:: 18.09.03 ::

Chesf coloca em operação novas linhas no Ceará


Brasília - Projeto teve investimento de R$ 75,1 milhões e amplia a capacidade de transporte de blocos de energia no estado. Está entrando em operação o mais novo sistema de transmissão da geradora Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf) - a maior do País, com 10,7 mil megawatts (MW) de potência instalada - e que vai atender principalmente ao mercado do Ceará, ampliando a capacidade de transporte de blocos de energia e a confiabilidade do suprimento. Integram o projeto, que consumiu R$ 75,1 milhões e foi executado em cinco meses, duas linhas em 500 quilovolts (KV), uma nova subestação (Quixadá) e a ampliação das subestações de Fortaleza II e Milagres. As linhas, energizadas nesta quarta-feira, são as de Milagres/Quixadá, com 268 quilômetros, e Quixadá/Fortaleza, com 138 quilômetros, num total de 406 quilômetros. Elas substituem duas antigas linhas isoladas, no circuito Milagres/Barnabuiú/Fortaleza, em 230 KV. "Com linhas em 500 KV, ganhamos em capacidade de transmissão", explica o diretor de Operações da estatal, Mozart Arnaud. "Além disso, o novo sistema representa a conclusão de um anel integrado pelo complexo de geração de Paulo Afonso e pela interligação entre os sistemas do Norte e do Nordeste, o que beneficia particularmente o Ceará, mas terá reflexos, em termos de segurança e otimização operacional, para todos os estados nordestino", acrescenta. No caso do Ceará - que não vinha sendo atendido de forma adequada -, embora todo o estado seja beneficiado, os efeitos positivos serão mais concentrados na Região Metropolitana de Fortaleza, onde está a maior demanda de energia no mercado local. "Não há uma expansão significativa do consumo no estado, mas a nossa estratégia é exatamente garantir a infra-estrutura para este incremento no médio e longo prazo", diz o diretor. Quanto à implantação, o empreendimento absorveu a mão-de-obra de 1,5 mil trabalhadores. Três dos cinco lotes obra foram executados pela construtora Queiroz Galvão e dois, pela Luminar. O novo sistema se enquadra nas diretrizes da Chesf de priorizar a área de transmissão. Em 2003, a empresa está investindo R$ 690 milhões, dos quais R$ 290,8 milhões (42%) na malha de linhas, que chegará a 18 mil quilômetros. A geração vem em segundo lugar, com R$ 269,5 milhões, seguida pelas melhorias no reassentamento de Itaparica (R$ 92,8 milhões) e pela infra-estrutura (R$ 36,9 milhões). Em 2004, não apenas o bolo de aportes vai crescer, como a participação da transmissão no valor global será ainda mais expressiva. A estimativa é de investimentos totais de R$ 858 milhões, 24% a mais que o valor orçado para o atual exercício, sendo R$ 414,8 milhões (48%) para a expansão da malha. À geração, serão destinados R$ 246,6 milhões; ao reassentamento de Itaparica, R$ R$ 116 milhões, e à infra-estrutura, R$ 81,2 milhões.

Leilão da Aneel - A previsão orçamentária não inclui as duas linhas - Teresina (PI)/Sobral (CE)/Fortaleza (CE) e Sapeaçu/Salvador (BA) - que a Chesf pretende construir em parceria com a holding Alusa (SP), e que integram o próximo leilão de transmissão da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), marcado para a terça-feira. O investimento estimado para os dois empreendimentos é de R$ 658,8 milhões. Caso o seu consórcio seja vencedor, a Chesf vai garantir a sua parcela no projeto com verbas extra-orçamentárias. Sobre a atenção especial para a transmissão, o presidente da empresa, Dilton da Conti, ressalta que a empresa está tendo de fazer o que não foi feito no passado. "O grande gargalo que levou ao racionamento nos anos de 2001 e 2002 foi a falta de uma rede de linhas que permitisse o escoamento em grande volume de energia das regiões com excedente para as áreas com déficit", critica.

Fonte: Gazeta Mercantil

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