:: 06.05.04 ::

Mais investimentos



''Basta que a economia brasileira volte a crescer para que a crise de energia volte à tona'', diz o professor Paulo Carvalho. Segundo o pesquisador, no Brasil há em torno de 20 milhões de pessoas sem acesso à energia elétrica, sendo a maior parte no interior do Nordeste. ''Quando parte dessa população tiver acesso, já se tem o aumento da energia. Praticamente a nossa única fonte de energia é o rio São Francisco, que está esgotado e não suporta mais nenhuma nova hidrelétrica. E o Nordeste, principalmente o Ceará, tem muito sol e vento''.

Ele sinaliza que o Ceará apresenta avanços com três parques eólicos de empresas na Taíba, Mucuripe e Prainha, mas poderia ter muitos outros investimentos. ''1.100 Megawatts de energia pelo Proinfa já é um salto. Mas o Ceará, só com esses três parques eólicos já tem 17 Megawatts. O problema é estabelecer que não se pode ter mais de 20% dessa energia, dessa média geral. Somente o Ceará poderia ter esses 1.100 mw'', argumenta Paulo. Ceará e Rio Grande do Norte são líderes em potencial de energia eólica, mas com uma determinação federal não podem avançar.

Onde os parques forem instalados, vão gerar empregos, que poderiam desenvolver o Ceará. ''Apenas com esses 17 Megawatts dos três parques, já há uma fábrica de pás no Pecém. Imagine se tivéssemos 1.100 MW, quanto emprego geraria?', questiona Paulo.

O melhor potencial de vento é o do litoral. Mas a rede elétrica que existe no litoral ainda é fraca. E para ter um parque eólico, é preciso ter uma rede elétrica forte, ter linhas de transmissão, conforme Paulo. ''Não adianta ter ventos fortes no litoral se não tem linhas de transmissão para levar a energia. Antes de se pensar no parque eólico tem que haver infra-estrutura para a transmissão de energia eólica gerada''.

Fonte: Jornal O Povo

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