:: 06.05.04 :: |
Toda energia causa impacto |
Já a energia nuclear tem sido muito questionada no mundo, porque além de muito cara, traz riscos de catástrofes com vazamentos. Na Alemanha, muitas têm sido desativadas. Há ainda o problema do que fazer com os resíduos radioativos. O carvão e o petróleo, duas fontes energéticas muito usadas no mundo, também são muito agressivas à natureza. Os danos no uso do petróleo perpassam desde riscos do transporte, com possibilidades de derramamento nos mares, a té a utilização, com a combustão gerando gases poluentes nas cidades. ''O petróleo leva milhares de anos para se formar. Na cadeia do processo de produção, são muitos gases emitidos. Não se pode precisar quando o petróleo vai acabar, mas surgem novas formas de energia e o Brasil é privilegiado, tem petróleo, gás natural, energia solar, eólica'', lembra o engenheiro químico João José Hiluy Filho, professor do Departamento de Engenharia Química do Centro de Tecnologia da UFC, com mestrado em Engenharia Química e Agroalimentos e doutorado em Engenharia de Processos na Escola Central de Paris. O combustível fóssil deverá ter uma presença mais inteligente na matriz energética brasileira, com a participação de outras alternativas de combustíveis, segundo a visão de Laura Teti, membro da Delegação Brasileira de Negociação do Protocolo de Kyoto. ''O petróleo seja lá que dure 100, 200, 50 anos, é um recurso finito e é nobre, uma energia fina. Usar petróleo para queimar grosseiramente é como usar diamante para segurar papel. É preciso ter dinossauros, era geológica, fossilizar, virar combustível fóssil, para criar o petróleo. Não tem cabimento. E ainda é um sheik árabe que define o preço'', enfatiza. O Protocolo de Kyoto agrega o valor novo a um produto que é renovável, não só por evitar poluição, mas pelo caráter nobre dos combustíveis fósseis. Não significa que se deve deixar de usar petróleo. Além do uso em automóveis, os combustíveis fósseis são necessários para usos mais finos, desde medicamentos a tecidos. ''A Idade da Pedra não acabou por falta de pedra, e nem mesmo porque parou de se usar pedra na civilização. Existem pedras ainda, somente se encontrou outra solução'', analisa Laura.
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| Fonte: Jornal O Povo |