Entre os vários fatores que atraem a atenção internacional para um provável retorno ao uso da tecnologia nuclear estão: a disparada dos preços do petróleo, a crescente demanda em relação ao gás natural e a vagarosidade quanto à viabilização de outras fontes de energia, tais como a eólica e a solar.
Nos Estados Unidos e na Inglaterra, fala-se na retomada da construção de reatores nucleares, suspensa desde o trágico acidente de Chernobyl, na Rússia, em abril de 1986, o qual foi responsável, de início, pela morte de quatro mil pessoas. A organização não-governamental Greenpeace defende a inclusão, nessa contagem, de outras 96 mil pessoas, vítimas de câncer em decorrência da contaminação pela radioatividade.
Países asiáticos, ora em franco desenvolvimento, são decididamente favoráveis à retomada da tendência predominante antes das duas últimas décadas. A China tem cinco reatores e programa a construção de outros 13, enquanto na Índia existem sete unidades em obra e planeja-se a instalação de mais 24, segundo divulga a Associação Nuclear Mundial (WNA). Na Europa, a Finlândia iniciou a construção de um reator de terceira geração.
Idêntica orientação parece contagiar países da América Latina. A Argentina, com quem o Brasil tem acordos na área, anunciou há algumas semanas que pretende levar avante o projeto nuclear Atucha 2, interrompido há 25 anos. O presidente Néstor Kichner também reafirma a intenção de investir 1,5 bilhão de dólares para concluir a terceira central argentina dentro de no máximo três anos.
O término da construção de Angra 3, no Brasil, ainda não está de todo decidido, mas consta da pauta do governo e existe um grupo interministerial específico para discutir detalhes decisivos do tema, hipótese que seria considerada inaceitável há poucos anos.
Os defensores da retomada nuclear apontam o válido argumento de que o Brasil tem a sexta maior reserva de urânio do Planeta e é um dos poucos países a dominar o ciclo de produção do combustível nuclear.
Em relação ao Ceará, a exploração de urânio viria concretizar a realização de um antigo sonho de passadas administrações estaduais, sobretudo a do governador César Cals de Oliveira. Os depósitos de urânio de Lagoa Real, em Caetité, na Bahia, e os existentes no município de Santa Quitéria, no Ceará, possuem um potencial elétrico duas vezes superior ao das reservas de gás da Bolívia.
A mina da Bahia já vem sendo explorada e, dentro do contexto internacional que se delineia, as possibilidades de o Ceará finalmente ver explorada uma das maiores riquezas de seu subsolo voltam à tona com redobrada ênfase.
Apesar da polêmica ainda existente quanto à exploração da energia nuclear no País, essa poderia constituir um caminho, dentro de circunstâncias especiais, em favor do desenvolvimento econômico do Ceará, que apresenta igualmente potencialidade para produzir as energias eólica e solar.