:: 06.05.04 :: |
Prós e Contras das energias |
- O consumo de energia está diretamente associado ao modelo de desenvolvimento. Enquanto cerca de 10% da população brasileira não têm acesso à energia elétrica, aproximadamente 8% da que é produzida no Brasil é consumida pela indústria de alumínio. Esta indústria é, em grande parte, co ntrolada por grupos estrangeiros (como os japoneses) que produzem aqui para atender as necessidades de seus países. - São poucas as fontes de energia usadas em grande escala e todas as fontes, sem exceção, causam algum tipo de dano ambiental. - O carvão e o petróleo, as duas fontes energéticas mais usadas, são muito agressivas à natureza. As agressões começam na mineração e seguem com os riscos de derramamento e o despejo de efluentes dos processos industriais de preparação (moagem e refino) e terminam na utilização, onde a combustão produz resíduos sólidos e gases poluentes. - O gás natural é menos poluente porque os processos para seu beneficiamento geram poucos resíduos. No entanto, sua combustão também gera gases que contribuem para o efeito estufa. - A energia hidrelétrica pode ser considerada limpa por não produzir poluentes. No entanto, a construção de barragens para sua geração costuma causar enormes impactos ambientais. Pode provocar deslocame nto de populações (existem vários exemplos, como a hidrelétrica de Sobradinho), inundações de florestas (Tucurui, inaugurada em 1984, inundou uma floresta com área correspondente a duas vezes a Baia de Guanabara) ou destruição de patrimônios históricos e belezas naturais de valor incalculável (como Itaipu, que encobriu as Sete Quedas). Além disso, nos lagos das barragens, a taxa de evaporação de água é maior que nos rios, provocando impactos climáticos locais e eventual carência de água no curso do rio, abaixo da barragem. - A energia nuclear é muito cara e traz riscos incalculáveis de vazamentos. Além disso, a humanidade ainda não resolveu o que fazer com os resíduos radioativos, que podem ameaçar a natureza durante centenas de anos. As usinas nucleares têm vida útil entre 30 e 40 anos e estão sendo desativadas em algum países, como na Alemanha. - As fontes de biomassa são consideradas renováveis e não provocam efeito estufa. No entanto, na prática, florestas nativ as são destruídas e transformadas em lenha. As monoculturas de cana para a produção de álcool também agridem bastante o meio ambiente. - A energia solar e a energia eólica (dos ventos) são as mais limpas. Seu aproveitamento em grande escala, no entanto, ainda é muito caro e depende de condições naturais especiais. Alternativas energéticas - As tecnologias já conhecidas de coletores de energia solar e de cata-ventos (eólica) podem ser amplamente utilizadas para atender demandas de propriedades rurais e populações periféricas, hoje ainda não atendidas pela rede elétrica. Devem ser estimuladas pesquisas para tornar as fontes limpas e permanentes acessíveis em escala mundial. - Outra forma barata de aumentar a oferta de energia é a utilização de pequenas centrais elétricas. Ou seja, o aproveita mento de pequenas quedas d'água para produção de eletricidade. A oferta também pode ser ampliada com a modernização das hidrelétricas já existentes. - Mas o mais saudável para o meio ambiente é economizar energia, em vez de produzir mais. - O Brasil é um dos países que mais utiliza energia hidráulica. Embora a hidrelétrica cause impactos no momento da construção, é uma fonte que funciona de forma pouco agressiva. - Ultimamente, no entanto, apesar do país possuir grande potencial hidrelétrico não explorado, o governo prioriza a utilização de termelétrica a gás e usinas nucleares, para atender ao crescimento da demanda de energia. - Além dos problemas ambientais, as termelétricas a gás exigem equipamentos fabricados no exterior. Isto significa maior endividamento externo e dependência do país neste setor estratégico. - Para as usinas nucleares funcionarem, o país também precisa comprar equipamentos de instalação e tecnologia de enriquecimento do urânio no exterior. Seu funcionamento tem significado um grande custo para os cofres públicos e um baixo retorno social. Somando a isso os riscos para as gerações presentes e futuras, torna-se altamente questionável a ampliação e mesmo a manutenção deste programa.
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| Fonte: Jornal O Povo |