:: 22.10.03 ::
Gás: Consumo pode crescer 55% no Ceará

 
Previsão da Cegás é de fechar este ano com a venda de 219 milhões de m³, diante dos 141 milhões m³ de 2002. A Companhia de Gás do Ceará (Cegás) projeta fechar o ano com a comercialização de 219 milhões de m³ do produto, diante dos 141 milhões de m³ do exercício anterior, crescimento de 55,32%. "A média diária de consumo no estado chega a 600 mil m³", diz o presidente da companhia, José Rego Filho, ao observar que a soma leva em conta o abastecimento do combustível para as duas termelétricas, uma do grupo MPX e outra do espanhol Endesa, instaladas na área do Porto do Pecém, a cerca de 60 quilômetros de Fortaleza. "Estamos prevendo aumento da demanda para dezembro, com a conclusão da Endesa Fortaleza", assinala, numa referência à Central Geradora Termelétrica Fortaleza S/A (CGTF), do grupo Endesa. As termelétricas consomem hoje 179 mil m³/dia e a projeção é de 1 milhão de m³/dia, pois a intenção das usinas é operar a pleno, a partir de dezembro, adianta Rego Filho.

Até agora, a indústria responde pelo maior consumo de gás natural -, 48,06% da demanda global. Desse total, o setor têxtil participa com 14,92%. O transporte, segundo no ranking, representa 41,36%; auto-produção, excluindo sistema de termelétricas, 8,84%, e residencial/comercial 0,6% do volume distribuído pela Cegás, que tem 110 contratos em carteira.

O setores têxtil e de transporte são os que apresentam ritmo mais intenso de crescimento de demanda, com média mensal de 4% e 2%, respectivamente. "A opção da indústria pelo gás natural embute vantagens econômicas e ambientais", lembra Rego Filho, baseado nos estudos realizados pela Petrobras. O trabalho da companhia mostra que o combustível tem queima quase total nas caldeiras, fornos e em motores de veículos, resultando em baixa emissão de resíduos. O gás natural, cotado hoje a R$ 0,5550 o m³ (média de preço para uso industrial), e mais caro apenas do que a casca de castanha de caju e a lenha, combustíveis pouco recomendados por contribuir para o aumento da poluição e da desertificação no estado, ainda é vantajoso, conforme Rego Filho. "O produto oferece redução de custos de transporte e elimina a estocagem, pois é canalizado", afirma. A esses diferenciais, o presidente da Cegás acrescenta o aumento da vida útil dos equi-pamentos. "O gás natural não gera resíduos, o que evita o desgaste do maquinário", alerta.

Novas fronteiras

O aumento de demanda este ano exigiu investimentos de R$ 3 milhões, aplicados na distribuição e realizados simultaneamente com as inversões da Petrobras, que construiu três city Gates -, dois para atender às térmicas do Pecém e um destinado a Fortaleza. O esforço do governo do Ceará agora, de acordo com Rêgo Filho, está voltado ao projeto siderúrgico, que vai exigir mais 1,4 milhão m³/dia. "Essa proposta poderá ser viabilizada com gás natural nacional, a partir da descoberta da Bacia de Santos, com volume prospectado de 600 bilhões de m³", diz. De acordo com o presidente da Cegas, a possibilidade de interligação leste–oeste - Rio Janeiro para Bahia -, vai permitir o suprimento gás natural nacional para o Ceará, o que evitaria a demanda do produto importado, além de atender os mercados do Piauí e Maranhão, estados que já implantaram suas companhias de distribuição.
 

Fonte: Gazeta Mercantil - Adriana Thomasi

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