:: 06.05.04 ::

Energias limpas


O mundo está se voltando para uma discussão em torno de uma mudança do modelo de energia fóssil e nuclear para um sistema energético que inclua as energias renováveis, alternativas e limpas.

Ana Cecília Mesquita da Redação

De noite, lâmpadas em casa usam a energia a partir de hidrelétricas para iluminar. O carro que nos leva para o trabalho ou para a escola usa a energia a partir de um derivado do petróleo. Até mesmo os alimentos que comemos são convertidos em energia para escrever, brincar, andar. Tudo o que acontece, desde as atividades mais simples e cotidianas até as mais complexas no desenvolvimento de uma cidade, é provocado pela energia. E ela pode vir do sol, do vento, da mamona. São as chamadas energias alternativas, renováveis e limpas.

 

A queima de combustível é a principal responsável pelo aumento de dióxido de carbono na atmosfera
(Foto: Kléber A. Gonçalves

Nos últimos anos, o mundo tem se voltado para uma discussão crescente em torno de uma mudança do modelo de energia fóssil e nuclear para um sistema energético que englobe as energias renováveis.''Temos um planeta com recursos naturais em extinção, com um olhar de médio e longo prazos. As fontes renováveis passam a ter um papel fundamental em discussões de planejamento energético no País, no m undo. Houve um Fórum Social, na França, em outubro, onde a preocupação do mundo era com energia'', frisou o deputado federal do PT, de Santa Catarina, Mauro Passos, que há 33 anos trabalha com a temática de energia.

Ele participou do evento Power Future, Fórum e Exposição de Energias Alternativas, que ocorreu no Centro de Convenções de Fortaleza, entre os dias 27 e 29 de abril, e trouxe governantes, pesquisadores, investidores e fabricantes de todo o Brasil e de outras partes do mundo para discutir o tema.

O diálogo internacional é fruto da necessidade de práticas sustentáveis de aproveitamento de recursos naturais e de medidas para conter as mudanças climáticas globais. Parte-se da compreensão de que o óleo diesel queimado nos Estados Unidos, por exemplo, extrapola as fronteiras americanas e ameaça a vida das futuras gerações de todo o Planeta. Se a concentração de gases causadores do efeito estufa continuar aumentando, há previsões catastróficas relacionadas ao aumento da temperatura da Terra e aumento do nível dos mares.

Um marco dessa discussão foi o Protocolo de Kyoto, aprovado em 1997, numa reunião realizada na cidade japonesa de Kyoto. O documento estabelece condições para implementação da Convenção de Mudança Climática das Nações Unidas, aprovada na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro, em junho de 1992, que impulsiona os países a criar mecanismos de diminuição de emissão de gases.

Segundo José Domingues Miguez, coordenador-geral de Mudanças Globais do Ministério de Ciência e Tecnologia, não se pode tratar desenvolvimento em oposição às mudanças climáticas. ''Temos tempo para fazer uma mudança gradual de matriz energética'', frisou Domingues que ministrou palestra durante o Fórum Internacional Petróleo, Meio Ambiente e Imprensa, que ocorreu em março, em Salvador. Para ele, o Protocolo de Kyoto poderá ser uma possibilidade de desenvolvi mento de modo sustentável para o Brasil.

Diversas atividades humanas, como agrícolas e industriais, são apontadas como vilãs e a queima de combustível fóssil (gasolina que vem do petróleo, óleo, carvão e gás natural) é a principal responsável pelo aumento de dióxido de carbono na atmosfera, que contribui para o efeito estufa. Esses combustíveis são usados não somente para gerar eletricidade e movimentar veículos, mas também para aquecer ambientes.

Buscar novas fontes de energia que sejam limpas e sustentáveis é um desafio a seguir pelos países do mundo inteiro. ''O tema energias renováveis era mais moda que necessidade. Hoje, cada vez mais, cresce a percepção da necessidade das energias renováveis. A Nasa revelou uma avaliação por satélite da temperatura da Terra, comprovando que a Terra está aquecendo, com mudanças de clima preocupantes. As energias renováveis têm um papel importante nesse contexto'', disse Joseph Newman, presidente da Renove, que patro cinou o evento Power Future. A Renove é uma rede nacional de organizações não governamentais, dedicadas à promoção e inclusão de energias renováveis na agenda do desenvolvimento sustentável brasileiro.

''O que quer dizer desenvolvimento em base sustentável? Vamos ser mais modestos e só considerar que não vamos entregar para os nossos filhos e netos, daqui a 15 anos, um mundo em que o ar não está mais poluído, nem a água mais poluída e que a terra não está mais contaminada. Vamos só cuidar de poluição. Se a gente só fizer isso, como critério de sustentabilidade, já é bom'', analisou Laura Teti, membro da Delegação Brasileira de Negociação do Protocolo de Kyoto, durante palestra no Fórum Internacional Petróleo, Meio Ambiente & Imprensa. Para ela, promover desenvolvimento com base na sustentabilidade é fundamental. Até porque a poluição custa dinheiro, qualidade de vida, saúde e agrava os problemas de miséria.

 

Fonte: Jornal O Povo

Voltar