:: 03.02.04 ::

Ceará terá primeira usina de energia de ondas das Américas


O Governo do Estado, a Eletrobrás e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) assinaram ontem convênio para a construção da primeira Usina de Energia das Ondas das Américas. O projeto foi desenvolvido pelo Laboratório de Tecnologia Submarina do Coppe (Coordenação dos Programas de Pós-graduação de engenharia da UFRJ) e os estudos para sua implantação custarão R$ 400 mil.

O governador Lúcio Alcântara foi, ontem, ao Rio de Janeiro, especialmente para assinar o convênio junto com o presidente da Eletrobrás, Luiz Pinguelli Rosa e a coordenadora do Coppe, Angela Uller.

Segundo o coordenador de energia da Secretaria de Infra-Estrutura, Adão Linhares, o protótipo da usina será instalado na costa do Ceará, em local ainda a ser definido, e vai gerar 500 KW, o suficiente para abastecer 200 famílias. A estimativa é de que a usina entre em operação em outubro de 2006. O convênio também inclui levantamento da capacidade de geração de energia de toda a costa brasileira.

De acordo com o Coppe, estudos preliminares revelaram que o litoral do Brasil tem potencial para suprir 15% do total de energia elétrica consumida no País, hoje em torno de 300 mil GWh / ano.

Com 8,5 mil km de costa e cerca de 70% da população ocupando regiões litorâneas, o Brasil apresenta condições propícias para obter vantagens com a energia dos mares, que é renovável e não poluente.

Linhares ressalta que o impacto ambiental para a instalação de uma usina como essa é reduzido. Já o custo de implementação é 30% mais barato que o de uma usina eólica e similar ao de uma usina hidrelétrica.

A implantação de usinas de energia das ondas vem sendo desenvolvida em vários países da Europa, Austrália e Japão. Só no Reino Unido existem sete projetos, dois em operação e cinco em estágio avançado de desenvolvimento.

Os pesquisadores da Coppe já iniciaram o mapeamento da costa do Ceará mas caberá ao governo decidir sobre o local de instalação do protótipo. O Estado foi o local escolhido em razão dos ventos alísios que sopram na sua costa.

Segundo o Coppe, a ação constante de ventos aqui proporciona a regularidade de freqüência e altura das ondas necessária para o bom funcionamento da usina.

Fonte: Diário do Nordeste

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