:: 22.09.10 ::

Cultura para o desenvolvimento - Roberto Macedo

O cearense é antes de tudo um forte. Esta referência à famosa frase de Euclides da Cunha representa uma característica da população da região semiárida que sobrevive às vicissitudes da natureza. Por outro lado, sabemos que, por influências religiosas e políticas, vivemos em um estado de conformismo indesejado que nos enfraquece.

Não podemos continuar aceitando essa situação como uma sina ou uma vontade divina. Nessas questões sociais não existem determinismos. A prova disso é que o Ceará, que antes era visto apenas como um lugar pobre e sem perspectivas, apresenta-se hoje como social e economicamente promissor.

Na verdade, o Ceará encontra-se diante de uma encruzilhada: um caminho é fazer mais do mesmo, aumentando simplesmente a quantidade do que já fazemos, e o outro é aproveitar as novas e grandes oportunidades de desenvolvimento que estão postas para fazermos uma transformação cultural.

Temos que criar um estado de espírito capaz de promover a realização e a prosperidade do indivíduo e da sociedade para iniciarmos essa transformação cultural. Não basta nos preocuparmos com educação, treinamentos e especializações. Temos que desenvolver no nosso interior a autoconfiança, o amor pelo que se faz e um permanente inconformismo com o mais ou menos, mobilizando as nossas energias na busca de objetivos cada vez mais desafiadores.

Essas são questões que exigem esforços onde muitos dos resultados só serão colhidos no longo prazo, mas há urgências que reclamam ações para agora. Na dimensão do curto prazo, temos que agir de imediato na qualificação das pessoas para atender a grande demanda requerida em todos os setores que formam a economia produtiva instalada e em fase de instalação.

Nesse sentido, precisamos criar uma rede de circulação de informações mais precisas sobre a quantidade e as qualificações específicas necessárias, de modo que o setor produtivo e a população em geral possam se preparar e se adequar a essa grande demanda.

Pensando no longo prazo, não podemos adiar a adoção de medidas que fortaleçam a célula da sociedade que é a família e assegurem uma educação básica de qualidade, que contemple pelo menos a plataforma de conhecimentos essenciais no terreno da leitura, da escrita e da matemática.

Além desses elementos técnicos devem ser cultivados os ensinamentos da espiritualidade, da moral e da ética, para formar o cidadão, e o exercício do brincar natural da criança para fazer desabrochar a imaginação, que é um recurso indispensável à prática da criatividade.

No limiar de um novo mandato governamental, cheio de bons propósitos e confiança, a sociedade deve se mobilizar para a criação do estado de espírito indispensável à cultura do desenvolvimento. Aproveitemos, portanto, o clima positivo proporcionado pela instalação de grandes projetos estruturantes no nosso Estado para nos decidirmos pelo caminho que nos leve a alcançar a prosperidade que desejamos para todos os cearenses.

Roberto Macêdo - Empresário - roberto@pmacedo.com.br


Fonte: opovo.com.br

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