:: 20.10.03 ::
"Gasodutos virtuais” ganham espaço


Após experiências positivas, perspectiva de crescimento do sistema é grande para os próximos anos. O plano de massificação do gás natural, que está sendo elaborado pela Petrobras para estimular o uso do produto, ainda não foi lançado, mas uma das idéias que deve fazer parte do programa já está sendo colocada em prática. O gasoduto virtual - sistema que permite o transporte de gás natural por meio de carretas - já está em funcionamento em pelo menos duas indústrias, e uma terceira deve ser atendida por este mecanismo até o final do ano. O sistema consiste na compressão do gás natural em cilindros que são transportados por caminhões. Quando o combustível chega ao local de consumo, a carreta é conectada a uma estação de descompressão e, assim, o gás está pronto para ser consumido. Ildo Sauer, diretor de gás e energia da Petrobras, explica que o gasoduto virtual permite o desenvolvimento do mercado em regiões que ainda não possuem demanda suficiente para a construção de um gasoduto sob a terra. "Queremos que a cadeia da indústria do gás cresça, e para isso é necessário desenvolver os elos fracos." A paulista Sucos Kiki investiu cerca de R$ 2,5 milhões para receber 1 milhão de m³ de gás por mês. O gasoduto virtual, que está em funcionamento pleno há cerca de 20 dias, sai de uma estação de compressão em Salto (SP) e vai até a cidade de Engenheiro Coelho, a 106 quilômetros do ramal de distribuição da Gas Natural SPS, concessionária que atende a região. A empresa, que negocia outros gasodutos virtuais com indústrias da sua área de concessão, está empolgada com a solução, porque acredita que com esse projeto poderá expandir mais rapidamente o número de clientes. Ainda em São Paulo, a CBL (Laminação Brasileira de Cobre), deve começar a receber gás natural comprimido (GNC) a partir de dezembro. O contrato com a Comgás prevê o consumo de 587 mil m³ de gás por mês, em substituição ao GLP utilizado nos fornos. O ponto de compressão, localizado em Estiva Gerbi, fica a 45 quilômetros da fábrica, em São João da Boa Vista. Como a Gas Natural, também a Comgás prevê contratos com outras indústrias em outras cidades da sua área de concessão. Um deles seria um gasoduto virtual que levaria GNC até Taubaté, no Vale do Paraíba. Nesse caso, o combustível seria utilizado por um grupo de empresas que, juntas, consumiriam cerca de 500 mil m³ por mês.

Projeto pioneiro. O projeto pioneiro de gasoduto virtual já tem, porém, data marcada para acabar. A carreta que percorre 35 quilômetros para fornecer 4 mil m³ de gás por dia para a fábrica da Tramontina em Carlos Barbosa (RS) vai ser substituída por um gasoduto real, que levará gás natural a toda a região da Serra Gaúcha. De acordo com a Sulgás, distribuidora que opera no Rio Grande do Sul, as obras para a construção do gasoduto da Serra já estão em fase adiantada e, embora a previsão para a entrada em funcionamento seja fevereiro de 2004, a distribuidora já pensa em antecipar a data para janeiro. Ainda que próximo do fim, o gasoduto virtual que atende a Tramontina deve dar bons frutos mesmo depois de extinto. Pelo menos para a Neogás, empresa responsável pela tecnologia utilizada no gasoduto. De acordo com Romael Soso, assistente comercial da Neogás, o projeto está servindo de modelo para outras negociações. "Agora temos a comprovação total do funcionamento da nossa tecnologia, pois com um ano e um mês de operação, nunca tivemos qualquer problema", diz. Segundo Soso, a perspectiva de novos negócios para o próximo ano são "as melhores possíveis". "A tendência é fechar um número maior de projetos, e projetos cada vez maiores." Outra empresa que desenvolveu tecnologia para a compressão de gás natural, a argentina Galileo, ainda espera uma melhor assimilação do gás natural. "A perspectiva é boa, mas ainda é necessário entender a importância do gás natural na matriz energética brasileira", afirma Antônio José Reis de Castro, da área de novos negócios da empresa. Mesmo tendo observado um maior número de solicitações de orçamentos para projetos, Castro acredita que o interesse ainda deve crescer. Segundo ele, a maior procura vem de indústrias que operam nos segmentos ceramista e de transformação, que consomem, respectivamente, uma média de 400 mil e 700 mil m³ de gás por mês. Ele não descarta, no entanto, um aumento de projetos para levar gás natural para postos de combustível, que consomem cerca de 150 mil m³ por mês. A Sulgás, por exemplo, deve iniciar em dezembro o programa "Verão com gás", que levará GNV ao litoral gaúcho. A princípio, o gasoduto virtual que levará o gás até um posto da cidade de Osório deve operar apenas no verão. De qualquer forma, a operação deve permitir que pelo menos durante às férias a frota gaúcha de 14 mil veículos movidos a GNV possa circular em todo o litoral gaúcho. "Queremos atender outros pedidos, mas para isso é preciso melhorar a obtenção de crédito para quem quer converter o carro’’, diz Hugo Mardini, diretor-presidente da distribuidora. Segundo ele, embora o carro movido a GNV gere uma economia de 50% em relação ao movido à gasolina, o investimento de R$ 3 mil necessário para a conversão assusta os motoristas.
 

Fonte: Gazeta Mercantil

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