::19.05.08 ::

Petróleo: Novos poços no CE até 2012

 

PARTE NOROESTE DO ESTADO
Novos poços no CE até 2012

A Petrobras irá iniciar, até 2012, a perfuração de três novos poços na Bacia do Ceará, na parte noroeste do Estado

Em meio às instabilidades do mercado internacional, gerando uma escalada no preço dos barris de petróleo, as recentes descobertas deste recurso no Brasil, por meio da Petrobras, parecem gerar expectativas mais animadoras. E nessa corrida pelo chamado ´ouro preto´, o Ceará aparece como uma aposta da estatal: novos poços devem estar sendo prospectados por aqui, na terra e no mar, nos próximos anos.iamgem1

O foco da estatal vem sendo agora buscar outros campos petrolíferos em águas profundas, cada vez mais longe da costa.

Perspectivas

As novas perspectivas aqui apontam para o litoral do extremo leste do Estado, a parte cearense inclusa na denominada Bacia Potiguar, cuja maior parte se encontra no Rio Grande do Norte. Os municípios de Icapuí e Aracati abrigariam estas novas áreas de exploração.

Segundo o gerente-geral da unidade de Negócio de Exploração e Produção da Petrobras no Rio Grande do Norte e Ceará, Fernando Lima, a expectativa é de que estes poços possam ser perfurados até 2012, mas que a concretização dos planos ainda espera outras confirmações. ´Nós iniciamos os estudos [para esta nova prospecção] mais recentemente, mas ainda dependemos do leilão da ANP [Agência Nacional de Petróleo] para iniciar a exploração´, elucida o gerente.


Bacia do Ceará

Lima destaca que a Petrobras vem, nos últimos anos, investindo mais no Nordeste. ´É uma mudança que a empresa vem tomando. A meta é ter a produção máxima nesta região´, completa.
Acreditando na potencialidade das águas profundas do litoral cearense (a 1.500 metros de lâmina), a Petrobras irá iniciar, até 2010, a perfuração de três novos poços na denominada Bacia do Ceará, na parte noroeste do Estado.
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O primeiro poço já será perfurado no próximo ano. De acordo com o gerente da Petrobras, a estatal já prospecta estas novas áreas há algum tempo. Já foram investidos, desde 2003, R$ 64 milhões nos trabalhos preliminares do campo, como exploração sísmica, estudos e a atual fase de contratação de embarcações para fazerem a perfuração da área.

Real possibilidade

"Não temos a quantidade de petróleo que possa existir nestas áreas, mas quando a Petrobras define que vai explorar algum campo, é porque existe a possibilidade", afirma, explicando que esta informação só é possível após a perfuração.

Em 2010, os dois outros poços devem ser perfurados. Os gastos para realizar esta operação nos três planejados é de, no mínimo, R$ 37 milhões, valor que pode variar de acordo com o navio que irá perfurá-los. Estas novas áreas estão hoje em processo de licenciamento ambiental — obrigatório para que se inicie a perfuração —, à cargo do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

As implicações das perfurações marítimas no meio ambiente serão discutidas, em audiência pública, no dia 31 de maio, a ocorrer no Rio Grande do Norte. A audiência é organizada pelo Ibama, através de sua Coordenação Geral de Petróleo e Gás (CGPEG/Ibama), e objetiva discutir o Estudo de Impacto Ambiental e o respectivo Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima) das perfurações da bacia Potiguar. No Ceará, cópias do EIA/Rima já se encontram nos órgão de defesa ambiental de Fortaleza e Icapuí aguardam avaliação.

Sérgio de Sousa
Repórter


FAZENDA BELÉM

Ceará é o décimo produtor

A produção registrou queda de 10% no ano passado (Foto: Divulgação)imsgem3
O Ceará, com uma produção de 10 mil barris por dia, é um dos 10 estados brasileiros produtores de petróleo. Entretanto, com uma capacidade ainda não totalmente explorada, o Estado ainda fica na oitava posição entre as outras unidades da Federação. O ranking é liderado pelo Rio de Janeiro, que recebe, só de royalties pela produção em seu território, R$ 3,3 bilhões. A sua Bacia de Santos concentra 80% de todo o petróleo produzido nacionalmente. Na seqüência, vêm Rio Grande do Norte, Bahia, Espírito Santo, Amazonas, Sergipe e Alagoas. O Ceará só se coloca à frente do Paraná e de São Paulo.

Brasil produziu, no ano passado, 638 milhões de barris de petróleo, superando em quase 10 bilhões o alcançado em 2006, imsgem4em uma média diária de 1,751 barris por dia. Mesmo com crescimento de apenas 1,5%, o total produzido foi suficiente para atender ao consumo interno e superar, em volume, a quantidade de petróleo e derivados importados pelo País. Em 2007, o País foi, pelo segundo ano consecutivo, auto-suficiente na produção do chamado "ouro preto".

Com Tupi

Com a confirmação das reservas de petróleo no campo de Tupi, na Bacia de Santos, a expectativa é de que o Brasil se coloque entre a oitava e nona posição na lista dos países com maior reserva do mundo, ficando ao lado da vizinha Venezuela. O campo tem reserva estimada entre 5 bilhões e 8 bilhões de barris de petróleo. Hoje, o Brasil é o décimo sétimo colocado no ranking mundial, liderado pela Arábia Saudita. Além deste campo, no início de abril, diretor-geral da ANP (Agência Nacional do Petróleo), Haroldo Lima, afirmou que o bloco BM-S-9, conhecido como Carioca, pode ser o 3º maior campo de petróleo do mundo. Com 33 bilhões de BOE (barris de óleo equivalente), ele seria cinco vezes maior que o megacampo de Tupi, na Bacia de Santos.
Mas, ressaltou que as fontes são ´oficiosas´, mas oriundas da Petrobras. A Petrobras é responsável por 90% de toda esta produção. O monopólio da estatal acabou em 1998, quando outras empresas, inclusive estrangeiras, passaram a adquirir áreas através de contratos de concessão com a ANP, por meio de leilões.


PRODUÇÃO DA LUBNOR
Queda no refino não foi real

A atividade de refino de petróleo e álcool representa 6% da produção industrial cearense, mas fortes retrações do setor vinham gerando resultados negativos para a produção física da indústria local, registrados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Em abril, a queda da atividade de refino chegou a 52,8%, gerando dúvidas sobre o desempenho do segmento por parte de representantes da indústria e do governo cearense.

Para o gerente de comercialização da Lubnor, Eduardo Bellaguarda, o fato é explicado não por uma forte retração das atividades da empresa, mas por uma mudança na metodologia utilizada pelo IBGE. Segundo ele, a unidade produz o chamado C5+, que é uma espécie de gasolina não pronta para a comercialização, mas cuja produção vinha, até 2006, sendo avaliada pelo Instituto como tal.

Entretanto, no ano passado, o C5+ foi desmembrado do grupo da gasolina (que representa 16,64% de participação no total da indústria de refino, pelo IBGE), o que fez com que fosse registrada uma forte queda geral na produção final do segmento no Ceará. ´A produção da Lubnor registrou, sim, queda no ano passado, mas não aos níveis que vinham sendo mostrados pelo IBGE´, explica Bellaguarda. A unidade decresceu 10% em sua produção em 2007, motivada principalmente pela queda na venda de asfalto. ´Isso ocorre porque, em 2006, a procura foi maior, pelo fato de ter sido ano de eleição. Este ano, o asfalto deverá, então, ter alta na comercialização´.


Duplicação

Está prevista para o segundo semestre deste ano a contratação da principal empresa que fará as obras de instalações de processo para o projeto de duplicação da Lubnor. Desde o início do ano, as obras da ampliação do espaço da unidade da Petrobras vêm sendo realizadas, empregando um contingente de 150 pessoas. Neste momento, está sendo feita a etapa de terraplanagem e preparação da infra-estrutura. À medida que uma etapa se encerra, novas se iniciam, e, com o tempo, vão sendo feitas novas contratações.

O investimento com o projeto soma R$ 60 milhões. A expectativa da Petrobras é que a duplicação valorize o excedente de matéria-prima, o que proporcionaria a ampliação do atendimento ao mercado nacional, permitindo também a exportação.

Possibilidades em terra firme

Pulverização da produção do biodiesel se tornou um desafio para a subsidiária estatal (Foto: Agência Brasil)energia5

Em terra firme ainda existem possibilidades de novas descobertas no Ceará. Na Fazenda Belém, localizada nos municípios de Aracati e Icapuí, espera-se que, até o fim deste ano, sejam perfurados novos 44 poços. Segundo a Petrobras, a licença ambiental da Secretaria de Meio Ambiente do Ceará (Semace) já existe.

Novos petroleiros vão dar suporte à exploração e produção de petróleo e gás (Foto: Agência Petrobras)

A área de concessão do campo, que fica na chamada Bacia Potiguar, atinge 307 quilômetros quadrados, sendo que a acumulação principal se situa em uma área de 143 quilômetros quadrados. O campo foi descoberto em 1980. Com as novas perfurações, até o final deste ano a fazenda irá contar com 563 poços.

Piloto

Os projetos incluem, além das perfurações, completações, interligações às estações e otimização do escoamento e construção de estações de teste. Também há planos da estatal para implantação de um piloto de injeção de vapor, adequação de geradores de vapor e melhoria da urbanização das instalações do campo.

O petróleo produzido lá é, inteiramente, processado Lubrificantes e Derivados de Petróleo do Nordeste (Lubnor). A expectativa é de que o aumento da produção possa gerar mais empregos e melhorar a economia da região.

Produção

A Fazenda Belém possui 55 campos de óleo e gás. O volume ´in situ´ de gás é de 5,3 bilhões de barris e, de óleo, de 77,5 MM metros cúbicos. Existem 12 empresas concessionárias destes campos, através de leilão da Agência Nacional de Petróleo (ANP). Hoje, a fazenda produz cerca de 1.900 barris em poços rasos de 300 a 500m de profundidade.

O Brasil é auto-suficiente em petróleo, com uma taxa de 80%. O País divide com os Estados Unidos a liderança na produção de etanol, tem um dos três maiores potenciais para geração de energia hidrelétrica e a sexta maior reserva do urânio usado para produção de energia nuclear. Os dados fazem parte do Anuário Energia, da Editora Análise.

Mercado

A publicação explica em 330 páginas como e onde é consumida a energia no Brasil, e apresenta as 1.000 obras nesse segmento que o governo e a iniciativa privada preparam para os próximos anos. De acordo com o anuário, 89% do petróleo do País é encontrado na zona marítima.

A produção de petróleo prevista para ser extraída ao longo deste ano é de 2,15 milhões de barris por dia, no Brasil . Sobre as empresas de energia, a publicação registra1.650 usinas de geração elétrica, 443 usinas de etanol, 64 distribuidoras de energia, 47 transmissoras de energia, 29 comercializadoras de energia, 27 distribuidoras de gás e 15 produtoras de petróleo.


FIQUE POR DENTRO
Afinal, o que é mesmo o petróleo?

O petróleo é formado em ´bacias sedimentares´, que são depressões na crostra terrestre. As ´bacias sedimentares´ podem ocorrer no continente ou no mar, nas plataformas continentais junto ao litoral. O petróleo e o gás são gerados a partir da transformação de matéria orgânica depositada junto com certos sedimentos. São mais leves que a água e flutuam.

ATIVIDADES OFFSHORE
Estatal encomendará 146 embarcações

Rio. A Petrobras dá início à contratação de 146 novas embarcações de apoio às suas atividades offshore. As encomendas integram o Plano de Renovação da Frota de Embarcações da companhia e serão feitas à indústria naval brasileira ao longo dos próximos seis anos.

O anúncio foi feito durante a cerimônia de lançamento, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, da Política de Desenvolvimento Produtivo do Governo Federal, na semana passada, na sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (Bndes), no Rio.

Cronograma

A primeira licitação prevê a contratação de 24 embarcações e já está em andamento. As demais serão feitas até 2014, com prazos contratuais de oito anos. Todas as embarcações, uma vez construídas, serão afretadas à Petrobras pelas empresas licitantes. O conteúdo nacional de toda a nova frota deverá alcançar, por contrato, entre 70% e 80%, dependendo do tipo de embarcação.

Das 146 embarcações programadas, 54 serão empregadas no manuseio de âncoras de grande porte, dez nas atividades de reboque e 64 em atividades de suprimento. Além dessas, serão contratadas 18 embarcações voltadas para operações de recolhimento de óleo exigidas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para cobertura das áreas de exploração e produção de petróleo e gás.

Empregos

Além de contribuir para o desenvolvimento da indústria naval e estimular a instalação de novos estaleiros no País, o Plano de Renovação da Frota de Embarcações da Petrobras proporcionará significativo aumento da oferta de empregos, tanto durante a construção quanto depois que os barcos entrarem em operação, pois de acordo com os contratos de afretamento a serem firmados apenas brasileiros poderão tripular as embarcações.

Estima-se que durante as obras cada embarcação gerará cerca de 500 postos de trabalho. Além disso, quando a frota estiver em plena operação abrirá vaga para aproximadamente 3.800 tripulantes.


DESEMPENHO DO BIODIESEL
Aumentam desafios da BR Distribuidora

Brasília. Em meio ao risco de escassez do petróleo, a Petrobras reforçou os investimentos da produção de biocombustíveis, a exemplo do biodiesel, feito com oleaginosas como a mamona. Hoje, o combustível com a mistora do óleo ecológico ao diesel mineral já é uma realidade em centenas de postos espalhados pelo País. Parte da produção vem do Nordeste, de forma ainda incipiente, pois o preço pago pela mamona aos produtores ainda não atrair mais gente para o negócio do biocombustível.

Por estes fatores, logística e tributação são os dois principais desafios da Petrobras Distribuidora. Foi o que afirmou o presidente da empresa, José Eduardo Dutra, em visita recente ao Instituto Brasileiro de Executivos Financeiros (Ibef), no Rio de Janeiro. Dutra falou sobre ´O mercado brasileiro de distribuidores de combustíveis — avanços e perspectivas´.

A pulverização da produção do biodiesel se tornou um desafio, pois seu transporte é todo feito via rodovias. Até pouco tempo, os principais insumos da distribuidora chegavam via dutos ou navegação de cabotagem. Por outro lado, de acordo com José Dutra, o desafio é maior devido ao bom desempenho do álcool, que nos próximos meses se iguala em volume de venda à gasolina.

Boom dos flex

Um dos principais motivos da alta é a frota flex de carros de passeio, que já responde por 21% do mercado, conseqüência do atraente preço do álcool para o consumidor (em 2006, em média, representou 68% em relação ao da gasolina. Em 2007, 57%). ´Os desafios são grandes, por causa do bom ponta-pé inicial que tivemos com o biodiesel´, disse José Eduardo Dutra.

Ajustes

Quanto à tributação, o presidente da Distribuidora afirma que é uma questão de amadurecimento do mercado. ´Os ajustes são naturais e necessários. Estima-se que 60% do álcool hidratado comercializado no Brasil sofra algum tipo de sonegação. O que representa perdas da ordem de R$ 1 bilhão´, disse Dutra.

Porém, ele garante que não haverá aumento da tributação sobre o produto. ´O que vai acontecer é deslocamento. Vamos transferir cerca de 20% de impostos como PIS e Cofins do distribuidor para o produtor´, afirma o presidente da Petrobras Distribuidora, em evento recente no Rio de Janeiro.

A medida está prevista na MP 431/2008. Ainda em abril, dentro do plano para conter a sonegação, foi implementada a nota fiscal eletrônica para o distribuidor.

Royalties crescem 46,2%

A exploração nos territórios estaduais não se dá de graça. Para que a empresa concessionária possa perfurar e retirar petróleo de determinada região, ela precisa repassar, aos estados e municípios, os chamados royalties, que são compensações financeiras. E, neste ano, o Ceará vem tendo significativo incremento em seus cofres com a transferência destes recursos.

Exploração de petróleo rendeu compensações financeiras a 82 municípios cearenses (Foto: Divulgação)

De janeiro a abril deste ano, foram enviados, através da Petrobras, R$ 18,39 milhões por aqui, ficando R$ 4,93 milhões destes com o Estado e R$ 13,46 milhões com os municípios. Esse montante representa um acréscimo de 46,2% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram repassados pelo menos R$ 12,57 milhões.

Divisão do bolo

Quem mais lucrou com este aumento foram as cidades, que passaram de um recebimento R$ 8,55 milhões para R$ 13,46 milhões. Se observado somente o mês de abril, a elevação segue o mesmo patamar.

Com um salto de R$ 2,92 milhões para R$ 4,31 milhões, o Ceará obteve incremento de 47,4% com os repasses da Petrobras. No acumulado de 2007, os valores chegam a R$ 47,40 milhões, ficando R$ 13,12 milhões para o Estado e R$ 34,27 milhões das cidades.

Apesar de a exploração, hoje, estar concentrada em Icapuí, Aracati e Paracuru, 82 municípios são beneficiados com os royalties, por serem confrontantes ou afetados por operações de embarque e desembarque de petróleo. Aquele que obteve mais aportes, em 2007, foi Aracati, com R$ 7,5 milhões. Na seqüência, vieram Maracanaú (R$ 6,6 milhões) e Horizonte (R$ 3,9 milhões). Fortaleza vem em quinta colocação, com R$ 2 milhões, ficando atrás de São Gonçalo do Amarante (R$ 3,2 milhões).

Outros municípios com recebimento significativo de compensações são: Trairi (R$ 1,9 milhão), Paracuru (R$ 1,5 milhão), Itapipoca (R$ 1,5 milhão), Amontada (R$ 1,4 milhão), Itarema (R$ 1,3 milhão) e Icapuí (R$ 1,1 milhão).

Capital lucra

A capital cearense, mesmo não sendo produtora, recebe royalties por ter instalações de embarque e desembarque de petróleo e gás natural. No caso, a Unidade de Processamento de Gás Natural da Petrobras/Lubnor (Lubrificantes e Derivados de Petróleo do Nordeste). Fortaleza possui, ainda, cais e píer de atracação para recebimento de petróleo para a unidade processadora.

Lei dos royalties

A partir do ano de 1997, por meio da lei nº 9.478, a alíquota dos royalties passou de 5% para até 10% da produção, percentual este que pode, entretanto, ser reduzido a 5%. Isso ocorre quando são levados em consideração os riscos geológicos, as expectativas de produção, além de outros fatores pertinentes. O valor da produção é obtido através da multiplicação dos valores de petróleo e gás produzidos no campo durante o mês pelos preços de referência relativos àquele mês.

APOSTA DAS EMPRESAS
Ouro pode vir das profundezas do mar

O ouro está a grandes profundidades. É nas áreas de poços profundos que a Petrobras espera investir a sua exploração. A existência de petróleo no fundo do mar é levada a sério há mais de uma década e se encontram nestas regiões as últimas vultosas descobertas no País. A estimativa é de que existam 70 bilhões de barris de combustível sob o mar. Todo este petróleo se encontraria sob extensas camadas de sal, localizadas há mais de cinco mil metros de profundidade.

Os custos para o desenvolvimento dessas reservas são altos, dizem os especialistas. Muitos dos grandes projetos em águas profundas requerem o desembolso de mais de US$ 2 bilhões. Os custos, porém, têm sido contrabalançados pela alta taxa de sucesso registrada na exploração em águas profundas, associadas às grandes dimensões das reservas encontradas nestas áreas.

Auto-suficiência

A Petrobras e outras concessionárias apostaram nestas áreas já desde a segunda rodada negociações para novas explorações, promovida pela Agência Nacional de Petróleo (ANP) em 2000. Como resultado, já se teve anunciadas as reservas do campo de Tupi, que se encontram nestas áreas chamadas de pré-sal. O bloco Carioca também se coloca nesta região, mas ainda não foi declarado comercialmente viável, não podendo, ser chamado de campo.

Dados anteriores da Petrobras informavam que as descobertas realizadas até 2006 garantiam a auto-suficiência do Brasil até 2015. Para preparar os período posterior, a estatal esperava descobrir cerca de um bilhão de barris equivalentes de petróleo (BOE) por ano em uma década. Somente com bacia de Tupi — que possui entre 5 bilhões e 8 bilhões barris de petróleo e gás natural —, a empresa conseguiu superar, em muito, a sua expectativa. A descoberta poderá aumentar em mais de 50% as atuais reservas de petróleo, que somam 14,4 bilhões de BOE. Os investimentos previstos pela Petrobras de 2007 a 2011 somam US$ 1,540 bilhão.


FIQUE POR DENTRO
Royalties são compensações

RoYalties são o valor pago pelo direito de utilização de um bem pertencente a outrem. É devido pelo uso de patentes de invenção, processos e fórmulas de fabricação, despesas de assistência técnica, científica, administrativa ou semelhante.

Por conseguinte, os royalties de petróleo representam compensações financeiras a serem recolhidas pelos concessionários na etapa de produção de petróleo e gás natural, nos termos da Lei nº 7.525 de 28/12/1989 (parcela 5% produção) e da Lei nº 9.478 de 06/08/1997 (acréscimo da parcela que excede a 5% produção).

Os royalties são creditados aos estados e municípios beneficiários no segundo mês a partir do fato gerador (mês em que ocorreu a produção).

Fonte: ANP. Guia os royalties de petróleo, 2001.


Estatal tem R$ 300 mi para alocar no Estado

Além de explorar novos poços, a Petrobras já produz petróleo no Ceará desde 1981. E, para a manutenção das atuais áreas de exploração no Estado, a empresa conta, este ano, com um orçamento de R$ 300 milhões. Existem hoje quatro campos no mar, em plataformas localizadas em águas de até 60 metros de profundidade. Todos os campos estão situados no litoral de Paracuru: Carimã (com duas plataformas), Espada (uma plataforma), Atum (três plataformas) e Xaréu (três plataformas). Estes espaços são responsáveis por uma produção diária de 11 mil barris de petróleo e cerca de 300 mil metros cúbicos de gás natural.

Produção de petróleo em terras cearenses é realizada em Icapuí e Aracati (Foto: Silvana Tarelho)energia8

O gerente geral da unidade de Negócio de Exploração e Produção da Petrobras no Rio Grande do Norte e Ceará, Fernando Lima explica que, em cada plataforma, existem números diversificados de poços, que, juntos, formam o chamado campo. Já a produção terrestre é realizada na Fazenda Belém, em Aracati e Icapuí. Esse trabalho de exploração de petróleo desenvolvido pela empresa emprega cerca de mil colaboradores no Estado.

O primeiro campo petrolífero no Estado, o Xaréu, foi descoberto em 1977, e começou a produzir quatro anos depois. Somadas a produção total cearense e potiguar, tanto marítima quanto terrestre, o resultado representa disso 5% da produção nacional de petróleo.

A Petrobras é decisiva no desenvolvimento do Estado, com o recolhimento de R$ 634 milhões em Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), em 2006. A empresa atua no Ceará também com a Unidade de Refino de Lubrificantes e Derivados de Petróleo do Nordeste (Lubnor), que processa diariamente 1,3 milhão de litros de petróleo. Localizada na Capital, é uma das líderes nacionais em produção de asfalto e a única no País a produzir lubrificantes naftênicos.

ARRECADAÇÃO
Unidade de Lubrificantes gera 20% do ICMS do Estado

De cada R$ 10 arrecadados pelo Ceará, em 2007, com o ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços), cerca de R$ 2 foram provenientes da Unidade de Refino de Lubrificantes e Derivados de Petróleo do Nordeste (Lubnor). A empresa pertencente à Petrobras, sozinha, foi responsável pelo repasse de R$ 757 milhões ao Estado com o imposto durante o período.

A alta contribuição aos cofres públicos estaduais é explicada pelo gerente de comercialização da Lubnor, Eduardo Bellaguarda. De acordo com ele, todo o combustível produzido no Brasil pela Petrobras é comercializado aqui.

Atualmente, a unidade não produz combustíveis finais para comercialização, focando a sua atuação na produção asfalto (55%) e lubrificantes (35%), sendo o restante formado por resíduos. No ano passado, foram produzidos 177 mil toneladas de asfalto e 62,5 mil metros cúbicos de lubrificantes naftênicos — utilizados principalmente em equipamentos de geração de energia.

Inaugurada em 1966, a Lubnor é a única empresa que produz asfalto no Estado. A alta produtividade elevou a unidade a responder por até 13% da produção do País. Ocupando uma área total de 218 mil metros quadrados no Mucuripe, a fábrica gera empregos para cerca de 900 pessoas. Até 2009, a Lubnor passará por um processo de ampliação, dobrando a sua capacidade de produção, totalizando investimentos de US$ 60 milhões.


EÓLICA SERIA COMPLEMENTAR

Crise levou R$ 4 bilhões em energia térmicaenergia9

O Ceará conta com 14 parques eólicos em implantação, energia limpa e renovável e complementar, defende a Abeeólica (Foto: Kid Junior)

Mesmo com os entraves, 50% dos parques eólicos no Estado deverão funcionar até janeiro de 2009

Caso os projetos previstos no Proinfa (Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica), incluindo os 14 parques eólicos em implantação no Ceará, tivessem sido instalados, o País teria economizado R$ 4 bilhões com energia, nos últimos dois anos. A afirmação é de Lauro Fiúza, presidente da Abeeólica (Associação Brasileira de Energia Eólica), com base em estudo encomendado à especialista Leontina Pinto, diretora executiva da Engenho, Pesquisa, Desenvolvimento e Consultoria.

De acordo com Fiúza, mesmo com os entraves 50% dos empreendimentos no Estado deverão estar funcionando entre dezembro e janeiro de 2009 e os demais até junho do próximo ano.

´Isso significa que 250 megawatts entram no sistema até janeiro e os outros 250 megawatts em meados de 2009 — energia equivalente a 18% da matriz do Ceará´, destacou o empresário.

No entanto, para o presidente da Abeeólica, o ideal ´é a implantação de um programa que garanta uma geração anual de mil megawatts´. ´A produção de 200 megawatt ao longo do ano atingiria 30% do potencial de geração, o que significa, por exemplo, produzir 2,5 vezes o que o Ceará precisa´. ´Atualmente, o País necessita de 4,5 a 5 megawatt/ano a mais´, salientou Fiúza.

Linearidade

Ele defende a tese da linearidade no aproveitamento das matrizes energéticas. Por exemplo, no Ceará, no primeiro semestre chove muito e os ventos são fracos e nos seis meses restantes do ano, ocorre o contrário: as chuvas cessam e os ventos se tornam mais fortes. ´No 1º semestre, as águas seriam reservadas e produzindo energia; no segundo, os reservatórios seriam poupados e a utilização dos ventos seriam potencializados. Os dois sistemas teriam que trabalhar juntos´.

Lauro Fiúza: ideal seria geração anual de mil megawatts (Foto: Divulgação)energia10


Outro ponto que Fiúza destacou é a de que 50% das jazidas eólicas estão localizadas no Nordeste, das quais, 35% estão no Ceará e Rio Grande do Norte. O que credencia o Estado como grande produtor.

´Num momento como esse, em que presenciamos o crescimento contínuo da economia a necessidade de energia vai acelerar. Nesse contexto, a eólica entra como complemento à hidráulica, que hoje responde por 85% da energia fornecida no País´, salienta.

Para Adão Linhares, sócio da RM Energia, ´a tendência é a energia ficar cada vez mais cara; não temos gás natural, portanto necessariamente terá que ser importada´. ´Vivemos numa crise enérgica, crônica, há 15 anos, precisando sempre de térmica — uma energia cara, de contratação emergencial´, avalia o especialista.

EM DOIS ANOS
Mercado deve movimentar R$ 1 bi

O mercado de energia eólica no Ceará deve movimentar algo em torno de R$ 1 bilhão, em 2008/2009, com a implantação dos 14 parques que estão localizados nos municípios de Acaraú, Camocim, Beberibe, Paracuru, Aracati e Amontada. A projeção é de Fernando Pessoa, diretor de Atração de Investimentos da Adece (Agência de Desenvolvimento Econômico do Estado). Segundo ele, a parceria do governo estadual com a União, através do Proinfra, garante a compra da produção dos 500 megawatts.

Pessoa informa que o País tem potencial para gerar, com o aproveitamento dos ventos, 143 gigawatts de energia. Desse total, 60% estão no Nordeste, sendo que o Ceará e o Rio Grande do Norte respondem por 50% da potencialidade da região. ´Somente o Estado, tem viabilidade de produzir aproximadamente 40 gigawatts´. ´Considera-se que aqui está um dos locais de melhor qualidade de vento do mundo´, explicou.

Agora, para garantir que o mercado decole em médio e longo prazo, o governo estadual, através da Adece, está desenvolvendo alguns mecanismos para atração de empresas visando a implantação de um pólo industrial para a produção de equipamentos e componentes. ´Para isso, estão sendo realizadas algumas rodadas de negociações com empresas alemães, indianas e chinesas´, ressaltou Pessoa. Outro ponto ressaltado pelo diretor da Agência visando o incremento da geração de energia eólica é a parceria já firmada com o Governo Federal, por meio do Proinfa, que garante a compra do insumo. ´Nos próximos dias, governos estadual e federal, em associação com o BNB, trarão os ministros de Minas e Energia e Planejamento para ampliar o debate sobre o assunto´, adiantou Pessoa. Ele informou também que até o fim do ano entra em licitação a linha de transmissão que vai conectar os parques eólicos à rede nacional de energia elétrica do País.

Solar

O mercado de energia solar ainda é muito empírico no Ceará. ´O governo precisa criar mecanismos para desenvolver a geração de energia, como por exemplo, oferecer incentivos para atração de empresas´, mencionou. O que existe de mais concreto na área é a instalação de uma fazenda para produzir 50 MW de energia solar, em Tauá.

PARA ABEEÓLICA
Objetivo é acabar com mito de energia cara

O ´mito´ de que a energia eólica é cara vem se constituindo um dos entraves para a aceleração da geração, segundo Lauro Fiúza. Ele afirma que ´o custo de geração é três vezes mais barato do que o das térmicas´, embora ainda seja cerca de 42% mais cara do que a produzida pela hidroelétrica. Ou seja, enquanto um megawatt/hora de energia eólica custa em média R$ 200, a das térmicas é comercializada por valores a partir de R$ 600 e a elétrica gira em torno de R$ 140. Aponta também outras vantagens: é limpa, o impacto ambiental é praticamente zero, não precisa deslocar os moradores, não prejudica a economia local. ´É o único que pode ser construído em dunas, exatamente por não agredir o meio ambiente´, listou. O presidente da Abeeólica fez referência ao número de empregos gerados com a implantação dos parques eólicos, previstos para o próximo ano. ´A produção dos 500 megawatts de energia eólica vai gerar 5.200 empregos durante a implementação - são vagas na construção e na fabricação de torres´. ´A maior virtude não é o emprego direto, mas a oportunidade de captar novas indústrias´. Fiúza lembra que a 2ª maior empresa do mundo em produção de pás, a Tecsis, está no Brasil, em Sorocaba (SP). ´Tudo o que produz é exportado, sendo 45% dos itens destinados aos EUA. ´As indústrias só virão para o Ceará se tiverem um programa voltado para a expansão de geração de eólica´.

IMPACTO
Fonte pode reverter escassez em curto prazo

Para balizar a tese de que a energia eólica é uma fonte necessária e urgente, a Abeeólica contratou o ´Estudo do Impacto da Implantação de Usinas Eólicas na Oferta de Energia do Sistema Interligado Nacional´ preparado por Leontina Pinto. O trabalho aponta a eólica como uma fonte renovável, limpa, abundante e bem localizada — preferivelmente próximas à rede de transmissão, nas regiões mais carentes de energia ou mais vulneráveis às secas. ´A alternativa é capaz de reverter em curtíssimo prazo (menos de um ano) um possível cenário de escassez de eletricidade, a custos aceitáveis pela sociedade brasileira´, diz.

Isildene Muniz
Repórter

Fonte: Diário do Nodeste