::19.05.08 :: |
Petróleo: Novos poços no CE até 2012 |
PARTE NOROESTE DO ESTADO
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Bacia do Ceará Lima destaca que a Petrobras vem, nos últimos anos, investindo mais no Nordeste. ´É uma mudança que a empresa vem tomando. A meta é ter a produção máxima nesta região´, completa. Acreditando na potencialidade das águas profundas do litoral cearense (a 1.500 metros de lâmina), a Petrobras irá iniciar, até 2010, a perfuração de três novos poços na denominada Bacia do Ceará, na parte noroeste do Estado. ![]() O primeiro poço já será perfurado no próximo ano. De acordo com o gerente da Petrobras, a estatal já prospecta estas novas áreas há algum tempo. Já foram investidos, desde 2003, R$ 64 milhões nos trabalhos preliminares do campo, como exploração sísmica, estudos e a atual fase de contratação de embarcações para fazerem a perfuração da área. Sérgio de Sousa |
FAZENDA BELÉMCeará é o décimo produtorA produção registrou queda de 10% no ano passado (Foto: Divulgação) |
| Brasil produziu, no ano passado, 638 milhões de barris de petróleo, superando em quase 10 bilhões o alcançado em 2006, em uma média diária de 1,751 barris por dia. Mesmo com crescimento de apenas 1,5%, o total produzido foi suficiente para atender ao consumo interno e superar, em volume, a quantidade de petróleo e derivados importados pelo País. Em 2007, o País foi, pelo segundo ano consecutivo, auto-suficiente na produção do chamado "ouro preto".Com Tupi Com a confirmação das reservas de petróleo no campo de Tupi, na Bacia de Santos, a expectativa é de que o Brasil se coloque entre a oitava e nona posição na lista dos países com maior reserva do mundo, ficando ao lado da vizinha Venezuela. O campo tem reserva estimada entre 5 bilhões e 8 bilhões de barris de petróleo. Hoje, o Brasil é o décimo sétimo colocado no ranking mundial, liderado pela Arábia Saudita. Além deste campo, no início de abril, diretor-geral da ANP (Agência Nacional do Petróleo), Haroldo Lima, afirmou que o bloco BM-S-9, conhecido como Carioca, pode ser o 3º maior campo de petróleo do mundo. Com 33 bilhões de BOE (barris de óleo equivalente), ele seria cinco vezes maior que o megacampo de Tupi, na Bacia de Santos. Mas, ressaltou que as fontes são ´oficiosas´, mas oriundas da Petrobras. A Petrobras é responsável por 90% de toda esta produção. O monopólio da estatal acabou em 1998, quando outras empresas, inclusive estrangeiras, passaram a adquirir áreas através de contratos de concessão com a ANP, por meio de leilões. PRODUÇÃO DA LUBNOR Queda no refino não foi real A atividade de refino de petróleo e álcool representa 6% da produção industrial cearense, mas fortes retrações do setor vinham gerando resultados negativos para a produção física da indústria local, registrados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Em abril, a queda da atividade de refino chegou a 52,8%, gerando dúvidas sobre o desempenho do segmento por parte de representantes da indústria e do governo cearense. Para o gerente de comercialização da Lubnor, Eduardo Bellaguarda, o fato é explicado não por uma forte retração das atividades da empresa, mas por uma mudança na metodologia utilizada pelo IBGE. Segundo ele, a unidade produz o chamado C5+, que é uma espécie de gasolina não pronta para a comercialização, mas cuja produção vinha, até 2006, sendo avaliada pelo Instituto como tal. Entretanto, no ano passado, o C5+ foi desmembrado do grupo da gasolina (que representa 16,64% de participação no total da indústria de refino, pelo IBGE), o que fez com que fosse registrada uma forte queda geral na produção final do segmento no Ceará. ´A produção da Lubnor registrou, sim, queda no ano passado, mas não aos níveis que vinham sendo mostrados pelo IBGE´, explica Bellaguarda. A unidade decresceu 10% em sua produção em 2007, motivada principalmente pela queda na venda de asfalto. ´Isso ocorre porque, em 2006, a procura foi maior, pelo fato de ter sido ano de eleição. Este ano, o asfalto deverá, então, ter alta na comercialização´. Duplicação Está prevista para o segundo semestre deste ano a contratação da principal empresa que fará as obras de instalações de processo para o projeto de duplicação da Lubnor. Desde o início do ano, as obras da ampliação do espaço da unidade da Petrobras vêm sendo realizadas, empregando um contingente de 150 pessoas. Neste momento, está sendo feita a etapa de terraplanagem e preparação da infra-estrutura. À medida que uma etapa se encerra, novas se iniciam, e, com o tempo, vão sendo feitas novas contratações. O investimento com o projeto soma R$ 60 milhões. A expectativa da Petrobras é que a duplicação valorize o excedente de matéria-prima, o que proporcionaria a ampliação do atendimento ao mercado nacional, permitindo também a exportação. |
Possibilidades em terra firmePulverização da produção do biodiesel se tornou um desafio para a subsidiária estatal (Foto: Agência Brasil)
![]() Em terra firme ainda existem possibilidades de novas descobertas no Ceará. Na Fazenda Belém, localizada nos municípios de Aracati e Icapuí, espera-se que, até o fim deste ano, sejam perfurados novos 44 poços. Segundo a Petrobras, a licença ambiental da Secretaria de Meio Ambiente do Ceará (Semace) já existe. Novos petroleiros vão dar suporte à exploração e produção de petróleo e gás (Foto: Agência Petrobras) |
FIQUE POR DENTRO Afinal, o que é mesmo o petróleo? O petróleo é formado em ´bacias sedimentares´, que são depressões na crostra terrestre. As ´bacias sedimentares´ podem ocorrer no continente ou no mar, nas plataformas continentais junto ao litoral. O petróleo e o gás são gerados a partir da transformação de matéria orgânica depositada junto com certos sedimentos. São mais leves que a água e flutuam. ATIVIDADES OFFSHORE Estatal encomendará 146 embarcações Rio. A Petrobras dá início à contratação de 146 novas embarcações de apoio às suas atividades offshore. As encomendas integram o Plano de Renovação da Frota de Embarcações da companhia e serão feitas à indústria naval brasileira ao longo dos próximos seis anos. O anúncio foi feito durante a cerimônia de lançamento, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, da Política de Desenvolvimento Produtivo do Governo Federal, na semana passada, na sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (Bndes), no Rio. Cronograma A primeira licitação prevê a contratação de 24 embarcações e já está em andamento. As demais serão feitas até 2014, com prazos contratuais de oito anos. Todas as embarcações, uma vez construídas, serão afretadas à Petrobras pelas empresas licitantes. O conteúdo nacional de toda a nova frota deverá alcançar, por contrato, entre 70% e 80%, dependendo do tipo de embarcação. Das 146 embarcações programadas, 54 serão empregadas no manuseio de âncoras de grande porte, dez nas atividades de reboque e 64 em atividades de suprimento. Além dessas, serão contratadas 18 embarcações voltadas para operações de recolhimento de óleo exigidas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para cobertura das áreas de exploração e produção de petróleo e gás. Empregos Além de contribuir para o desenvolvimento da indústria naval e estimular a instalação de novos estaleiros no País, o Plano de Renovação da Frota de Embarcações da Petrobras proporcionará significativo aumento da oferta de empregos, tanto durante a construção quanto depois que os barcos entrarem em operação, pois de acordo com os contratos de afretamento a serem firmados apenas brasileiros poderão tripular as embarcações. Estima-se que durante as obras cada embarcação gerará cerca de 500 postos de trabalho. Além disso, quando a frota estiver em plena operação abrirá vaga para aproximadamente 3.800 tripulantes. DESEMPENHO DO BIODIESEL Aumentam desafios da BR Distribuidora Brasília. Em meio ao risco de escassez do petróleo, a Petrobras reforçou os investimentos da produção de biocombustíveis, a exemplo do biodiesel, feito com oleaginosas como a mamona. Hoje, o combustível com a mistora do óleo ecológico ao diesel mineral já é uma realidade em centenas de postos espalhados pelo País. Parte da produção vem do Nordeste, de forma ainda incipiente, pois o preço pago pela mamona aos produtores ainda não atrair mais gente para o negócio do biocombustível. Por estes fatores, logística e tributação são os dois principais desafios da Petrobras Distribuidora. Foi o que afirmou o presidente da empresa, José Eduardo Dutra, em visita recente ao Instituto Brasileiro de Executivos Financeiros (Ibef), no Rio de Janeiro. Dutra falou sobre ´O mercado brasileiro de distribuidores de combustíveis — avanços e perspectivas´. A pulverização da produção do biodiesel se tornou um desafio, pois seu transporte é todo feito via rodovias. Até pouco tempo, os principais insumos da distribuidora chegavam via dutos ou navegação de cabotagem. Por outro lado, de acordo com José Dutra, o desafio é maior devido ao bom desempenho do álcool, que nos próximos meses se iguala em volume de venda à gasolina. Boom dos flex Um dos principais motivos da alta é a frota flex de carros de passeio, que já responde por 21% do mercado, conseqüência do atraente preço do álcool para o consumidor (em 2006, em média, representou 68% em relação ao da gasolina. Em 2007, 57%). ´Os desafios são grandes, por causa do bom ponta-pé inicial que tivemos com o biodiesel´, disse José Eduardo Dutra. Ajustes Quanto à tributação, o presidente da Distribuidora afirma que é uma questão de amadurecimento do mercado. ´Os ajustes são naturais e necessários. Estima-se que 60% do álcool hidratado comercializado no Brasil sofra algum tipo de sonegação. O que representa perdas da ordem de R$ 1 bilhão´, disse Dutra. Porém, ele garante que não haverá aumento da tributação sobre o produto. ´O que vai acontecer é deslocamento. Vamos transferir cerca de 20% de impostos como PIS e Cofins do distribuidor para o produtor´, afirma o presidente da Petrobras Distribuidora, em evento recente no Rio de Janeiro. A medida está prevista na MP 431/2008. Ainda em abril, dentro do plano para conter a sonegação, foi implementada a nota fiscal eletrônica para o distribuidor. Royalties crescem 46,2%A exploração nos territórios estaduais não se dá de graça. Para que a empresa concessionária possa perfurar e retirar petróleo de determinada região, ela precisa repassar, aos estados e municípios, os chamados royalties, que são compensações financeiras. E, neste ano, o Ceará vem tendo significativo incremento em seus cofres com a transferência destes recursos.
Exploração de petróleo rendeu compensações financeiras a 82 municípios cearenses (Foto: Divulgação) ![]() De janeiro a abril deste ano, foram enviados, através da Petrobras, R$ 18,39 milhões por aqui, ficando R$ 4,93 milhões destes com o Estado e R$ 13,46 milhões com os municípios. Esse montante representa um acréscimo de 46,2% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram repassados pelo menos R$ 12,57 milhões. Divisão do bolo Quem mais lucrou com este aumento foram as cidades, que passaram de um recebimento R$ 8,55 milhões para R$ 13,46 milhões. Se observado somente o mês de abril, a elevação segue o mesmo patamar. Com um salto de R$ 2,92 milhões para R$ 4,31 milhões, o Ceará obteve incremento de 47,4% com os repasses da Petrobras. No acumulado de 2007, os valores chegam a R$ 47,40 milhões, ficando R$ 13,12 milhões para o Estado e R$ 34,27 milhões das cidades. Apesar de a exploração, hoje, estar concentrada em Icapuí, Aracati e Paracuru, 82 municípios são beneficiados com os royalties, por serem confrontantes ou afetados por operações de embarque e desembarque de petróleo. Aquele que obteve mais aportes, em 2007, foi Aracati, com R$ 7,5 milhões. Na seqüência, vieram Maracanaú (R$ 6,6 milhões) e Horizonte (R$ 3,9 milhões). Fortaleza vem em quinta colocação, com R$ 2 milhões, ficando atrás de São Gonçalo do Amarante (R$ 3,2 milhões). Outros municípios com recebimento significativo de compensações são: Trairi (R$ 1,9 milhão), Paracuru (R$ 1,5 milhão), Itapipoca (R$ 1,5 milhão), Amontada (R$ 1,4 milhão), Itarema (R$ 1,3 milhão) e Icapuí (R$ 1,1 milhão). Capital lucra A capital cearense, mesmo não sendo produtora, recebe royalties por ter instalações de embarque e desembarque de petróleo e gás natural. No caso, a Unidade de Processamento de Gás Natural da Petrobras/Lubnor (Lubrificantes e Derivados de Petróleo do Nordeste). Fortaleza possui, ainda, cais e píer de atracação para recebimento de petróleo para a unidade processadora. Lei dos royalties A partir do ano de 1997, por meio da lei nº 9.478, a alíquota dos royalties passou de 5% para até 10% da produção, percentual este que pode, entretanto, ser reduzido a 5%. Isso ocorre quando são levados em consideração os riscos geológicos, as expectativas de produção, além de outros fatores pertinentes. O valor da produção é obtido através da multiplicação dos valores de petróleo e gás produzidos no campo durante o mês pelos preços de referência relativos àquele mês. APOSTA DAS EMPRESAS Ouro pode vir das profundezas do mar O ouro está a grandes profundidades. É nas áreas de poços profundos que a Petrobras espera investir a sua exploração. A existência de petróleo no fundo do mar é levada a sério há mais de uma década e se encontram nestas regiões as últimas vultosas descobertas no País. A estimativa é de que existam 70 bilhões de barris de combustível sob o mar. Todo este petróleo se encontraria sob extensas camadas de sal, localizadas há mais de cinco mil metros de profundidade. Os custos para o desenvolvimento dessas reservas são altos, dizem os especialistas. Muitos dos grandes projetos em águas profundas requerem o desembolso de mais de US$ 2 bilhões. Os custos, porém, têm sido contrabalançados pela alta taxa de sucesso registrada na exploração em águas profundas, associadas às grandes dimensões das reservas encontradas nestas áreas. Auto-suficiência A Petrobras e outras concessionárias apostaram nestas áreas já desde a segunda rodada negociações para novas explorações, promovida pela Agência Nacional de Petróleo (ANP) em 2000. Como resultado, já se teve anunciadas as reservas do campo de Tupi, que se encontram nestas áreas chamadas de pré-sal. O bloco Carioca também se coloca nesta região, mas ainda não foi declarado comercialmente viável, não podendo, ser chamado de campo. Dados anteriores da Petrobras informavam que as descobertas realizadas até 2006 garantiam a auto-suficiência do Brasil até 2015. Para preparar os período posterior, a estatal esperava descobrir cerca de um bilhão de barris equivalentes de petróleo (BOE) por ano em uma década. Somente com bacia de Tupi — que possui entre 5 bilhões e 8 bilhões barris de petróleo e gás natural —, a empresa conseguiu superar, em muito, a sua expectativa. A descoberta poderá aumentar em mais de 50% as atuais reservas de petróleo, que somam 14,4 bilhões de BOE. Os investimentos previstos pela Petrobras de 2007 a 2011 somam US$ 1,540 bilhão. FIQUE POR DENTRO Royalties são compensações RoYalties são o valor pago pelo direito de utilização de um bem pertencente a outrem. É devido pelo uso de patentes de invenção, processos e fórmulas de fabricação, despesas de assistência técnica, científica, administrativa ou semelhante. Por conseguinte, os royalties de petróleo representam compensações financeiras a serem recolhidas pelos concessionários na etapa de produção de petróleo e gás natural, nos termos da Lei nº 7.525 de 28/12/1989 (parcela 5% produção) e da Lei nº 9.478 de 06/08/1997 (acréscimo da parcela que excede a 5% produção). Os royalties são creditados aos estados e municípios beneficiários no segundo mês a partir do fato gerador (mês em que ocorreu a produção). Fonte: ANP. Guia os royalties de petróleo, 2001. |
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Linearidade Lauro Fiúza: ideal seria geração anual de mil megawatts (Foto: Divulgação) Outro ponto que Fiúza destacou é a de que 50% das jazidas eólicas estão localizadas no Nordeste, das quais, 35% estão no Ceará e Rio Grande do Norte. O que credencia o Estado como grande produtor. Fonte: Diário do Nodeste |