Previsão da Cegás é de fechar este ano com
a venda de 219 milhões de m³, diante dos 141 milhões
m³ de 2002. A Companhia de Gás do Ceará (Cegás)
projeta fechar o ano com a comercialização de 219 milhões
de m³ do produto, diante dos 141 milhões de m³ do exercício
anterior, crescimento de 55,32%. "A média diária
de consumo no estado chega a 600 mil m³", diz o presidente
da companhia, José Rego Filho, ao observar que a soma leva em
conta o abastecimento do combustível para as duas termelétricas,
uma do grupo MPX e outra do espanhol Endesa, instaladas na área
do Porto do Pecém, a cerca de 60 quilômetros de Fortaleza.
"Estamos prevendo aumento da demanda para dezembro, com a conclusão
da Endesa Fortaleza", assinala, numa referência à
Central Geradora Termelétrica Fortaleza S/A (CGTF), do grupo
Endesa. As termelétricas consomem hoje 179 mil m³/dia e
a projeção é de 1 milhão de m³/dia,
pois a intenção das usinas é operar a pleno, a
partir de dezembro, adianta Rego Filho.
Até agora, a indústria responde pelo maior consumo de
gás natural -, 48,06% da demanda global. Desse total, o setor
têxtil participa com 14,92%. O transporte, segundo no ranking,
representa 41,36%; auto-produção, excluindo sistema de
termelétricas, 8,84%, e residencial/comercial 0,6% do volume
distribuído pela Cegás, que tem 110 contratos em carteira.
O setores têxtil e de transporte são os que apresentam
ritmo mais intenso de crescimento de demanda, com média mensal
de 4% e 2%, respectivamente. "A opção da indústria
pelo gás natural embute vantagens econômicas e ambientais",
lembra Rego Filho, baseado nos estudos realizados pela Petrobras. O
trabalho da companhia mostra que o combustível tem queima quase
total nas caldeiras, fornos e em motores de veículos, resultando
em baixa emissão de resíduos. O gás natural, cotado
hoje a R$ 0,5550 o m³ (média de preço para uso industrial),
e mais caro apenas do que a casca de castanha de caju e a lenha, combustíveis
pouco recomendados por contribuir para o aumento da poluição
e da desertificação no estado, ainda é vantajoso,
conforme Rego Filho. "O produto oferece redução de
custos de transporte e elimina a estocagem, pois é canalizado",
afirma. A esses diferenciais, o presidente da Cegás acrescenta
o aumento da vida útil dos equi-pamentos. "O gás
natural não gera resíduos, o que evita o desgaste do maquinário",
alerta.
Novas fronteiras
O aumento de demanda este ano exigiu investimentos de R$ 3 milhões,
aplicados na distribuição e realizados simultaneamente
com as inversões da Petrobras, que construiu três city
Gates -, dois para atender às térmicas do Pecém
e um destinado a Fortaleza. O esforço do governo do Ceará
agora, de acordo com Rêgo Filho, está voltado ao projeto
siderúrgico, que vai exigir mais 1,4 milhão m³/dia.
"Essa proposta poderá ser viabilizada com gás natural
nacional, a partir da descoberta da Bacia de Santos, com volume prospectado
de 600 bilhões de m³", diz. De acordo com o presidente
da Cegas, a possibilidade de interligação leste–oeste
- Rio Janeiro para Bahia -, vai permitir o suprimento gás natural
nacional para o Ceará, o que evitaria a demanda do produto importado,
além de atender os mercados do Piauí e Maranhão,
estados que já implantaram suas companhias de distribuição.