:: 06.05.04 :: |
Privilégio do Brasil |
''O Brasil é um país que tem um privilégio, sem querer. Costumamos brincar que Deus é brasileiro e ainda por cima da área de energia e, provavelmente, deve plantar cana, porque dá certo demais para a área de biomassa, álcool, para combustíveis renováveis. O fato é que o Brasil tem uma matriz energética das mais limpas. Podemos discutir o preço que pagamos por isso para ter um modelo elétrico totalmente hídrico, o que s ignifica um endividamento financeiro enorme'', frisa Laura Teti, membro da Delegação Brasileira de Negociação do Protocolo de Kyoto. De outro lado, ela também lembra que alavancamos um produto de biomassa energética, que é imitado e reconhecido pelos países desenvolvidos. O Proalcool, o Programa Nacional do Álcool, foi criado nas décadas de 70 e 80 para substituir a gasolina nos veículos leves, como parte das providências adotadas pelo governo para reduzir o impacto da alta do preço do petróleo. ''É elogiado por organismos internacionais, negociações do protocolo de Kyoto, que é um programa de biomassa baseado no álcool combustível. Temos essa matriz energética limpa, o problema é que essa matriz não dá conta do nosso desenvolvimento. Agora, também não precisamos sujar essa matriz energética, piorar o perfil de emissões do Brasil pela lei da inércia'', frisa Laura. A saída é fazer uma oferta de energia e a mudança da matriz energética de modo planejado, segund o Laura, substituindo o consumo maciço de petróleo e gás por biomassa e energia gerada por recursos hídricos. Para Laura, é preciso usar várias formas de energia. ''No mundo todo, deve-se produzir mil MW de energia solar. Não dá. Energia solar não é a solução para desenvolvimento e a eólica não é muito diferente. Sou defensora, mas não resolve o nosso problema de desenvolvimento''. Como o Brasil tem uma demanda alta de energia elétrica, uma energia nobre, precisa ser complementada com outras formas além das renováveis, na visão de Laura. ''As nossas usinas hídricas têm um problema da época da seca, onde a oferta fica muita diminuída. Se você tiver uma usina térmica que funciona na época da seca, praticamente dobra a oferta sem ter essas ameaças do reservatório de água e passamos a ter energia firme''.
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| Fonte: Jornal O Povo |