É cada vez maior a consciência coletiva de que vivemos em um mundo complexo e plural. Os avanços da tecnociência vêm solicitando novos olhares sobre as mudanças ecológicas, mentais e sociais, bem como sobre as interações entre natureza, indivíduo e sociedade. A excessiva fragmentação e especialização do conhecimento tem nos levado a perder de vista as origens e as relações entre fenômenos sem chegar a estabelecer o porquê de suas coincidências em planos superiores de realidade. Nessa corrida acelerada, têm sido prejudicados os saberes baseados em valores humanos e éticos, bem como a colaboração e a convivência social que deveriam acompanhar, não apenas todo processo de construção de conhecimento, mas principalmente, a existência humana.
Por outro lado, estamos convencidos de que os avanços das tecnologias e das comunicações estão transformando os processos de construção de conhecimento, a aprendizagem, a gestão escolar, assim como a cultura e a sociedade.
Os riscos de desumanização são muito grandes como, constantemente, nos advertem Edgar Morin, Ervin Laszlo, Humberto Maturana e Leonardo Boff. E necessitam ser urgentemente compensados com uma maior consciência de valores humanos e práticas éticas nutridas por uma reforma do pensamento, tanto na gestão do conhecimento como nas práticas pedagógicas. Uma reforma do pensamento necessariamente acompanhada por maior abertura do coração.
Na verdade, enfrentamos tempos incertos e fluidos com ferramentas intelectuais de outras épocas, de outros tempos, observando a realidade como se ela ainda fosse considerada estável, homogênea e determinada. O que temos constatado é que vivemos em um mundo incerto, mutante, complexo, plural e indeterminado.
Estamos sujeitos às várias emergências e necessidades de transcendências para as quais não estamos, todavia, preparados. O despreparo é grande diante das situações complexas e imprevisíveis do nosso dia a dia. O problema é a grande dificuldade que temos, seja individual ou coletiva, de encontrar soluções compatíveis com a magnitude e a complexidade de nossos problemas atuais.
É para esta complexidade que a educação precisa dar respostas mais adequadas, competentes e oportunas. O grande problema é que o professor ainda não está preparado para atuar de maneira confortável num mundo funcional em rede e sua capacidade mediadora em relação ao processo de construção de conhecimento em ambientes virtuais deixa muito a desejar. Por sua vez, as práticas gestoras e pedagógicas não vêm colaborando para promover as transformações necessárias e o enfrentamento desta problemática. O Estado e a sociedade não têm consciência das implicações e dos reflexos de tudo isto a curto, médio e longo prazos.
Daí a importância do pensamento moriniano exigindo uma reforma do pensamento, capaz de provocar mudanças significativas na educação. Maria Cândida Moraes - Doutora e pesquisadora em Educação pela Universidade Católica de Brasília.