:: 20.05.02 :: |
| A crise energética e as ações da FIEC |
A Federação das Indústrias do Estado do Ceará, vanguardeira na defesa dos legítimos interesses da classe industrial cearense, lamentando a imprevidência do Governo que tem protelado, há anos, a implantação de projetos essenciais para o equacionamento racional da gravíssima situação energética do país, antecipa-se na formatação de um Plano de Ação para o racionamento de energia. Com efeito, ao se anunciarem, há poucos dias, as primeiras preocupações quanto a essa crise, de conseqüências extremamente constrangedoras, e que veio para dar uma guinada, de efeitos negativos, no processo do nosso desenvolvimento, assentado em linha ascendente de crescimento econômico, a FIEC, contando com a colaboração de sindicatos, empresários, consultores e técnicos especializados na matéria e com o apoio da Coelce, elaborou um plano, já encaminhado às autoridades competentes - Ministério de Minas e Energia e Câmara de Gestão da Crise de Energia - em que se delineiam algumas sugestões de ação prática e objetiva. Assim, consciente da ameaça para o crescimento do setor produtivo, tremendamente afetado com a implantação de um racionamento linear, que com certeza abala a formação de renda, diminui a oferta de emprego e reduz a geração de impostos, pretendeu a FIEC estabelecer critérios diferentes, que possam envolver a prática de uma bolsa energética, mediante o aproveitamento, por unidades produtivas localizadas na mesma base de interligação, de sobras ou de cessão espontânea de energia, vinculada a empresas, grupos, conglomerados ou setores, que venham a poder disponibilizar parte de sua cota demandada, em proveito de outros. Podem ser destacadas, nesse particular, as empresas eletro-intensivas de consumo de energia, as quais voluntariamente ofereçam parcelas de suas cotas conveniadas como grandes consumidoras, estabelecendo-se, nessa hipótese, mecanismo de compensação. Além disso, presente a absoluta necessidade da empresas procederem a implementação de projetos de eficiência energética, através da substituição de motores e equipamentos obsoletos por outros de concepção mais moderna, de maior conteúdo de tecnologia e que, por isso, possam afastar os desperdícios por ventura praticados, sugere-se a assistência do BNDES, através de linhas de crédito específicas e em condições de taxas e prazo compatíveis com a situação da crise momentânea que as afeta, no financiamento destinado à aquisição dos equipamentos necessários. É de se admitir também a possibilidade de algumas empresas promoverem projetos de geração de sua própria energia, transformando o calor produzido em novas fontes energéticas, ou utilizando resíduos do seu processo produtivo, como poderia ser o caso de indústrias beneficiadoras da castanha de caju, processadoras da cana de açúcar, etc. ou de outras que venham a implantar, em substituição à energia hidroelétrica, projetos que se assentem na força de geradores a gás. Nesses casos também, faz-se mister o apoio do BNDES, imprescindível para o êxito do processo produtivo das empresas. Por outro lado, entendemos deva o Governo contribuir para minorar os efeitos perniciosos da crise que ora assola os diversos setores da economia brasileira. No caso específico do Ceará, acabamos de encaminhar ao Senhor Secretário da Fazenda, solicitação no sentido de examinar a redução das alíquotas do ICMS, incidente tanto na importação de equipamentos e geradores destinados à melhoria da eficiência energética, como nas operações para consumo de combustível (óleo diesel) a ser utilizado no acionamento dos aludidos motores. Como sempre tem ocorrido na solução dos legítimos pleitos encaminhados pela FIEC à SEFAZ, também desta vez foi bastante receptiva a autoridade fazendária, tendo prometido examinar o assunto com ânimo de atendimento. A FIEC, com suas ações reativas, proativas e interativas, entende, com muita convicção, que da FIEC a crise atual é o resultado da não implementação de políticas macroeconômicas de investimos para o setor de geração e transmissão de energia. Há que se cuidar de medidas estruturantes que possam corrigir os rumos das atuais ameaças para a sustentação do nosso crescimento sócio-econômico. Há que se equacionarem os problemas da falta de compatibilidade dos preços do gás natural, fixados em dólares, versus os preços de consumo de energia, estabelecidos em real. Há que se programar a diversificação das fontes energéticas do país, criando alternativas factíveis de energia termoelétrica, eólica e solar. Enfim, há que se conduzirem com mais propriedade,
responsabilidade e competência, as matérias que, queira
ou não 0 Governo, são de fundamental importância
para o desenvolvimento e o bem estar do povo brasileiro.
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| Fonte: Diário do Nordeste |