Brasília - Projeto teve investimento de R$ 75,1 milhões
e amplia a capacidade de transporte de blocos de energia no estado.
Está entrando em operação o mais novo sistema de
transmissão da geradora Companhia Hidro Elétrica do São
Francisco (Chesf) - a maior do País, com 10,7 mil megawatts (MW)
de potência instalada - e que vai atender principalmente ao mercado
do Ceará, ampliando a capacidade de transporte de blocos de energia
e a confiabilidade do suprimento. Integram o projeto, que consumiu R$
75,1 milhões e foi executado em cinco meses, duas linhas em 500
quilovolts (KV), uma nova subestação (Quixadá)
e a ampliação das subestações de Fortaleza
II e Milagres. As linhas, energizadas nesta quarta-feira, são
as de Milagres/Quixadá, com 268 quilômetros, e Quixadá/Fortaleza,
com 138 quilômetros, num total de 406 quilômetros. Elas
substituem duas antigas linhas isoladas, no circuito Milagres/Barnabuiú/Fortaleza,
em 230 KV. "Com linhas em 500 KV, ganhamos em capacidade de transmissão",
explica o diretor de Operações da estatal, Mozart Arnaud.
"Além disso, o novo sistema representa a conclusão
de um anel integrado pelo complexo de geração de Paulo
Afonso e pela interligação entre os sistemas do Norte
e do Nordeste, o que beneficia particularmente o Ceará, mas terá
reflexos, em termos de segurança e otimização operacional,
para todos os estados nordestino", acrescenta. No caso do Ceará
- que não vinha sendo atendido de forma adequada -, embora todo
o estado seja beneficiado, os efeitos positivos serão mais concentrados
na Região Metropolitana de Fortaleza, onde está a maior
demanda de energia no mercado local. "Não há uma
expansão significativa do consumo no estado, mas a nossa estratégia
é exatamente garantir a infra-estrutura para este incremento
no médio e longo prazo", diz o diretor. Quanto à
implantação, o empreendimento absorveu a mão-de-obra
de 1,5 mil trabalhadores. Três dos cinco lotes obra foram executados
pela construtora Queiroz Galvão e dois, pela Luminar. O novo
sistema se enquadra nas diretrizes da Chesf de priorizar a área
de transmissão. Em 2003, a empresa está investindo R$
690 milhões, dos quais R$ 290,8 milhões (42%) na malha
de linhas, que chegará a 18 mil quilômetros. A geração
vem em segundo lugar, com R$ 269,5 milhões, seguida pelas melhorias
no reassentamento de Itaparica (R$ 92,8 milhões) e pela infra-estrutura
(R$ 36,9 milhões). Em 2004, não apenas o bolo de aportes
vai crescer, como a participação da transmissão
no valor global será ainda mais expressiva. A estimativa é
de investimentos totais de R$ 858 milhões, 24% a mais que o valor
orçado para o atual exercício, sendo R$ 414,8 milhões
(48%) para a expansão da malha. À geração,
serão destinados R$ 246,6 milhões; ao reassentamento de
Itaparica, R$ R$ 116 milhões, e à infra-estrutura, R$
81,2 milhões.
Leilão da Aneel - A previsão orçamentária
não inclui as duas linhas - Teresina (PI)/Sobral (CE)/Fortaleza
(CE) e Sapeaçu/Salvador (BA) - que a Chesf pretende construir
em parceria com a holding Alusa (SP), e que integram o próximo
leilão de transmissão da Agência Nacional de Energia
Elétrica (Aneel), marcado para a terça-feira. O investimento
estimado para os dois empreendimentos é de R$ 658,8 milhões.
Caso o seu consórcio seja vencedor, a Chesf vai garantir a sua
parcela no projeto com verbas extra-orçamentárias. Sobre
a atenção especial para a transmissão, o presidente
da empresa, Dilton da Conti, ressalta que a empresa está tendo
de fazer o que não foi feito no passado. "O grande gargalo
que levou ao racionamento nos anos de 2001 e 2002 foi a falta de uma
rede de linhas que permitisse o escoamento em grande volume de energia
das regiões com excedente para as áreas com déficit",
critica.