:: 06.05.04 ::

ENERGIA EÓLICA: Um Centro de Energias Alternativas para o CE


Ceará terá um Centro de Energias Alternativas para fazer uma ligação entre a iniciativa privada e a universidade. O objetivo é a geração de negócios nas áreas de energias eólica, solar e biomassa

Um local de estudos em energias renováveis e também de intermediação de negócios. O Centro de Energias Alternativas será criado este mês no Ceará. O centro é um elo entre a iniciativa privada e a universidade, com aplicação de pesquisa e geração de negócios, sendo uma incubadora, como define Adão Muniz, coordenador de energia e comunicações da Secretaria da Infra-estrutura do Estado (Seinfra).

''Será um centro de referência regional de energias eólica, solar e biomassa'', frisa o economista Alcântara Macedo, diretor do grupo de ação de infra-estrutura, política e governabilidade da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), uma das promotoras do centro.

A Fiec, segundo Alcântara, está buscando parceiros, dentre eles a Eletrobrás, a Coelce e institutos que trabalham com energia, além do apoio da Universidade Federal do Ceará (UFC) em termos de pesquisas. ''Apesar de buscar apoio da universidade, o ce ntro terá uma visão de negócios. Vai tentar jogar na agenda do Ceará, as energias alternativas, explorar esse potencial'', afirma Alcântara, esclarecendo que o centro é uma instituição privada. Conforme Adão, são esperados recursos do Governo Federal através de fundos setoriais de energia.

Como promessa, há mercado e investidores suficientes para alimentar o centro, segundo Alcântara. ''Há uma geração de investimentos de energia no mundo todo, os empresários têm interesse, o que faltava era a legislação, mas com a saída da lei vai facilitar''. O Programa de Incentivo às Fontes Alternativas (Proinfa), promovido pelo Governo Federal, estipula 3.300 MW de energia por fontes renováveis.

Há uma necessidade de investimentos em energia no Brasil da ordem de R$ 15 bilhões por ano, em geração, transmissão e distribuição, devendo a maior parte ser investida em geração. ''O Proinfa diz que 10% da energia gerada será de energias alternativas, a longo prazo. Mas a partir do Proinfa, a tendência do governo é acelerar essa direção'', prevê Alcântara.

''O Ceará se destaca em energia renovável. Mas a situação dada pelo Proinfa, das tarifas, dificulta para os investidores que já têm risco pelo pioneirismo. A energia eólica é a que gera mais empregos'', frisa Adão.

Até agora, o Ceará tem investimentos pontuais em energias renováveis. Mas a energia eólica é um dos filões nessa área. Com três parques, o Ceará gera 17 MW de energia eólica, o que representa grande parte dessa energia no Brasil. Esse segmento é uma das apostas fortes do Centro de Energias Alternativas. Ainda assim, os 17 MW de energia gerados só representam 1% do que o Ceará necessita.

''Cerca de 90% da geração de energia no Brasil vem de hidrelétricas. Mas daqui a 20 anos, essa forma vai se exaurir e temos que apostar desde agora nas energias alternativas. Somos um estado recordista em ventos e devemos explorar esse potencial'', frisa Alcântara. P ara ele, a tecnologia da energia eólica ainda é cara, mas devemos dominar essa tecnologia desde agora. ''É estratégico''. Parte da energia que chega em casa, já pode vir dos três parques eólicos porque a energia é jogada no sistema como um todo.

Em relação à energia solar, há investimentos em comunidades no Ceará, sendo dois realizados em Viçosa do Ceará e um em Itapipoca que funcionam só com energia solar. As casas têm televisão, vídeo, luz, movidos pela energia que vem do sol. Em Trairi, uma escola já tem Internet a partir de energia solar. Há ainda outras escolas, centros comunitários e postos de saúde, com sistemas fotovoltaicos instalados no Estado. A energia solar, para Adão, é importante para comunidades isoladas e para a geração de renda, dentre outras finalidades.

Ana Cecília Mesquita

 

Fonte: Jornal O Povo

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