboração dos professores, supervisores/coordenadores, assim como também, para a tabulação dos dados. No tocante ao que alcançamos, salientamos que esta pesquisa superou as
XVI
expectativas, haja vista a
adesão e empenho de todos, a ampliação de nossas concepções do Programa, as
considerações e sugestões encaminhadas pelos pesquisandos, que serviram de base
para as ações dos Planos de Trabalho/2002 dos professores e equipe gestora; as
novas posturas administrativo-pedagógicas, a consciência humano-profissional
dos professores e equipe gestora, o fortalecimento das relações
administrativo-pedagógicas com os clientes, a consolidação das parcerias em
termos de cumplicidade nas relações, uma vez que ambos representam uma
totalidade ante à gestão democrática e participativa que buscamos implementar
no Programa SESI-Educação do Trabalhador.
INTRODUÇÃO
A educação é condição imprescindível para a vivência da autonomia, cidadania, democracia, princípios que marcam a relação homem-meio-sociedade. Embora contemplada na Constituição brasileira, não assegurada em igualdade de condições, a educação transcende a visão ideológica de moldar pessoas. Isso significa concebê-la como canal formativo do ser humano.
Cônscio dos déficits educacionais no Brasil, principalmente na clientela de jovens e adultos, o Programa SESI-Educação do Trabalhador, instituído pelo Governo Federal em março de 1998, assumiu essa causa, colocando-se, diante da sociedade, em particular, do trabalhador da indústria, como instrumento de acesso a sua cidadania e ao crescimento humano-profissional, indutor de melhoria de qualidade do trabalho e do processo produtivo.
Em pleno monitoramento desde que foi
implantado, reconhecido pela UNESCO[1], através
de avaliação feita por esse órgão no ano de 1999, em âmbito nacional, o
Programa alcançou alto grau de efetividade em relação à satisfação de seus
clientes.
Acompanhando a história do Programa no
Ceará, sentimos a necessidade de avaliá-lo, porque compreendemos que é pela
avaliação que sabemos se os objetivos e pressupostos filosófico-metodológicos
estão em consonância com os princípios que o fundamentam e, se há desvio de
trajetória, onde estão os fatores determinantes e como intervir neles. Faz-se
necessário explicarmos
que a prática da avaliação no Programa no SESI-Ce estava restrita ao professor aplicar
perguntas ao aluno referentes ao desempenho do profissional, da disciplina, e
do aspecto cognitivo.
Diante dessa realidade, configura-se
oportuna a implementação de uma política permanente de avaliação de resultados
do Programa no Estado do Ceará, a partir de instrumental unificado, com
abrangência em seus serviços, para conhecermos qual a concepção de seus atores
envolvidos, a fim de que a educação de jovens e adultos desenvolvida pelo SESI
seja cada vez mais referência no Estado.
1. O Problema
Quais os impactos de qualidade provocados na vida do trabalhador e na indústria, a partir da implantação do Programa? Quais os indicadores qualitativos e quantitativos confirmadores de sua efetividade? Essas perguntas serviram para a conferição da validade da hipótese: o Programa SESI-Educação do Trabalhador é um instrumento de acesso à cidadania e ao crescimento do trabalhador, assim como, indutor da melhoria de qualidade de trabalho e da produtividade.
Desse modo, realizamos, nos municípios de Fortaleza, Pacajus, Sobral, Crato e Juazeiro do Norte, nas empresas dessas localidades, parceiras do Programa, uma avaliação de resultados, buscando conhecer os impactos provocados na vida humano-profissional dos trabalhadores e os efeitos produtivos causados nas empresas, construindo, assim, a performance do Programa no Ceará. Consideramos que as necessidades de melhorias serão referências para o planejamento e monitoramento das ações a partir do ano 2002.
Portanto, salientamos a necessidade de avaliarmos o Programa no Ceará, para tomarmos ciência de sua capacidade instalada, sua infra-estrutura físico-pedagógica, os padrões de parcerias, as metodologias e recursos humanos, além de verificarmos também os impactos produzidos referentes ao que se esperava do Programa em termos de: formação de cidadãos mais críticos e conscientes para intervirem na realidade; profissionais com melhores condições de inserção produtiva; maior competitividade da força de trabalho. Em síntese, consideramos oportuno realizarmos essa avaliação pela visão mais ampla alcançada no tocante ao conhecimento do grau de satisfação e/ou insatisfação dos atores envolvidos para ajustes dos caminhos que levarão o Programa à excelência na prestação dos serviços.
Assinalamos que essa problemática suscitou as motivações para a efetivação deste trabalho, pelas possibilidades que temos de, a partir da avaliação, percebermos a que distância o Programa se encontra, entre os serviços percebidos e os serviços esperados, nas dimensões da tangibilidade e intangibilidade, englobando os aspectos físicos e estruturais e aqueles mais subjetivos, traduzidos pela confiabilidade, responsividade, segurança e empatia.
Ao nosso ver, essa iniciativa traz uma inovação ao Programa, pela amplitude e consistência dos resultados, pondo em prática ativa a avaliação do Programa, na perspectiva da política de resultados e de gestão de qualidade.
2. Os objetivos da Pesquisa
Ao elegermos como objeto de pesquisa a avaliação do Programa SESI-Educação do Trabalhador, partimos dos pressupostos elucidados anteriormente, cujos objetivos traçados consistiram em: a) refletir acerca da atuação do Programa, verificando o grau de satisfação e/ou insatisfação dos atores envolvidos; b) validar o Programa como indutor de melhoria da qualidade do trabalho e da produtividade; c) verificar quais os impactos causados pelo Programa na vida dos trabalhadores e da indústria; d) constatar a efetividade do Programa a partir do conhecimento de seus resultados emitidos pelos atores envolvidos; propor procedimentos para a resolução das dificuldades existentes no Programa, com base nas sugestões dos pesquisandos.
3. A Metodologia
Tendo como referencial os objetivos propostos, para desenvolvermos esta pesquisa, fizemos menção, mais especificamente, da abordagem quantitativa, muito embora considerando que também houve contribuição do aspecto qualitativo, no sentido de que na elaboração do questionário foram consideradas questões de fato, de atitudes e comportamento.
A priori, os procedimentos metodológicos encetaram pelo conhecimento da bibliografia sugerida, cujos materiais consistiram em livros, jornal do trabalhador e demais documentos do Programa. Também pela elaboração dos questionários;pela articulação com os participantes, tanto no sentido de colaborarem no processo de aplicação, tabulação de dados, quanto na questão de participarem como avaliandos.
As estratégias para realização da avaliação foram as seguintes: a aplicação dos questionários com os alunos ocorreram nas salas de aulas, em horários cedidos pelos professores. Os representantes das empresas foram convocados a uma reunião para que a Coordenadora do Programa apresentasse o contexto atual da educação do trabalhador, incluindo as principais ações desempenhadas e metas alcançadas. Nesse ínterim foram aplicados os questionários para que o grupo se posicionasse e avaliasse o Programa. Com o intuito de um maior alcance desse grupo, foram encaminhados, via fax e /ou e-mail, os instrumentais àqueles que não estiveram presentes. Com os professores, supervisores e coordenadores, as avaliações foram aplicadas em reunião pedagógica no final do ano de 2001.
4. Abrangência da Pesquisa
Para a execução da avaliação, entabulamos conversas informais, além da aplicação dos questionários, ocorridos no segundo semestre de 2001 com os atores envolvidos no Programa. Com alcance nos cinco municípios citados anteriormente, onde há educação do trabalhador, a abrangência foi de 1.023 alunos, para um universo de 2.693, correspondente a 74%; 49 professores, dos 68 existentes no Programa, 72%; 13 coordenadores/supervisores, 100%; 18 representantes das empresas parceiras na época, 70%.
5. Estrutura da Monografia
Nessas proporções, esta monografia está estruturada em dois capítulos. No primeiro, intitulado: A Criação do SESI e a Conjuntura Nacional, mostramos, numa visão panorâmica, aspectos sócio-políticos que antecederam e culminaram com a criação do Serviço Social da Indústria, discorrendo sobre os aspectos relevantes que marcaram o contexto econômico-brasileiro desde 1930, por ser um momento histórico marcado por importantes mudanças em todos os aspectos da sociedade, englobando a educação.
Esse capítulo compõe o quadro teórico que fundamenta e orienta a análise deste trabalho, resultando-se como bibliografia de base, Frigoto, Pilleti e Romanelli, que ajudaram a compreender as concepções entre trabalho e educação, bem como os mecanismos das representações sócio-político-econômico e educacional e de como os sujeitos percebem e controlam a realidade.
O segundo capítulo, cujo título é: O Programa SESI-Educação do Trabalhador como Estratégia de Responsabilidade Social, apresenta-se subdividido em: 1) O que é o Programa SESI-Educação do Trabalhador? 2) A Visão dos Principais Atores do Programa, abordando os subitens: 2.1. O Aluno; 2.2. O Professor; 2.3. O Coordenador/ Supervisor; 2.4. As Empresas Parceiras. Neles dissertamos sobre a implementação do Programa, sinalizando os aspectos referentes à estrutura e funcionamento dos cursos, metas e expansão no Ceará. Também se encontram o conjunto de concepções traduzido nos resultados da empiria realizada com os vários atores envolvidos no Programa. Aqui estão apresentados os dados tabulados da pesquisa, demonstrativos da parte quantitativa do documento. As recomendações e sugestões de cada grupo estão apresentadas nesses subitens, servindo de norte para as mudanças e inovações das ações a serem implementadas no Programa.
Na conclusão, buscamos demarcar algumas questões centrais da monografia, tomando como pontos centrais as referências de cada fator sob a ótica dos atores, fazendo menção acerca do alcance dos objetivos e da problemática. Também clarificamos que, pelo fato da avaliação ter ocorrido em 2001, os resultados da pesquisa não se reportam a apenas essa época, uma vez que as reflexões dos atores do Programa advêm de suas experiências acumuladas. É importante compreendermos que instituir a avaliação de resultados no Programa SESI-Educação do Trabalhador no SESI-Ceará é um procedimento pertinente para o seu fortalecimento e expansão no Estado.
CAPÍTULO I
A CRIAÇÃO DO SESI E A CONJUNTURA NACIONAL
Neste capítulo, abordaremos, a priori, a criação do SESI no bojo de
um processo industrial em expansão e por conseguinte,
a demanda por uma mão-de-obra qualificada.
O Serviço Social da Indústria é uma
empresa de direito privado, criado pela Confederação Nacional da Indústria1 em 1946, cuja finalidade está voltada à
prestação de serviços sociais para os trabalhadores da indústria, dos
transportes, das comunicações, da pesca, estendendo essas ações assistenciais
aos seus familiares e dependentes. No atual contexto, é missão do SESI
“contribuir para o fortalecimento da indústria e o exercício de sua
responsabilidade social, prestando serviços integrados de educação, saúde e
lazer, com vistas à melhoria da qualidade de vida para o trabalho e ao
desenvolvimento sustentável”.
Portanto,
dado as exigências do momento atual, possui o intuito de se tornar referência
em prestação de serviços sociais, reconhecido nacionalmente. Para isso, em seu
Planejamento Estratégico traça ações para alcançar esse alvo.
Como pessoa jurídica, que utiliza
contribuição compulsória paga pela indústria para fins sociais, o SESI poderá
passar por auditoria através da Secretaria de Controle Interno do Ministério do
Trabalho, submetendo sua prestação de contas ao Tribunal de Contas da União.
Como expressão de seu desenvolvimento, está disseminado nos 27 Estados da
Federação através dos seus Departamentos Nacional e Regionais,
tendo sido implantado no Ceará em 1948. Busca, através de sua missão, o
fortalecimento na sociedade, propondo em suas metas expandir os atendimentos, a
fim de ter um alcance bem maior, diante da problemática sócio-educacional
brasileira. Essa política tem garantido o êxito nos seus serviços e
credibilidade institucional, sendo reconhecido e premiado pela UNESCO2 em 2001.
No Ceará, o SESI, através do desenvolvimento de ações voltadas à cidadania, por meio de sua atuação nas áreas de educação, saúde, lazer, cultura, alimentação e cooperação social, tem alcançado resultados bastante positivos, conforme Relatório Estatístico do SESI/2001, cujos atendimentos, do ponto de vista geral, correspondem a 1.000.000/mês, sendo 15.195 matrículas na Educação Básica, 342.600 nas Bibliotecas, 573.021 na Saúde, 960.000 no Lazer, 15.000 na Cultura, 6.004 na Alimentação e 70.000 na Cooperação Social.
Com foco estratégico em três dimensões, entre elas, na educação do trabalhador, o SESI mantém uma ampla atuação em seus atendimentos, demonstrando competência nas negociações, cumprimento de sua missão, capacidade de organização e de promoção da produtividade industrial, o que tem contribuído, no decorrer da trajetória institucional, para tirar muitas pessoas da situação de analfabetismo, conforme demonstra o Relatório Anual de 2000 – DR-CE, segundo o qual “foram escolarizados, em 2000, 7. 642 trabalhadores, 34% a mais que em 1999.”
Considerando-se as estatísticas de 1991 a 1998, temos o seguinte quadro de atendimentos representados no gráfico 1, em anexo, página 95.
Como expressão de sua atuação, a
Instituição, nos últimos três anos, tem alcançado aspectos referentes à: credibilidade,
traduzida pela facilidade de estabelecer parcerias com organizações locais,
nacionais e internacionais, podendo citar, como exemplo deste último ponto, os
projetos sociais desenvolvidos junto à Embaixada Britânica, ao Fundo de
População das Nações Unidas (FNUAP), Van Lee Fundaction, Pathfinder/USAID e
Instituto Ayrton Senna; o desempenho,
que contou com a premiação da UNESCO/2001; gestão, marcada pela racionalização,
flexibilidade, planejamento estratégico e qualidade (ISO 9001/2000); avaliação,
passando, em novembro de 2001, pelo crivo do IBOPE3 , o qual realizou avaliação
institucional com universo de dois mil entrevistados, cujos resultados
conferiram um índice de satisfação em 65% da população do Ceará, que considera
os serviços prestados pelo SESI na escala de bom a ótimo.
Tendo como base o período de criação do
SESI, podemos alinhá-lo à questão da industrialização e do pós-guerra, bem
como, à necessidade de uma política de erradicação do analfabetismo. E isso tem
a ver com as estruturas econômicas que se estabeleceram no País após a
Revolução de 30, ocasionada pela crise do modelo agrário-comercial exportador
dependente que deu lugar para a implantação do modelo nacional desenvolvimentista,
com base na industrialização.
Essa realidade causou mudanças no
contexto sócio-político-econômico, uma vez que houve a necessidade de uma força
de trabalho qualificada, em tempo hábil, para o mercado, haja vista a rapidez
com que ocorreram as transformações nas relações de trabalho. “A educação e a
formação humana terão como sujeito definidor as
necessidades, as demandas do processo de acumulação de capital sob as
diferentes formas históricas de sociabilidade que assumir” (Frigoto:1996, 30)
Segundo Azevedo (1963:719), o Brasil
contava com uma população analfabeta de 30 milhões de brasileiros, para uma
População Economicamente Ativa (PEA) de 55 milhões. Podemos dizer que isso
deu início a um abandono gradativo da forma tradicional de industrialização,
passando para a fase do modelo de substituição de importações. No campo
político, esse fato ocasionou o levante de vários movimentos armados no País e
a ruptura política e econômica com a velha ordem social oligárquica4 , culminando com a Revolução de 30 que
teve como propósito implantar definitivamente o capitalismo industrial no
Brasil.
O Ceará, nessa
década, conforme expõe Montenegro (1980:127),
(...) contava com índice muito elevado de
analfabetismo (...) A Revolução de 30, para uns, não podia operar o milagre do
rápido aperfeiçoamento da prática política. Em três anos e meio não seria
possível alfabetizar as massas urbanas e rurais, conscientizá-las e elevar-lhes
o nível econômico. Para outros, as classes dominantes desejavam manter o
“status quo”, o que implicava na não elevação do nível mental das classes
dominantes.(...)
Analisando os antecedentes sócio-político-econômico do País, visualizamos, a partir de 30, o mercado brasileiro em crise, devido a não suportar a superprodução, uma vez que a crise de 1929 subtraiu do governo a possibilidade de continuar a obtenção dos financiamentos para compra dos estoques invendíveis e também porque esses estoques haviam atingido uma quantidade suficientemente alta para se ter a certeza de que jamais seriam distribuídos. O mercado mundial saturado cessou a entrada de capitais, resultando na diminuição da importação brasileira. As economias mundiais autônomas procuravam transferir para os países dependentes os efeitos da crise mundial.
O Brasil conseguiu emergir dessa situação, utilizando seus recursos próprios, os quais, na visão de Romanelli (1991: 48)
vinham de dois
fatores: da acumulação primitiva de capital e da ampliação crescente do mercado
interno, fatores que possibilitaram a arrancada do Brasil para seu
desenvolvimento industrial, em plena crise. Isso porque, a renda aplicada no
setor agrícola, responsável por essas exportações, começou a ser desviada para
a produção industrial voltada para o mercado interno (...) A retirada dos
capitais estrangeiros, na fase aguda da crise, provocou a mobilização dos
recursos nacionais e sua livre aplicação, dentro da estrutura vigente.
No setor econômico, o País enfrentou os efeitos da crise com agilidade; a acumulação capitalista desenvolveu-se com maior rapidez pois o crescimento do mercado interno e a queda das exportações implicaram na transferência da renda do setor agrícola para o industrial, trazendo, outrossim, conseqüências benéficas para a indústria, uma vez que passou a contar com a disponibilidade de um aproveitamento mais interno de sua capacidade já instalada e que vinha, até então, operando em regime de sub-aproveitamento, por causa da concorrência das importações.
Com o Estado Novo, o Governo assumiu
uma política voltada ao fortalecimento da indústria, abrindo, assim, o País,
para a entrada de capital estrangeiro, favorecendo o crescimento da indústria
pesada e a implantação das multinacionais.
A importância que assumiu o mercado
interno foi vital para o desenvolvimento econômico brasileiro; prova disso foi
que o País passou a implementar o novo modelo e a industrialização
desenvolveu-se em função de uma demanda, antes atendida pela importação de
produtos manufaturados.
A economia do início da década de 40
impunha sérias restrições às importações e, com isso, impulsionava o processo
de industrialização. A nova fase de expansão da indústria exigia, portanto, que
algumas medidas fossem tomadas no sentido da preparação da mão-de-obra, o que
explica a criação, pelo Governo Federal, das instituições já anteriormente
referendadas, cujo fim, a priori, era ministrar um ensino paralelo ao sistema
oficial, organizando e administrando escolas de aprendizagem industrial e
comercial em todo o País, através de cursos profissionalizantes, assim como,
implementando ações de combate ao analfabetismo. Isso porque, a forma como o
regime republicano se instalou no Brasil e como as elites se conduziram no
poder, em nada modificando a estrutura sócio-econômica, influiu para que, de um
lado, não houvesse pressão de demanda social de educação e de outro, não se
ampliasse a oferta, nem se mostrasse interesse pela educação pública e
gratuita.
Não é, pois, à falta de recursos
materiais que se deve imputar maior soma de responsabilidade pela ausência de
educação do povo, mas à estrutura sócio-econômica que sobreviveu com a
República. A educação, antes não exigida pelo processo de desenvolvimento
baseado no modelo agrário-exportador, naquele momento começava a se colocar num
cenário político-econômico que requeria da escola uma estrutura de conformidade
com as reais necessidades de qualificação profissional. Para fundamentar esse
ponto, apropriamo-nos do pensamento da professora da Faculdade de Educação de
Minas Gerais, Lucília Regina,
que diz: “A nova
tecnologia da informação muda as bases da produção social, pois incide sobre os
processos de produção, desenvolvimento e aplicação do conhecimento, permitindo
acelerar outras inovações do conhecimento no campo dos processos sociais”.
Segundo Romanelli (1991:55) “enquanto a modernização econômica implicar, como é o caso brasileiro, intensificação da importação tecnológica, a escola não será chamada a desempenhar papel de relevo, a não ser num dos setores básicos da expansão econômica: o do treinamento e qualificação da mão-de-obra.”
Considerando o econômico, determinante das políticas vigentes, constatamos a influência da Revolução Industrial na expansão do ensino. Desde a segunda metade do século XIX, os países mais desenvolvidos vinham implantando escolas, isso porque as exigências da sociedade industrial impunham modificações profundas na forma de se encarar a educação e, em conseqüência, na atuação do Estado, como responsável pela educação do povo. As mudanças introduzidas nas relações de produção e, sobretudo, a concentração da população em centros urbanos tornaram imperiosa a necessidade de se eliminar o analfabetismo e dar um mínimo de qualificação para o trabalho a um número maior de pessoas. O capitalismo industrial, principalmente, desenvolveu mecanismos para o fortalecimento dos conhecimentos das camadas da população, cada vez mais numerosas, seja pelas exigências da própria produção, seja pelas necessidades do consumo que essa produção acarreta. Ampliar a área social de atuação do sistema capitalista industrial passa a ser uma condição de sobrevivência deste. Isso é possível, na concepção de Romanelli (1991:59),
na medida em que as populações possuem
condições mínimas de concorrer no mercado de trabalho e de consumir. Onde,
pois, se desenvolvem relações capitalistas, nasce a
necessidade da leitura e da escrita, como pré-requisito de uma melhor condição
para concorrência no mercado de trabalho. Por outro lado, a proletarização representa um
progresso em relação à vida e ao trabalho nas economias de subsistência. É que
o capitalismo gera, onde predominava antes esse tipo de economia, uma ampliação
da oferta de trabalho assalariado. Isso, por sua vez, representa um crescimento
constante da demanda social da educação.
A intensificação do capitalismo industrial no Brasil representado pela Revolução de 30, determinou, conseqüentemente, o aparecimento de novas exigências educacionais. Se antes, na estrutura oligárquica, as necessidades de instrução não eram sentidas nem pela população, nem pelos poderes constituídos, a nova situação implantada veio modificar profundamente o quadro das aspirações sociais, em matéria de educação, e, em função disso, a ação do próprio Estado. Então, a leitura e a escrita passam a ter preço e são sentidas como úteis e benéficas, com elevação da demanda pelo ensino.
Foi a partir dessa Revolução, resultado de uma crise que vinha de longe, que o monopólio do poder das velhas oligarquias começou a ser enfraquecido, favorecendo a criação de possibilidades para a implantação definitiva do capitalismo industrial no Brasil, criando também condições para que se modificasse o horizonte cultural e o nível de aspirações de parte da população brasileira, sobretudo nas áreas alcançadas pela industrialização. É então que a demanda social da educação cresce e se consubstancia numa pressão cada vez mais forte pela expansão do ensino. Mas, assim como a expansão do capitalismo industrial não se fez por todo o território nacional, a expansão da demanda escolar só se desenvolveu nas zonas onde se intensificou a industrialização, o que acabou criando uma contradição no sistema educacional brasileiro, isso porque, na ótica de Romanelli (1995:56)
iniciamos nossa revolução industrial e educacional
com um atraso de mais de 100 anos, em relação aos países mais desenvolvidos; e
mais, essa Revolução tem atingido de forma desigual o próprio território
nacional. Daí resultou uma defasagem histórica e, se assim podemos
exprimir-nos, geográfica, que se tem traduzido pela presença de contradições
cada vez mais profundas.
No final da Primeira República, que durou pouco mais de 40 anos, quase nada havia avançado em termos de educação, se compararmos ao final do Império, cuja duração foi de 67 anos. No dizer de Piletti (1987:206)
Continuávamos sem um sistema nacional de educação. O Governo Federal nada dizia e nada fazia em termos de ensino primário, que ficava ao encargo dos reduzidos recursos dos Estados; o ensino secundário continuava minado pelo ensino irregular, não-seriado, tendo como principal objetivo preparar para o ensino superior; quanto a este, ainda não tínhamos uma universidade funcionando.
E em educação de jovens e adultos nem ao menos se falava, uma vez que o setor produtivo era alimentado por mão-de-obra que não carecia de conhecimentos formais, porque tinha base no modelo agrário-exportador, conforme já foi comentado.
Com a Revolução de 1930, a educação brasileira sofreu transformações, uma vez que os reformadores5 educacionais da década anterior, apontados por Piletti (1987: 197), passaram a ocupar cargos importantes na administração do ensino, tendo como primeira iniciativa, no campo da educação, a criação do Ministério da Educação e das Secretarias de Educação dos Estados, nomeando-se para Ministro da Educação o reformador Francisco Campos. A partir da criação desse órgão, passaram a ser objetivos do Governo Federal: ampliar sua faixa de participação no desenvolvimento da educação nacional; desenvolver os instrumentos destinados a unificar, disciplinar e proporcionar a articulação e integração aos sistemas isolados estaduais; estabelecer os mecanismos destinados a promover o relacionamento federal com os diversos sistemas, definindo-se as formas de intervenção do Ministério e de suas relações com as secretarias de educação estaduais e com as próprias escolas.
A Constituição de 1934 foi a primeira a incluir um capítulo específico sobre a educação, estabelecendo alguns pontos importantes: a educação como direito de todos, a obrigatoriedade da escola primária integral; a gratuidade do ensino primário; a assistência aos estudantes necessitados. A partir dessa Carta Magna, o Governo Federal assumiu novas atribuições educacionais: a função de integração e de planejamento global da educação brasileira. Passou a ser competência da União “fixar o primeiro ano nacional de educação, compreensivo do ensino de todos os graus e ramos, comuns e especializados; coordenar e fiscalizar a sua execução em todo o território do País.” (art. 150); a função normativa para todo o território nacional e para todos os níveis. O artigo 5º estabelecia ser competência prévia da União: – traçar as diretrizes da educação nacional, a função supletiva de estímulo e assistência técnica, onde houvesse deficiência de iniciativa ou de recursos (art. 150: XIV) a função de controle, supervisão e fiscalização do cumprimento das normas federais.
Conforme afirma Piletti (1987: 208)
Se por um lado, tais atribuições
constituíram o início da construção de um sistema nacional de educação, por
outro lado assinalaram uma profunda centralização das competências. A autonomia
dos Estados e dos diversos sistemas educacionais foi limitada; quase tudo
passou a depender da autoridade superior, multiplicaram-se os órgãos, as leis,
os regulamentos, as portarias, a imitar a ação de escolas e educadores; as
funções de controle, supervisão e fiscalização tornaram-se burocráticas e
rígidas, assumindo, muitas vezes, um caráter policialesco. Tal ênfase, em
aspectos legais, normativos, burocráticos, muitas vezes levaram a esquecer ou
relegar, a um plano secundário, o objetivo fundamental da educação, que é o de criar condições para
a formação de pessoas humanas.
O quadro de analfabetismo brasileiro nessa época, de 1940 a 1980, notificado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE - levantados por Romanelli (1991:75), estava configurado de conformidade com a tabela nº 1 em anexo, página 86.
No período democrático, de 1946 a 1964, permitiu-se um certo avanço dos movimentos populares. Havia eleições diretas para todos os níveis, de vereador a presidente da República, e as organizações representativas dos diversos setores sociais puderam atuar mais ou menos livremente. Tratou-se, é claro, de uma democracia limitada, com muitas restrições: o Partido Comunista foi posto em ilegalidade em 1947, apenas dois anos depois de sua legalização; os analfabetos não puderam votar; as desigualdades na distribuição de renda e da propriedade da terra tornavam quase impossível a participação dos mais pobres. Na visão de Piletti (1987:217), “O Brasil viveu quase duas décadas de regime democrático, comparando-se com a ditadura de Estado Novo e com o poder autoritário instalado em 1964.”
Na educação, a participação popular também avançou: o ensino técnico profissional conseguiu ao menos legalmente, sua equivalência com o secundário; a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB Nº 4024) promulgada em 1961,foi discutida durante treze anos no Congresso Nacional, ao contrário de todas as anteriores, impostas pelo Poder Executivo, que teve rápida aprovação, desenvolveu-se intensa luta no sentido de ampliar o acesso à escola pública e gratuita; difundiram-se caminhos e movimentos de educação popular, especialmente de alfabetização de adultos, entre os quais destacou-se o educador Paulo Freire.
A Constituição de 1946, que restabeleceu o regime democrático no País, em seu capítulo sobre a educação, re-introduziu alguns princípios suprimidos pela Carta ditatorial de 1937. Apesar da mudança de regime da nova Constituição, a legislação educacional, herdada pelo Estado Novo, vigorou até 1961, quando teve início a vigência da LDB Nº 4.024/61. Esse fato não impediu que numerosas campanhas fossem organizadas, visando à ampliação e melhoria do atendimento escolar, tais como: a Campanha de Aperfeiçoamento e Difusão do Ensino Secundário (Cades) , a de Aperfeiçoamento e Expansão do Ensino Comercial (Caec), a de Erradicação do Analfabetismo, a de Educação de Adultos, a de Educação Rural, a de Educação de Surdos, a de Reabilitação dos Deficientes Visuais, a da Merenda Escolar e Material de Ensino, Progresso Nacional de Alfabetização e MEB (Movimento de Educação de Base. Além disso, a Lei delegava responsabilidades educacionais às empresas industriais, comerciais e agrícolas que tivessem quadro de pessoal acima de 100 trabalhadores.
Do ponto de vista de Florestan Fernandes, citado por Romanelli (1987:183)
Os países
subdesenvolvidos são, também, os que mais dependem da educação como fator
social construtivo. Tais países precisam da educação para mobilizar o elemento
humano e inseri-lo no sistema de produção nacional; precisam da educação para alargar o horizonte
cultural do homem, adaptando-o ao presente e a uma complicada trama de
aspirações, que dão sentido e continuidade às tendências de desenvolvimento e
progresso social; e precisam de educação para formar novos tipos de
personalidade, fomentar novos estilos de vida e incentivar novas formas de
relações sociais, requeridos ou impostos pela gradual expansão da ordem social
democrática. Todavia, esses países não encontram, na situação sócio-cultural
herdada, condições que favoreçam, quer uma boa compreensão dos fins, quer uma
boa escolha dos meios para atingi-los. Mesmo os recursos materiais, humanos e técnicos,mobilizados efetivamente, acabam sendo explorados
de maneira extensamente irracional e improdutiva.
A LDB representou mecanismo propício para que a sociedade brasileira organizasse o sistema de ensino, principalmente em seu aspecto formal, de acordo com o que reivindicava o momento, em termos de desenvolvimento nacional. Havia a compreensão de que a educação representa fator importante para a viabilização da democracia, não porque o capitalista moderno se apóia em técnicas que, por mais atrasadas que sejam, dependem em grau crescente do conhecimento da leitura, da escrita e das operações elementares, mas porque, pelo menos em tese, somente com o domínio dessas técnicas, a pessoa consegue colocar-se em posição mais vantajosa no processo de criação de riquezas, beneficiando-se, ao mesmo tempo, de melhor distribuição das rendas que ajudou a construir. Ao mesmo tempo em que a educação possibilita à pessoa participar dos destinos políticos da nação, também abre leques para vivências da cidadania, colocando-a, frente ao sistema de produção, numa situação de participação mais concreta e extensa das riquezas que ajudou a criar. Daí porque se coloca a educação como seu fator de distribuição mais eqüitativa.
Gryzybowski (1986:41-2) citado por Frigoto (1996:26) concorda com a idéia de que
a educação é, antes de mais nada,
desenvolvimento de potencialidades e a apropriação de “saber social” (conjunto
de conhecimentos e habilidades, atitudes e valores que são produzidos pelas
classes, em uma situação histórica dada de
relações para dar conta de seus interesses e necessidades). Trata-se de
buscar na educação, conhecimentos e habilidades que permitam uma melhor
compreensão da realidade e envolva a capacidade de fazer valer os próprios
interesses econômicos, políticos e culturais
Na medida em que a consciência desse papel da educação vai atingindo as camadas menos privilegiadas, a tendência delas é para fazer crescer a demanda efetiva por ela. Ocorre, porém, que essa conscientização não se faz espontaneamente no meio cultural das populações completamente marginalizadas do sistema de produção e afastadas dos setores modernos da economia. Concluindo-se, pois, que o crescimento da procura por educação nesses setores resulta de dois fatores conjugados e mutuamente dependentes. O primeiro é que ela é função da expansão das oportunidades educacionais, entendidas como único caminho capaz de abrir horizonte cultural das pessoas para as vantagens da aquisição do domínio dos mecanismos elementares da leitura e da escrita, como técnicas básicas capazes de assegurar-lhes uma posição do sistema de produção. O segundo aspecto diz respeito ao crescimento da demanda efetiva, diretamente dependente do desenvolvimento da consciência coletiva para as vantagens de se possuir posição nesse sistema de produção.
Essas são as razões pelas quais a instituição deve alcançar também esses segmentos da população que estão à margem das necessidades do desenvolvimento e deve alcançá-los como uma condição mesmo para instalar neles a vontade do progresso, o ânimo para reivindicarem, para si, partes maiores na renda nacional (PIB).
Na opinião de Romanelli (1987:184),
Essa é uma tarefa que não compete à
iniciativa privada, seja porque esta não possui as condições e o interesse para
tanto, seja porque é finalidade mesmo do Estado e sua razão de ser assegura
direitos mínimos a todos
os seus cidadãos. Pelo valor do empreendimento, só o Estado pode
fazê-lo.
Não se concebe, portanto, que o Estado deixe de atender às necessidades básicas de todos para privilegiar culturalmente poucos. Assim fazendo, ele deixa de ser um organismo democrático. E, nesse sentido, ao se privilegiar a poucos, compromete o seu próprio desenvolvimento econômico e sua essência liberal de Estado de todo povo. Oportunidades educacionais restritas significam sempre limites estreitos impostos à expansão econômica. A respeito desse contexto, Frigotto (1996:31) faz a seguinte ponderação:
(...) A educação também não é reduzida a
fator, mas é concebida como uma prática social, uma atividade humana e
histórica que se define no conjunto das relações sociais, no embate dos grupos
ou classes sociais, sendo ela mesma forma específica de relação social. O
sujeito dos processos educativos aqui é o homem e suas múltiplas e históricas
necessidades (materiais, biológicas, psíquicas, afetivas, estéticas, lúdicas).
A luta é exatamente para que a qualificação humana não seja subordinada às leis
do mercado e a sua adaptabilidade e funcionalidade, seja sob a forma de
adestramento e treinamento estreito da imagem do mono domesticável dos esquemas
tayloristas, seja na forma da polivalência e forma abstrata, formação geral ou
policognição reclamadas pelos modernos homens de negócio (Veblen,1918)
e os organismos que os representam.
Na visão de teóricos, como: Romanelli, Piletti, Florestan, dentre outros, o grande problema dos países subdesenvolvidos tem sido as necessidades de expansão de seu sistema econômico que acabam parando frente à elasticidade do mercado interno, criado por um sistema sócio-econômico tradicional que privilegia sempre uma pequena parte da população em detrimento de sua grande maioria. É a própria sobrevivência do sistema que se põe em xeque. Daí decorre que, ou ele cria as condições, para que se desenvolva e se expanda o mercado interno, ou ele perece. Ora, desenvolvimento e expansão estão na dependência da capacidade que o próprio sistema possua de absorver gradativamente a parcela populacional não integrada a ele. É nessa dimensão que a educação entra como fator básico, indispensável para realizar essa absorção e integração. Isso fica mais evidente a partir da compreensão de que a nova tecnologia da informação altera as próprias bases da produção social, pois incide sobre os processos de produção, desenvolvimento e aplicação do conhecimento, permitindo acelerar outras inovações.
Com a flexibilidade funcional, emerge um novo perfil de qualificação da força de trabalho, atrelado à exigência de escolarização básica, de capacidade e adaptação a novas situações de compreensão global de um conjunto de tarefas e funções conexas, o que demanda capacidade de abstração e de seleção, trato e interpretação de informações, requeridas também a atenção e responsabilidade no manejo com os equipamentos, capacidade de comunicação grupal, estímulo no favorecimento de atitudes de abertura para novas aprendizagens e de criatividade para lidar com os imprevistos. Complementando essa idéia, Frigoto (1996:31) afirma que
A qualificação
humana diz respeito ao desenvolvimento de condições físicas, mentais, afetivas,
estéticas e lúdicas do ser humano (condições omnilaterais)
capazes de ampliar a capacidade de trabalho na produção dos valores de uso
em geral como condição de satisfação das múltiplas necessidades do ser humano
no seu devenir histórico.(...) Nesse sentido, o trabalho é o princípio
educativo e, portanto, fundamental que todo o ser humano socialize-o(...)
Daí, porque, podemos dizer que, principalmente a partir da década de 40, a educação assumiu um papel importante na sociedade tecnológica. A centralidade do conhecimento nos processos de produção e organização da vida social rompeu com o paradigma segundo o qual a educação seria um instrumento de “conformação” do futuro profissional do mundo do trabalho. Disciplina, respeito restrito às regras estabelecidas, obediência, condições até então necessárias para a inclusão social via profissionalização, perdem a relevância, face às novas exigências colocadas pelo desenvolvimento tecnológico e social.
A nova sociedade, decorrente da revolução tecnológica e de seus desdobramentos na produção e na área da informação, apresenta características possíveis de assegurar à educação uma autonomia ainda não alcançada. Isso ocorre na medida em que as competências cognitivas e culturais são exigidas para o desenvolvimento da pessoa. “O novo paradigma, que recoloca o papel da educação como elemento de desenvolvimento social, emana da compreensão de que, cada vez mais, as competências desejáveis ao pleno desenvolvimento humano aproximam-se das necessárias à inserção no processo produtivo” (PCNs:1999).
É importante, no entanto, compreendermos que a aproximação entre as competências desejáveis em cada uma das dimensões sociais não garante uma homogeneização das oportunidades sociais; há redução dos espaços para os que vão trabalhar em atividades cujo conhecimento é o instrumento principal, e os que vão continuar atuando em atividades tradicionais; a expansão da economia pautada no conhecimento caracteriza-se também por fatos sociais que comprometem os processos de solidariedade e coesão social, tais como, a exclusão e a segmentação com todas as conseqüências hoje presentes: o desemprego, a pobreza, a violência e a intolerância.
Um outro fator a considerar diz respeito à necessidade do desenvolvimento das competências básicas tanto para o exercício da cidadania quanto para o desempenho de atividades profissionais. A garantia de que desenvolvam e apliquem suas capacidades é indispensável para se combater o dualismo social que gera desigualdades cada vez maiores.
Essas competências, presentes na esfera social, cultural, política, e, condições para o exercício da cidadania, dizem respeito à abstração, ao desenvolvimento do pensamento sistêmico, à criatividade, à curiosidade, ao pensar múltiplas alternativas, para a solução de um problema, ao trabalho em equipe, à disposição para aceitar críticas, aos riscos, ao desenvolvimento do pensamento crítico, ao saber se comunicar e buscar conhecimentos.
Mesmo considerando-se os obstáculos a superar, a crescente presença da ciência e da tecnologia nas atividades produtivas e nas relações sociais devem ser incorporadas como eixos das tendências educacionais para o século XXI. Comparados com as mudanças significativas observadas nos séculos passados, como a máquina a vapor ou o motor à explosão, cuja difusão se dava de modo lento e por um largo período de tempo, os avanços do conhecimento, que se observam neste século, devem criar possibilidades de intervenção em áreas inexploradas.
Nas sociedades tradicionais, a estabilidade da organização política, produtiva e social, garantia um ambiente educacional relevantemente estável. Agora, a velocidade do progresso científico e tecnológico e da transformação dos processos de produção torna o conhecimento rapidamente superado, exigindo-se uma atualização contínua e colocando novas exigências para a formação do cidadão.
A transformação do ciclo produtivo, a partir da década de 40, provocou a migração campo-cidade; houve diminuição gradativa, mas significativa, de emprego na agricultura. Atualmente, observa-se uma situação semelhante na indústria e isso ocorre não apenas em função das novas tecnologias, como também em função do processo de abstração de mercados, que passa a exigir maior precisão produtiva e padrões de qualidade de produção dos países mais desenvolvidos.
A globalização econômica, ao promover o rompimento de fronteiras, muda a geografia política e provoca, de forma acelerada, a transferência de conhecimentos, tecnologias e informação, além de recolocar as questões da sociabilidade humana em espaços cada vez mais amplos. A revolução tecnológica, por sua vez, exige novas formas de socialização nos processos de produção e, até mesmo, novas definições de identidade individual e coletiva.
Diante desses múltiplos desafios, a educação é posta como condição necessária e indispensável à humanidade na sua construção da paz, da liberdade e da justiça social. É encarada, conforme Relatório da Comissão Internacional sobre Educação para o Século XXI, da UNESCO, “entre outros caminhos e para além deles, como via que conduz a um desenvolvimento mais harmonioso, mais autêntico, de modo a fazer recriar a pobreza, a exclusão social, as incompreensões, as opressões e as guerras.”
Em face dessa realidade econômica, política, social, cultural e educacional, o SESI se instalou no Ceará como suporte ao trabalhador na resolução de seus problemas básicos de existência (saúde, alimentação, habitação, inclusão sóciopolítico) tudo isso associados à inter-relação entre os princípios de valorização e bem-estar dos trabalhadores, ao aumento da produtividade industrial. Imbuídos em sua filosofia, percebemos a concepção de que a melhoria nos níveis de saúde, escolarização, nutrição, segurança no trabalho e ocupação saudável do tempo livre do trabalhador refletem na melhoria da qualidade do meio ambiente e no aumento da produtividade com baixos custos.
CAPÍTULO II
O PROGRAMA SESI-EDUCAÇÃO DO TRABALHADOR
COMO ESTRATÉGIA DE RESPONSABILIDADE SOCIAL
Ao caracterizarmos o Programa SESI-Educação do Trabalhador como política de responsabilidade social, constatamos que o mesmo se insere na declaração do Direito Social à Educação, detalhada na Constituição Federal de 1998, em seu Artigo 2º que diz “a educação, direito de todos e dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.”
Especificando essa visão para a educação voltada aos maiores de 15 anos, que ao longo de suas vidas foram impossibilitados de acesso e/ou permanência na escola, o texto constitucional ampliou a oferta de educação básica para esse contingente, inclusive aos que forem trabalhadores, “consideradas as características do alunado, seus interesses, condições de vida e de trabalho, mediante cursos e exames” supletivos, que habilitarão ao prosseguimento de estudos em caráter regular.” Essas inovações da lei somam-se à criação do Plano Nacional de Educação e do Plano Decenal de Educação para Todos (1993-2003), visando ao fm do analfabetismo, à formação para o trabalho e à promoção humanística, científica e tecnológica do País.
Além disso, a Constituição vigente
contribuiu também no processo de elaboração da Lei de Diretrizes e Bases da
Educação Nacional (LDB Nº 9394/96), que, em seu Artigo 37 reza o seguinte: “A
educação de jovens e adultos será destinada àqueles que não tiveram acesso ou
continuidade de estudos no ensino fundamental e médio na idade própria”,
definindo-se diretrizes para uma política nacional de educação
, segundo os princípios de democratização das oportunidades e da
universalização do conhecimento, garantia de qualidade no processo educativo e
a concretização de uma educação pública e gratuita.
Tal pensamento está alinhado à
conscientização de que a educação é o maior patrimônio cultural da humanidade,
e ao contexto atual, tido, por exemplo, por Rossi, presidente da
Princewaterhouse Coopers, como sociedade do conhecimento, cujo ensino para
jovens e adultos será o grande desafio do futuro, visto que, conforme afirmou
até o início deste século, a maior parte dos
trabalhos eram manuais. Cinqüenta anos depois, e com pico nos anos 70, a
indústria foi o grande empregador. Hoje, a força de trabalho que mais cresce, e
que já é a maior em números absolutos, é a dos trabalhadores com
“conhecimentos”, valorizados mais pelo conhecimento especializado do que por
qualquer outra característica. Essa sociedade do conhecimento gerou então duas
necessidades básicas: primeiro, a educação formal, necessária
para a especialização do trabalhador e, segundo, a educação contínua,
fundamental para mantê-lo atualizado no competitivo mercado de trabalho.
Ao ser
pensada a história da educação no Brasil destinada aos jovens e adultos, não é
necessário grande esforço para detectarmos a falta de políticas educacionais
nesse sentido, somente surgindo algumas ações a partir do processo de
industrialização, mais especificamente na década de 40, que contou com a
criação de instituições6
parceiras em cujas ações estava o compromisso com o desenvolvimento do País,
tais como, o SENAI, o SENAC,
o SESI.
Neste capítulo, nosso principal objetivo
é tecermos algumas considerações sobre o Programa SESI-Educação do Trabalhador,
criado no final da década de 90 a fim de unificar e intensificar as ações de
educação de jovens e adultos que já vinham sendo realizadas pelo SESI no
Brasil.
1 – O Que é o Programa SESI-Educação do Trabalhador?
O Programa SESI-Educação do Trabalhador foi lançado em Brasília pelo Presidente da República em março de 1998, representando mais uma resposta concreta à elevação da escolaridade do jovem e adulto, ao mesmo tempo em que também assumia a responsabilidade pela minimização dos altos índices de analfabetismo na indústria brasileira, que assim se dispunham, conforme dados apresentados na tabela 2, em anexo, página 86.
Essa iniciativa representou mais um desafio na história educacional do SESI, ocasião em que os esforços foram somados e as parcerias entre o Departamento Nacional (DN) e os Departamentos Regionais (DRs) se consolidaram, posto que precisava-se reverter o quadro de
baixa escolaridade da força de trabalho da indústria. Daí, previu-se alcançar até 2000 o universo de 1 milhão de trabalhadores nos 27 Estados do País, o correspondente a 300 mil alunos em 1998 (meta atingida, cujos números superaram as expectativas, por se ter obtido 347 mil); 350 mil alunos em 1999 e 350 mil alunos em 2000.
O compromisso, no sentido de colaborar
para que o Brasil apresentasse modificação qualitativa e quantitativa nesse
preocupante quadro, foi de toda a equipe do SESI, bem como de seus diversos
parceiros7, cujos esforços foram otimizados e
somados, no sentido de, não apenas atingir as metas estabelecidas, mas também
de qualificação humano-profissional, garantias dadas aos trabalhadores
participantes do Programa. Todos os resultados são divididos entre esses parceiros,
os quais têm apoiado, acreditado na meta proposta e investido nesse negócio, o que
assegurou a certeza de que em 2003 se chegaria a 2.667,154 matrículas, valor
dividido em metas para cada Regional, conforme perfil de escolaridade dos
trabalhadores, levando em consideração o foco de atuação e o estudo da demanda
dos Estados. Para fixação da meta de atendimento, cada Regional dispôs dos
dados da RAIS/98, para análise e compatibilização, segundo previsão de metas
por Estado, levantadas pelo DN.
No Ceará, os dados disponibilizados
pela RAIS/MT/98 corresponderam a 102 trabalhadores na Indústria Extrativa;
5.209 na Indústria de Transformação; 110 na Indústria de Serviços; 1.622 na
Indústria da Construção Civil, totalizando uma demanda de 7.043 trabalhadores.
Com base nessa situação, ficou definido que o SESI-Ce assumiria as metas/ano correspondentes à educação do trabalhador de conformidade com as quantificações dispostas na tabela 3, em anexo, página 86.
Nessa dimensão, O Programa SESI-Educação do Trabalhador é um mecanismo utilizado para o cumprimento das metas, elemento de concretização do Plano Plurianual Nacional (PPN – 1996-98), cujo contexto estava configurado nos aspectos seguintes:
a globalização da economia, com fortes indícios de retomada
do crescimento, representa um fenômeno positivo; a desestatização, tornando o
setor privado o grande propulsor, induzirá ao aumento da competitividade do
sistema produtivo nacional, abrindo perspectivas à formação de um mercado
vigoroso e exigente de qualidade; a estabilização da economia, ao favorecer a
previsibilidade das ações, propiciará as decisões de investimentos necessários
ao aumento da produção e da produtividade; as reformas constitucionais, o
crescimento da economia, informação, a terceirização e a automação, dentre
outros fatores, impõem ao SESI a busca de outras fontes de recursos, para
ampliação da capacidade de atendimento de sua clientela; a descentralização dos
programas sociais permitirá focalizar com mais precisão as ações prioritárias a
serem desenvolvidas; a nova abordagem gerencial nas empresas, com ênfase na gestão pela qualidade total, certamente
leva à maior responsabilidade social da indústria, ampliando
o espaço de atuação do SESI; o surgimento
de um mercado de serviços e produtos similares aos do SESI, demandado pela própria indústria
inspirado no conceito de responsabilidade social da empresa; o quadro sócio-econômico brasileiro,
caracterizado por um dos piores índices de distribuição de renda e por
considerável parcela de excluídos, situados abaixo da linha de pobreza.
Na verdade, esses pontos já constituíam
o norte da atuação do SESI, desde a sua fundação. Verificamos em sua história
no Ceará que o final da década de 40, precisamente 1948, até o início dos anos
90, as parcerias estabelecidas entre o SESI e os demais setores: comunidade, empresários e governos foram bastante intensas
em níveis de “ensino-meta: na modalidade Alfabetização e Ensino Fundamental I,
com atendimentos nas indústrias têxteis,
de beneficiamento de castanha de caju, de pesca, artesanal, fábricas de
torrefação de café e construção civil, como também nas unidades escolares:
Escola de Educação Básica Dr.Thomaz Pompeu de Sousa Brasil e Escola de Educação
Básica Euzébio Mota de Alencar, localizadas respectivamente nas Unidades de
Negócio da Barra do Ceará e da Parangaba. Essas ações contribuíram para o
combate aos altos índices de analfabetismo, e a conseqüente elevação da
escolaridade dos trabalhadores, propiciando-lhes condições de exercerem a
cidadania, e a vida com qualidade, favorecendo, também o aumento da eqüidade
social.
Remetendo-nos a essas cinco décadas,
observamos que no Ceará, de 40 a 90, há uma concentração de alunos nas
primeiras etapas: Alfabetização e Ensino Fundamental I, devido aos altos índices de analfabetismo na
clientela acima de 15 anos, aliados à absorção de mão-de-obra sem qualificação
de conhecimento pelo mercado formal.
Segundo afirma Montenegro (1980:127 e 167)
(...)O incremento
de alfabetização do Ceará, de 1940 a 1950, foi pequeno. No primeiro censo,
havia 29,81% de alfabetização, enquanto no segundo censo, se elevava para
31,19%. Entre os alfabetizados, está incluída a população escolar de mais de 10
anos. Na zona litorânea, havia 63,47% de analfabetos, enquanto na zona
sertaneja, o analfabetismo era de 77,37%. Havia municípios em que os
analfabetos constituíam 88% da população.
A partir da metade da década de 90, mais precisamente em 1994, começa a aparecer no SESI as demandas de jovens e adultos para as séries terminais do Ensino Fundamental, notando-se, muito embora, que os números ainda são maiores na clientela de Alfabetização e Ensino Fundamental I. A procura pelo Ensino Médio somente surge mais precisamente no ano 1998, com a implantação do Programa SESI-Educação do Trabalhador. Tais constatações se confirmam através dos Convênios, e dos Relatórios Estatísticos do Programa.
Acompanhemos na tabela 4, em anexo, página 87, os dados referentes aos atendimentos feitos pelo SESI em educação de jovens e adultos, de 1991 a 1998, incluindo número de turmas na Alfabetização/Ensino Fundamental I e Ensino Fundamental II.
Na perspectiva das prioridades estratégicas do SESI, a Educação do Trabalhador representa um dos focos principais dentro da missão institucional dos tempos atuais. Isso porque pesa sobre o Brasil a segunda maior taxa de analfabetismo da América do Sul, sendo a Bolívia a que ocupa o primeiro lugar. Segundo dados estatísticos de 1997, “o índice de analfabetismo nesse ano era de 14,7% da população brasileira acima de 15 anos, ou seja, 15,8 milhões.”
Acompanhando a estatística divulgada pelo IBGE/2001, a situação ainda é desfavorável para a clientela de jovens e adultos, mesmo considerando os resultados positivos dos programas voltados ao aumento da escolaridade dessa clientela, tais como Alfabetização Solidária, Tempo de Avançar, e do próprio Programa SESI-Educação do Trabalhador. Os percentuais de analfabetismos ainda estão na media dos 29,6%, configurando-se no 3º pior índice do Brasil, junto com o Maranhão, perdendo apenas para Alagoas e Piauí. Na zona rural, essa estatística eleva-se para 48,9%. A taxa de analfabetismo funcional, caracterizada pela média de anos de estudo inferior a 4 anos, no Estado, nessa faixa etária, é de 48,5% (4º pior do Brasil), chegando, na zona rural, a 75% (2º pior do Brasil, perdendo somente para o Piauí).
Segundo divulgação do Boletim
Informativo Nº 08, da Assembléia Legislativa do Ceará,
a taxa de escolaridade na idade de 7 a 14 anos é de 94,3%, concluindo-se que o Estado apresenta um quadro positivo a longo prazo, uma vez que existem hoje mais crianças na escola que antes. Porém, a continuação de tão grande defasagem escolar na idade de jovens e adultos é fator preocupante, se forem considerados o nível de defasagem escolar, seja por repetência ou abandono, que é ainda muito grande na escolarização de 7 e 14 anos, aumentando progressivamente em sentido diretamente proporcional à idade, correspondendo a 29,5%, defasagem aos 7 anos; de 80,1%, aos 11 anos e de 88,1% aos 14 anos.
O mesmo artigo, divulgado no documento supracitado, dá conta de que a média de anos de estudo no Ceará também varia conforme a idade. De 1,6 anos, idade de 7 a 10; de 2,9 anos, idade de 11 a 14; de 5,6 anos, idade de 20 a 24; de 4 anos, idade superior a 25. Essa é uma estatística bastante preocupante em termos nacionais e locais; são parâmetros baixos para o que requer o mercado de trabalho, porque sabe-se que quanto maior o nível de instrução, mais chances de obtenção de uma atividade profissional: sem instrução, há 54,3% de chances e, com instrução, 82,7%.
Na maioria dos casos, nas regiões em que as taxas de analfabetismo são altas, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é mais baixo. Ele é calculado de acordo com os indicadores de educação (grau de escolaridade), saúde (expectativa de vida), e rendimento (renda per capita). O Brasil, segundo relatório da ONU de 1999, que teve como base os dados de 1997, está em 79º lugar entre 174 países, com IDH de 0,739. Em relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), desse mesmo ano, entre os 174 países analisados, está o Brasil com a pior classificação na distribuição de renda.
Nas empresas cearenses, atendidas pelo Programa, é possível vislumbrar a institucionalização da educação de jovens e adultos como solução durável para o problema do analfabetismo, muito embora tenhamos ciência de que ainda necessitamos fazer muito mais para resolver o problema da defasagem na escolaridade dos cearenses. Nesses quatro anos do Programa muitas ações foram desenvolvidas nessa perspectiva, através da implementação de projetos que vislumbram , através de seus métodos e práticas, o aumento da auto-estima do trabalhador, bem como a aquisição das habilidades básicas por meio do aprendizado da leitura e da escrita, da valorização da cidadania, da capacidade de mobilização dos grupos, e trabalho em equipe. Esses são fatores de legitimidade do Programa. Acompanhemos, a seguir, sua trajetória, visualizando seus atendimentos do ano de 1998 a 2002 conforme gráfico 2, em anexo, página 95.
Esses fatores, somados a
outros tantos, foram responsáveis pelo reconhecimento do SESI, em 2001, por
parte da UNESCO, através
da menção honrosa de seu Prêmio Internacional como marca da
atuação do SESI na área da Educação. Segundo afirmações do representante da
UNESCO no Brasil, Jorge Werthein, (divulgada no Jornal Passo a Passo, 2001:10),
o Prêmio representou “um momento de
reconhecimento pelo excelente trabalho da Instituição na educação de jovens e
adultos. O Prêmio UNESCO 2001 distinguiu o SESI por sua condição de Instituição
do setor privado que assumiu diante da sociedade brasileira a responsabilidade
de investir em recursos humanos, fator fundamental para a construção de uma
sociedade.”
Essa manifestação da UNESCO é uma prova de credibilidade do SESI em nível nacional. Em se tratando de Ceará, nesse mesmo ano foi realizada a pesquisa de opinião, (novembro/2001) cujo fim: avaliar o desempenho do SESI, como também mensurar o nível de satisfação dos clientes. Os resultados divulgados cuja variação ficou na escala de bom e ótimo, comprovam sua atuação favorável.
A trajetória do SESI nesse meio século, e do Programa SESI-Educação do Trabalhador nesses cinco anos, justifica a concessão dos aspectos mencionados, atingindo, nacionalmente, em “ 2001, 169,6 mil matrículas, 28,6 mil salas de aula e 4,7 mil telessalas” (Jornal Passo a Passo, 2001:10) Essa credibilidade alcançada pelo Programa junto à sociedade, além da marca de qualidade dos seus serviços, é também exemplo de adesão do Estado, Município, Empresas, Comunidade, nesse pacto que juntos firmaram para garantirem o desenvolvimento mais rápido da educação de jovens e adultos.
Contribuindo para a escolaridade de 7.238 trabalhadores, em seu percurso histórico, (98-2001), o Programa tem se voltado para o campo sócio-educacional, em conjunto com as empresas, baseado na constatação de que a política das alianças é fator preponderante na minimização da pobreza e da exclusão social.
Desde 1998, ele tem sido a prova cabal de que a efetivação de parcerias dá resultados, e, por isso, elas têm sido seu financiador, seja por meios financeiros, ou por recursos materiais e humanos. Beneficiando-se do reconhecimento apontado pelos parceiros, o Programa é um vetor de negócio do SESI incluso na política da auto-sustentabilidade, registrando, nesses cinco anos (1998- 2002) um crescimento em termos de educação de jovens e adultos, conforme podemos visualizar nos quadros 6 e 7, em anexo, páginas 89 e 90.
A palavra-chave desse processo de crescimento é parcerias, que permitiram ao Programa um desenvolvimento consistente e firme. Assim, no Ceará, o Programa vem funcionando em regime de Ensino Presencial, através do Projeto Alfabetizar é Construir, que atende aos alunos em níveis de Alfabetização e das séries iniciais do Ensino Fundamental(1a. a 4a.), e através da Metodologia SESIeduca, implantada em 2001, com salas de aula nas Unidades de Negócio da Parangaba e de Sobral e na Empresa Iracema Indústria de Caju, implantando, em 2002, 19 salas de aulas na Vicunha, em suas Unidades localizadas em Fortaleza e Pacajus. Em regime de Ensino Presencial, essa Empresa também mantém salas de aulas cuja Metodologia utilizada é o Telecurso 2000.
Acerca dessas Metodologias de ensino, cabe aqui ressaltar aspectos relevantes concernentes às referências de cunho estrutural. A Alfabetização e Ensino Fundamental I, que funcionam de segunda à quinta-feira, com carga horária/diária igual a 2 horas, responde pela instrução em duas etapas. A primeira, destinada à Alfabetização, 1a. e 2a. séries, a segunda etapa, concernente à 3a. e 4a. séries, cuja duração é de oito meses, sendo 4 meses para cada etapa. O aluno ao longo do processo vai passando de um nível ao outro, conforme tenha obtido as habilidades básicas necessárias. Inicialmente, utilizada nos canteiros de obras da construção civil, com o passar dos anos foi sendo disseminada para os espaços da fábrica. Foi bastante aplicada nas décadas de 40 a 90, existindo atualmente uma diminuição desses níveis devido à própria relação de mercado estabelecida entre os colaboradores nas fábricas. Quem está fora do mercado sem escolarização é mais difícil ter acesso ao trabalho e quem está dentro da empresa sem escolaridade precisa obter esse nível para ter acesso à inserção de mercado. Daí porque a rotatividade da demanda. Para esse nível, não há material didático já pronto em formas de livros ou apostilas. Os professores, na condição de polivalentes, vão a cada planejamento criando as atividades, com base na Proposta Pedagógica do Curso. Esses são momentos semanais utilizados às sextas-feiras para estudos e aprofundamento das teorias pedagógicas, troca de experiências e elaboração de atividades. Podemos ressaltar que dentre as inúmeras características desse nível, a heterogeneidade, a multiseriação e a rotatividade de etapas são as mais comuns.
Também esse grau de ensino pode ser desenvolvido através da Metodologia SESIeduca, designada de Primeiro Segmento. Suas bases estão firmadas no construtivismo sócio-interacionista que acredita ser o conhecimento produto da ação e reação humana, numa dimensão de construção coletiva e social, aprendizagem mediada, sendo o professor o dinamizador entre o saber e o aluno. Essa Metodologia dispõe de material elaborado em forma modular, estando organizada em 4 fases, num total de 900 horas, com 225h/fase. As disciplinas são as do Núcleo Comum segundo LDB 9394/96: Português, Matemática, Integração Social e Ciências, cujas temáticas estão definidas e associadas à Sociedade, Meio Ambiente, Contexto Cultural. Para cada disciplina, um dia/semana, sendo o 5º dia destinado aos encontros pedagógicos.
Passando para as séries terminais do Ensino Fundamental, temos o uso das Metodologias Telecurso 2000 e SESIeduca. Vale acrescentar que antes do Programa ser criado, a educação de jovens e adultos era realizada por meio das etapas: III e IV, correspondendo respectivamente à 5a. e 6a. séries e à 7a. e 8a. séries, com professor especialista. Através da implantação da Metodologia Telecurso 2000, abriu-se possibilidade para dinamizador de aprendizagem por isso o Programa dispõe de dois atendimentos: Professor-Orientador de Aprendizagem e Professor Especialista . Essa opção fica por conta das negociações entre os gestores parceiros no momento de analisar planilhas de custos e firmar convênios.
Segundo Oliveira (2001), a Metodologia
“Telecurso 2000 surgiu de uma parceria da
Fundação Roberto Marinho-FRM com o grupo de organizações associadas à Federação
das Indústrias de São Paulo (FIESP/ CIESP/SESI/SENAI/IRS), com base no êxito
dos Telecursos de 1º e 2º graus (hoje denominados Educação
Básica: Ensino Fundamental e Ensino Médio – LDB 9394/96). Iiniciado pela FRM no
final da década de 70, o Telecurso, lançado no País em 1995, implantado no SESI-Ceará
em 1998, apresenta-se como uma contribuição da iniciativa privada para ajudar a
corrigir algumas deficiências do setor educacional brasileiro, que causam
graves prejuízos à vida de milhões de pessoas e ao sistema produtivo.”
O Telecurso 2000 está implantado em todo o Estado e tem sido apreciado pelos parceiros que encontram em seu material e nessa metodologia de ensino facilidades no processo de ensino-aprendizagem. Pelo fato do material ser auto-instrucional, constam no final dos livros as respostas das atividades propostas, o que não invalida o processo do aprender, pois os professores trabalham com os adultos os valores e princípios coletivos e individuais, a fim de que haja realmente crescimento humano cognitivo para que eles possam garantir seus direitos sociais que lhes foram negados.
Avaliar o Programa na sua dimensão atual é fator de necessidade mas também de responsabilidade, pois sinaliza caminhos para norteamento de ações estratégicas com base no processo dialético e princípio da didática: reflexão-ação-ação refletida, com vistas ao alcance de indicadores de eficiência, eficácia e efetividade social.
Comungando com esses pressupostos,
sentimos a necessidade de avaliarmos o Programa em sua trajetória no Ceará,
sabendo ainda que, evidentemente, o fato de a avaliação ter ocorrido em 2001,
não significa que as concepções aqui apresentadas retratem apenas essa época,
ao contrário, elas trazem referências com base nas experiências de seus atores.
O instrumental aplicado com os docentes,
discentes, supervisores, coordenadores, parceiros apresenta a seguinte
estrutura: dados dos alunos, dados dos professores, dados dos
coordenadores/supervisores, dados dos parceiros. Cada ponto possui subdivisões
em partes e subpartes, conforme podemos verificar nos itens que seguem,
contendo a apresentação e análise dos dados colhidos na avaliação do Programa.
2 – A Visão dos Principais Atores do Programa
2.1 – O Aluno
De acordo
com informações do Relatório Estatístico de dezembro/2001, no Ceará, o
Programa, até a data de aplicação da avaliação, contava com um universo de
2.693 alunos. Desse total, 1023 participaram da avaliação aplicada no segundo
semestre desse ano, perfazendo um percentual de 74%.
Visualizando os dados tabulados na
avaliação aplicada com os alunos, podemos caracterizar o contingente de jovens
e adultos atendidos pelo Programa, segundo a identificação de alguns perfis. Em
relação aos indicadores: Sexo, constatamos que 71,9% é de homens e 29,1% de mulheres. Faixa Etária, 9,39% tem idade variando
de 15 a 25 anos; 23,84%
varia de 25 a 35; 28,89%, 35 a 45; 22,30%, acima de 45 anos;
15,58% não indicou a idade. A partir
daí podemos concluir que a média etária é de 21 anos. Vejamos esses dados,
visualizados nos gráficos 3 e 4, respectivamente, que
se encontram em apêndice, página 96.
Em relação ao atraso na escolaridade, a grande maioria dos pesquisados, 59%, alega motivos financeiros para haver deixado a escola; 30% não continuou os estudos devido a problemas familiares; 11% não especificou os motivos.
Quanto à Profissão, podemos acompanhar o quadro 5,
em apêndice, páginas 87-8, atentando para a ordem decrescente em que as funções
vêm mencionadas, conforme a quantidade de ocorrência.
Observamos na pesquisa que os alunos do
Programa são arrimo de família; 67% ganha entre 1 e 3
salários mínimos; 15% entre 3 e 5 salários mínimos; 18% não quantificou a
renda.
Quanto à situação de emprego, cerca de
98% estava empregada, constatação óbvia, de certa forma, já que a grande
maioria dos entrevistados é alunos, funcionários das empresas parceiras do
Programa. Isso assegura um perfil mais homogêneo dos matriculados: a maioria
empregada; as telessalas pesquisadas operam nos espaços das empresas, apesar de
haver outras que funcionam nos espaços físicos do SESI; os cursos iniciam e
terminam em épocas diferenciadas, conforme necessidade da empresa; e, de forma
geral, há uma certa imposição da empresa em relação à escolaridade de seus
funcionários e, por isso, cobram deles o comparecimento às aulas e permanência
no curso até à conclusão. Faz-se necessário explicar que os números indicativos
de desempregados correspondem a alunos que trabalhavam na empresa, foram
desligados do emprego, porém ganharam o direito de permanecerem no curso até à
conclusão.
Outro ponto que percebemos é em relação à pouca prática com relação à leitura. São poucos os que
lêem. E desses, apenas lêem o jornal disponibilizado no mural da empresa,
interessando-se pela coluna policial e/ou pelo esporte.
Dando prosseguimento à avaliação dos
indicadores, em relação ao Atendimento,
os alunos consideraram de qualidade, porque disseram ter conhecimento em
relação aos serviços prestados pelo SESI à Comunidade. Em média, foram 32,51%
de satisfação contra 1,12% de insatisfação, lembrando que 0,14% não respondeu.
Em termos de Informações,
consideraram também que estão satisfeitos, pela clareza com que são passadas,
ficando em torno da média de 32,38%, contra 0,19% de insatisfação. 0,42% não
opinou a respeito. Essas informações podem ser mais bem visualizadas através
dos gráficos 5 e 6, em apêndice, páginas 96-7.
A pesquisa com os alunos englobou ainda questões ligadas ao
currículo e materiais utilizados nas metodologias do Programa. Isso implica que
os pesquisandos refletiram sobre os recursos audiovisuais (tevê, vídeo,
microsistem, fitas com teleaulas), impressos (livros, textos), didática dos
professores, além dos serviços de informação e apoio para alunos e empresas.
Indagados acerca da competência dos professores quanto ao
domínio do conteúdo, 32,92% da média dos pesquisados confirmou que há
preparação dos profissionais, 1,12% avaliou insatisfatório esse aspecto,
conforme gráfico 7, em apêndice, página 97.
Quanto à Metodologia adotada pelos docentes, em média, a satisfação ficou em
torno de 32,72%, sendo de 0,91% a média de insatisfação. O uso da estratégia
adequada no desenvolvimento das aulas garante a integração entre o professor e
o aluno.
Para que o discente seja incentivado a participar da dinâmica da sala de aula, o professor procura apresentar atividades desafiadoras que envolvem situação-problema capaz de mobilizar os esquemas cognitivos dos alunos, de natureza operativa, por meio de atividades lúdicas, individuais e/ou em grupos. Os jogos, as oficinas, os trabalhos em equipe, por exemplo, têm servido como estímulo ao relacionamento entre docentes e discentes, promotores de aprendizagem. Nas salas de aulas, os alunos têm oportunidades para se expressarem oralmente, ouvindo e fazendo-se ouvir, falando sobre o que aprenderam; externam suas opiniões e suas dúvidas. Após a emissão da teleaula, por exemplo, o professor pede para os alunos fazerem a leitura da imagem, para que, além de ressaltarem pontos importantes apresentados, utilizem habilidades básicas imbuídas nessas ações. Isso tem despertado neles a atenção, o esforço para vencerem o cansaço e o sono.
Drouet (1995:12) falando sobre
metodologias de ensino, afirma que o professor deve estar sempre atento às
etapas do desenvolvimento do aluno, colocando-se na posição de facilitador da
aprendizagem, calcando seu trabalho no respeito mútuo, na confiança e no afeto.
Essa dimensão, do ponto de vista geral,
afirmaram os pesquisandos, os professores do Programa já introjetaram bem e,
por isso, o processo de ensino-aprendizagem socializante é bastante notório,
podendo ser percebido em muitas aulas o uso de jogos com o intuito de motivação
a fim de que o aluno participe ativamente do processo. O jogo faz despertar o
sentimento e emoção, assim como também a atividade artística, elo integrador
dos aspectos cognitivos, afetivos e sociais. Para isso, é realizado anualmente
a Mostra Cultural de Arte, Cultura e Lazer, evento de repercussão no Programa.
Essas diversas formas de conduzir as aulas têm respaldo na visão do teórico
Drouet (1995:13) o qual afirma que “quando um educador respeita a dignidade do
aluno e trata-o com compreensão e ajuda construtiva, ele desenvolve a
capacidade de procurar dentro de si mesmo as respostas para os seus problemas,
tornando-o responsável e, conseqüentemente, agente do seu próprio processo de
aprendizagem.” Sobre
isso, vejamos os resultados apresentados no gráfico 8, em apêndice, página 97.
Em
relação à utilização dos Recursos
Didáticos, tais como filmes, músicas, cartazes, dentre outros, apresentados
no gráfico 9, em apêndice, página 98, a média de
satisfação é de 33.04%, ficando em torno de 0,42% a média de insatisfação. Os
alunos consideraram satisfatórias as Informações
e Explicações fornecidas pelos
professores, dado a clareza com que são transmitidas. Esses dados podem ser
observados, em apêndice, no gráfico 10, página 98.
Junto ao
coordenador e alunos, o professor costuma repensar a prática pedagógica,
inscrevendo a possibilidade de novos procedimentos. Esse processo de parceria
tem possibilitado a aquisição de uma aprendizagem significativa e enriquecedora
para o aluno, inclusive, com ganhos visíveis na sua vida pessoal e
profissional, conforme podemos observar neste trecho do ex-aluno Xavier8, publicado no Informativo Passo a Passo
(2/2001, Nº 32). “Para quem era um semi-analfabeto há poucos anos, e com a
minha idade, concluir a próxima fase já seria uma grande conquista. Não quero
parar de estudar nunca. Se todos tivessem esta consciência, a
vida teria muito mais sentido."
Considerando o Relacionamento entre Professor e Aluno, cujos dados estão
disponibilizados no gráfico 11, em apêndice, página
98, 32,86% opinou pelo conceito muito
bom e 0,28% preferiu não omitir opinião. Fazendo menção ao Conteúdo do Curso, em média, o nível de satisfação ficou em torno de
31,88%, pois consideraram haver um direcionamento para o mundo do trabalho;
2,17% mencionou insatisfação,
Vejamos o gráfico 12, em apêndice, página 99.
Concernente à Carga Horária, em média, 32,44% considerou adequada e 1,33% afirmou que deveria ser mais extensa, pois consideram
pouco tempo para a aprendizagem dos conteúdos das disciplinas, principalmente
porque levam em conta a instigante jornada de trabalho, bem como, um espaço de
tempo muito grande fora da escola. Esses dados estão disponíveis no gráfico 13, em apêndice, página
99.
Em referência ao Material Didático, em média, 32,02% está satisfeito com a qualidade
apresentada pelos instrumentais utilizados; 0,28% não respondeu. Acompanhemos a
estatística no gráfico 14, em apêndice, página 99.
No trabalho com jovens e adultos, uma
das dificuldades encontradas está relacionada ao baixo desempenho de
aprendizagem. Essa situação tem gerado a ampliação do trabalho em sala de aula,
através da complementação de ações educativas voltadas à realização de projetos
pedagógicos que valorizam a compreensão das características e necessidades de
aprendizagens do aluno, utilizando a oficina pedagógica como canal de criação e
mediador do ensino-aprendizagem.
Perguntados sobre estes indicadores:
Aprendizagem, Desempenho da Coordenação em termos de acompanhamento, autonomia
e relacionamento, assim se posicionaram: Quanto à Aprendizagem,
em média, 32,81% está satisfeito, considerando, inclusive, seu
padrão de qualidade; 0,56% não está satisfeito em relação a esse aspecto e
0,42% não respondeu. Indagados a respeito do trabalho da Coordenação nos
aspectos: Acompanhamento Pedagógico, a média de
satisfação ficou em torno de 32,06%, contra 1,82% de insatisfação; Autonomia
da Gestão, 31,83% considerou existir, ressaltando, inclusive, a agilidade
na resolução de problemas; 2,1% considerou que precisa melhorar; Relacionamento entre Coordenação e Alunos,
31,13% considerou muito bom, contra
1,26% de insatisfeitos. A média total dos que não responderam nenhuns desses
aspectos ficou em torno de 49%. A respeito desses resultados, visualizemos,
respectivamente, os gráficos 15, 16, 17, 18, em apêndice, páginas 100-1.
Pelas respostas e ponderações feitas, ficou explícito que os profissionais sabem que precisam trabalhar com os alunos os conteúdos de ensino relativos aos conhecimentos procedimentais (aprender a fazer), aos fatos e conceitos (aprender a conhecer), a atitudes e valores (aprender a ser e a conviver). Além de ensinar a ler, a escrever, explicar matemática e outras disciplinas, têm consciência de que é preciso ouvir os apelos silenciosos que ecoam na alma do educando. Isso requer do professor capacidade de ser persistente, observador e atuante, interessando-se pelo desempenho holístico do aluno, sendo sensível a ponto de perceber o vazio momentâneo que pode estar no adulto, assim como também, reconhecendo e considerando a gama de conhecimentos que o aluno traz para a sala de aula. Esse é um trabalho profissional e docente que deve ter a qualidade e a sensibilidade para detectar esses momentos e aspectos, conduzindo o ensino para a formação de novo cidadão capaz de pensar e agir criticamente. Essa consciência dos profissionais do Programa possui bases na concepção de Drouet (1995:11), quando diz que
O conceito de aprendizagem não está restrito
somente aos fenômenos que ocorrem na escola; o termo tem um sentido muito mais
amplo: abrange os hábitos que formam os aspectos de nossa vida afetiva e a
assimilação dos valores culturais. Para que a aprendizagem provoque uma efetiva
mudança de comportamento e amplie cada vez mais o potencial do educando, é
necessário que ele perceba a relação entre o que está aprendendo e a sua vida.
Considerando algumas dificuldades na
retenção dos conteúdos, José & Coelho (1999:10) afirmam: “para que a
aprendizagem se processe, é necessário que o organismo esteja suficientemente
maduro para recebê-la.” Nesse sentido, cabe fazermos
algumas considerações acerca da realidade dos alunos do Programa. A grande
maioria está fora da escola há muito tempo, em média, acima de dez anos; além
dessa distância, a extensa jornada de trabalho não permite, muitas vezes,
condições físicas favoráveis para revisarem e aprofundarem os conteúdos fora
dos espaços da sala de aula; o tempo de que dispõem para o estudo é reduzido,
limitando-se a 2 e/ou 3 horas/aulas/dia. Mesmo com o
esforço do professor, o tempo para a aprendizagem, na visão dos educandos, é
insuficiente.
Ciente dessa realidade, e com base nas
concepções pedagógicas pautadas nos teóricos Piaget, Vygotsky, Emília Ferreiro,
Madalena Freire, Telma Weiss, Paulo Freire, Wallon, dentre outros, cujas
teorias norteiam o trabalho docente, como também através do apoio da equipe
pedagógica, o professor do Programa deve buscar construir um referencial
didático-pedagógico que o auxilie no processo ensino-aprendizagem e apresente
resultados satisfatórios.
Isso é possível porque, para os
profissionais do Programa, a educação é discutida numa dimensão de processo
social que, embora assumindo formas diversas, é comum a todos. O que pressupõe
a tentativa de compreenderem ser através dela que os jovens e adultos
adquirirão aptidão favorável para viver inclusos no mercado de trabalho. A
educação possui um papel transformador, dando a essas pessoas oportunidades
para mudarem de vida, não necessariamente de função dentro da empresa, sendo
instrumento de mudança social e autonomia individual.
No bojo da educação de jovens e
adultos, em discussão no Programa, há uma busca constante em se desenvolver
concepções e visões de mundo, de sociedade e de homem, cujas bases se firmam
conforme o contexto vigente. Nesse modelo de educação, está presente o
construtivismo, pensamento introduzido no Brasil por Madalena Freire e Telma
Weiss, cujo princípio para se desenvolver a inteligência está entre as
inter-relações homem-meio, considerando-se que o ser humano não nasce
inteligente, mas também não é passivo sob a influência do ambiente; pelo
contrário, responde aos estímulos externos agindo sobre eles para construir e
organizar o seu próprio conhecimento, de forma cada vez mais elaborada. Jean
Piaget explicou com detalhes como, desde o nascimento, a pessoa constrói o
conhecimento, sendo essa teoria usada por Emília Ferreiro para pesquisar os
processos de aquisição da escrita e da leitura.
Os professores do Programa, mesmo tendo
em mãos materiais didáticos elaborados na linha tradicional, são orientados,
capacitados e acompanhados pedagogicamente, a fim de que transformem esses
meios em recursos que viabilizem a aprendizagem, daí porque se tem adotado as
práticas de oficinas e projetos de trabalho na direção sócio-interacionista, da
construção do conhecimento, dispondo de instrumentais de acompanhamento do
desenvolvimento dos alunos, parâmetros adequados à efetivação da avaliação
processual.
Outra ferramenta conceitual de que
dispõem é a da interdisciplinaridade9
, modelo curricular que supera a visão multidisciplinar10 e exige uma nova visão de educação
criativa, ousada e com uma nova concepção de divisão do saber, pois a
especificidade de cada conteúdo é garantida paralelamente à sua integração num
todo harmonioso e significativo. Os professores aplicam a interdisciplinaridade
na medida em que garantem a integração dos conteúdos, juntamente as suas
significações para os alunos. Verificam que assim, o interesse deles cresce em
busca do aprender, uma vez que as informações, percepções e conceitos compõem
uma totalidade de significados, permitindo que o diálogo ocorra entre as
diversas áreas do saber.
Além do construtivismo e do aspecto
interdisciplinar, imbuídos no ato de ensinar e aprender, há também o
sócio-construtivismo, corrente teórica de Vygotsky, assim denominada
para diferenciar do conteúdo de Piaget. Essa vertente faz
alusão aos aspectos culturais presentes no contexto, os quais só são aprendidos
com a participação de mediadores. Todas essas bases teóricas compõem o cerne da
Proposta Político-Pedagógica do Programa.
Quanto à Estrutura Física do Programa, 32,42%, dos alunos, em média,
considerou adequada a sala de aula, o mobiliário, a iluminação e os recursos
audiovisuais. A média de insatisfação ficou em torno de 0,98%, sendo que 0,73%
não opinou. Sobre esses aspectos, vejamos os gráficos 19, 20, 21, 22,
respectivamente, em apêndice, páginas 101-2.
Os alunos tiveram uma parte descritiva
na avaliação, oportunidade para análise dos impactos pessoais e profissionais
causados pelo Programa, levantando também indicadores que explicassem as
escolhas. Nesse contexto, mencionaram as dificuldades que tiveram no decorrer
do curso, informando sobre ex-alunos que passaram no Vestibular, indicando
alguns fatores que necessitam de mudança no Programa a fim de que se tenha
assegurado as ações de qualidade. Quanto aos ganhos pessoais e profissionais,
50,35% considerou a existência desse quesito, contra 22,72% que se posicionou
negativamente; 26,92% não
opinou. Visualizemos esses dados, respectivamente, nos gráficos 23, 24, em
apêndice, páginas 102-3.
Especificando e quantificado cada aspecto, temos o seguinte: 24,54% adquiriu mais conhecimento; 20,19% melhorou o relacionamento interpessoal e profissional; 5,32% sentiu-se mais motivados a voltar aos estudos; 6,31% teve sua auto-estima elevada; 10,51% adquiriu preparo para enfrentar a concorrência do mercado competitivo; 14,16% melhorou em termos de desempenho pessoal; 7,15% obteve qualidade na leitura e escrita; 0,28% considerou que o curso enriqueceu sua cultura; 1,40% reconheceu que houve desenvolvimento de valores, tal como, o respeito, por exemplo, 3,92% sinalizou a melhoria na disciplina Língua Portuguesa; 1,68% ressaltou a ascensão profissional; 5,75% adquiriu maior garantia para permanecer no emprego; 1,40% aprendeu a preencher documentos; 8,13% apontou o crescimento humano-profissional como fator valorativo e 11,92% melhorou seu desempenho humano-profissional. Esses dados estão dispostos no gráfico 25, em apêndice, página 103.
As dificuldades que mencionaram terem
sentido no decorrer do curso foram assim sinalizadas em 41,37%. Desses, os que
admitem terem sentido alguma dificuldade, em decorrência de muito tempo fora da
escola, corresponderam a 17,11%; pela falta de domínio na disciplina Língua
Portuguesa, 9,95%; pela falta de compreensão dos conteúdos trabalhados na
disciplina de Matemática, 2,94%; pelo cansaço, 15,99%; pela timidez, 2,38%, pelo excesso de horas
extras, 5,33%. O percentual daqueles que não tiveram nenhuma dificuldade no
decorrer do curso foi de 57,36%, uma vez que sempre procuraram tirar as dúvidas
com o professor e 1,26% não respondeu. Os gráficos 26 e 27, em apêndice, página
103, demonstram esses resultados.
Quanto à questão de ex-alunos que
passaram no vestibular, 93,41% não tinha conhecimento nesse aspecto, contra
6,59% que mencionou ter informações sobre colegas que após conclusão do Ensino
Médio se submeteram ao Vestibular, estando atualmente em cursos superiores de
Pedagogia e Tecnologia na Universidade Vale do Acaraú – UVA e Universidade Estadual do Ceará –
UECE.
Como observações e sugestões, referendaram a ampliação do Programa, 29,17%; a utilização de dinâmicas em sala de aula, 23,98%; a ampliação da Mostra Cultural para todas as turmas do Programa, 1,40%; os cursos terem conteúdos voltados para a profissionalização, 17,53%; a ampliação da carga horária das disciplinas, 6,31%, intensificar as aulas de campo, 9,95%; o fornecimento de merenda, 1,82%; atualização do material didático, 20,35; professor por disciplina, 0,14%. Vejamos o gráfico 28, em apêndice, página 104.
2.2 – O Professor
Tomando como base aspectos que caracterizam o professor do Programa, cuja quantidade, na época da aplicação da avaliação era de 69 professores, dos quais 49 participaram da avaliação, o correspondente a 72%, quanto ao tempo de permanência desses profissionais na Instituição, a variação geral posiciona-se em torno dos 3 a 10 anos, constatando-se que o intervalo de tempo onde está a maior parte dos professores, corresponde ao espaço de tempo entre 3 a 6 anos, sendo que 6,12% possui de 0 a 3 anos; 55,10%, de 3 a 6 anos; 18,36%, de 6 a 10. Acompanhemos informações no gráfico 29, em apêndice, página 105.
Desse universo, quanto à função que desempenham no Programa, 14,29% é professor polivalente, ou seja, professoras que trabalham na Alfabetização e Ensino Fundamental I; 34,69% é professor Orientador de Aprendizagem e 51,02% é professor especialista, ou seja, trabalha com as disciplinas segundo as áreas de conhecimento de sua formação superior. Aqui cabe uma ressalva para salientar que o nível de formação acadêmica dos profissionais do Programa está inserido na graduação ou na pós-graduação. Os cursos de Educação Continuada promovidos pelo SESI em parceria com a UnB e UFRJ têm mantido uma concorrência bem significante, apresentando-se numa escala ascendente, assim constituídos: no primeiro curso de especialização, dois técnicos da Instituição no Ceará participaram; no segundo curso, doze profissionais incluindo professores e supervisores, contemplando capital e interior; no terceiro, 19 profissionais. Além desses, há os cursos de extensão via módulos, que vêm aderindo a preferência de muitos. Acompanhemos com mais detalhes essas informações no gráfico 30, em apêndice, página 105.
Em relação à especificação da Metodologia com a qual trabalham, conforme gráfico 31, em apêndice, página 105, 79,59% dos professores atua no Telecurso 2000, 14,29% no SESIeduca.
Quanto à estrutura física do Programa, os professores consideram satisfatória a infra-estrutura das salas de aula, na média de 31,31%, contra 3,06% de insatisfação. Vejamos o gráfico 32, em apêndice, página 106. O acesso aos locais de trabalho foi considerado em 32,65% a média de satisfação contra 2,04% insatisfatória. Também foi avaliada a estrutura dos cursos em termos de aparatos tecnológicos, apanhando-se como resultados os seguintes dados: uma média de 31,29% considerou satisfatória, enquanto 4,08% avaliou como insatisfatória, conforme demonstram os gráficos 33 e 34, em apêndice, página 106.
Na opinião dos professores, o Programa
mantém um atendimento de qualidade com seus clientes e colaboradores. No
tocante às informações dos serviços
prestados pelo SESI, 39,79% está satisfeito, contra 10,2% que se demonstrou
insatisfeito; à agilidade para
solucionar problemas, 32,65% contra 2,04% de insatisfeito, clareza nas informações, 32,65%
expressou contentamento, já 2,045 considerou
insatisfatória; organização da Equipe
Gestora, 31,96% está satisfeito, com nível de insatisfação correspondente a
2,04%. Visualizemos os dados apresentados nos gráficos 35, 36, 37, 38, em
apêndice, páginas 106-7.
No
tocante ao aspecto do relacionamento
profissional foram considerados as relações professor e aluno,
professor/equipe gestora e equipe gestora ente si. Os dados tabulados dão conta
de que há uma satisfação comum entre esses pontos, correspondendo-se a uma
média de 46,
25% de satisfação, 7,48% satisfeito apenas parcialmente e 2,04% insatisfeito.
Vejamos os gráficos 39, 40, 41, em apêndice, páginas 107-8.
Quanto ao trabalho administrativo-pedagógico, também analisaram a qualidade
das reuniões e
acompanhamento pedagógicos; a organização
do trabalho, a autonomia da equipe
gestora, o desempenho da coordenação
do Programa e da equipe de
coordenadores de áreas e supervisores e
da secretaria. Sobre o primeiro aspecto, 47,95% considerou que os encontros
pedagógicos têm sido proveitosos e enriquecidos para o crescimento do grupo;
4,08% está
parcialmente satisfeitos. O
acompanhamento pedagógico ao professor é necessário, pois o gestor ter um papel
de mediador das ações de ensino-aprendizagem entre professor e alunos,
representando suporte e apoio aos docentes e discentes. Sobre esse ponto,
39,79% considerou satisfatório em detrimento de 20,40% que o mencionou
satisfação parcial. Em termos de organização do trabalho, 42,85% está
satisfeito, contra 14,29%;
no aspecto autonomia da gestão em agilizar e resolver problemas,
36,73% considerou que a equipe dispõe desse mecanismo, estando, pois
satisfeitos com a maneira com que está sendo conduzido o trabalho pedagógico no
Programa; 26,53% considerou algumas falhas, conceituando como parcialmente
satisfeito. Referente ao desempenho da coordenação do Programa, 46,94% considerou de
satisfatório desempenho, e, apenas 6,12% mencionou satisfação parcial; o mesmo
aspecto é estendido para a coordenação de área/supervisão, ficando em torno de
39,79% contra 20,40% que se posicionou parcialmente satisfeito. A secretaria do
Programa desempenha a contento seu trabalho, satisfazendo a 32,65%, deixando de
atingir perfil de qualidade, na visão de 2,04%. Esses aspectos estão disponibilizados
nos gráficos 42, 43, 44, 45, 46, 47, 48, em apêndice, páginas 108-10.
Os professores também se depararam com uma auto-avaliação, uma vez que na vivência do processo dialético, todos são sujeitos que avaliam, são avaliados e se auto-avaliam. Portanto, para 100% dos professores, o desempenho de suas funções é pautada na competência e qualidade; o conhecimento teórico-prático é a vivência diária, havendo uma interligação da teoria e da prática, isso porque também consideram serem detentores de habilidades, evidências de que dominam a função que executam, gerenciando o tempo adequadamente. Quanto ao relacionamento interpessoal, 81,63% considerou satisfatório, pois mantêm um bom relacionamento e comunicação no ambiente de trabalho; 18,37% analisou esses aspectos de forma parcialmente satisfatória. O interesse pelo aperfeiçoamento profissional, primando pela busca de conhecimento, sendo receptivos às novas tendências, teorias, métodos e técnicas educacionais, é presente na opinião de 100% dos docentes. O espírito de colaboração para o crescimento do Programa é também característica do grupo docente, atingindo um nível de 100% de satisfação. Assim também acontece com o indicador equilíbrio emocional, pois o grupo considera a maturidade como tônica da equipe, o que tem ajudado a resolver vários desafios. Sobre esse aspecto, as considerações demonstraram índices de 100%. A seriedade, responsabilidade, pontualidade e assiduidade são uma marca forte no grupo, ficando no conceito de 100% o nível de satisfação. Todos esses dados podem ser visualizados nos gráficos, em apêndice, números 49, 50, 51, 52, 53, 54, 55, 56, páginas 110-12.
A parte descritiva da avaliação abordou
três aspectos: o que menos estimula o
profissional a desenvolver suas ações no Programa, as motivações e as contribuições para o crescimento do Programa.
Quanto ao primeiro ponto, os professores destacaram: desempenhar a função de Orientador de Aprendizagem em Matemática, por ser uma área que não faz parte de sua formação acadêmica; o baixo salário, (6 professores); a freqüência irregular dos alunos às aulas (20 professores); a auto-estima baixa (40 professores); a escassez de recursos materiais (10 professores); o pouco acompanhamento aos alunos com dificuldades; a pouca autonomia; as reuniões pedagógicas realizadas no sábado, a falta de computadores para digitação de atividades.
Com referência às motivações, os
aspectos ressaltados foram: o respeito, a integração coordenação/professor (10
professores), o suporte da coordenação/supervisão (13
professores), a socialização de experiências que contribuem para a vida dos
profissional (15 professores), as capacitações (4 professores), a organização
(4 professores); a modalidade SESIeduca,
o referencial teórico proposto pela coordenação (8 professores), a valorização
profissional, a troca de conhecimento (23 prof) e o comprometimento.
As contribuições do grupo para o
desenvolvimento do Programa são: a disponibilidade (15 prof.); trabalhar a
evasão escolar; participar das reuniões
(7 prof); participar de programas de qualificação humano-profissional (12
professores); aplicar mais dinâmicas nas aulas; dialogar mais com a coordenação;
elaborar e executar projetos e oficinas pedagógicas; promover a integração e
divulgar o Programa.
2. 3. O Coordenador/ Supervisor
A equipe de
Coordenação e Supervisão do Programa também participou desse processo de
avaliação. Levando em conta alguns aspectos que caracterizam esse grupo de
profissionais, podemos situá-lo na média de 3 anos de
atuação no Programa, sendo que 83,33% exerce a função de Coordenador de Área do
Conhecimento e 16,66% executa ações de
Supervisão pedagógica. O Programa também possui uma Coordenadora geral que
responde pela parte administrativo-pedagógica. Vejamos esses dados demonstrados
no gráfico 57, em apêndice, página 113.
Considerando os tipos de metodologias que o Programa utiliza, de acordo com o gráfico 58, em apêndice, página 113, 66,66% dos Supervisores/Coordenadores é responsável pelo acompanhamento das turmas do Telecurso 2000, envolvendo o atendimento aos alunos e professores. Desse total, 50% cuida do trabalho pedagógico desenvolvido pelos professores especialistas e 16,66% dos Orientadores de Aprendizagem; 16,66% acompanha as turmas do Telecurso 2000 e SESIeduca e 16,66% as do Telecurso 2000 . Essa equipe de profissionais tem atuação nas Unidades de Negócios do SESI da capital e interior, nas empresas e comunidades. Assim, 16,66%, é responsável pelas aulas nas empresas e Unidades de Negócios, 33,33% nas comunidades e empresas e 50% somente nas empresas. Vejamos o gráfico 59, em apêndice, página 113.
A respeito da atuação dos
profissionais, fazem-se necessárias algumas explicações. Cada Supervisor e
Coordenador de Área são responsáveis por dez salas de aulas, as quais situam-se
nos locais já anteriormente mencionados. Em relação às salas de aulas nas
comunidades, é importante esclarecer que elas são oriundas do Projeto Educação
para o Trabalho, implementado de 2000 a 2001 em várias comunidades da Grande
Fortaleza, através da parceria que o SESI manteve com o Programa Estadual de
Qualificação - PEQ, com recursos provenientes do Fundo de Amparo ao Trabalhador
- FAT. A abrangência desse Projeto, uma ação vinculada ao Programa
SESI-Educação do Trabalhador, garantir a terminalidade de 20 turmas do Ensino
Fundamental, envolvendo jovens e adultos, homens e mulheres, desempregados, à
procura do primeiro emprego ou sob risco de desocupação.
Quanto à estrutura física do Programa, na visão desses profissionais, há uma adequação favorável relativa à infra-estrutura das salas de aulas e dos cursos, considerando satisfatório o acesso ao local de trabalho e o aparato tecnológico. Apenas deixa a desejar a estrutura das salas de aulas localizadas na construção civil, pois na tentativa de improvisação, a dimensão da sala e a ventilação não são adequadas. As salas de aulas localizadas nas comunidades também, em alguns casos, não apresentaram boa estrutura, pelos mesmos motivos apontados anteriormente; além disso, a questão da falta de segurança é bastante preocupante.
Pensando sobre o acesso aos locais de trabalho, reconheceram haver, em alguns casos, dificuldades, particularmente, nas comunidades, porém como as visitas são feitas com transporte disponibilizado pela Instituição, há mais facilidade para chegarem às salas de aula. A questão da satisfação parcial, correspondente a 16,66% é devido aos contratempos em relação à disponibilização do transporte em alguns momentos, conforme podemos conferir no gráfico 60, em apêndice, página 114.
Em relação aos aparatos tecnológicos, apesar de o nível de satisfação ter variado entre satisfeito e muito satisfeito, percebe-se a necessidade de uma ampliação de estrutura no Programa, devido ao crescimento e à diversidade de atendimento que se têm abrangido. Os resultados no tocante a esse ponto podem ser conferidos no gráfico 61, em apêndice, página 114.
O atendimento prestado aos
colaboradores e clientes também é muito eficiente em termos de informações
quanto à qualidade dos serviços oferecidos pelo Programa
referentes à agilidade nas intervenções
dos profissionais, encaminhamentos e solução de problemas, clareza nas informações e organização dos
serviços. Acompanhemos o que revelam os gráficos, em apêndice, números 62,
63, 64, páginas 114-15.
O Relacionamento humano-profissional, fortalecido pela comunicação, é outro indicativo pelo qual a equipe gestora prima. Como resultados, podemos afirmar, a partir da visualização gráfica, que há uma satisfação bastante evidente quanto à relação professor e aluno, professor e equipe gestora, ficando caracterizada como parcialmente satisfeitos um total de 49,49%. Vejamos os gráficos, em apêndice, números 65, 66, 67, páginas 115-16.
O trabalho administrativo-pedagógico também apresenta resultados promissores em termos de eficácia das reuniões pedagógicas, uma vez que 100% considerou que elas contribuem para o crescimento do corpo docente; acompanhamento pedagógico como suporte ao professor, sendo 83,33% satisfatório, contra 16,66%. É notória a organização pedagógica, considerada a satisfação do trabalho em 100%. Esses dados encontram-se disponibilizados nos gráficos 68, 69, 70, em apêndice, páginas 116-17.
As reuniões pedagógicas são práticas constantes vivenciadas no Programa SESI-Educação do Trabalhador. Há um calendário anual previamente estabelecido. As reuniões ocorrem às primeiras sextas-feiras de cada mês, sendo para estudo e aprofundamento de questões pedagógicas e/ou outros assuntos em pauta na ocasião. A outra ocorre um sábado no mês, sendo por Área do Conhecimento, momento de socialização e trocas de experiências, planejamento e oficinas pedagógicas.
A Coordenação e Supervisão reúnem-se semanalmente, às quintas-feiras, a fim de aprofundarem a teoria, planejarem as ações, socializarem as realidades das turmas que acompanham, para que todos sejam informados do que está acontecendo no Programa.
O acompanhamento pedagógico é um aspecto pelo qual a equipe prima, por entender que ele faz parte de sua função, além do que ajudará ao professor a vencer os desafios e empecilhos encontrados em seu trabalho. Por isso, as visitas às salas são realizadas constantemente, acompanhadas de intervenções e reuniões sempre que necessário.
Algo que merece reflexão é quanto à questão da autonomia do núcleo gestor na solução de problemas, 83,33% está parcialmente satisfeita, contra um nível de satisfação correspondente a 16,66%. Percebemos que esse é um ponto a ser repensado, pois autonomia é algo a ser conquistado e o grupo deverá ter essa competência, buscando a descentralização das funções. Vejamos o gráfico 71, em apêndice, página 117.
A Coordenação Geral/Supervisão/Coordenação de Área do Programa na visão de 83,33 é detentora de um bom desempenho, contra 16,66% que considerou excelente atuação. Toda a equipe procura a integração, a cooperação e a cada encontro semanal é refletido sobre isso, para que cada qual vá se trabalhando e se aprimorando nesse aspecto. Vejamos dados nos gráficos 72, 73, em apêndice, página 118.
A Secretaria também foi avaliada, apresentando-se em nível de satisfação correspondente a 66,66% contra 33,33% que concebeu estar o serviço precisando de modificações, uma vez que avaliou em parcialmente satisfeito. Podemos visualizar resultados no gráfico 74, em apêndice, página 118.
A Auto-Avaliação também foi um aspecto presente nesta análise, na dimensão do desempenho das funções da gestão, contemplando a qualidade, a competência, a utilização dos conhecimentos teórico-práticos, em que se faz uma ponte entre esses dois aspectos; a detenção de habilidades condizentes com a função, inclusive possuindo capacidade de gerenciar o tempo, fazendo uso de ações criativas que primem pelo avanço do processo ensino-aprendizagem.
Considerando-se o desempenho das funções, 33,33% achou que o fazem muito bem; 66,67% considerou que há necessidade de alguns ajustes, apesar de estarem satisfeito com o que vem sendo realizado pelos profissionais. Sentimento idêntico têm em relação à aplicação da teoria à prática, pois, mesmo com falhas, fazem o possível para que o trabalho seja desenvolvido nessa dimensão. Daí porque estão sempre buscando aprofundamento teórico e se auto-avaliando, a partir também da avaliação que os alunos e professores fazem dos seus trabalhos.
Perguntados a respeito da detenção de
habilidades definidoras de um perfil para a função, é consenso para 100% dos
pesquisandos que esse aspecto possui na totalidade. Todos têm competências
quanto à função que desempenham, pois sabem otimizar o tempo com atividades
significativas.
A equipe analisou também sua facilidade
de relacionamento interpessoal; seu interesse em ascender intelectualmente; sua
disposição para colaborar com o desenvolvimento do Programa; seu equilíbrio
emocional em relação à condução de questões pedagógicas; considerando a
seriedade, responsabilidade, assiduidade e pontualidade com que executa sua
função. Em média, esses aspectos estão no patamar de satisfação correspondente
a 62,49%. O empenho para aprender novas técnicas, colaborar com o grupo e, por
conseguinte, com o
desenvolvimento do Programa é uma tônica
na equipe, considerados por 100%. Isso
envolve também a detenção de equilíbrio emocional para lidar com as
adversidades, sempre num clima de seriedade, responsabilidade, pontualidade e
assiduidade.
A equipe gestora também levantou aspectos referentes aos três indicadores que ocasionaram o baixo estímulo profissional, a motivação profissional e as contribuições para o desempenho do Programa. Sobre o primeiro aspecto, os elementos de maior sinalização estão relacionados ao baixo salário (29%), pouco reconhecimento profissional, pouca ética profissional (37,5%), escassez de recursos tecnológicos. Em face do segundo ponto, foram destaques: os cursos de capacitação, a valorização profissional, a seriedade com que o Programa conduz as questões administrativo-pedagógicas, a qualidade do Programa, as inovações, os desafios com a educação de jovens e adultos, a identificação com o trabalho, as reuniões, a filosofia e metodologia do Programa. No tocante ao terceiro fator, os mais visíveis ficaram por conta da disponibilidade, do aprofundamento nas diversas áreas do conhecimento, a realização de oficinas nas reuniões e nas turmas, a socialização dos conhecimentos interpessoais e intergrupais, a pontualidade na entrega dos relatórios às empresas, melhorar o acompanhamento ao professor e trabalhar mais integrado com o grupo.
2.4. As Empresas
Parceiras
As empresas parceiras que participaram dessa avaliação são aquelas provenientes de convênios mais recentes, correspondente até 3 anos, 88,33%, contra 16,66% que mantém aliança com o SESI em tempo que vai dos 3 aos 5 anos. Vejamos, em apêndice, o gráfico 75, página 119.
Considerando
a satisfação com a Metodologia aplicada
nos Cursos, definidas pelo Ensino Presencial (Alfabetização/Ensino
Fundamental I), Telecurso 2000 (Ensino Fundamental II e Ensino Médio) e SESIeduca, a média de
satisfação foi de 50%, conforme
demonstra o gráfico 76, em apêndice, página 119.
Na visão desses clientes, o Programa possui um atendimento de qualidade, em termos de informações dos serviços que presta à comunidade, à agilidade na solução de problemas, ficando em média de satisfação, 47,22% contra 5,55%, médias dos que consideraram satisfação parcial. Vejamos os gráficos 77 e 78, em apêndice, páginas 119-20.
Referente ao desempenho profissional da
equipe gestora o nível de satisfação está em torno de 47,21%, em média, sendo
de 5,55% a média dos que se consideraram parcialmente satisfeitos. Também o
serviço de secretaria ficou avaliado em 47,22% em média de satisfação, sendo de
5,55% a média dos que se posicionaram como parcialmente satisfeitos. Os
gráficos 79, 80, 81, em apêndice, páginas 120-21, apresentam esses dados.
Os professores também foram avaliados
pelos representantes das empresas, sendo a média de satisfação igual a 41,66%,
contra 16,66% que se manifestou parcialmente satisfeitos,
conforme gráfico 82, em apêndice, página 121.
O desempenho dos discentes foi avaliado
da seguinte forma: 11,11%
considerou muito
satisfeito, 66,66% satisfeito e 22,22% parcialmente satisfeito, segundo
demonstra o gráfico 83, em apêndice, página 121.
Indagados sobre os aspectos positivos e
negativos do Programa, os representantes elencaram vários pontos que
demonstraram o grau de satisfação com os serviços desempenhados, deixando
evidentes também aquilo que precisa ser ajustado.
Com relação ao fator positivo do Programa,
foram sinalizados: o incentivo dado pelo SESI aos operários e à empresa, com o
objetivo de crescerem juntos; a aprendizagem dos funcionários; melhoria da
parceria acrescida ao apoio dado pelo Programa; melhoria na comunicação entre
os funcionários; satisfação dos funcionários com o ambiente de trabalho;
entusiasmo dos funcionários pela escola; o impulso produtivo que a empresa
recebeu a partir da educação de seus funcionários; atendimento de qualidade e
organização da Coordenação de Área; envolvimento dos profissionais;
desenvolvimento do potencial criador dos alunos; crescimento pessoal e
profissional dos alunos; integração entre alunos e professores; acompanhamento
psicológico dado pelo Programa aos alunos mediante palestras e
oficinas de auto-estima; o interesse do professor; organização e divulgação do
Programa; trabalho utilizando oficinas; apresentação do calendário mensal de
aulas e o relatório enviado à empresa; permanência dos alunos na salas de aulas; avaliação dos alunos nas frentes de
serviços junto aos encarregados, alunos e professores; alegria de todos ao
terminarem o curso; compromisso dos professores com a qualidade de ensino; credibilidade do SESI como Instituição
credenciada para ministrar educação de jovens e adultos.
Com referência aos aspectos negativos do Programa as empresas apontaram: falta de
adesão da empresa e dos funcionários ao Programa; alimentação fornecida aos
alunos deve ser melhor balanceada, principalmente para
operários da construção civil; interrupção do Programa já em andamento devido a
questões internas da empresa; falta acompanhamento individual ao aluno, visto
tratar de turmas heterogêneas; problemas de comunicação do SESI com a empresa
em relação à falta de professor; evasão; demissões; desmotivação dos alunos;
falta de pontualidade de alguns professores; custos dos cursos são altos;
resistência de alguns alunos para participarem das atividades escolares; pouca
qualidade do material de consumo (
cadernos e lápis); falta de interesse dos alunos com o aprender e com os
investimentos da empresa; falta repassar relatórios para à empresa; problemas
com transportes de alguns alunos.
Em termos de sugestões, as empresas assinalaram que os professores devem manter
comunicação mais próxima com a empresa, para que forneçam dados sobre alunos
faltosos e com dificuldades na aprendizagem, a fim de serem mais bem
acompanhados; que haja maior agilidade da secretaria do Programa no retorno das
informações; que seja melhorada a freqüência e que a evasão seja reduzida; que
sejam desenvolvidos projetos que garantam a continuidade escolar, como por
exemplo: cursos pré-vestibulares, atividades culturais e artísticas para
valorização de talentos na empresa; que haja mais dinâmicas para o Ensino
Fundamental I; que os empresários compreendam como é possível haver
aprendizagem em turma tão heterogênea, pois é difícil para eles acreditarem;
que sejam realizadas oficinas para trabalharem a auto-estima dos alunos, como
também palestras sobre relações humanas e trabalho em equipe; que sejam
priorizadas as atividades
extracurriculares; que haja conhecimento mais detalhado da Metodologia SESIeduca através de folder, palestras; que a Coordenação
realize auto-avaliação e avaliação dos professores com os alunos para que eles
também digam como o professor está trabalhando;
que haja visita da Coordenação do Programa às salas de aulas; que os
custos do Programa sejam reduzidos, tendo em vista a contribuição compulsória que a empresa já
repassa ao SESI.
CONCLUSÃO
Toda avaliação deve delimitar claramente o paradigma que a norteia, seja avaliação curricular, de programas, de projetos ou institucional, pois seu objetivo principal é demonstrar se o que foi projetado seguiu o caminho tal como se preconizou; sua finalidade é identificar os pontos relevantes e de insucesso do objeto da avaliação e promover a transformação, em benefício dos envolvidos.
Não há dúvida de que a avaliação é uma tarefa importante para os que gerenciam qualquer tipo de trabalho, seja empresarial ou educacional, ou até mesmo informal, pelo fato de permitir uma reflexão e uma apreciação crítica sobre os dados relevantes do que foi implantado e pela possibilidade de auxiliar o administrador a tomar decisões sobre o seu trabalho. Portanto, dentro do objetivo maior de traçar o perfil do Programa, foi aplicado um instrumento com o fim de avaliar desde os seus aspectos políticos e filosóficos, até o seu sistema organizacional. Essa iniciativa é pertinente pelo fato de, a partir da busca por conhecer a eficiência, a eficácia e a efetividade de sua dinâmica, embasada em um juízo de valor, mediante o estabelecimento de critérios. Oportuniza-se também a vivência do princípio dialético da ação-reflexão-ação refletida acerca da obtenção e elaboração do conhecimento dos serviços prestados pelo Programa e como este vem desenvolvendo a organização e o gerenciamento das ações administrativo-pedagógicas.
O trabalho, ao qual dispusemos
parte de nosso tempo para concretizá-lo, mediante cumprimento do plano de
pesquisa previamente delimitado, chegou ao final. Não significa, todavia, o
dissecamento da temática, ao contrário, ele apresenta apenas uma visão do
Programa SESI-Educação do Trabalhador em um determinado período.
A avaliação do Programa SESI-Educação do Trabalhador partiu necessariamente de uma análise do contexto local, ressaltando ser a mesma um valioso instrumento, pois a partir dela obtivemos informações que possibilitarão a implantação de medidas para melhorar a qualidade dos serviços, ao mesmo tempo em que oferecerá conhecimentos na perspectiva de subsidiar mudanças no interior do Programa.
Em decorrência da expansão significativa do Programa ano após anos, atingindo satisfatoriamente as metas fixadas nas dimensões dos Departamentos Nacional e Regional, são comuns os questionamentos: os Cursos apresentam patamares razoáveis de qualidade? Como tem sido o desempenho do Programa frente à formação dos seus profissionais? Que respostas o Programa tem dado aos seus parceiros, empresas e sociedade, quanto ao atendimento de suas necessidades e expectativas em face do desenvolvimento humano-profissional?
Essas indagações, uma das preocupações da equipe gestora em educação do SESI-Ce, puderam ser clarificadas e refletidas ao realizarmos essa avaliação que, dada sua amplitude, tornou-se veículo imprescindível para o reconhecimento da identidade do Programa, ao mesmo tempo em que forneceu subsídios para seu planejamento global nos anos vindouros. Inclusive temos nos Planos de Ação/2002 as ações planejadas com base nos resultados e sugestões dessa avaliação.
A partir da reflexão sobre a necessidade do desenvolvimento de uma cultura avaliativa no Programa, e, compreendendo a importância e necessidade de se vivenciar continuamente a avaliação no interior e exterior do Programa, na dimensão homogênea, ultrapassando àquelas que se resumem em apenas o professor avaliar, junto ao aluno, a sua disciplina, vitalizamos os construtos dos instrumentais, elementos capazes de propiciar um conhecimento do Programa, a partir daquilo que pensam seus atores. Utilizando os dados, averiguamos a eficiência, eficácia e efetividade do Programa.
Estamos satisfeitos pelos
resultados alcançados, evidências de que foram cumpridos os objetivos que
estabelecemos para a consecução deste trabalho, uma vez que pela realização da
pesquisa e, de posse dos resultados sobre a atuação do Programa, nos foi
possível fazermos a aferição do grau de satisfação e/ou insatisfação dos atores
envolvidos, percebendo, também, a
importância do Programa, no processo de promoção da qualidade do trabalho e da
produtividade, ao mesmo tempo em que também verificamos os impactos do Programa
na vida do trabalhador e da indústria. A análise das forças e das fraquezas do
Programa respalda os aspectos de efetividade; ressaltamos ainda que as
sugestões apresentadas pelos grupos pesquisados são contribuições concretas
para o crescimento do Programa, servindo de recomendações para ajustes e
inovações.
Na mesma dimensão de atendimento dos objetivos
propostos para este trabalho monográfico, está também a sua problemática, uma
vez que, pela
vivência de uma avaliação
unificada, validamos o Programa
SESI-Educação do Trabalhador como instrumento eficiente, eficaz e efetivo na
construção da cidadania do trabalhador, indutor de produtividade e qualidade de
vida do trabalhador, também importante na efetivação da responsabilidade social
da empresa.
Os dados encontrados permitiram
constatar que o Programa conquistou (e continua considerado instrumento de
prestígio) um espaço bastante significativo em termos de referência no Ceará em
educação de jovens e adultos. Essas evidências culminaram na construção da
hipótese, agora validada pela posição de alunos, professores,
supervisores/coordenadores e representantes de empresas. Essas ponderações
podem ser visualizadas, nos gráficos, quadros, tabelas e interpretações,
analisados no capítulo II, e postos em apêndices e anexos.
É necessário esclarecermos que,
apesar de termos aplicado
as avaliações em 2001, esse ano não é referência para construirmos o perfil do
Programa, porque compreendemos serem os resultados representações não apenas
correspondentes a essa época, mas é a soma das experiências vivenciadas ao
longo da trajetória do Programa.
Desse modo, dada a importância deste trabalho,
pela necessidade e também abrangência que possui, tomamos diversos cuidados no
que diz respeito aos pressupostos ontológicos, epistemológicos, axiológicos,
retóricos, metodológicos da pesquisa, atentando para os paradigmas qualitativos
e quantitativos norteadores desta monografia, o que nos serviu de orientação na
construção dos instrumentais de avaliação, na aplicação, coleta, tabulação e
análise dos dados.
Partindo desse horizonte,
empreendemos esforços no sentido de analisarmos fidedignamente os resultados da
avaliação, procurando perceber, também nos diálogos informais e mesmo dos
quesitos descritivos nos questionários, as modificações ocorridas na vida do
trabalhador, da empresa e do SESI, a partir da formação da parceria, sem
esquecer, é claro, do trabalho dos profissionais que atuam no Programa.
Como súmula da análise das várias
concepções dos grupos, verificamos uma atuação positiva do Programa no Estado,
considerando diversos aspectos, tais como, atendimento, desempenho
profissional, informações, desempenho dos alunos, conteúdos, questões de ordem
estrutural, relacionamento, ensino aprendizagem, comunicação. Os conceitos
atribuídos a esses fatores, do ponto de vista geral, variaram entre satisfeito e muito satisfeito.
Verificando o teor das ponderações
feitas pelos grupos, observamos uma certa coerência e unidade nas respostas.
Como fatores de maior destaque, na concepção dos alunos, ficaram explícitas as
questões relativas ao cansaço, à falta de unificação entre algumas ações do
Programa, citando como exemplo, a Mostra Cultural, evento realizado apenas na
capital, a dificuldade nas disciplinas Matemática e Português,
vistas como conseqüência da falta de tempo para estudar em casa, e o fato de
passarem muitos anos fora da escola, e a inadequação da carga horária do curso.
Na concepção dos docentes e equipe destacou-se a necessidade de autonomia,
aspecto que precisa ser refletido e conquistado no Programa. Para os
representantes das empresas os altos custos dos cursos e as falhas na
comunicação carecem ser melhorados.
Considerando a grandeza das
informações coletadas, que certamente servirão de norte para as ações dos anos
subseqüentes, é importante tecermos comentários sobre as repercussões de uma
pesquisa dessa natureza para a Instituição que, imersa em um cotidiano de
relações de poder, ligadas, concomitantemente, à dinâmica da conservação e da
transformação, tem ciência de que é pelo diálogo que haverá possibilidades de
construir saberes, na dimensão da dialética, pelos sujeitos participantes da
história da Empresa.
A busca de rever estruturas físicas
e humano-profissionais dá ao Programa uma validação na efetivação de suas ações
na perspectiva de se pensar os propósitos educativos, coletivamente, das
diversas realidades do Programa, buscando juntos a
reflexão-ação-ação refletida com vistas à construção transparente e coletiva do
processo ensino-aprendizagem. Esse é um suporte à superação de entraves
que são gerados no próprio processo educativo, tratando as questões
administrativo-pedagógicas de forma articulada e ampla, possibilitando condutas
democráticas e transparentes na condução do processo educativo, requerendo a
participação qualificada dos atores no funcionamento articulado de suas ações
com vistas à organicidade do todo.
Quanto às recomendações e
sugestões, esses quesitos já
foram apresentados nos subitens do capítulo II, relacionados ao
grupo que contribuiu. Sem dúvida serão de grande valia para as ações futuras
traçadas pelo Programa.
Os resultados advindos da avaliação possibilitaram a tomada de decisões mais coerentes e objetivas por parte dos gestores, em face do conhecimento da realidade, assim como, serviram para auto-conhecimento da unidade educacional, visando à manutenção dos pontos de êxito do Programa e para redimensionar, se necessário, os rumos da missão, dos objetivos e das metas implantadas conforme o previsto, com a finalidade de aumentar o desempenho qualitativo e quantitativo.
Temos certeza de que o Programa necessita, constantemente, avaliar a sua práxis educativa, cuja finalidade dessa ação reflexiva é identificar seus pontos fortes para mantê-los e, se necessário, adequá-los ao novo vir-a-ser do desenvolvimento educativo-social. Assim, nessa perspectiva, poder-se-á averiguar, também, as dificuldades inerentes aos cursos, visando a redimensioná-los, dar-lhe rumo ou a direção apropriada a sua proposta filosófico-pedagógica, tornando-se mais oportuna, balizada na realidade, uma vez que a avaliação pressupõe adoção de valores e de critérios.
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centralidade do mundo do trabalho. São Paulo: Cortez, 1997.
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bases legais/ Ministério da Educação Médio e Tecnologia. Brasília, 1999.
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entender e aplicar
a nova LDB: lei nº
9.394/96. São Paulo:Pioneira, 1997.
APÊNDICES
E ANEXOS
AVALIAÇÃO
DO CURSO NA ÓTICA DO CLIENTE (ALUNO)
Este instrumental de avaliação se
destina a você, aluno(a) que tem participado dessa
parceria, cujo fim é, principalmente, a aquisição de um nível de escolaridade,
na perspectiva de uma educação de qualidade. Consciente de nosso papel e da
importância de nos avaliarmos, fazemos uso deste instrumental para que a partir
de sua opinião possamos promover o aperfeiçoamento de nossa ação e atendimento.
Por isso, não fique de fora! Participe! Avalie o Curso, conforme as orientações
dadas em cada parte. Faz-se necessário esclarecer que você não precisará se
identificar.
Estas
informações que seguem são importantes para que tenhamos as referências gerais
do Curso. De acordo com a sua realidade, escolha a informação correta, marcando
com um (X).
|
DADOS GERAIS DO PARCEIROS |
||||||||
|
Homem
( ) Mulher ( ) |
Idade (
) 15 a 25 (
) 25 1 35 (
) 35 a 45 (
) a partir de 45 |
Profissão ______________ |
Situação
atual no mercado (
) empregado (
) desempregado |
|||||
|
EDUCAÇÃO BÁSICA |
||||||||
|
ENSINO
FUNDAMENTAL I ( ) (
) manhã (
) tarde (
) noite (
) intermediário |
ENSINO
FUNDAMENTAL II (
)manhã (
) tarde (
) noite (
) intermediário |
ENSINO
MÉDIO manhã (
) tarde ( )noite( ) intermediário |
||||||
|
TIPO DE ATENDIMENTO PROFISSIONAL |
||||||||
|
(
) Professor
Polivalente (no caso de Ensino Fundamental I) |
( ) Professor Especialista (por
disciplina) |
(
)
Professor-Orientador de Aprendizagem |
||||||
|
METODOLOGIA |
||||||||
|
(
) Telecurso 2000
-SESI |
(
) Telecurso 2000 –
Tempo de Avançar |
|||||||
|
LOCAL DE FUNCIONAMENTO DA TURMA |
||||||||
|
Empresa
( ) Qual? |
Centro
de Atividade ( )
Qual? |
|||||||
Leia atentamente cada item, atribuindo valores de 01(um) a 05(cinco) a cada item, marcando um X no conceito que considere mais adequado, conforme tabela:
|
Muito Satisfeito |
Satisfeito |
Parcialmente Satisfeito |
Insatisfeito |
Muito Insatisfeito |
|
5 |
4 |
3 |
2 |
1 |
O Nº 5 significa que você está muito
satisfeito; o nº 1 significa que você está muito insatisfeito. Os nºs 2,3,4 são notas intermediárias.
|
1. AVALIE NOSSO ATENDIMENTO |
5 |
4 |
3 |
2 |
1 |
|
A)
Conhecimento dos serviços prestados pelo SESI |
|
|
|
|
|
|
B)
Clareza nas informações recebidas |
|
|
|
|
|
|
2. AVALIE O DESEMPENHO DO(A) PROFESSOR(A) |
5 |
4 |
3 |
2 |
1 |
|
A)
Domínio do conteúdo |
|
|
|
|
|
|
B)
Metodologia adotada na maneira de trabalhar os conteúdos (utilização de
técnicas de ensino: exposição, estudo dirigido, trabalho em grupo, aulas
motivadas,) |
|
|
|
|
|
|
C)
Clareza nas informações e explicações |
|
|
|
|
|
|
D)
Relacionamento professor x aluno |
|
|
|
|
|
|
3. AVALIE O CONTEÚDO |
5 |
4 |
3 |
2 |
1 |
|
A)
Direcionamento dos conteúdos para o mundo do trabalho |
|
|
|
|
|
|
B)
Adequação da carga horária (duração de cada módulo) |
|
|
|
|
|
|
C)
Qualidade do material didático utilizado (fitas, livros, textos
complementares) |
|
|
|
|
|
|
D)
Qualidade na aprendizagem |
|
|
|
|
|
|
4. AVALIE A COORDENAÇÃO |
5 |
4 |
3 |
2 |
1 |
|
A)
Acompanhamento pedagógico aos alunos |
|
|
|
|
|
|
B)
Atendimento às solicitações dos alunos |
|
|
|
|
|
|
C)
Relacionamento com os alunos |
|
|
|
|
|
|
5. AVALIE A ESTRUTURA FÍSICA DO
CURSO |
5 |
4 |
3 |
2 |
1 |
|
A)
Sala de aula |
|
|
|
|
|
|
B)
Iluminação |
|
|
|
|
|
|
C)
Mobiliário (cadeiras, quadro,) |
|
|
|
|
|
|
D) Recursos
audiovisuais (TV, Vídeo) |
|
|
|
|
|
Este é o terceiro momento desta avaliação. Para complementação, escreva sua opinião sobre os tópicos a seguir.
1) Que mudanças pessoais o Curso tem
proporcionado a você?
2) O Curso tem favorecido alguma
mudança profissional a você?
( )sim (
) não
Seja qual for sua resposta, ponha a
justificativa.
3) Você tem (ou teve) alguma
dificuldade no decorrer do Curso?
( )sim ( ) não
Seja qual for sua resposta, ponha a
justificativa.
4) Você tem conhecimento de algum
aluno que participou desse Curso e atualmente está na universidade?
( ) sim ( ) não
Em caso de resposta
positiva, caso também saiba, informar o nome do curso e da universidade.
5) Coloque observações e sugestões que você considere importantes para o crescimento do Curso.
Fortaleza,
outubro/2001.
AVALIAÇÃO DE
DESEMPENHO DO PROGRAMA SESI-EDUCAÇÃO DO TRABALHADOR NA ÓTICA DE SEUS COLABORADORES
(GRUPO GESTOR E CORPO DOCENTE)
O Programa SESI-Educação do Trabalhador tem atingido respaldo e representatividade bastante acentuada na sociedade, pela qualidade dos serviços que vem prestando aos trabalhadores em todo o Brasil, podendo ser citado como uma das maiores aquisições em 2001 a conquista do Prêmio UNESCO.
Ciente de sua missão e da necessidade de ter seus serviços avaliados, o SESI está disponibilizando este instrumental para que o Programa seja avaliado e, assim, possa haver mudanças significativas nas ações que desempenha.
É importante reforçar a importância de sua participação, assegurando, outrossim, a ausência total de identificação.
PARTE I – PARA SITUAR AS INFORMAÇÕES DESTE
DOCUMENTO, INFORME:
1) tempo de sua atuação no Programa SESI-Educação do Trabalhador: __________________
2) função que exerce no Programa:
( ) professor polivalente (Alfabetização/Ensino Fundamental I)
( ) professor especialista (por disciplina)
( ) professor orientador de aprendizagem
( ) supervisor
( ) coordenador
3) Metodologia:
( ) Telecurso 2000 ( ) SESIeduca ( ) TC2000-Tempo de Avançar
4) Onde atua:
( ) Escola (CAT __________________________) ( ) Empresa ( ) Comunidade
PARTE II – LEIA CADA FATOR E ATRIBUA
VALORES DE 01(UM) A 05(CINCO), MARCANDO COM (X) SUA ESCOLHA, DE CONFORMIDADE
COM A TABELA:
|
MUITO SATISFEITO |
SATISFEITO |
PARCIALMENTE SATISFEITO |
INSATISFEITO |
MUITO INSATISFEITO |
|
05 |
04 |
03 |
02 |
01 |
|
1. Estrutura Física do Programa
SESI-Educação do Trabalhador. |
5 |
4 |
3 |
2 |
1 |
|
a) Infra-estrutura das salas de aulas. |
|
|
|
|
|
|
b) Acesso aos locais de trabalho. |
|
|
|
|
|
|
c) Infra-estrutura dos Cursos em relação aos aparatos tecnológicos. |
|
|
|
|
|
|
2. Atendimento do Programa ao cliente /
colaborador |
5 |
4 |
3 |
2 |
1 |
|
a) Informações dos serviços prestados pelo SESI. |
|
|
|
|
|
|
b) Agilidade na solução de problemas. |
|
|
|
|
|
|
c) Clareza nas informações. |
|
|
|
|
|
|
d) Organização dos serviços. |
|
|
|
|
|
|
3. Relacionamento Profissional |
5 |
4 |
3 |
2 |
1 |
|
a) Relacionamento entre professor e aluno. |
|
|
|
|
|
|
b) Relacionamento entre professor, coordenador, supervisor. |
|
|
|
|
|
|
c) Comunicação entre núcleo professor, coordenador, supervisor. |
|
|
|
|
|
|
4. Trabalho Administrativo-Pedagógico |
5 |
4 |
3 |
2 |
1 |
|
a) Reuniões Pedagógicas contribuem para o crescimento do corpo docente. |
|
|
|
|
|
|
b) Acompanhamento pedagógico dar suporte ao trabalho do professor. |
|
|
|
|
|
|
c) Organização do trabalho pedagógico |
|
|
|
|
|
|
d) Autonomia do núcleo gestor na solução de problemas. |
|
|
|
|
|
|
e) Satisfaz às expectativas do corpo docente e discente. |
|
|
|
|
|
|
f) Desempenho da Coordenação do Programa SESI-Educação do Trabalhador. |
|
|
|
|
|
|
g) Desempenho da Coordenação de Área/ Supervisor |
|
|
|
|
|
|
h) Desempenho dos serviços de secretaria |
|
|
|
|
|
|
5. Auto-Avalie seu Trabalho |
5 |
4 |
3 |
2 |
1 |
|
a) Desempenho minhas funções com qualidade, executando-as com competência. |
|
|
|
|
|
|
b) Utilizo os conhecimentos teóricos e práticos adequadamente no desempenho de minhas funções. |
|
|
|
|
|
|
c) Possuo habilidades condizentes ao domínio da função que desempenho, pois sou capaz de utilizar o tempo com atividades significativas. |
|
|
|
|
|
|
d) Tenho facilidade de relacionamento interpessoal e, por isso, considero satisfatórios a comunicação e relacionamento que mantenho no ambiente de trabalho. |
|
|
|
|
|
|
e) Com relação ao aperfeiçoamento funcional, demonstro sempre interesse em progredir no aprendizado de novas teorias, métodos e técnicas educacionais. |
|
|
|
|
|
|
f) Estou sempre disponível para colaborar no desenvolvimento do Programa SESI-Educação do trabalhador. |
|
|
|
|
|
|
g) Meu equilíbrio emocional é excelente na condução da prática pedagógica e de minhas relações profissionais. |
|
|
|
|
|
|
h) Executo minhas funções com seriedade, demonstrando senso de responsabilidade com pontualidade e assiduidade. |
|
|
|
|
|
1. Considerando os aspectos gerais de seu trabalho no Programa SESI-Educação do Trabalhador, pontue:
a) O que menos lhe estimula no desenvolvimento de seu trabalho. (Reflita sobre as dificuldades que você tem encontrado no Programa, que têm sido empecilhos em seu trabalho)
__________________________________________________________________________________________________________________________________________
b) O que motiva você a fazer parte do Programa SESI-Educação do Trabalhador. (Reflita sobre os aspectos que têm facilitado a efetivação de suas ações)
__________________________________________________________________________________________________________________________________________
c) No que depender de você, o que fará para melhorar o desempenho do programa SESI-Educação do Trabalhador?
__________________________________________________________________________________________________________________________________________
AVALIAÇÃO DO PROGRAMA SESI-EDUCAÇÃO DO TRABALHADOR
EM 2001 NA ÓTICA DO CLIENTE (EMPRESAS)
Avaliar nossas ações deve-se constituir em hábito cotidiano. É, sem dúvida, uma necessidade de toda organização de aprendizagem, uma vez que esse mecanismo é promissor de mudanças. Comungando com essa idéia, a Coordenação do Programa SESI-Educação do Trabalhador vem ano após ano implementando esse trabalho a fim de que possa colher uma visão geral da situação real de seu trabalho, segundo a ótica de seus colaboradores. Para tanto, disponibiliza aos senhores este instrumental de avaliação para que possa, a partir dos resultados, redimensionar suas políticas, investindo cada vez mais qualidade em seus serviços. Frisamos que a participação e a colaboração dos senhores é de suma importância para o crescimento de nosso trabalho. Dado o teor de nossa intenção na realização deste trabalho, lembramos que não será necessário pôr qualquer identificação. Desde já, antecipamos agradecimentos.
1.
Como parceiro desse Programa, e conforme o trabalho
que ele tem desenvolvido em minha empresa neste ano de 2001, estou me vendo
assim...

2.
Neste ano,
o que me causou uma tempestade em relação ao Programa foi quando...
3.
Durante este ano, temos trabalhado nesta parceria numa
relação dialética entre o ensinar e o aprender. Temos vivenciado várias
experiências com os grupos (de alunos, professores, coordenadores) e o que mais
me vem chamando a atenção tem sido:

4.
Em relação
ao trabalho que o Programa tem desenvolvido em minha empresa no decurso deste
ano, o que eu deixaria numa ilha deserta seria:
5.
- +

Também,
dentro dessa mesma reflexão anterior, coloque na balança o que ficou em alta e
em baixa neste ano.
6.
Tomando por base o trabalho que vem sendo desenvolvido
por cada grupo neste ano, coloque dentro da caixinha o que poderia Ter sido
melhor por parte:
a)
![]()
da coordenação do Programa?
![]()
b)
da Supervisão Pedagógica?

c)
da
Coordenação de Área?
![]()
d)
da Secretaria
do Programa?

e)
dos
Professores?
![]()
f)
Dos alunos?
7. Deixe
sua contribuição, anotando suas sugestões para o aprimoramento do nosso
trabalho.
Tabela 1 – Analfabetismo brasileiro de 1940 a 1980.
|
ANO |
POPULAÇÃO DE 15 ANOS OU MAIS |
ANALFABETOS |
TAXAS DE ANALFABETISMO |
|
1940 |
23.639.769 |
13. 279. 899 |
56, 17 |
|
1950 |
30.249.492 |
15.272. 432 |
50, 49 |
|
1960 |
40.187.590 |
15. 815. 903 |
39, 35 |
|
1970 |
54.336.606 |
17. 936. 887 |
33, 01 |
|
1980 |
74.600.285 |
19. 356. 092 |
25, 94 |
Tabela 2 – Índice de analfabetismo na indústria brasileira em 1998.
ENSINO
|
I.EX.MIN
|
IND.TRANSF |
SERV.IND |
CONST.CIVIL |
TOTAL
|
|
ANALF. |
5466 |
180.545 |
10.984 |
88.812 |
285.807 |
|
4a.INC. |
21.584 |
577.167 |
54.896 |
625.741 |
1.279.388 |
|
4a.COMP |
28.685 |
1.048.678 |
51.221 |
630.957 |
1.759.541 |
|
8a.INC |
23.534 |
1.469.820 |
55.099 |
467.009 |
2.015.462 |
|
8a.COMP. |
20.471 |
1.303.673 |
46.853 |
342.315 |
1.713.312 |
|
2º G. INC |
7.404 |
621.181 |
24.693 |
98.061 |
751.339 |
|
TOTAL |
107.144 |
5.201.064 |
243.746 |
2.252.896 |
7.804.849 |
Fonte:Relatório Anual de Informações Sociais – RAIS/Ministério do Trabalho por U.F./1998
Tabela 3 – Metas do Programa SESI-Educação do Trabalhador de 1998 a 2002
|
ESTATÍSITICA DO
PROGRAMA SESI-EDUCAÇÃO DO TRABALHADOR |
||||
|
ANO |
META |
ACRÉSCIMO% |
||
|
PLANEJADA |
EXECUTADA |
% |
||
|
1998 – I |
5.346 |
5.862 |
109,65 |
9,65 |
|
1999 – II |
9.553 |
5.713 |
59,80 |
00 |
|
2000 - III |
6.998 |
7.642 |
109,20 |
9,02 |
|
2001 – IV |
7.500 |
8.154 |
108,72 |
8,72 |
|
2002 – V |
10.000 |
5.577* |
55,77 |
--- |
* Essa quantidade atingida corresponde ao primeiro trimestre de 2002.
Tabela 4 – Atendimentos de Educação de Jovens e Adultos feitos pelo SESI de 1991 a 1998
|
ANO |
Nº DE TURMAS |
ALF./E.FUND. I |
ENSINO
FUNDAMENTAL II |
|
1991 |
08 |
08 |
00 |
|
1992 |
17 |
17 |
00 |
|
1993 |
17 |
17 |
00 |
|
1994 |
25 |
24 |
01 |
|
1995 |
44 |
31 |
13 |
|
1996 |
67 |
45 |
22 |
|
1997 |
46 |
32 |
14 |
|
1998 |
50 |
27 |
23 |
|
TOTAL |
201 |
73 |
|
Quadro 5 – Profissão dos alunos do Programa SESI-Educação do Trabalhador
|
PROFISSÕES |
TOTAL DE ALUNOS |
PERCENTUAL % |
|
Ajudante |
92 |
8,99 |
|
Servente |
78 |
7,62 |
|
Pedreiro |
63 |
6,15 |
|
Pintor |
60 |
5,86 |
|
Operador |
58 |
5,66 |
|
Auxiliar de Produção |
57 |
5,57 |
|
Mecânico |
52 |
5,08 |
|
Comerciários |
26 |
2,54 |
|
Operador de Máquina |
23 |
2,24 |
|
Fiandeiro |
21 |
2,05 |
|
Carteiro |
17 |
1,66 |
|
Serviços Gerais |
09 |
0,87 |
|
Motorista |
07 |
0,68 |
|
Arreador |
05 |
0,48 |
|
Operador de granel |
04 |
0,39 |
|
Operador de Montagem |
04 |
0,39 |
|
Monitor |
04 |
0,39 |
|
Operador de Equipamento |
03 |
0,29 |
PROFISSÕES
|
TOTAL DE ALUNOS |
PERCENTUAL % |
|
Empalhador |
02 |
0,19 |
|
Organizadora |
02 |
0,19 |
|
Reserva |
02 |
0,19 |
|
Auxiliar de Laboratório |
01 |
0,09 |
|
Auxiliar de Manutenção |
01 |
0,09 |
|
Avarista |
01 |
0,09 |
|
Borracheiro |
01 |
0,09 |
|
Carregador |
01 |
0,09 |
|
Costureira |
01 |
0,09 |
|
Eletricista |
01 |
0,09 |
|
Forneiro |
01 |
0,09 |
|
Jardineiro |
01 |
0,09 |
|
Lana |
01 |
0,09 |
|
Limpador |
01 |
0,09 |
|
Maquinista |
01 |
0,09 |
|
Masseiro |
01 |
0,09 |
|
Operador de Caldeira |
01 |
0,09 |
|
Operador de Maçaroqueira |
01 |
0,09 |
|
Operador Industrial |
01 |
0,09 |
|
Operador de Túnel |
01 |
0,09 |
|
Supervisor |
01 |
0,09 |
|
Tecelão |
01 |
0,09 |
|
Técnico Mantenedor |
01 |
0,09 |
|
Torneiro |
01 |
0,09 |
|
Tratorista |
01 |
0,09 |
|
Vigilante |
01 |
0,09 |
TOTAL
|
592 |
57,89 |
|
NÃO RESPONDERAM |
431 |
42,13 |
Quadro 6 – Resultados quantitativos do Programa SESI-Educação do Trabalhador – 1991 a 2001.
|
ANO |
EMPRESAS |
TURMAS |
CURSO |
MATRÍCULAS |
EVASÃO |
% |
APROVAÇÃO |
% |
REPROVAÇÃO |
% |
|
|
1991 |
06 |
08 |
Alfabetização |
249 |
141 |
56 |
106 |
43 |
03 |
01 |
|
|
1992 |
11 |
17 |
-- |
346 |
228 |
|
118 |
|
|
|
|
|
10 01 |
16 01 |
Alfabetização E.Fundmental I |
330 16 |
225 03 |
68 18 |
105 13 |
32 82 |
-- -- |
-- -- |
||
|
1993 |
12 |
17 |
-- |
365 |
135 |
|
230 |
|
-- |
-- |
|
|
11 01 |
15 02 |
Alfabetização E.Fundamental I |
313 52 |
111 24 |
35 46 |
202 28 |
65 54 |
-- -- |
-- -- |
||
|
1994 |
21 |
25 |
-- |
430 |
127 |
|
149 |
|
|
|
|
|
14 06 01 |
13 11 01 |
Alfabetização E.Fundamental I E.Fundamental II |
200 197 33 |
84 40 03 |
42 20 09 |
107 124 30 |
58 60 91 |
-- -- -- |
-- -- |
||
|
1995 |
25 08 12 05 |
44 10 21 13 |
-- Alfabetização E.Fundamental I E.Fundamental II |
723 141 326 256 |
159 41 85 33 |
--- 29 26 12 |
564 100 241 223 |
-- 71 74 87 |
-- -- -- |
-- -- -- |
|
|
1996 |
36 |
67 |
-- |
1.188 |
361 |
|
827 |
|
-- |
-- |
|
|
1997 |
28 |
46 |
-- |
1.058 |
57 |
|
1.001 |
|
|
|
|
|
10 11 07 |
10 22 14 |
Alfabetização E.Fundamental I E.Fundamental II |
163 448 447 |
16 15 26 |
09 03 05 |
147 433 421 |
91 97 97 |
__ __ __ |
-- -- -- |
||
|
1998 |
27 |
50 |
-- |
1.169 |
267 |
|
902 |
|
|
|
|
|
07 09 11 |
15 12 23 |
Alfabetização E.Fundamental I E.Fundamental II |
249 127 793 |
18 22 227 |
07 17 28 |
231 105 566 |
93 83 72 |
__ __ __ |
__ __ __ |
||
|
1999 |
17 |
37 |
|
887 |
193 |
|
653 |
|
-- |
-- |
|
|
12 12 03 04 |
17 14 09 06 |
Alfabetização E.Fundamental I E.Fundamental II Ensino Médio |
64 388 192 243 |
42 95 39 17 |
|
22 293 153 1851 |
|
-- -- -- -- |
-- --- -- -- |
||
|
20002 |
35 |
96 |
|
2.654 |
184 |
|
687 |
|
03 |
|
|
|
29 08 12 |
29 16 51 |
E.Fundamental I E.Fundamental II Ensino Médio |
1.236 430 988 |
135 19 30 |
|
464 35 188 |
|
|
|
||
|
2001 |
41 |
87 |
|
2.597 |
118 |
|
924 |
|
|
|
|
|
12 14 15 |
21 30 36 |
E.Fundamental I E.Fundamental I E.Médio |
426 1020 1151 |
73 17 28 |
|
|
|
|
|
||
Quadro 7 – Empresas atendidas pelo Programa
SESI-Educação do Trabalhador em 1998
|
ANO |
EMPRESA |
MODALIDADE DE ENSINO |
||
|
|
E.Fundamental I |
E.Fundamental II |
Ensino Médio |
|
|
1.
Construtora Caldas |
X |
|
|
|
|
2.
Construtora Marquise |
X |
|
|
|
|
3.
Reata Engenharia |
X |
|
|
|
|
4.
Diagonal Frei Mansueto |
X |
|
|
|
|
5.
COBAP |
X |
X |
|
|
|
6.
Rigesa |
|
X
|
|
|
|
7.
Metalonita |
|
X |
|
|
|
8.
Gerdau |
X |
X |
|
|
|
9.
Metal Gráfica Cearense – Mecesa |
X |
X |
|
|
|
10. Companhia de Eletricidade
do Ceará - Coelce |
X |
X |
|
|
|
11. Empresa Brasileira de
Correios e Telégrafos |
|
X |
|
|
|
12. Iracema Indústria de Caju |
X |
X |
|
|
|
13. Indústria Têxtil bezerra de
Menezes – TBM |
X |
|
X |
|
|
14. Café Santa Clara |
X |
|
|
|
|
15. Diagonal Beira Mar |
X |
|
|
|
|
16. Diagonal Barbalha |
X |
|
|
|
|
17. Construtora Mercúrius |
X |
|
|
|
|
18.
Happlan Parsival |
X |
|
|
|
|
19.
Habplan |
X |
|
|
|
|
20. Idibra P. Iracema |
X |
|
|
|
|
21. Idibra Antônio Sales |
X |
|
|
|
|
22. EIT |
X |
X |
|
|
|
23. M. Dias Branco S/a - Fábrica Fortaleza |
X |
|
|
|
|
24. Companhia de Transportes
Coletivos - CTC |
|
|
X |
|
TOTAL
|
24 EMPRESAS |
27 TURMAS |
23 TURMAS |
07 TURMAS |
Quadro 8 – Empresas atendidas pelo Programa
SESI-Educação do Trabalhador em 1999
|
ANO |
EMPRESA |
MODALIDADE DE ENSINO |
||
|
|
E.Fundamental I |
E.Fundamental II |
Ensino Médio |
|
|
1.
Construtora Idibra |
X |
|
|
|
|
2.
Construtora Santo Amaro |
X |
|
|
|
|
3.
Construtora Colméia |
X |
|
|
|
|
4.
Construtora Caldas |
X |
|
|
|
|
5.
Construtora Metrofor |
X |
|
|
|
|
6.
Construtora Integral |
X |
|
|
|
|
7.
M. Dias Branco S/A – Fábrica Fortaleza |
X |
|
|
|
|
8.
Santa Clara Indústria e Comércio de Alimentos |
X |
|
|
|
|
9.
Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos -ECT |
|
|
X |
|
|
10.
Indústria Têxtil Bezerra de Menezes - TBM |
|
X |
X |
|
|
11.
Metalgráfica Cearense S/A – Mecesa |
|
|
X |
|
|
12.
Planos Técnicos do Brasil Ltda |
X |
|
|
|
|
13.
Construtora Marquise |
X |
|
|
|
|
14.
Dispa Indústria de Rações Ltda |
X
|
|
|
|
|
15.
Empresa Industrial e Técnica - EIT |
X |
|
|
|
|
16.
Iracema Indústria de Caju Ltda |
|
X |
|
|
|
17.
Rigesa do Nordeste S/A |
|
X |
X |
|
18. Construtora Farias
Brito
|
X |
|
|
|
19. Plavinorte – Plavil Tntas do Nordeste
|
X |
|
|
|
20. CNGB – Consultoria e Treinamento (Friribe)
|
X |
|
|
|
21. Granja Regina
|
X |
X |
|
|
22. Esmaltec
|
X |
X |
|
|
23. Fábrica Estrela
|
X |
X |
|
|
24. Gerdau S/A
|
X |
X |
|
|
25. Vicunha Nordeste S/A
|
|
X |
X |
|
26. Companhia Brasileira de Transporte Urbano –
CBTU
|
|
X |
|
|
27. Masterflex
|
X |
|
|
|
28. Companhia Nacional de Energia Nuclear - CNEN
|
X |
|
|
|
29. Sindicato dos Comerciários
|
X |
|
X |
|
30. Cobap
|
X |
|
|
|
31. Construtora Nossa senhora de Fátima
|
X |
|
|
|
32. Companhia de Transporte Coletivo – CTC
|
|
|
|
|
33.
Companhia Energética do Ceará - COELCE
|
|
|
|
|
34.
Reata Engenharia Ltda
|
X |
|
|
|
35.
Cotece S/A
|
X |
|
|
|
36.
Iracema Empreeendimentos e Turismo Ltda
|
X |
|
|
|
37.
Metalonita Indústria brasileira Ltda
|
X |
|
|
|
38.
Cerâmica Torres Ltda
|
X |
|
|
|
39.
Consórcio Construtor Queiroz Galvão e Camargo Correia
|
X |
|
|
|
40.
Sert Engenharia
|
X |
|
|
|
|
TOTAL |
40
EMPRESAS
|
31 |
09 |
06 |
Quadro 9 – Empresas atendidas pelo Programa SESI-Educação do
Trabalhador em 2000
|
ANO |
EMPRESA |
MODALIDADE DE ENSINO |
||
|
|
E.Fundamental I |
E.Fundamental II |
Ensino Médio |
|
|
1.
Consórcio Construtor Metrofor |
X |
|
|
|
|
2.
Construtora Integral |
X |
|
|
|
|
3.
M. Dias Branco S/A - Fábrica Fortaleza |
X |
X |
|
|
|
4.
Empresa Industrial e Técnica – EIT |
X |
X |
X |
|
|
5.
Café Santa Clara |
X |
X |
|
|
|
6.
Construtora Farias Brito |
X |
|
|
|
|
7.
Construtora Marquise (LimpezaUrbana) |
X |
|
|
|
|
8.
Cotece |
|
X |
|
|
|
9.
Dispa Indústria de Rações S/A |
X |
|
|
|
|
10.
Plavinorte – Tintas Plavil do Nordeste Ltda |
X |
|
|
|
|
11.
Indústria Têxtil Bezerra de Menezes |
X |
X |
X |
|
|
12.
Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos |
|
|
X |
|
|
22.
Tecnomecânica Esmaltec |
|
X |
X |
|
|
23.
Fábrica Estrela |
|
X |
|
|
|
24.
Siderúrgica Cearense – Gerdau |
|
X |
|
|
|
23.
Iracema Indústria de Caju |
|
X |
X |
|
|
24.
Metalgráfica Cearense S/A – Mecesa |
|
X |
X |
|
|
25.
Sindicato dos Comerciários |
|
|
X |
|
|
26.
Durametal S/A |
|
|
X |
|
|
27.
Sert Engenharia |
X |
X |
|
|
|
28.
Regina Agroindustrial – Granja Regina |
X |
|
|
|
|
29.
Rigesa do Nordeste S/A |
|
X |
X |
|
|
30.
Vicunha do Nordeste S/A |
|
|
X |
|
|
31.
Companhia Brasileira de Transporte Urbano - CBTU |
|
|
X |
|
|
32.
Companhia de Água e Esgoto do Estado do Ce- Cagece |
|
|
X |
|
|
33.
Companhia Nacional de Energia - CNEN |
|
|
X |
|
|
34.
Construtora Caldas |
X |
|
|
|
|
35.
Construtora Colméia |
X |
|
|
|
|
36.
Pelágio Oliveira S/A |
X |
|
|
|
|
37.
Planos Técnicos do Brasil S/A |
X |
|
|
|
|
38. Master |
X |
|
|
|
|
39.
IBACIP |
X |
|
|
|
|
40.
Dissopel |
X |
|
|
|
|
41.
Cerâmica Torres |
X |
|
|
|
|
42.
Moageira Serra Grande |
X |
|
X |
|
|
43.
Sopremol |
X |
|
|
|
|
44.
Hill – Administração e Participação Ltda |
X |
|
|
|
TOTAL
|
44 EMPRESAS |
32 TURMAS
|
20 TURMAS |
23 TURMAS |
Quadro 10 – Empresas atendidas pelo Programa SESI-Educação do Trabalhador em 2001
|
ANO |
EMPRESA |
MODALIDADE DE ENSINO |
||
|
|
E.Fundamental I |
E.Fundamental II |
Ensino Médio |
|
|
1.
M. Dias Branco S/A – Comércio e Indústria –
F.Fortaleza |
X |
X |
X |
|
|
2.
Santa Clara Indústria e Comércio de Alimentos Ltda |
X |
X |
|
|
|
3.
Construtora Colméia |
X |
|
|
|
|
4.
Cotece S/A |
|
X |
X |
|
|
5.
Indústria Têxtil Bezerra de Menezes – TBM |
X |
X |
X |
|
|
6.
Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos |
|
|
X |
|
|
7.
Tecnomecânica Esmaltec |
|
X |
X |
|
|
8.
Pelágio Oliveira S/A |
|
X |
|
|
|
9.
Siderúrgica Cearense – Gerdau |
|
|
X |
|
|
10.
Metalgráfica Cearense S/A - Mecesa |
X |
|
X |
|
|
11.
Rigesa do Nordeste S/A |
|
|
X |
|
|
12. Sindicato dos
Empregados no Comércio de Fortaleza e Região Metropolitana |
|
|
X |
|
|
22.
Companhia Brasileira de Trens Urbanos – CBTU |
|
|
X |
|
|
23.
Empresa Industrial Técnica – EIT |
|
|
X |
|
|
24.
Master S/A |
|
X |
|
|
|
23.
Iracema Indústria de Caju Ltda |
X |
X |
X |
|
|
24.
Companhia Nacional de Energia Nuclear |
|
|
X |
|
|
25.
Construtora Marquise |
X |
|
|
|
|
26.
Proinco |
X |
|
|
|
|
27.
Sert Engenharia de Instalações |
X |
|
|
|
|
28.
Vicunha do Nordeste S/A |
|
X |
X |
|
|
29.
Construtora Reata |
X |
|
|
|
|
30.
Consórcio Metrofor |
X |
|
|
|
|
31.
Construtora Farias Brito |
X |
|
|
|
|
32.
Termisa Industrial S/A |
X |
|
|
|
|
33. Vulcabrás |
|
X |
|
|
|
34.
Regina Agroindustrial S/A |
|
X |
|
|
|
35.
Petropar |
|
X |
|
|
|
36.
Santana Têxtil |
|
X |
|
|
|
37.
Durametal S/A |
|
|
X |
|
|
38.
Gerdau S/A |
|
|
X |
|
TOTAL
|
38 EMPRESAS
|
21 TURMAS |
31 TURMAS |
38 TURMAS |
Quadro 11 – Empresas atendidas pelo Programa
SESI-Educação do Trabalhador em 2002
|
ANO |
EMPRESA |
MODALIDADE DE ENSINO |
||
|
|
E.Fundamental I |
E.Fundamental II |
Ensino Médio |
|
|
1.
M. Dias Branco S/A – Comércio e Indústria –
F.Fortaleza |
X |
X |
X |
|
|
2.
Construtora Colméia |
X |
|
|
|
|
3.
Cotece S/A |
|
X |
X |
|
|
4.
Indústria Têxtil Bezerra de Menezes – TBM |
|
X |
X |
|
|
5.
Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos |
|
|
X |
|
|
6.
Siderúrgica Cearense – Gerdau |
|
|
X |
|
|
7.
Metalgráfica Cearense S/A – Mecesa |
X |
X |
X |
|
|
8.
Rigesa do Nordeste S/A |
|
|
X |
|
|
9. Sindicato dos Empregados
do Comércio de Fortaleza e
Região Metropolitana |
|
|
X |
|
|
10.
Companhia Brasileira de Trens Urbanos – CBTU |
|
|
X |
|
|
11.
Iracema Indústria de Caju Ltda |
X |
X |
X |
|
|
12.
Vicunha do Nordeste S/A |
|
X |
X |
|
|
22.
Consórcio Metrofor |
X |
|
|
|
|
23.
Construtora Farias Brito |
X |
|
|
|
|
24. Vulcabrás |
|
X |
|
|
|
23.
Regina Agroindústria S/A |
|
X |
|
|
|
24.
Petropar |
|
X |
|
|
|
25.
Santana Têxtil |
|
X |
|
|
|
26.
Durametal |
|
|
X |
|
TOTAL
|
26 EMPRESAS
|
12 TURMAS
|
22 TURMAS |
39 TURMAS |
![]() |

GRÁFICO 2 –
ATENDIMENTOS DO PROGRAMA SESI-EDUCAÇÃO DO TRABALHADOR DE 1998 A 2002.
![]() |
GRÁFICO 3 – SEXO DOS ALUNOS DO PROGRAMA

GRÁFICO 4 – FAIXA ETÁRIA DOS ALUNOS DO PROGRAMA

GRÁFICO 5 – SERVIÇOS PRESTADOS PELO SESI

GRÁFICO 6 – INFORMAÇÕES PRETADAS PELO SESI
GRÁFICO 7 – DOMÍNIO DO CONTEÚDO PELOS PROFESSORES

GRÁFICO 8 – METODOLOGIA APLICADA PELOS PROFESSORES

GRÁFICO 9 – RECURSOS DIDÁTICOS UTILIZADOS PELOS PROFESSORES
GRÁFICO 10 – INFORMAÇÕES E EXPLICAÇÃO DADAS PELOS PROFESSORES NAS AULAS

GRÁFICO 11 – RELACIONAMENTO PROFESSOR X ALUNO

GRÁFICO 12 – CONTEÚDOS DO CURSO

GRÁFICO 13 – CARGA HORÁRIA DO CURSO

GRÁFICO 14 – QUALIDADE DO MATERIAL DIDÁTICO DAS DISCIPLINAS

GRÁFICO 15 – APRENDIZAGEM ADQUIRIDA NO CURSO
GRÁFICO 16 – ACOMPANHAMENTO PEDAGÓGICO DO
CURSO
GRÁFICO 17 – AUTONOMIA DA EQUIPE DE GESTÃO

GRÁFICO 18 – RELACIONAMENTO COORDENADOR X ALUNO

GRÁFICO 19 – ESTRUTURA FÍSICA DA SALA DE AULA (ESPAÇO)

GRÁFICO 20 – ESTRUTURA FÍSICA DA SALA DE AULA (ILUMINAÇÃO)
GRÁFICO 21 – ESTRUTURA FÍSICA DA SALA DE AULA (MOBILIÁRIO)

GRÁFICO 22 – RECURSOS AUDIOVISUAIS
GRÁFICO 23 – GANHOS PESSOAIS
PROPORCIONADOS PELO CURSO AOS ALUNOS

GRÁFICO 24 – GANHOS PROFISSIONAIS PROMOVIDOS PELO CURSO AOS ALUNOS

GRÁFICO 25 – ESPECIFICAÇÃO DOS GANHOS

GRÁFICO 26 – DIFICULDADES SENTIDAS PELOS
ALUNOS DURANTE O CURSO
GRÁFICO 27 – ESPECIFICAÇÃO DAS DIFICULDADES

GRÁFICO 28 – SUGESTÕES PARA A DINAMICIDADE DO CURSO E CRESCIMENTO DO PROGRAMA
PESQUISA COM OS PROFESSORES
(GRÁFICOS DO 29 AO 56)

GRÁFICO 29 - TEMPO DE PERMANÊNCIA DO PROFESSOR NO PROGRAMA

GRÁFICO 30 – FUNÇÃO QUE OS PROFESSORES DESEMPENHAM NO PROGRAMA

GRÁFICO 31 – METODOLOGIA COM A QUAL OS
PROFESSORES TRABALHAM
GRÁFICO 32 – ESTRUTURA FÍSICA DAS SALAS DE AULA PARA O PROFESSOR

GRÁFICO 33 – ACESSO AO LOCAL DE TRABALHO

GRÁFICO 34 – RECURSOS TECNOLÓGICOS
GRÁFICO 35 – INFORMAÇÕES SOBRE A QUALIDADE
DOS SERVIÇOS
GRÁFICO 36 – AGILIDADE DA GESTÃO NA
SOLUÇÃO DE PROBLEMAS

GRÁFICO
37 – CLAREZA NAS INFORMAÇÕES
GRÁFICO 38 – ORGANIZAÇÃO DA EQUIPE
GESTORA
GRÁFICO 39 – RELACIONAMENTO HUMANO-PROFISSIONAL PROFESSOR X ALUNO

GRÁFICO 40 – RELACIONAMENTO PROFESSOR X COORDENADOR/X SUPERVISOR

GRÁFICO 41 – RELACIONAMENTO COORDENADOR X SUPERVISOR

GRÁFICO 42 – REUNIÕES PEDAGÓGICAS
GRÁFICO 43 – SUPORTE PEDAGÓGICO AO PROFESSOR

GRÁFICO 44 – ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO

GRÁFICO 45 – AUTONOMIA DO NÚCLEO GESTOR

GRÁFICO 46 – DESEMPENHO DA COORDENAÇÃO DO PROGRAMA

GRÁFICO 47 – DESEMPENHO DA COORDENAÇÃO DE ÁREA/SUPERVISÃO

GRÁFICO 48 – SERVIÇOS DE SECRETARIA

GRÁFICO 49 – DESEMPENHO DA FUNÇÃO DOCENTE

GRÁFICO 50 – APLICAÇÃO DA TEORIA À PRÁTICA
PELOS PROFESSORES
GRÁFICO 51 – HABILITAÇÃO DO PROFESSOR PARA A FUNÇÃO

GRÁFICO 52 – RELACIONAMENTO INTERPESSOAL DOS PROFESSORES

GRÁFICO 53 – INTERESSE DOS
PROFESSORES PELO APERFEIÇOAMENTO PROFISSIONAL
GRÁFICO 54 – ESPÍRITO DE
COLABORAÇÃO PARA O CRESCIMENTO DO PROGRAMA
GRÁFICO 55 – EQUILÍBRIO EMOCIONAL DA EQUIPE DOCENTE

GRÁFICO 56 – COMPETÊNCIA
TÉCNICO-PROFISSIONAL: SERIEDADE, RESPONSABILIDADE, PONTUALIDADE, ASSIDUIDADE
PESQUISA COM A COORDENAÇÃO/SUPERVISÃO (GRÁF. 57 AO
74)

GRÁFICO 57 – FUNÇÃO DA EQUIPE GESTORA NO PROGRAMA

GRÁFICO 58 – METODOLOGIA PELA QUAL SÃO RESPONSÁVEIS

GRÁFICO 59 – LOCAL DE ATUAÇÃO DA EQUIPE GESTORA

GRÁFICO 60 – ACESSO AOS LOCAIS DE TRABALHO (SALAS DE AULA)

GRÁFICO 61 – APARATOS TECNOLÓGICOS

.
GRÁFICO 62 – INFORMAÇÕES PRESTADA PELO PROGRAMA AOS CLIENTES

GRÁFICO 63 – AGILIDADE DA EQUIPE GESTORA NA SOLUÇÃO DOS PROBLEMAS

GRÁFICO 64 - ORGANIZAÇÃO DOS SERVIÇOS PELA EQUIPE GESTORA

GRÁFICO 65 – RELACIONAMENTO PROFESSOR X ALUNO
GRÁFICO 66 – RELACIONAMENTO PROFESSOR X COORDENAÇÃO
GRÁFICO 67 – COMUNICAÇÃO ENTRE COORDENADOR X SUPERVISOR

GRÁFICO 68 – ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO

GRÁFICO 69 – REUNIÕES PEDAGÓGICAS

GRÁFICO 70 – ACOMPANHAMENTO PEDAGÓGICO

GRÁFICO 71 – AUTONOMIA DO NÚCLEO GESTOR

GRÁFICO
72 – DESEMPENHO DA COORDENAÇÃO DO PROGRAMA
GRÁFICO 73 –DESEMPENHO DA COORDENAÇÃO DE ÁREA/SUPERVISÃO

GRÁFICO 74 – SERVIÇOS DA SECRETARIA
PESQUISA COM AS EMPRESAS (GRÁFICOS 75 AO 82)
GRÁFICO 75 – TEMPO DA PARCERIA COM O PROGRAMA

GRÁFICO 76 – METODOLOGIA DO PROGRAMA: ENSINO PRESENCIAL, TC 2000 E SESIeduca

GRÁFICO 77 – INFORMAÇÕES DOS SERVIÇOS PRESTADOS PELO SESI

GRÁFICO 78 – AGILIDADE DA COORDENAÇÃO NA SOLUÇÃO DE PROBLEMAS

GRÁFICO 79 – DESEMPENHO DA COORDENAÇÃO DO PROGRAMA

GRÁFICO 80 – DESEMPENHO DA COORDENAÇÃO DE ÁREA/SUPERVISÃO

GRÁFICO 81 – DESEMPENHO DA SECRETARIA DO PROGRAMA

GRÁFICO 82 – DESEMPENHO DOS PROFESSORES

GRÁFICO 83 – DESEMPENHO DOS ALUNOS
[1] UNESCO – Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura.
1 A CNI é um órgão de representação máxima da indústria, entidade profissional, composta de federações sindicalizadas de empregadores do grupo da indústria e que, apesar de ser representativa de interesses particularizados na sociedade, “ao se constituir corpo do Estado, receberá incumbências públicas, ditas paraestaduais, mediante o uso de recursos com fontes estabelecidas pelo poder fiscal do Estado, ditos parafiscais, mas nesses casos, administrada privadamente por uma entidade de representação de classe.” (SESI, 1998. Educação e Renda Familiar – A Experiência do Serviço Social da Indústria na Realidade Brasileira. Brasília, DF. In Avaliação do Programa SESI-Educação do Trabalhador, 1999, p. 19)
2UNESCO – Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura.
3 IBOPE - Instituto Brasileiro de Opinião Pública
4 A velha ordem oligárquica é marcada pelo modelo agrário-exportador, cujos trabalhadores concentravam-se em maior parte no campo.
5 Dentre as reformas educacionais da década de 1920, destacamos: a de Sampaio Dória em São Paulo (1920), a de Lourenço Filho, no Ceará (1923), a de Anísio Teixeira, na Bahia, (1925), a de Francisco Campos e Mário Casassanta, em Minas Gerais,(1927), e a de Fernando de Azevedo, no Distrito Federal, (1928).
6 SENAI – Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial, criado em 04 de janeiro de 1942; SENAC – Serviço Nacional do Comércio, criado em 10 de janeiro de 1946; SESI – Serviço Social da Indústria, criado em 07 de agosto de 1946.
7 Abrimos aqui um parênteses para sinalizarmos, dentre os principais parceiros do Programa, o Sistema SESI, as empresas públicas e privadas, governo federal, os governos estaduais e municipais, por meio de suas secretarias de educação e o Fundo de Amparo ao Trabalhador-FAT, cujas atribuições estão assim definidas: gerenciar o Programa, repassando recursos financeiros e prestando assessoria aos DRs, estabelecendo parcerias com organismos nacionais e internacionais (Sistema SESI); ceder espaços físicos, equipamentos e recursos humanos (empresas); estabelecer diretrizes curriculares e legais, alocando recursos financeiros via CODEFAT (Governo Federal); conferir poder de certificação pelos Conselhos Estaduais de Educação, além de ceder espaço físico e recursos humanos (Governos Estaduais); ceder espaços físicos, recursos humanos e alocação de recursos financeiros via Secretaria do Trabalho/SINE (Governos Municipais); oferecer parcerias necessárias para trocas de experiências (Instituições Não-Governamentais).
8 Xavier, funcionário da empresa Metalgráfica Cearense – Mecesa, foi alfabetizado pelo Programa. Em 2000, concluiu o Ensino Médio na Empresa.
9 A interdisciplinaridade é a divisão do saber, frisado a interdependência, a interação e a comunicação existentes entre as disciplinas e buscando a integração do conhecimento num todo harmônico e significativo.
10 A multidisciplinaridade é o modelo fragmentado em que há justaposição de disciplinas diversas, sem relação aparente entre elas; os alunos recebem informações incompletas e tem uma visão fragmentada e deformada do mundo.
1 41 alunos do Ensino Médio só concluíram o Curso em 2000.
2 637 alunos do E.Fundamental I, 374 alunos do E.Fundamental II, 769 alunos do E.Médio somente concluíram o curso no ano seguinte.