:: 06.05.04 :: |
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A tecnologia dos ventos |
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Os ventos têm o seu potencial aproveitado e transformado em energia elétrica por me io de equipamentos denominados aerogeradores (geradores eólicos). Como forma de geração de energias limpa, contribui também para o progresso da sociedade. ‘‘A energia eólica é a utilização do vento para converter em algo útil ao ser humano, geração de energia elétrica, com benefícios ambientais e geração de empregos’’, ressalta o professor Paulo Carvalho, do Departamento de Engenharia Elétrica da UFC, autor do livro Geração Eólica. Com o desenvolvimento da tecnologia, foram criados mais de 50 mil novos empregos com a indústria de equipamentos. A indústria de turbinas eólicas vem acumulando crescimentos anuais acima de 30% e movimentando cerca de US$ 2 bilhões em vendas por ano, conforme dados do Fórum de Energias Alternativas. No mundo, há mais de 30 mil turbinas eólicas de grande porte em operação com a capacidade instalada de aproximadamente 13.500 mw. O Comitê Internacional de Mudanças Climáticas projetou para 2030 a instalação de 30 mil mw, número que pode aume ntar com a possibilidade de venda dos Certificados de Carbono. Na Alemanha, a contribuição eólica é em torno de 5% da energia elétrica consumida no total. ‘‘Em alguns estados, esse valor já chega a 25% do consumo’’, diz Paulo. A União Européia tem o objetivo de gerar 10% de toda eletricidade com energia eólica até 2030. No Brasil, embora o uso da energia eólica como eletricidade esteja iniciando — o País tem tradição de cata-ventos somente para bombeamento de água — alguns estudos e medidas precisas de vento apontam para a existência de um grande recurso ainda não explorado. Segundo a organização do Fórum, a capacidade instalada no Brasil é de 20,3 mw com turbinas de médio e grande portes conectadas à rede elétrica. ‘‘A maior fonte de energia no Brasil ainda é a hidrelétrica, mas está crescendo muito a termelétrica, sendo 20% do total da capacidade de geração de energia do País. As termelétricas também poluem’’, diz Paulo. O problema é que, no Nordeste, não há mais áreas para a instalação de hidrelétricas, somente na região da Amazônia, que é mais plana, mas de grandes florestas. ‘‘A maior parte do financiamento das hidrelétricas vem do exterior, principalmente da Europa, mas esses financiamentos externos se preocupam com impacto ambiental’’, completa Paulo, argumentando que a energia eólica pode ser a alternativa. A energia eólica contribui para a minimização do efeito estufa e pode ter incentivos com o Protocolo de Kyoto. ‘‘O protocolo precisa de pelo menos 55 países para ratificarem. Estes têm que responder por pelo menos 55% das emissões totais de CO2 do ano de 1990. Os Estados Unidos não assinam e nem a Rússia quer assinar. O Brasil é um dos países de energia mais limpa’’, afirma Paulo. Países muito poluidores, da Europa, por exemplo, poderiam financiar parques eólicos em países que não poluem. ‘‘Se um país libera 500 toneladas de carbono, poderia fazer um parque eólico no Brasil para compensar as 500 toneladas e empatar a conta. É o seqüestro de carbono’’. De acordo com estudos do professor Paulo Carvalho, utilizando apenas o litoral do Ceará e do Rio Grande do Norte, poderíamos ganhar recursos da ordem de até US$ 83 milhões por ano, com a viabilização do Protocolo de Kyoto, com a venda de carbono evitado. Ana Cecília Mesquita
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| Fonte: Jornal O Povo | ||