:: 20.01.04 :: |
O papel das universidades no desenvolvimento regional |
Jorge Parente Frota Jr. Em todos os países desenvolvidos do mundo, o ensino superior é um dos principais pilares de sustentação do desenvolvimento econômico, social e cultural. Ao longo dos séculos, o papel das universidades sempre esteve afeto à sua utilização pela sociedade como instrumento de desenvolvimento e progresso. Os países que souberam aproveitar as potencialidades dessas instituições cresceram e ficaram fortes. Uma universidade é o locus privilegiado onde os participantes do processo educacional interagem, desenvolvendo e adquirindo conhecimentos e habilidades, com o objetivo de entender e agir sobre a realidade que os cerca. O papel da universidade, nesse contexto, deve traduzir-se em seu efetivo compromisso com a solução dos problemas e desafios de seu contexto econômico-social, implicando maior responsabilização quanto aos interesses e necessidades sociais. Afigura-se, portanto, de valor fundamental o papel que as universidades devem desempenhar no desenvolvimento regional e na diminuição das disparidades econômicas e sociais existentes entre as cinco macrorregiões do país, interagindo, logicamente, com o poder público, o setor produtivo e a sociedade como um todo. A universidade pública, principalmente, deve pautar sua atuação no tripé ensino-pesquisa-extensão, norteando-se por rigorosos critérios de qualidade, pelo espírito constante de auto-avaliação, pela atualização permanente, pela diversidade de opiniões, pela visão de prestação de serviços à comunidade onde atua, enfim, pela transformação e sistematização do saber em conhecimento que possa ser útil à sociedade. As formas são muitas: aumento da oferta de vagas nos cursos de graduação e pós-graduação; formação de recursos humanos com maior foco nas especificidades empresariais e regionais; fortalecimento da cultura empreendedora; estímulo à interação universidade-empresa; intensificação de pesquisas em áreas estratégicas do desenvolvimento regional; ampliação de serviços de toda espécie, fornecidos como atividades de extensão. Cabe, aqui, fazer uma ressalva: a universidade deve, sim, vender serviços, dentro de uma visão que não se confunda com a mercantilização do saber. No tocante ao desenvolvimento tecnológico, as universidades públicas, sobretudo as federais, são responsáveis por quase todas as pesquisas de ponta realizadas no Brasil. O modelo de industrialização do país gerou um sistema que concentra a capacidade de pesquisa nas universidades e institutos públicos, ao contrário dos países desenvolvidos, onde os sistemas de inovação articulam agentes públicos e privados para a viabilização da inovação dentro do setor produtivo. Somente por meio de um investimento maior e continuado em pesquisa, catalizando esforços tanto do setor produtivo quanto do meio acadêmico, poderemos transformar o país em gerador das tecnologias de que precisamos para competir e exportar os nossos produtos, com maior valor agregado, reduzindo a nossa vulnerabilidade externa. Cada vez mais, portanto, as universidades públicas devem se abrir para a sociedade, que é, de fato, quem as financia. Essa abertura deve ser intensamente procurada e realizada, de modo cada vez mais estratégico, sob pena de a universidade deixar de cumprir o seu papel social e de catalisadora do desenvolvimento regional, que se confunde com a sua própria razão de ser. Cabe à universidade, portanto, esse importante papel impulsionador do desenvolvimento, do qual nenhum país pode prescindir, que lega à sociedade, através do saber e da reflexão, o conhecimento para a busca da melhoria das condições econômicas e sociais.
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| Fonte: O Povo |