:: 15.02.2003 :: |
| Refinaria: uma luta de irmãos nordestinos |
O mais correto seria colocar a refinaria na confluência do Ceará, Paraíba, Piauí e Pernambuco, de modo que todo o ICMS gerado, seria distribuído com estes Estados. Ariosto Holanda
A Petrobras confirmou esse resultado, quando apresentou em abril de 1987, o seu estudo: ''Plano Diretor de Abastecimento - Nova Refinaria do Nordeste''; lá, (página 29), encontra-se escrito: ''O melhor resultado é obtido com a refinaria de 20.000 m3/dia em Fortaleza''. Como a diferença de custos não era tão significativa, e diante da pressão política dos Estados, a Petrobras abandona o projeto e resolve ampliar as refinarias existentes. Em 1994, o ciclo se repete: nova investida da Petrobras, novo impasse político, novas ampliações. Hoje, se sabe que os recursos gastos nas ampliações dariam para construir três novas refinarias de 200.000 barris/dia. A refinaria de Mataripe na Bahia, por exemplo, que em 1987 processava 200.000 barris /dia, hoje processa 500.000 barris/dia. A recente decisão do governo federal de construir
uma refinaria no nordeste, está provocando, mais uma vez, uma
nova disputa entre Ceará, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Maranhão.
Cada Estado procura demonstrar que é o mais pobre, e que reúne
melhores condições. Se continuarmos com a mesma atitude
do passado, com certeza, o ciclo vai se repetir e novas ampliações
serão feitas. Para atender o Rio Grande do Norte, um duto levaria gasóleo e nafta, para instalação de uma petroquímica naquele Estado. A refinaria receberia petróleo de um oleoduto vindo do porto do Pecém e entregaria seus derivados em polidutos para distribuição naquele porto. Teríamos, também, como transporte adicional, o ferroviário, cuja estrada de ferro, daquele entroncamento, atinge Pernambuco, Piauí, Ceará, Maranhão e Paraíba. À primeira vista, parece ser uma solução onerosa e fora dos padrões convencionais; mas, é preciso dizer que quase todas as refinarias da Petrobras não estão situadas em portos; a de Paulínia, por exemplo, recebe o petróleo do porto de Santos a 300 km; Mataripe está a 90 km de Salvador. Bem que os Ministérios da Integração e de Minas e Energia poderiam participar dessa solução integradora. Ela choca, porque infelizmente, a atual política de desenvolvimento se fundamenta em modelos capitalistas, concentradores de renda, cuja lógica não leva em conta a grave questão social, hoje, traduzida pelo desemprego, miséria, fome e violência. Quanto custou à Petrobras o passeio dos derivados, em petroleiros, nesses últimos 15 anos, oriundos das refinarias do centro-sul, para abastecer o Norte e Nordeste? Para combater a pobreza é preciso não só sonhar, mas, sobretudo, ousar. Ariosto Holanda é deputado federal pelo Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB-CE) |
| Fonte: Jornal O POVO - 15/02/2003 |