:: 13.10.03 ::
Projeto pode revolucionar uso do diesel no País

Projeto cearense que cria combustível à base de mamona pretende empregar 1,2 milhão de família e substituir a importação de 6 bilhões de litros de óleo diesel

Márcio Teles
Especial para O POVO


O Núcleo de Tecnologia da Universidade Federal do Ceará (Nutec/UFC) e a Tecnologias Bioenergéticas ltda (Biotec), empresa incubada da Universidade, apresentarão, no próximo dia 5 de novembro, uma unidade móvel do projeto Biodiesel aos deputados federais em Brasília. O projeto prevê a produção do combustível biodiesel à base de mamona, óleo que pode substituir o diesel tradicional. Segundo os diretores da Biotec, o novo combustível pode gerar até 10 mil vezes mais empregos que o macronegócio petrolífero.

Segundo o deputado federal Ariosto Holanda (PSDB-CE), relator da Conselho de Altos Estudos e Avaliação Técnica da Câmara, a usina móvel será montada na frente da Câmara e a demonstração será trasmitida através de vídeo conferência a todas as assembléias legislativas do país. Durante a fabricação do produto, haverá um ônibus movido a biodiesel circulando na frente da Casa Legislativa.

A apresentação contará com a presença do presidente da Casa, João Paulo Cunha (PT-SP), e com representantes da Petrobras e dos ministérios Ciência e Tecnologia, da Agricultura e da Minas e Energia. Com a demonstração, o deputado acredita que será possível elaborar um projeto que viabilize a implantação do biodiesel no Brasil. Para Ariosto Holanda, o produto tanto pode ser a solução para o desemprego quanto pode auxiliar a balança comercial. ''O Brasil importa 6 bilhões de litros de diesel para suprir a necessidade do País. Se produzíssemos biodiesel suficiente para substituir a importação empregaríamos um milhão e duzentas mil famílias com renda de R$ 500'', afirma.

Os diretores da Biotec irão aproveitar o encontro com os deputados federais para pedir incentivos fiscais para a produção. Para o deputado, o pedido pode ser facilmente atendido porque não se trata de se isentar uma contribuição, o que poderia prejudicar a arrecadação pública. ''Ainda não existe imposto sobre o biodiesel e a intenção é produzir para não precisarmos importar. O diesel que já é produzido aqui continua contribuindo'', declara. Segundo o deputado, o país consume 40 bilhões de litros de diesel por ano.

A unidade que será montrada em Brasília tem oito metros quadrados de área e produz até 500 litros de óleo em 8 horas. Toda a estrutura foi montada com algumas sobras de material e compra de alguns outros. Os recursos vieram de linhas de incentivo à pesquisa e recursos próprios.

A partir de janeiro, três capitais brasileiras, entre elas Fortaleza, irão testar o uso do biodiesel em 16 veículos, sendo 8 novos. ''A proporção usada será de 5% de biodiesel para 95% de diesel comum. Os veículos serão analisados durante seis meses pela Agência Nacional de Petróleo para medir os efeitos do produto. O consumidor pagará pelo litro do biodiesel 12% a menos do que o diesel convencional que custa em média R$ 1,47. Depois o processo se repete em outras seis capitais e a Agência pode homologar a comercialização do produto'', diz Expedito Parente, professor aposentado da UFC e diretor da Biotec. Ele acredita que esse percentual será aprovado pelo Governo Federal até dezembro do ano que vem.
 

Fonte: O POVO

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