Pós-doutora pelo centro Edgar Morin, em Paris, a professora Izabel Petraglia percorre vida e obra do pesquisador
Edgar Morin é um pensador contemporâneo que, aos 89 anos, construiu uma trajetória intensa, jamais dissociando vida e obra. Um humanista apaixonado pelo patrimônio planetário, um cidadão do mundo.
De origem judaica, Morin nasceu em Paris, em 8 de julho de 1921. Marxista de formação, foi combatente voluntário da Resistência Francesa de 1942 a 1944 e participou ativamente de seu universo sociocultural. É diretor emérito de pesquisa do Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS); fundador do Centro de Estudos Transdisciplinares, hoje, Centro Edgar Morin; da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais (EHESS), em Paris, e é presidente da Associação pelo Pensamento Complexo. Morin é autor da epistemologia da Complexidade, escreveu mais de 60 livros e foi traduzido para diversos idiomas.
Do latim: Complexus - o que é tecido junto. A Complexidade questiona a fragmentação da ciência e critica a insuficiência das especializações como soluções unívocas. Propõe a solidariedade na conjugação da ciência com as culturas, as artes e a filosofia. Complexo é um tipo de pensamento, que religa os diferentes aspectos do conhecimento e opõem-se ao pensamento reducionista e disjuntivo.
Em O Homem e a Morte, o seu segundo livro, publicado em 1951, apresenta formas de expressar o que há de mais significativo na vida. Mais que os temores, são os amores que nos possibilitam melhor viver nossa humanidade complexa. Nas décadas de 1950 e 1960, dedicou-se também ao cinema e à comunicação de massa trazendo à tona o fascínio da admirável relação entre real e imaginário.
Morin refletiu sobre limites e possibilidades do conhecimento, problemas da humanidade e diversos temas primordiais, tais como: antropologia, política, economia, sociologia, filosofia, biologia, cibernética, ética, educação; reintegrando cultura científica e cultura humanística. Na convivência com a dialógica vida e morte; alegria e tristeza, Morin escreveu uma trilogia autobiográfica: Autocrítica; Os Meus Demônios; e Vidal e os Seus. Mas, foi nos seis volumes de O Método, sua obra mais densa, que consolidou as suas ideias.
Morin nos ensina que tudo se liga a tudo, e que a escola é lugar profícuo para a religação dos saberes. Dedicou-se, com afinco, a pensar sobre a educação das novas gerações. Em 1999, a Unesco solicitou-lhe que sistematizasse um conjunto de reflexões que servissem como ponto de partida para se repensar a educação do século XXI. A primeira elaboração de suas ideias circulou pelos diversos cantos do mundo, incorporando sugestões, passando por mãos de inúmeros educadores.
Assim, foi publicada, no ano 2000, a obra Os Sete Saberes necessários à Educação do Futuro, que, há 10 anos, continua atual e, indispensável a uma educação complexa, que leve em conta o respeito às diversidades; às culturas; às experiências sensíveis e estéticas e, que estimula a convivência amorosa com o meio ambiente.
Izabel Petraglia é pós-doutora pelo Centro Edgar Morin - EHESS, de Paris; doutora em Educação pela USP; pedagoga e psicóloga. Atua como professora do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Nove de Julho, coordenadora do NIIC – Núcleo Interinstitucional de Investigação da Complexidade, em São Paulo, e autora de diversos livros.